A presidenta Dilma Rousseff participa da abertura da 15ª Marcha dos Prefeitos a Brasília.
Apesar de aprovada por mais de 70% da população brasileira, a presidenta Dilma Rousseff não está imune de vaias neste Brasil do futebol e do carnaval.
Ontem (15), se eu não estou enganado, a presidenta foi vaiada pela primeira vez em evento público desde que colocou a faixa presidencial recebida das mãos do antecessor Luís Inácio Lula da Silva. E a primeira vaia, como aquele velho sutiã da propaganda, ninguém nunca esquece.
Pois é. Dilma Rousseff foi vaiada por um grupo de participantes da 15ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios organizada pela barulhenta Confederação Nacional dos Municípios.
Capitaneada pelo gaúcho Paulo Ziulkoski, idealizador das marchas de prefeitos a Brasília, a CNM sempre armou o palco para presidentes (FHC, Lula e agora Dilma), ministros, governadores e parlamentares ao longo da última década. E sempre foi prestigiada.
Ninguém sabe se a confederação continuará com prestígio de agora em diante depois da vaia na presidenta, porque é pouco provável que Dilma aceite qualquer convite dos prefeitos tão cedo.
A pauta da confederação dos municípios é abrangente e o principal ponto de tensão com o governo federal é a repartição do bolo tributário. A União sempre fica com a parte do leão, apontam os prefeitos.
E foi justamente na cobrança por royalties do petróleo que os prefeitos irritaram a presidenta Dilma Rousseff. Antes de encerrar abruptamente o discurso que proferia na marcha em Brasília, ela disse aos prefeitos o seguinte: "não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje para trás. Lutem pela distribuição de hoje para a frente". Dilma foi vaiada, mas foi aplaudida também.
São os ossos do ofício. Mesmo em situação confortável no que se refere à popularidade, a presidenta Dilma Rousseff está sujeita a se deparar com plateias hostis. Isso já ocorreu no passado, acontece hoje e assim será. O mundo não vai acabar por conta da vaia que Dilma levou. Até o Lula, tão popular quanto ela, já levou vaia e segue em alta popularidade.
Por falar na presidenta Dilma Rousseff, uma notícia que interessa aos norte-rio-grandenses: a Presidência da República avalia dados para confirmar nova visita da presidenta Dilma Rousseff ao Rio Grande do Norte. Segundo informações da deputada Fátima Bezerra (PT), a viagem presidencial deverá acontecer no final deste mês ou na primeira quinzena de junho.
Dilma Rousseff pretende entregar as novas etapas do habitacional Minha Casa, Minha Vida em Parnamirim, onde o programa tem beneficiado bom número de famílias.
Por sugestão das deputadas Fátima Bezerra e Sandra Rosado (PSB), o Planalto estuda a viabilidade de uma visita da presidenta Dilma Rousseff ao Porto Ilha de Areia Branca, onde o governo federal investiu R$ 200 milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
A última visita da presidenta Dilma Rousseff ao RN ocorreu no final de novembro de 2011, quando foi assinado o contrato do novo Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.
Além da greve dos motoristas e cobradores de ônibus, outra paralisação chamou ontem (14) a atenção dos natalenses. Foi a dos enfermeiros da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Pajuçara, tida como centro de excelência no atendimento ao público na Zona Norte de Natal.
Digo isto levando em conta a propaganda da Prefeitura do Natal exaltandoa UPA de Pajuçara. Mas isso é coisa da propaganda.
Os profissionais da saúde que trabalham na UPA de Pajuçara estão há dois meses sem receber e decidiram cruzar os braços até que a Prefeitura do Natal se digne a pagar os salários.
Em fevereiro, uma greve estava prevista por causa do mesmo motivo: falta de pagamento aos profissionais. A paralisação foi abortada porque a prefeita Micarla de Sousa correu com assessores para transferir o dinheiro a uma tal de Associação Marca, encarregada de pagar os enfermeiros.
A prefeita Micarla de Sousa ainda fica se perguntando por qual motivo possui índices de desaprovação tão altos, acima dos 80%. Eu arrisco uma resposta rápida, prefeita: os serviços básicos nesta cidade funcionam precariamente. Geralmente, deixam a população que mais necessita na mão, prefeita! Se você olhar, vai ver.
É só pesquisar em qualquer jornal da cidade ou buscar a informação nos principais sítios de notícias: a prefeita Micarla de Sousa prometeu entregar quatro UPA's até o final do atual mandato.
Resultado: entregou apenas uma - a de Pajuçara -, não consegue concluir a da Cidade da Esperança e sequer fala nas outras duas. Ou seja, ela corre o risco de encerrar a gestão apenas com uma Unidade de Pronto Atendimento em funcionamento. Funcionamento precário, diga-se de passagem, porque a população não sabe quando pode contar com o serviço.
A UPA que funciona bem é a da propaganda da TV. Essa funciona maravilhosamente. E pelo visto, todos os profissionais que aparecem em cena estão com os salários em dia.
O artista plástico norte-americano Andy Warhol certa vez profetizou sobre a celebridade instantânea: "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama".
Carla Ubarana, ex-chefe do setor de precatórios do Tribunal de Justiça do Estado, completou ontem (13) seus "15 minutos de fama" em reportagem do Fantástico, da Rede Globo, o show da vida.
O programa não revelou nada de novo para o telespectador norte-rio-grandense que acompanha o caso na imprensa local. Segundo o Fantástico, houve uma farra milionária bancada com o dinheiro do contribuinte. "Dinheiro aos montes, desviado de um tribunal de justiça no Nordeste", disse o narrador. E foi mesmo.
O que mais me chamou a atenção foi a desfaçatez de Carla Ubarana na hora de contar os detalhes da fraude e o destino dado ao dinheiro roubado.
Com ar jovial, cabelo cortado, bem vestida e bem produzida, Carla Ubarana nem parecia aquela mulher arrasada e ajudada por policiais a caminho da prisão. Ela se apresentou altiva e, em determinado momento, se mostrou orgulhosa do malfeito: "Ninguém domina precatório. E eu posso lhe dizer que eu domino precatório", disse Carla sem modéstia.
A imagem do papel higiênico todo estampado com notas de dinheiro foi um escárnio.
Os repórteres da TV Globo nos pouparam de novo relato do marido de Carla, o George Leal. Seus detalhes e suas listinhas de gastos bastaram no depoimento dado em juízo. Foi um show à parte naquela ocasião e reprisado agora.
Para não dizer que não houve novidade, Carla Ubarana chegou a números redondos: "Foram retirados quase R$ 20 milhões. Não chega a R$ 20 milhões", conta. Não lembro de ela ter sido tão afirmativa. Pelo visto, as projeções iniciais do roubo - de R$ 40 milhões a R$ 70 milhões - serão derrubadas. Parece-nos que a fraude no TJ valerá, grosso modo, um acerto da Henasa (R$ 22 milhões só de prejuízos).
Segundo relato do advogado Francisco Gurgel Júnior, uma funcionária do desembargador Rafael Godeiro prometia transformar uma dívida de R$ 30 mil em R$ 1,5 milhão, bastava pagar uma propina de R$ 200 mil. "O nome dela era Ana Lígia", sapecou o advogado.
Os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro se negaram a dar declarações ao Fantástico dentro da estratégia da defesa de somente falar em juízo.
Foi assim que o Fantástico da Globo apresentou o escândalo dos precatórios no TJ para todo o país. Carla Ubarana dividiu as atenções com os suspeitos de roubar as fotos da atriz Carolina Dieckmann em poses íntimas, com a compulsão por remédios da cantora Vanusa, com a acusação de racismo contra o pagodeiro Alexandre Pires, com o quadro Acidentes Domésticos do doutor Drauzio Varella e com os gols do Fantástico. Afinal, tudo isso faz parte do Show da Vida.
A delação de Alcides Barbosa dará em algo na Justiça? A pergunta deve estar martelando na cabeça de muita gente, principalmente na dos envolvidos por ele nas fraudes supostamente ocorridas no Detran do Rio Grande do Norte.
No depoimento aos promotores, Alcides Barbosa demonstra conhecimento de fatos e nomes de autoridades que influenciaram e decidiram o trâmite do processo de criação e execução da inspeção veicular no Estado, suspenso no início do atual governo.
Em 11 horas de depoimento, ele detalha todo o esquema fraudulento do qual é acusado e agora réu confesso. As acusações são graves e abrangentes. Se verdadeiras, elas expõem as entranhas de poderes em conluio para lesar o patrimônio público.
Alcides Barbosa precisa provar o que falou na delação premiada. Antes de denunciar novos personagens ao juízo e piorar a situação de outros denunciados, o Ministério Público precisa checar a veracidade das declarações do empresário para evitar que a acusação caia no vazio.
O portal de notícias Nominuto.com segue sua trajetória de levar ao público todas as informações relevantes sobre a política e a administração pública. Em quase cinco anos de atividades, o portal cobriu com todo rigor os principais escândalos de corrupção no Estado - Operação Impacto, Operação Hígia, Operação Pecado Capital, Operação Sinal Fechado e Operação Judas. Quem acompanha o trabalho deste veículo sabe que todas as coberturas foram consistentes e destemidas.
Este é o nosso papel. E assim será. A TV Nominuto, no canal 27 da Cabo Telecom em Natal, segue a mesma linha. Os depoimentos dos acusados na Operação Judas, que escancarou as supostas fraudes dos precatórios no Tribunal de Justiça, foram apresentados na íntegra. E este procedimento abriu caminho para o aprofundamento da cobertura jornalística na imprensa potiguar e repercussão na mídia nacional que resultaram no afastamento de dois desembargadores do TJ.
Agora, o portal Nominuto e a TV Nominuto apresentam o depoimento do empresário Alcides Barbosa na íntegra. E não poderia ser diferente. Afinal, o distinto público, que paga imposto e que anda indignado com tantos desmandos na vida pública do Estado, exige informação de qualidade com toda seriedade. Este é o nosso papel. Esta é a linha de trabalho do portal Nominuto.com.
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, negou ontem (9) pedido de audiência solicitado pelo reitor da Ufersa (Universidade Federal do Semi-Árido) e pré-candidato a prefeito de Mossoró, Josivan Barbosa.
Barbosa se preparava para ir a São Paulo onde encontraria Falcão, mas o presidente nacional do PT frustrou a iniciativa.
Por meio da secretária, Rui Falcão disse que o encontro só teria sentido se Josivan Barbosa fosse comunicar a retirada do projeto de candidatura em Mossoró e o entendimento com o PSB local, como deseja a cúpula nacional do PT no arco de alianças nacionais do pleito municipal.
Josivan Barbosa tentou a audiência com o presidente nacional do PT para argumentar justamente o contrário, ou seja, para reafirmar a decisão do diretório municipal em favor da candidatura própria conforme prévia eleitoral realizada em março.
No próximo dia 18 de maio, a Executiva Nacional do PT deverá tomar uma decisão sobre a posição que o partido deve adotar na eleição de Mossoró.
Estou com a leve impressão que a reforma do secretariado da governadora Rosalba Ciarlini tende a mixar.
Até o momento, o único nome que "aceitou" o convite dela para compor o primeiro escalão do governo foi Carlos Augusto Rosado, o marido. Mas esse já não é novidade para muita gente. É da casa, da cota pessoal da governadora. Já governa com ela.
E seria um desastre maior se Carlos Augusto Rosado não aceitasse. Imagina? Seria o fim. Não dá nem para imaginar.
Rosalba Ciarlini enfrenta problemas sérios para convocar nomes fora do círculo íntimo do poder. Gente de envergadura.
Jaime Mariz resiste [chegou a descartar] a possibilidade de trocar a secretaria de previdência completar do Ministério da Previdência pela função de secretário estadual de Planejamento, como deseja Rosalba Ciarlini.
Resta saber se o ministro Garibaldi Filho, que compõe o conselho político da governadora, liberou o auxiliar. A impressão que se tem é que sim. Afinal, se houvesse qualquer objeção da parte dele a ideia teria morrido no nascedouro. Mas, não. A convocação de Jaime Mariz ganhou corpo e passou a ser considerada algo fundamental.
Jaime Mariz, engenheiro e assessor do mais alto gabarito, resiste. Disse que está muito bem em Brasília, obrigado!
Além da resistência de Jaime Mariz, a governadora enfrenta dificuldades para encontrar um gestor para saúde. Ninguém quer subir na "nau desgovernada" [o termo ganhou grande destaque nas mídias sociais no últimos dias por questão ligada à proctologia].
Rosalba teria convidado Antônio Araújo (Unimed), Ricardo Lagreca (Onofre Lopes) e Marcos Leão para o cargo vago desde a exoneração de Domício Arruda. A notícia é que nenhum aceitou a parada.
Em entrevista a mim, na segunda-feira (7), o senador Paulo Davim disse algo assim: "A situação é muito difícil na área da saúde. Nenhum nome sério, que deseja zelar por sua reputação e sossego, concorda em aceitar o cargo de secretário da saúde". E parece que a coisa é isso mesmo. As demandas são enormes, os recursos são escassos e os esquemas de corrupção no setor da saúde são históricos e insanáveis.
Eu soube também que a governadora tem tido dificuldade para encontrar um nome para a Comunicação Social. Ventilaram os nomes dos jornalistas Heverton Freitas [ex-secretário de Carlos Eduardo na Prefeitura de Natal] e Rubens Lemos Filho [ex-auxiliar de Garibaldi e de Wilma, que mandou dizer que não aceita]. Rosalba e o marido Carlos Augusto Rosado estão quebrando a cabeça para encontrar um nome de envergadura numa área que ela anda ampanhando feio, segundo a opinião de gente das cercanias do governo.
A decisão de substituir o jornalista Alexandre Mulatinho está tomada [José Agripino Maia foi um dos maiores defensores da troca], mas Rosalba ainda não tem um nome.
E seguem em aberto as vagas de secretário da Justica e Cidadania, Turismo e Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn). Quem se habilita?
Por favor, currículos devem ser enderaçados à Governadoria aos cuidados dos senhor Anselmo Carvalho, chefe do Gabinete Civil, que esquenta o lugar para o doutor Carlos Augusto Rosado.
O problema de Rosalba Ciarlini não é político. Ela conta com três senadores da República, quatro deputados federais, ministro de Estado, líder do PMDB, conta com maioria de deputados na Assembleia Legislativa. O grande problema de Rosalba neste momento é de gestão.
E me parece que ninguém anda disposto a ser nomeado por um e responder a outro.
Desde que eu confirmei a presença de Carlos Augusto Rosado na Chefia do Gabinete Civil da governadora Rosalba Ciarlini, vários leitores, ouvintes e telespectadores vêm questionando sobre a Lei do Nepotismo.
Ainda no domingo, via e-mail, encaminhei as seguintes perguntas ao procurador geral do Estado, Miguel Josino Neto, competentíssimo operador do direito:
1 - A Lei do Nepotismo impede a nomeação de Carlos Augusto para o Gabinete Civil? O que estabelece a lei?
2 - E qual o entendimento dos tribunais superiores? O RN tem alguma legislação se adequando à lei federal?
Por meio da reportagem do portal Nominuto, na manhã de ontem, o procurador nos encaminhou as respostas. Segundo ele, baseado em vasta doutrina e jurisprudência produzidas sobre o assunto, a nomeação de Carlos Augusto Rosado, marido de Rosalba, não configura prática de nepotismo. Por quê?
Porque a função a ser exercida por Carlos Augusto é de natureza política.
Vamos detalhar melhor: Nepotismo é "a prática pela qual uma autoridade pública nomeia um ou mais parentes próximos para o serviço público ou lhes confere outros favores, a fim de aumentar a sua renda ou ajudar a montar uma máquina política, em lugar de cuidar da promoção do bem-estar público", conforme cita o jurista Marcus Cláudio Acquaviva.
O Conselho Nacional de Justiça, Supremo Tribunal Federal e o governo federal regulamentaram as situações que se enquadram em favorecimento a partir de súmulas, resoluções e decretos. O CNJ foi o primeiro, em 2005, a vedar o apadrinhamento no âmbito do Judiciário; o STF ampliou para todos os poderes com a Súmula Vinculante 13, que diz:
"A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal."
Mas o STF prevê exceção para cargos de natureza política. "A Presidente pode nomear parente para Ministério, Autarquias e Fundações. O mesmo se aplica aos Estados (Josino lembra do governo de Rosinha Garotinho e do marido, nomeado Secretário de Estado). Ou seja, a Governadora Rosalba Ciarlini poderia, sim, nomear o marido Carlos Augusto Rosado para um cargo de Secretário de Estado e isso não se configuraria nepotismo", explicou Miguel Josino Neto, que acrescentou: "Os cargos de Secretários são cargos políticos. Seus ocupantes são agentes políticos, não servidores públicos".
Segundo o procurador geral do Estado, não há legislação específica sobre o assunto no Rio Grande do Norte.
"O Estado do RN aplica, por analogia, a legislação federal, no caso o Decreto nº 7.293, de 4 de junho de 2010. O STF, julgando o Recurso Extraordinário nº 579.951/RN, disse que "embora restrita ao âmbito do Judiciário, a Resolução 7 /2005 do Conselho Nacional da Justiça, a prática do nepotismo nos demais Poderes é ilícita". E disse mais: disse que "a vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a prática", destacou o procurador geral do Estado.
Portanto, Rosalba Ciarlini está liberada para nomear Carlos Augusto Rosado sem ferir a Lei do Nepotismo.
A governadora Rosalba Ciarlini já decidiu que o marido e ex-deputado Carlos Augusto Rosado assumirá o Gabinete Civil do Governo do Estado.
O engenheiro Jaime Mariz, atualmente no cargo de secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, substituirá Obery Rodrigues na Secretaria de Planejamento.
As mudanças discutidas pelo recém-criado Conselho Político do Governo [DEM, PMDB, PSDB, PR e PMN] serão anunciadas oficialmente durante esta semana.
Desde o início do governo, Rosalba Ciarlini é criticada pela suposta influência do marido nas decisões governamentais, fato que ela não nega e que justifica como resultado de uma convivência familiar e política de mais de 40 anos. A governadora decidiu oficializar a colaboração do esposo. O ato de nomeação de Carlos Augusto é arriscado, pois nenhum gestor deve nomear alguém que não possa exonerar.
Já a presença de Jaime Mariz se deve à experiência do engenheiro como gestor público em cargos dos governos estadual e federal somada à estreita ligação com o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, um dos líderes do PMDB. Com a nomeação de Mariz, Rosalba se aproxima mais do comando peemedebista.
Obery Rodrigues deverá assumir a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado em aberto desde a aposentadoria de Alcimar Torquato, no ano passado. A cadeira no TCE estava reservada à prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, nas negociações da eleição na cidade. Mas a prefeita decidiu encerrar o mandato.
O nome do promotor José Augusto Peres ainda não está descartado para assumir Secretaria de Justiça e Cidadania, mas os conselheiros da governadora sugeriram uma análise melhor da nomeação. A presença de um membro do MP dentro do governo incomada alguns políticos que influenciam as decisões de Rosalba Ciarlini.
Há quem defenda a nomeação de um policial federal para o comando da Sejuc. Aldair da Rocha, secretário de Segurança Pública e Defesa Social, oriundo da PF, estaria sondando nomes em Brasília.
Com a exoneração do médico Domício Arruda, a governadora analisa a nomeação de um gerente para a Secretaria da Saúde. Segundo minha fonte na Governadoria, não é necessário que seja um médico. O melhor ministro da saúde que o país teve foi um economista, José Serra, considera o grupo da governadora.
Para ocupar o Turismo, Rosalba ainda aguarda um nome do PMDB. Ela espera superar a crise após a saída de Ramiz Elali, indicação dos peemedebistas, que largou a pasta acusando desprestígio no governo. Como as coisas se encaminham para o fortalecimento do grupo de Garibaldi Filho no governo, é provável que o PMDB também fique com o turismo.
Alguns conselheiros da governadora defendem mudanças na Secretaria de Comunicação do Governo do Estado. A avaliação é que Rosalba Ciarlini estaria sendo injustiçada. O governo lista uma série de ações: duplicação de avenidas como a Olavo Montenegro, o prolongamento da Prudente de Morais, as demais obras de mobilidade, a ampliação da avenida Roberto Freire, a Arena das Dunas, a construção de mais de 3 mil casas populares, entre outras ações. E a impressão no núcleo duro do governo é que estas informações não chegam na ponta, ou seja, não chegam ao público.
Em crise, Rosalba Ciarlini mexe no primeiro escalão para evitar a "micarlização" do seu governo. Mas o que fica é a nomeação de Carlos Augusto Rosado como "primeiro ministro" da atual administração estadual.
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) deu o pontapé no Conselho Político do Governo, numa reunião ontem (26) em Brasília.
Segundo a assessoria do próprio governo, estiveram presentes o ministro Garibaldi Filho, o senador José Agripino Maia, o deputado João Maia e o marido de Rosalba, Carlos Augusto Rosado.
As ausências sentidas e justificadas foram as do deputado Henrique Eduardo Alves, ocupado com a votação do Código Florestal na Câmara, e a do presidente da AL, Ricardo Motta, cumprindo agenda em Natal.
O conselhinho foi criado para melhorar a articulação política com a base aliada e para reverter os baixos índices de aprovação do governo, principalmente na capital do Estado.
Na agenda divulgada por assessores da governadora, o conselhinho cuidará de tudo um pouco. Desde as eleições municipais, passando pela liberação de emendas ao OGU e por projetos de desenvolvimento.
A meu ver, esse conselhinho - no diminutivo por conta do pequeno número de participantes e todos já manjados - não vai dar em nada.
José Agripino Maia está às voltas com os estragos da dupla Demóstenes-Cachoeira e com as poucas chances do DEM nas eleições municipais.
Garibaldi Alves Filho tem mais o que fazer no Ministério da Previdência: inaugurar novas agências do INSS pelo Brasil afora.
Henrique Eduardo Alves está ocupadíssimo com a liderança do PMDB e com as investidas de gente da base aliada para ocupar a Presidência da Câmara dos Deputados, função reservada a ele pela cúpula do PMDB.
João Maia tem o Partido da República para tocar. E mais do que isso: precisa se proteger do Papa. Não do Bento XVI. E, sim, do Vivaldo Costa que já pediu a rádio em Caicó.
Ricardo Motta, presidente da Assembleia, está mais disponível. Já exerce as funções de vice-governador, mas apita pouco. É mais operador do que conselheiro de alguma coisa.
No frigir dos ovos, vai sobrar para Carlos Augusto Rosado que, além de dirigente estadual do Democratas, é o marido da governadora. Anda sobrecarregado, mas decide. E tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Ou seja, nada vai mudar.
O conselhinho é só um jogo de cena para aparentar um novo momento da articulação política do governo estadual. Na prática, não vai resultar em nada. Uma reunião aqui, outra acolá. Só isso. De prático, nada. Sabe por quê? Porque as decisões no Executivo são eminentemente monocráticas. No caso do Rio Grande do Norte, Rosalba não decide de maneira tão solitária, porque ela conta com a ajuda decisiva do marido Carlos Augusto Rosado. Mas, de uma maneira geral, o exercício do Poder Executivo é solitário.
Além disto, o conselhinho tem tudo para mixar este ano por causa das eleições municipais. Os palanques nas principais cidades desagregam mais do que unem. E isso costuma azedar a convivência de qualquer aliado. Prova maior é dada pelo PMDB que anda distante do DEM em Natal e Mossoró. Essa turma - DEM/PMDB/PMN/PR - só vai se entender mesmo nas eleições estaduais de 2014.
A governadora Rosalba Ciarlini deverá confirmar hoje (25) ou amanhã o próximo secretário de Justiça e Cidadania. As conversas estão avançadas com o promotor José Augusto Peres.
Trata-se de um dos bons quadros do Ministério Público Estadual. Ex-procurador geral de Justiça e titular da promotoria de defesa do consumidor em Natal, Augusto Peres poderá dar grande contribuição à reorganização das centrais do cidadão, atualmente sucateadas.
A Sejuc é um poço de problemas para Rosalba Ciarlini e para o futuro secretário. Além das centrais, José Augusto Peres terá de enfrentar os problemas do sistema penitenciário, em colapso desde a histórica fuga de Alcaçuz, e as deficiências da defesa civil.
Nestas três áreas [centrais do cidadão, presídios e defesa civil], o governo de Rosalba ainda não mostrou a que veio. Ainda não apresentou resultados práticos. O caos, a desorganização, a falta de estrutura são evidentes em todas elas.
Prova é que a governadora está anunciando o terceiro titular da pasta. Essa história que José Augusto Peres é indicação do PR de João Maia é conversa para boi dormir. A nomeação de Peres tem caráter técnico.
Tem algo errado no governo de Rosalba. Ela passou mais de um mês para encontrar um nome para Sejuc, o terceiro de sua gestão. E há mais de mês não consegue anunciar um nome para o turismo após a saída de Ramiz Elali.
Fala-se que é por conta das negociações com os partidos. No caso do turismo, o PMDB de Garibaldi. No caso da Sejuc, o recém-chegado PR de João Maia.
Rosalba não está nada bem no quesito articulação política. A insatisfação de aliados é notória. E o governo dá a impressão que está sem rumo.
A mossorização do governo é a marca maior da gestão de Rosalba Ciarlini. Para quem não conhece o termo, é o ato de Rosalba governar com os nomes 'importados' de Mossoró, cidade que administrou em três oportunidades. Ela só se sente à vontade com os ex-auxiliares de prefeitura. E a mossorização é sinônimo de centralização do poder nas mãos da governadora Rosalba Ciarlini sob forte influência do marido, o ex-deputado Carlos Augusto Rosado.