O financiamento público de campanha eleitoral já existe
Em tempos de campanha eleitoral, nós jornalistas costumamos perguntar aos candidatos sobre vários temas. Quando o assunto é reforma política todos eles desandam a apontar os lugares-comuns da matéria. Um deles é o financiamento público das campanhas políticas.
Ah! É moda. Todos eles são a favor. Parece que estou ouvindo cada um deles:
- Sou a favor do financiamento público de campanha. Com este instrumento vamos acabar ou pelo menos inibir a corrupção eleitoral, a compra de votos e o Caixa Dois das campanhas.
Balela!
Os políticos não costumam dizer a verdade ou passar a informação completa. Eu fui pesquisar o tema e descobri que o financiamento público das campanhas já existe. Na prática, já existe.
Que ver uma coisa? Sabe quanto as emissoras de rádio e TV vão receber em isenções do Imposto de Renda pela propaganda gratuita, que não é gratuita coisa nenhuma?
As emissoras vão receber 850 milhões de reais.
Some-se a isso os quase 200 milhões de reais do Fundo Partidário que é repassado às 27 legendas por ano. É o que está previsto no Orçamento da União de 2010. Tem mais: 40 milhões de reais em multas.
Ou seja, somando as isenções das emissoras de TV e rádio e o Fundo Partidário nós teremos mais de 1 bilhão de reais de dinheiro público destinado às campanhas eleitorais.
Mas não é só isso não. Desde o início da campanha eleitoral, governos, prefeituras, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais estão, praticamente, paradas em função das eleições.
Deputados, senadores, deputados estaduais, vereadores, secretários de Estado, servidores estão em campanha recebendo salários em dia. Isso também é dinheiro público nas campanhas eleitorais.
E sem essa de Caixa Um, Caixa Dois, Caixa Três ou que número tenha o Caixa. Quem banca as eleições neste país é o dinheiro público por dentro ou por fora, sob o guarda-chuva ou sem o amparo da lei.
Banco, empreiteira ou qualquer empresário não dá dinheiro a político pelos belos olhos que ele possa ter. Quer ter retorno dos cofres públicos com grandes contratos para obras e serviços públicos.
Uma coisa alimenta a outra. E não tem dinheiro privado não. É público.
Portanto, na prática, o financiamento público de campanha já existe. O contribuinte brasileiro já banca essa conta. Político nenhum diz isso.
Por isso, temos de acabar com essa história de eleição de dois em dois anos. Não há orçamento público que aguente tanta farra eleitoral. Vamos pressionar Brasília a aprovar eleições gerais a cada 4 ou 5 anos de vereador a presidente da República. Sai mais barato. Democracia é boa em qualquer lugar do mundo. Mas custa caro no país das maravilhas, o Brasil. Pense nisso.
Rosalba mantém liderança na corrida estadual e Ipespe aponta vitória no 1º turno
Ainda falta um mês para a eleição em 3 de outubro. E a dúvida persiste: haverá segundo turno na eleição estadual? Temos de esperar mais alguns dias.
Mas a pesquisa do Ipespe, contratada pela 96 FM, sinaliza o que pode ser a maior vitória numa sucessão estadual na história do Rio Grande do Norte. Se a eleição fosse hoje, segundo o Ipespe, Rosalba Ciarlini ganharia o pleito com uma diferença de mais de 400 mil votos em relação ao segundo colocado Iberê Ferreira de Souza.
É uma senhora vantagem, mas não é garantia de que a senadora do DEM vai liquidar a fatura no primeiro turno. É preciso observar o desempenho de Carlos Eduardo Alves, principalmente, em Natal onde ele foi prefeito.
Na capital do Estado, Calos Eduardo rivaliza com Rosalba nas intenções de votos estimulada e espontânea. Mas perde feio em Mossoró e no interior do Estado.
O nome de Rosalba está consolidado nas mesorregiões do Estado. É confeito ou bala de doce na boca de criança ou de velho. É fácil de encontrar, de engolir.
Se considerarmos apenas os votos válidos - sem brancos e nulos e sem os indecisos - Rosalba Ciarlini venceria hoje a eleição com 58% das intenções de votos. Iberê Ferreira teria de crescer mais de dez pontos para barrar esse favoritismo de vitória da candidata do DEM já no primeiro turno.
Ou esperar o crescimento de Carlos Eduardo Alves. Ou as duas coisas.
A rejeição do eleitorado aos candidatos também precisa ser observada. Rosalba Ciarlini é a que possui o índice menor, de apenas 23%.
Já Carlos Eduardo bate a casa dos 50% dos que não votam nele de jeito nenhum, segundo o Ipespe. E Iberê Ferreira que fica na casa dos 46%. Com alta rejeição, os dois adversários de Rosalba terão dificuldades para crescer na preferência do eleitorado potiguar.
Em relação ao Senado da República, Garibaldi Filho e José Agripino têm mantido boa vantagem sobre sua principal concorrente, a Dona Wilma.
Somados os votos do primeiro turno e do segundo, os dois senadores estão na casa dos 50 pontos percentuais - Garibaldi beirando os 60%.
Wilma fica ali na casa dos 38 por cento. Ainda é pouco para quem quer tirar um dos dois do Senado. Principalmente, José Agripino, tido como alvo preferencial da campanha wilmista.
Olhando os números do Ipespe, dá para dizer a Garibaldi que ele pode passar no alfaiate da família e encomendar o terno da posse da reeleição. Esse parece que pode cantar vitória antes do dia 3 de outubro.
DEM nega esconder Serra, mas elogia ações de Lula para não perder votos
Salta aos olhos de qualquer eleitor mais atento a falta de propaganda do presidenciável José Serra com os aliados aqui no Rio Grande do Norte.
De maneira tímida, eu tenho visto alguns cartazes e adesivos do deputado federal Rogério Marinho com o Serra por aí afora.
Mas também pudera! o Rogério é presidente estadual do PSDB, partido do Serra. Aí seria demais!
O que todo mundo nota é que as campanhas majoritárias da candidata Rosalba Ciarlini e a do senador José Agripino Maia estão evitando uma exposição da imagem de Serra nos eventos políticos.
Eu ainda não vi um cartaz da Rosalba com Serra. Também não vi nenhum cartaz do Agripino com o Serra. Não aparece nem santinho.
E essa dificuldade do José Serra não ocorre somente aqui no Rio Grande do Norte, mas em vários estados brasileiros, principalmente, no nordeste. O presidente Lula conta com o apoio de mais de 80% do eleitorado. Quem fala mal do Lula, perde votos.
É por isso que não há foto de Serra com Rosalba e com Agripino. É por isso que Rosalba e Agripino elogiam as principais ações do governo Lula, como o Bolsa Família, a transposição do Rio São Francisco e por aí vai...
Parece-me que não é tempo de o Democratas fazer oposição a Lula. Muito menos sair por aí com a foto do José Serra.
Mas esse posicionamento tem de ficar claro. O eleitor não pode ser ludibriado. Eu lembrei do ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, caído em desgraça depois de uma declaração em off nos estúdios da Globo em Brasília. Eu estava lá na época.
Ricupero dizia para o jornalista Carlos Monforte, então editor do Bom Dia Brasil, sobre as coisas da economia: - o que é bom a gente mostra. O que é ruim a gente esconde.
Será que é isso o que está ocorrendo nas campanhas de Rosalba e de José Agripino quando o assunto é José Serra?
Sociedade deve pressionar Congresso a acabar com eleições a cada dois anos
Já está na hora de o povo brasileiro pressionar seus representantes políticos – governantes e parlamentares – a discutirem uma questão importante da tão sonhada reforma política: a coincidências das eleições no nosso país, ou seja, a eleição geral, de vereador a presidente da República.
Temos de acabar com essa história de eleição a cada dois anos. Não tem orçamento público que chegue, que agüente.
Vejamos o que ocorre hoje: em 2010 estamos votando para renovar a assembleia estadual, a bancada federal – deputados federais e senadores -, para governador e para presidente da República.
Daqui a dois anos, voltamos às urnas para eleger prefeitos e vereadores.
Quem é candidato a deputado, senador, governador e a presidente da República volta às ruas para pedir votos e defender seus candidatos, apoiando e bancando candidaturas. Dois anos depois, todos voltam às ruas para renovar ou buscar novo mandato.
Ou seja, estamos em permanente processo eleitoral. Num período de quatro anos, em tese, temos a folga de um ano entre uma eleição e outra. Mas não é o que ocorre na prática. Termina uma eleição, o político já pensa na próxima. Conheço alguns que fazem planos para duas ou três eleições. É assombroso.
A gente não tem a figura do financiamento público de campanha, minha gente, mas, na prática, quem banca o mercado eleitoral é o orçamento público nos três níveis de governo. Por mais que haja fiscalização dos tribunais de contas, do ministério público, conselhos, das controladorias de contas e da imprensa, o orçamento público é sangrado para bancar as candidaturas, as milhares de candidaturas, Brasil afora. E no Rio Grande do NRrte não seria diferente.
E a sangria do orçamento público em ano eleitoral resulta em falta de dinheiro para a saúde, educação, transportes, pagamento de servidores, pagamento de fornecedores e prestadores de serviços e produtos, carências de toda a ordem. Isso sem falar na corrupção descarada e a compra de votos no atacado e no varejo.
Portanto, temos de acabar com essa história de eleição de dois em dois anos. Sou simpático à idéia de eleições gerais a cada quatro ou cinco anos de vereador até presidente da República. Sairia mais barato. Pra mim, pra você, para todos nós, afinal, quem paga essa conta é o cidadão brasileiro com o dinheiro dos impostos, muitos impostos, que pagamos sem saber para onde vai.
Campanha de dois em dois anos só serve para quem trabalha diretamente com as eleições – marqueteiros, publicitários, lideranças políticas, os próprios políticos – que vê nisso um negócio, um toma-lá-dá-cá de benesses e de valores que só serve para alimentar o mercado da eleição no Brasil. Negócio milionário que só atende a poucos. Pense nisso.
A Rádio 96 correu o risco de ficar fora do ar e levar multa nesse período sempre turbulento de campanha eleitoral.
A coligação "Vitória do Povo" entrou com ação contra a 96 FM, que alegou privilégio concedido aos senadores José Agripino (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM) após a leitura de uma nota no Jornal 96, no dia 3 de agosto, respondendo as declarações da candidata ao Senado, Wilma de Faria (PSB), sobre a atuação dos parlamentares no Congresso Nacional.
O juiz eleitoral auxiliar do TRE, Aurino Vila, julgou improcedente o pedido da coligação que tem como candidatos principais o governador Iberê Ferreira de Souza e Dona Wilma, candidata ao Senado.
Na sua decisão, que faço questão de destacar aqui no Jornal 96, o juiz Aurino Vila prolata:
"Compulsando os autos, não verifico a concessão de tratamento privilegiado a um candidato em detrimento do outro, inexistindo, portanto, a alegada quebra do tratamento isonômico defendida na peça inaugural. Cumpre ainda destacar que, apreciando as notas ofertadas por José Agripino e Rosalba Ciarlini, percebe-se que tiveram como conteúdo a divulgação de suas atuações enquanto parlamentares da bancada do Rio Grande do Norte, se dirigindo, portanto, aos comentários realizados pela candidata da coligação representante", destaca o magistrado.
Na decisão, o juiz alega que a proximidade em que foram veiculadas a entrevista e o esclarecimento respectivo, demonstra que o objetivo da divulgação da nota foi dar oportunidade para que os candidatos citados, de forma imediata, pudessem ter o direito à réplica sobre a atuação parlamentar dos senadores, não constituindo assim, propaganda eleitoral, como defendeu a assessoria jurídica da coligação "Vitória do Povo".
O juiz Aurino Vila ainda diz em sua sentença:
"Caso a candidata da coligação autora (Wilma de Faria) se sentisse lesada por tal esclarecimento ou mesmo por outro fato, poderia ter pleiteado o mesmo espaço, mas assim não o fez, limitando-se a arguir tratamento privilegiado sem sequer ter tido qualquer negativa em face de uma pretensão similar à ora combatida. Não vejo, na conduta em apreço (divulgação de nota referente à entrevista divulgada no dia anterior), situação bastante a implicar em um fato ilegal, que tenha malferido o equilíbrio na disputa eleitoral. Entendo, portanto, inexistente violação ao art. 45, inciso IV da Lei n.º 9.504/97 na conduta ora vergastada", finaliza o juiz.
Olha, eu fico feliz e aliviado com a decisão do TRE. Em nenhum momento tive a intenção de desequilibrar a disputa eleitoral. O direito de resposta sempre foi respeitado no exercício da minha profissão. Não seria diferente agora.
A meu ver houve uma tentativa de intimidação ao veículo, a Rádio 96 FM, e ao jornalista que apresenta este programa, o Jornal 96, há 8 anos.
Ao longo da última década, eu cobri quatro eleições aqui no Rio Grande do Norte. A deste ano de 2010 é a quinta. Nunca levei multa, nunca fui questionado, nunca foi pedido um direito de resposta e nunca a 96 FM ficou fora do ar por conta de atitude minha descumprindo a legislação eleitoral.
Eu me orgulho disto. Como eu disse na semana passada, em comentário sobre o compromisso de ouvir os dois lados da notícia, respeito o direito ao contraditório.
Na semana passada, quando eu soube da ação da coligação Vitória do Povo e demonstrei minha discordância com o episódio, o governador Iberê Ferreira de Souza, candidato à reeleição, me mandou dizer que não tinha nada a ver com a história. Que era coisa da campanha de Dona Wilma.
Já Dona Wilma, candidata ao Senado e que de mim sempre recebeu tratamento correto e respeitoso, mandou dizer que não sabia de nada e que a ação era coisa dos "advogados da campanha", jogando toda a responsabilidade sobre os ombros do meu amigo e nobre advogado Erick Pereira, de quem já fui um humilde cliente.
Eu não acredito que marqueteiros e advogados decidam ações jurídicas no calor de uma campanha sem o aval dos candidatos majoritários que formam a cúpula da coligação. A responsabilidade da ação é dos candidatos. Eles respondem juridicamente por todos os atos de uma campanha política, segundo rege a Lei Eleitoral.
Eu entendo os interesses desta ou daquela candidatura, mas há uma distância muito grande entre o desejo de alguns de cercear o acesso à informação e o direito à liberdade de imprensa.
Estou muito feliz porque fez-se Justiça neste episódio lamentável.
Qual é a prioridade dos governos neste momento? Eu respondo: as eleições
Não adianta estrebuchar. Nem arrancar os cabelos. Se está faltando algum medicamento no posto de saúde, se está faltando cesta básica do Cidadão Sem Fome, se o caminhão do lixo não passa em frente da sua casa há mais de uma semana, se falta pagamento a você ou sua empresa que forneceu serviço e produtos, tenha calma: faltam apenas 53 dias para as eleições. Até lá, não se engane, a prioridade dos políticos e dos governantes é a eleição.
Tenha paciência!
Veja este exemplo, regisrado pelo portal Nominuto e relatado pela repórter Carla Cruz:
As obras do Programa Pró-Transporte, na zona Norte de Natal, continuam atrasadas e comprometidas. Isto porque o governo do Estado ainda não liberou os R$ 2 milhões necessários para parte das desapropriações na área.
O portal Nominuto.com vem acompanhando a situação desde o dia 27 de julho, quando o secretário Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura de Natal, Demétrius Torres, concedeu entrevista coletiva, na qual apresentou o projeto e justificou a sucessão de atrasos da obra.
Segundo Demétrius, a execução dos trabalhos está comprometida porque o Governo do Estado não cumpriu com sua parte, segundo o 9º Termo Aditivo ao Convênio 218/2006, firmado em 7 de agosto de 2009.
O documento estabelece o valor de R$ 7.876.275,86 que deveriam ser repassados pelo Estado ao Município, para o pagamento das desapropriações.
Na semana passada (terça-feira, 3), o secretário Estadual de Infraestrutura, Dâmocles Trinta, rebateu as críticas do titular da pasta estadual e garantiu que o dinheiro seria liberado até o final da semana, no caso, até a sexta-feira passada, dia 6 de agosto.
No entanto, passada uma semana, os R$ 2 milhões ainda não estão na conta bancária aberta pela prefeitura especialmente para o programa.
Na tarde de ontem, terça-feira (10), foi a vez do secretário Estadual de Planejamento e Finanças, Nelson Tavarias, dar suas explicações para a sucessão de atrasos na liberação dos recursos.
Segundo ele, os trâmites burocráticos para transferência dos recursos para o Município está dependendo ainda de documentos que devem ser enviados pela secretaria de Infraestrutura. Ou seja, venceu a tal burocracia.
Governo e Prefeitura de Natal não se entendem sobre as obras do Pró-Transporte. A Prefeitura da capital diz que fez sua parte. O Governo alega conclusão do trâmite para liberação dos recursos.
O Pró-Transporte é um programa do Ministério da Cidades que visa financiar o setor público e a iniciativa privada de infraestrutura de transporte coletivo urbano. Uma das áreas mais beneficiadas será a Zona Norte.
Com orçamento total estimado em R$ 80 milhões, as obras abrangem o traçado que se inicia na avenida Tomaz Landim, passando pelas avenidas das Fronteiras, Rio Doce e Tocantínea, até a avenida Moema Tinoco. Desse entroncamento para um lado passa pela avenida Conselheiro Tristão até a Ponte Newton Navarro e para o outro lado até a BR 101.
As obras se arrastam há mais de três anos devido a impasses entre Estado e Município. Apenas 15% do projeto foi executado até o momento.
Este é um exemplo claro de que o cidadão deve esperar. Sim, esperar. Esperar o fim das eleições, porque, volto a dizer, até lá os políticos só pensam naquilo: votos, votos, votos, votos, votos...
Apesar do buxixo no twitter e demais redes sociais, nó estamos longe de um fenômeno Obama nas eleições deste ano aqui no Brasil. O presidente norte-americano fez o maior sucesso em sua campanha utilizando a internet para mobilizar simpatizantes de sua candidatura e, principalmente, usou a rede para arrecadar fundos de campanha.
A internet está mais presente na nossa campanha eleitoral, mas não será fundamental. De acordo com o IBGE, apenas 23,8% das casas neste país têm acesso à internet. No caso da TV, ela está presente em 95% dos lares brasileiros.
Por isso o guia eleitoral na TV e no rádio é esperado com ansiedade pela classe política. A TV, mais precisamente a TV, será fundamental para consolidar candidaturas ou virar o jogo eleitoral.
A propaganda na TV e no rádio vai durar 45 dias em dois blocos diarios, totalizando 63 horas ao todo, de 17 de agosto a 30 de setembro. Fora as inserções, os chamados spots dos candidatos, espalhados na programação das redes de TV. Vai ser uma festa.
Me chamou a atenção uma pesquisa do Datafolha divulgada no mês passado. A televisão ainda é o principal veículo de informação da nossa população. Segundo o instituto, 65% dos brasileiros utilizam a TV para se informar.
Os jornais aparecem em segundo, com 12%. E a internet e o rádio com 7% cada.
Portanto, prepare-se para o bombardeio televisivo. O alvo é você, eleitor.
Atendimento médico nos hospitais públicos é loteria para o cidadão comum
Não é de hoje que o cidadão constata a precariedade no sistema público de saúde em nosso estado e na nossa capital, Natal.
Não é de hoje que o cidadão constata a precariedade do sistema público de saúde em nosso estado e na nossa capital, Natal.
Entra governo e sai governo, ninguém consegue dar um rumo certo a essa área que está entre as maiores preocupações da população. Basta olhar qualquer pesquisa que tente aferir os maiores problemas das comunidades em tempos de campanha eleitoral.
Os políticos na caça ao voto, de uma maneira geral, discorrem sobre a melhoria da saúde de forma genérica, muitos sem conhecmento técnico e outros por puro desinteresse com o coletivo.
Segundo ouvi de alguns deles, saúde é um problemão, não tem solução, só causa aporrinhação e sujeito a corrupção.
Pois bem. Os candidatos ao Governo do Estado e ao Congresso Nacional devem deixar claro o plano de ação na área da saúde em caso de eleição. A população precisa saber como o SAMU será reforçado, se teremos mais equipes de saúde da família, se teremos profissionais qualificados e bem pagos, se os hospitais estarão equipados, se a capital e principais cidades do estado terão mais unidades de atendimento de baixa, média e alta complexidade, se teremos medicamentos dentro da validade e bem conservados. Ou seja, a população quer ver, na prática, a melhoria do nosso sistema público de saúde.
Volto a dizer: o nosso sistema público de saúde é doente. Nele impera a desqualificação de muitos profissionais, o desperdício de verbas e materiais de uso médico e a corrupção.
O resultado disso são histórias como a do senhor José Ferreira da Costa, de 40 anos, que perdeu a esposa Rosenilda Gonçalves do Nascimento, de 39 anos, segundo ele próprio conta, por atendimento médico defasado, ineficiente e desumano.
A dona de casa teve hemorragia pós-parto e ficou mais de 12 horas sangrando à espera de um leito de UTI. Rosenilda peregrinou pela Maternidade Leide Morais, Hospital Santa Catarina, onde sangrou, praticamente, até a morte, e faleceu num hospital particular, o Natal Hospital Center, onde já chegou, praticamente, morta.
O drama deste senhor é contado em reportagem exclusiva do Nominuto.com no último sábado.
Ela chama a atenção para um dos maiores problemas que a sociedade convive há bastante tempo. A história de José Ferreira e Rosenilda é um tapa na cara de todos nós. E essa tapa deveria arder na cara cínica de muitos que só pensam em votos e esquecem de tratar a saúde como prioridade neste país e neste estado.
Ao longo dos meus 22 anos de jornalismo, eu sempre tive um compromisso: o de respeitar o contraditório e, agindo assim, ouvir dos dois lados da notícia.
Quando algum colega mais jovem ou algum estudante de faculdade me pergunta sobre isenção jornalística - se ela existe - falo que o respeito ao contraditório é o que há de mais próximo da isenção no jornalismo.
E assim venho agindo no exercício da minha profissão.
Aprendi isso desde cedo nos bancos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, nas emissoras de TV locais e nacionais e com os bons profissionais com quem tive o prazer e a honra de trabalhar.
E fiz valer este compromisso nas colunas de jornais - nunca mandei direito de resposta de qualquer personagem da notícia para a a seção de cartas do leitor -, nos programas de TV e neste programa de rádio que eu apresento há oito anos, aqui na 96 FM.
A busca dos dois lados da notícia e o respeito ao contraditório são dogmas para mim em se tratando de jornalismo.
No CASO GUSSON dos tempos do Governo Garibaldi, eu e minha equipe ouvimos os dois lados da notícia.
Na CPI DO LEITE, ouvimos os dois lados da notícia.
No FOLIADUTO, que fez a festa de muita gente com shows fantasmas, segundo denúncias do Ministério Público e processo na Justiça, ouvimos os dois lados da notícia.
No MENSALÃO DO PT, ouvimos os dois lados da notícia.
No recente MENSALÃO DO DEMOCRATAS, ouvimos os dois lados da notícia.
Na OPERAÇÃO IMPACTO, que causou um estrago enorme na imagem da Câmara Municipal de Natal, ouvimos os dois lados da notícia.
Na OPERAÇÃO HÍGIA, que tirou o sono de tanta gente dentro e fora dos governos, também ouvimos os dois lados da notícia.
Nas campanhas de federações, associações e da Ordem dos Advogados, ouvimos os dois lados da notícia - no caso da OAB já virou tradição aqui no Jornal 96 o bate-papo de todos os candidatos no dia da votação.
Nas campanhas eleitorais, também ouvimos os dois lados da notícia. E mais, em período eleitoral, busco ouvir todos os candidatos e as mais representativas candidaturas.
Em campanha eleitoral, eu costumo abrir amplo espaço para a Justiça Eleitoral levar as informações ao eleitor, ao cidadão, a todos, porque este é meu compromisso como jornalista.
É desta forma que eu colaboro, como profissional e como cidadão, para o processo democrático do meu estado e do meu país.
Eu respeito o contraditório. Eu assumi o compromisso de ouvir os dois lados da notícia. E assim eu vou continuar agindo no exercício da minha profissão.
Quem só gosta de elogio, quem é afeito apenas ao puxa-saquismo, quem só lembra do direito de resposta quando lhe é conveniente, quem esquece da postura digna que tenho tido no exercício da minha profissão e nos programas que apresento, me desculpe. Mas eu vou continuar respeitando o contraditório e buscando ouvir os dois lados da notícia.
Este é meu compromisso com você, ouvinte do Jornal 96. Este é meu compromisso com os meus leitores, internautas e telespectadores do Nominuto.com.
Para Wilma, nenhum dos senadores do RN lhe serviu durante o Governo
Para bom entendedor, meia palavra basta. Ontem, na rodada de entrevistas com os candidatos ao Senado, a ex-governadora Wilma de Faria afirmou que os atuais senadores do Rio Grande do Norte - Rosalba Ciarlini, José Agripino e Garibaldi Filho - não trabalharam pelo povo potiguar durante o seu governo.
Segundo Wilma, os três senadores estiveram na oposição. E nenhum deles, de acordo com ela, a apoiou.
Palavras da candidata ao Senado pelo PSB:
- Não vou dizer quem foi o mais fraco, mas eles não trabalharam na tribuna mais importante do Congresso Nacional para lutar pelos benefícios que o RN merecia.
As declarações de Wilma não poupam nem Garibaldi Filho, primo de Henrique Alves, aliado de Wilma.
Em entrevistas e em privado, Wilma de Faria sempre criticou a falta de ação de Garibaldi no período em que ele exerceu a Presidência do Senado. Para a ex-governadora, Garibaldi Filho, como presidente do Congresso Nacional, fez pouco pelo Estado.
O queixume de Wilma em relação a Garibaldi também deve-se ao fato de o senador do PMDB ter preferido aliar-se ao DEM de José Agripino na eleição majoritária, fechando todas as portas para o bloco wilmista. Wilma foi preterida e orgulho de mulher é fogo! Queima!
Quanto ao DEM, esse é o alvo preferencial de Wilma e de seus principais aliados como o PT. A ex-governadora dá a entender que seu concorrente direto é José Agripino Maia. As pesquisas neste momento revelam a briga direta entre os dois. E Wilma parece ter escolhido Agripino como adversário por uma vaga no Senado. Não que ela não possa e deva ficar com a vaga que pertence hoje a Garibaldi Filho. Mas a vaga de José Agripino parece estar mais vulnerável, segundo entendimento dos wilmistas.
No que diz respeito a Rosalba Ciarlini, o objetivo de Wilma é desqualificá-la como parlamentar, apontando o pequeno acervo de projetos e ações da senadora em Brasília. É assim que tenta ajudar Iberê Ferreira na luta pelo Governo.
Wilma não pode se estender muito nas críticas. Ela já foi aliada de todos eles.
Um dos principais temas da campanha eleitoral deve ser a carga de impostos neste país. O Brasil tem uma das mais altas do mundo. Ela beira os 40% de tudo o que se produz. Ela atinge todas as classes sociais. Do rico ao pobre. E, proporcionalmente, a alta carga tributária prejudica os mais pobres.
Se pelo menos o dinheiro arrecadado pelos governos, todos eles – União, Estado e Município – resultasse em serviços públicos eficientes, vá lá! Mas, não. O contribuinte, de uma maneira geral, reclama dos serviços que são prestados pelos governos. A classe média, por exemplo, tem de pagar duas vezes: além de pagar os impostos, precisa bancar serviços privados na saúde, segurança, educação e transportes.
Os candidatos precisam tratar do assunto nesta eleição, principalmente, os que pretendem ter assento em Brasília. O assunto é árido, alguns deles nem sabem do que trata, mas é importante de ser falado em praça pública.
Geralmente os candidatos tratam da reforma tributária de maneira superficial, de forma genérica, sem explicar o que importa para o conjunto da população. Para mim, isto é um desserviço.
Sugiro a eles que estudem o tema, definam uma linha de pensamento e informem aos eleitores o que pretendem discutir e votar numa eventual reforma tributária que não sai do papel.
Todos os entes federados – União, Estados e Municípios – têm um modelo diferente de reforma tributária. E geralmente a União não quer perder receita e os estados e municípios querem mais recursos, obter uma maior fatia do bolo dos valores arrecadados.
As prefeituras estão falidas. Os governos estaduais também amargam a falta de verbas. Precisamos mobilizar a sociedade para enfrentar a questão de frente.
Ao pagar menos impostos, o cidadão terá mais dinheiro no bolso para consumir bens e serviços que possam lhe dar uma vida mais digna com menos sacrifício. Vamos pensar no assunto.
O segundo turno é uma incógnita que tira o sono de muita gente
Na largada da atual campanha eleitoral, partidários desta ou daquela candidatura se dividem numa dúvida cruel: haverá segundo turno na eleição do Rio Grande do Norte?
A senadora Rosalba Ciarlini, líder nas pesquisas, acredita que dá para vencer o pleito no primeiro turno. Aliás, a estratégia de sua campanha parece voltada para este objetivo, apesar do velho e surrado discurso de que o importante é vencer a eleição, independentemente do turno. E isso é verdade.
Já Iberê Ferreira e Carlos Eduardo Alves, candidatos mais competitivos nesta disputa com Rosalba, apostam na segunda fase para consolidar uma eventual virada na preferência do eleitorado potiguar.
Pelos números da primeira pesquisa divulgada nesta campanha, a do instituto Start com a parceria da FIERN e do jornal Correio da Tarde, o hipotético segundo turno está mais perto do que muitos imaginam.
De acordo com a pesquisa, Rosalba tem 44,7% das intenções de voto; Iberê está com 24,4% das preferências e Carlos Eduardo com 12,5%. Os demais candidatos ao governo somariam 2%.
Grosso modo estaríamos a seis pontos de um eventual segundo turno. Eu diria que é uma distância pequena e perigosa para Rosalba Ciarlini liquidar a fatura da eleição ainda no primeiro turno.
Rosalbistas me dizem que o cenário apresentado pela Start não reflete o resultado de outros levantamentos de pesquisas aos quais a campanha da senadora tem tido acesso. Falam numa margem mais folgada em termos de liderança e de uma disputa mais embolada na segunda posição entre os concorrentes Carlos Eduardo e Iberê Ferreira. Mas isso é coisa da pesquisa do "ouvi dizer" sem registro no Tribunal Regional Eleitoral e, portanto, sem possibilidade de divulgação.
A do instituto Start foi realizada entre os dias 16 e 18 de julho e ouviu 1.506 pessoas em 37 municípios do Estado. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número 18.673/ 2010.
Ainda é cedo para alguém afirmar qualquer coisa. É preciso analisar uma série de pesquisas, inclusive da Start, para se chegar a uma tendência do eleitorado.
É preciso acompanhar o desempenho dos candidatos em pesquisas de outros institutos. O jogo está apenas começando.
E eu divido o processo em três etapas que devem ser observadas com atenção: a largada do pleito, o início da propaganda eleitoral em 17 de agosto e os 15 dias que antecedem o pleito. As pesquisas vão nos ajudar a avaliar a campanha eleitoral nesses três momentos cruciais. Vamos acompanhar o andar da carruagem.
E o aeroporto de São Gonçalo? Sai ou não sai antes da Copa 2014?
A pergunta não quer calar e deve ser feita insistentemente aos que postulam cargos majoritários no Rio Grande do Norte: o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante sai ou não sai antes da Copa 2014?
Uns dizem que sim. Outros dizem que não. Eu tenho cá minhas dúvidas. Quando eu li na semana passada que o Governo Federal vai destinar R$ 20 milhões para reforma do Augusto Severo, o aeroporto de Parnamirim, comentei com meus botões:
- Ih! Isso tá me cheirando a mais um atraso na construção do Aeroporto de São Gonçalo!
Acho que o aeroporto não sai antes da Copa 2014, como foi prometido e ventilado aos quatro cantos.
E fiz o seguinte questionamento: como o governo vai gastar 20 milhões de reais num aeroporto que será desativado e transformado em base militar depois de inaugurado o de São Gonçalo? O gasto está previsto para 2011 e a entrega do novo aeroporto para final de 2013 ou meados de 2014, ano da Copa.
Um dos argumentos dos defensores da Copa em Natal, e eu sou um deles, é o legado de obras que a cidade vai ganhar com o evento. Entre os quais está o novo Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, investimento de mais de meio bilhão de reais.
Essa obra está garantida mesmo? Ou vão empurrar com a barriga como tudo o que está previsto com a Copa?
Os candidatos ao governo, ao Senado e os deputados federais devem colocar esse assunto na ordem do dia da campanha eleitoral. Além do compromisso em praça pública, eles precisam falar e cobrar ações concretas do Governo Federal.
A obra do aeroporto de São Gonçalo do Amarante já consumiu R$ 165 milhões de reais em verbas públicas.
As pistas do aeroporto vão se transformar em mais um elefante branco neste país do desperdício?
Eu espero que não. O norte-rio-grandense espera que não. E nossa classe política deve abraçar essa bandeira, ganhando ou não a eleição.
Maior emoção da campanha esta semana foi o cancelamento dos contratos da Copa 2014
Foto: Arquivo Nominuto.com
A campanha eleitoral no Rio Grande do Norte segue modorrenta. A semana foi marcada pelo cancelamento dos contratos da Copa 2014. Eram dois - um com uma empresa norte-americana (Popolous) e outra paulista (Stadia) - no valor total R$ 27,4 milhões com dispensa de licitações.
Iberê Ferreira cancelou os dois por medo de escândalo na campanha, mas alegou detalhes técnico-jurídicos. Micarla Sousa, que apóia Rosalba Ciarlini, aproveitou para cutucar o governador. "Se o governo não cumprir com sua parte na responsabilidade da Copa, nós da Prefeitura do Natal estaremos encampando isso, mas a Copa não vai ser perdida", disse a prefeita da capital.
Houve quem visse na cobrança de Micarla certa dose de oportunismo e de bravata, mas suas declarações jogaram Iberê Ferreira nas cordas e ele teve de correr para rearrumar os contratos (o da Popolous caiu de R$ 14,8 milhões para R$ 4 milhões) e anunciar o edital da PPP para daqui a 15 dias.
Foto:Arquivo Nominuto
A troca de farpas entre Micarla e Iberê teve caráter eleitoral e a Copa em Natal segue atrasada e apontada por veículos nacionais de comunicação como uma das cidades que mais corre risco de corte pela Fifa.
Ademais, a campanha potiguar seguiu o ritmo do TRE julgando o registro de candidaturas e a aplicação de multas a este ou aquele candidato. Carlos Eduardo foi um dos que escapou de multa por ter usado o programa partidário do PDT para fazer proselitismo político.
Do ponto de vista das atividades em campanha, chamou a atenção a mobilização da candidatura governista na Região Oeste do Estado. Foi uma demonstração de força que impressionou muita gente e que pode reverberar por outras regiões.
Tanto é que o grupo oposicionista capitaneado por Rosalba Ciarlini organiza uma grande mobilização neste sábado na Região Agreste. Precisa ser boa para superar o trator governista que passou pelo Oeste e fez apenas o serviço de terraplanagem eleitoral.
Datafolha para quem não é assinante da Folha de São Paulo - 2ª parte
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Serra lidera no Sul, e Dilma, no Nordeste Estados da região Sudeste estão divididos entre os dois candidatos Em MG, 2º maior colégio eleitoral, tucano tem 38%, e petista, 35%; em SP, Serra lidera -no Rio, Dilma está à frente.
UIRÁ MACHADO, DE SÃO PAULO
Enquanto José Serra (PSDB) é o preferido dos eleitores do Sul e Dilma Rousseff (PT) tem mais apoio nos dois maiores colégios eleitorais do Nordeste, a disputa entre ambos está acirrada no Sudeste, segundo o Datafolha. Nos principais Estados dessa região, o apoio se divide: Serra está à frente em São Paulo, Dilma leva vantagem no Rio de Janeiro, e ambos estão tecnicamente empatados em Minas Gerais.
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23 nos sete principais colégios eleitorais e no Distrito Federal (margem de erro de dois pontos em SP e de três nas demais unidades da Federação). A pesquisa mostra que, em Minas Gerais, terra do tucano Aécio Neves e segundo colégio eleitoral do país, Serra tem 38% das intenções de voto, contra 35% de Dilma.
Em São Paulo, que concentra 22% do eleitorado, Serra tem 14 pontos a mais que sua adversária: 44% das intenções de voto, contra 30% da petista. Dilma leva vantagem no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral. A petista tem 37% das intenções de voto entre os fluminenses, contra 31% do tucano. A maior vantagem de Serra é no Paraná, onde o tucano tem 45% das intenções de voto, e a petista, 30%.
No Rio Grande do Sul, 46% dos eleitores declaram voto em Serra, e 34%, em Dilma. A vantagem se inverte no Nordeste. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral, Dilma tem 43%, e Serra, 32%. Em Pernambuco, a petista aparece com 46%, e o tucano, com 36%. No Distrito Federal, a vantagem também é de Dilma: 36% contra 27% de Serra.
Datafolha para quem não é assinante da Folha de São Paulo
PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010
Serra e Dilma continuam empatados, diz Datafolha Tucano tem 37%, e petista, 36%; candidatos oscilam na margem de erro Marina Silva vai a 10%; na pesquisa espontânea Dilma lidera, com 21%, contra 16% de Serra; 2º turno tem estabilidade.
FERNANDO RODRIGUES, DE BRASÍLIA
Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o país. O número de registro no TSE é 51.059/10. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.
Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%. Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuou pela primeira vez nesta eleição, marcando 1%. Zé Maria (PSTU) também tem 1%. Outros quatro candidatos de partidos pequenos que concorrem a presidente foram incluídos na pesquisa, mas não atingiram 1%.
O Datafolha continua a captar uma estabilidade no número de eleitores indecisos ou que votam em branco ou nulo: 4%, o mesmo percentual do último levantamento. Os indecisos são 10%, contra 9% no levantamento anterior. Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o de maio, com Dilma numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tem 46% contra 45% do tucano.
ESPONTÂNEA
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem ver a lista de candidatos, o resultado é favorável a Dilma Rousseff. Ela tem 21% e se manteve estável em relação aos 22% da outra pesquisa.
Já Serra tinha 19% e recuou para 16%. A petista também tem potencialmente a seu favor as respostas dos 4% que declaram querer votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros 3% respondem ter intenção de escolher o "candidato do Lula" e 1% quer um "candidato do PT".
Na sondagem sobre intenção de voto espontânea, os indecisos são 46%, contra 42% no início do mês. Marina Silva (PV) tem melhorado sua marca lentamente: 2% em abril, 3% em maio e junho, e, agora, foi a 4%. Há também um quadro de poucas mudanças na rejeição dos candidatos. Os que não votariam no ex-governador "de jeito nenhum" são 26% (eram 24% da última pesquisa). Dilma tem 19% (antes o percentual era 20%).
Entre os candidatos mais competitivos, Marina é a menos rejeitada apenas 13%). Na divisão do voto por regiões do país, não houve também inversão de posições. O tucano lidera no Sul e no Sudeste. Dilma ganha no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste.
A história da professora que foi reconhecida oficialmente como filha do José Alencar
MINHA HISTÓRIA ROSEMARY DE MORAIS GOMES DA SILVA, 55
Me chamam de Alencarzinha RESUMO Professora aposentada, Rosemary de Morais, 55, foi oficialmente declarada filha do vice-presidente José Alencar na última terça-feira. Ela alega ser fruto de um romance entre ele e a enfermeira Francisca Nicolina de Morais, em 1954, e entrou com uma ação de reconhecimento de paternidade em 2001. Alencar não fez exames de DNA e diz que vai recorrer.
ELIANE TRINDADE, de Caratinga para a Folha de São Paulo
Eu tinha 43 anos quando minha mãe me contou que meu pai era José Alencar [o atual vice-presidente do Brasil]. Sempre morei com meus avós paternos. Para mim, meu pai era o Magmar, que me assumiu quando casou com a minha mãe.
Quatro meses depois que minha avó morreu, minha mãe, Tita [Francisca], me chamou na casa dela e apontou para uma foto no jornal: "Tá vendo esse rapaz aí? Ele é seu irmão [Josué Gomes da Silva]". Foi a primeira vez que ouvi falar dessas pessoas.
Em 1998, um amigo da família que pressionou para que ela me contasse a verdade sugeriu que eu fosse encontrá-lo quando ele esteve aqui em campanha para o Senado. Tomei coragem e fui. Consegui me aproximar e disse no pé da orelha dele: "Eu sou sua suposta filha aqui de Caratinga". Ele tomou um sustinho. Respondeu: "Tô à sua disposição".
Dali a pouco, um ex-cunhado dele falou para mim que aquele não era o momento de tratar do assunto, mas que, passadas as eleições, resolveriam o meu problema. Deixei meu nome e telefone com o assessor, mas essa gente só enrola, né?
Eles se conheceram no clube. Ela morava numa rua onde viviam essas mulheres, sabe? Ela era muito bonita e danada. No dia que ele sismava, ia lá dormir. Deixava a escova de dente. Ele tinha uns 20 anos; ela, uns 26. Logo que minha mãe ficou grávida, ele apareceu noivo. Não mandou tirar a criança, mas também não assumiu.
Minha mãe não o procurou mais. Casou depois e se calou. Tinha medo de contar para a família do marido. O fato de dizerem agora que ela era prostituta a deixava magoada. Ela não sabia ler, mas uma vez lhe mostraram um jornal com essa história. A vontade dela era tapar a boca dele.
Eu ainda procurei o José Alencar outra vez, há uns cinco anos. De novo, era tempo de campanha. Cortei caminho e disse: "O senhor me desculpe de estar aqui, mas é o único jeito de conversar". Me deu uma emoção, comecei a chorar e veio o segurança. Ele disse: "Deixa a menina falar". Veio um deputado e me escanteou: "Vou mandar um helicóptero te buscar". Nunca mais tive notícia. Achei que ia resolver rápido.
Quando saiu para ele fazer o DNA, eu me empolguei. Quando ele não compareceu em 2008, fiquei triste. Mas, por outro lado, o povo começou a dizer que ele tem culpa no cartório. O fato de ele estar doente, lutando contra um cancer, é do ser humano. Minha mãe também morreu com câncer há sete meses. Também lutou contra o pior tipo dessa doença, que começou na pele e se espalhou.
Mas ele é muito forte, vai sair dessa. Já sonhei duas vezes com ele vindo a minha casa. Ele comia frango com quiabo e angu. Ele estava alegre, mas não tocou em nada de pai.
Nunca votei nele. Eu seria hipócrita se votasse. Em um retrato meu com sete meses, a orelha é igualzinha à dele. Mas o povo aqui me chama de Alencarzinha. No comércio, brincam comigo dizendo que sou a filha do vice. Posso até ser, mas quem tem dinheiro é ele. Nunca parei para pensar em herança. Mas não gosto de montueira de coisa, quero ter uma vida tranquila, uma casa minha e outras duas de aluguel para deixar para o meu filho.
Quero passear. A gente nunca tem um dinheiro para comer uma pizza fora. Só para suprir as necessidades. Não almejo coisas grandes nem palácio... Na terça, quando soube que o juiz decidiu a meu favor, fiquei um pouco aliviada. Mas, toda vez que penso que acabou, aparece outro recurso e começa tudo de novo.
Eu já tava preparada para um não. Tudo que é juiz tem medo dele. Meu sonho era pegar o jornal e ver uma declaração dele. Nem que fosse pra meter o pau em mim. Será que ninguém tem coragem de perguntar nada pra esse homem? Será que ele é tão importante assim?
A pesquisa Vox Populi, contratada pela emissora de TV Bandeirantes, está sendo aguardada com certa dose de ansiedade pelos políticos, correligionários dos partidos e pelo público em geral que acompanha a política em nosso Estado.
O levantamento do instituto mineiro é o primeiro que será divulgado e deverá registrar o movimento inicial das candidaturas na campanha eleitoral.
Aguarda-se alguma mudança no quadro para o Governo do Estado já que as estruturas mais poderosas, como as do candidato do Governo, Iberê Ferreira, e da Oposição, Rosalba Ciarlini, saíram em campo e dão o ar da graça em todas as regiões do Estado.
Essa campanha começa um pouco estranha, me dizia na semana passada o jornalista Vicente Neto, da Tribuna do Norte.
Vicente observava que as campanha políticas do Rio Grande do Norte sempre foram movidas à pesquisas eleitorais. E este ano não. A campanha de 2010 começou sem uma grande pesquisa movimentando os debates dos principais postulantes. Aliás, o fenômeno ocorre desde a fase de pré-campanha marcada por pesquisas para consumo interno das campanhas.
Não faltaram pesquisas quantitativas e qualitativas. Elas apenas não foram divulgadas. Dependendo do interesse deste ou daquele candidato, alguns números foram vazados na pesquisa do "OUVI DIZER" ou da popular "RÁDIO PEÃO".
Tem um fato que chamo a atenção: o candidato do Governo, de qualquer governo, diga-se de passagem, geralmente, banca pesquisas para apontar sua aprovação e seu poder de fogo numa disputa eleitoral.
Não é o caso de Iberê Ferreira de Souza que parte do andar de baixo para tentar crescer e permanecer no comando do governo estadual.
Nas pesquisas que foram divulgadas na fase de pré-campanha, IberêFerreira amargava um terceiro ou quarto lugar até bem pouco tempo. Há uma expectativa dos governistas de que esse quadro vire logo no início desta campanha.
Por conta disso, eu acredito que a divulgação de pesquisas foi evitada por marqueteiros do governador. Não é hora, dizem.
Também senti falta de uma série histórica de pesquisas de instituto renomado bancada por uma instituição do porte de uma FIERN ou por um veículo de comunicação tradicional que tivesse o interesse de publicar os dados sem favorecer esta ou aquela candidatura.
Com a campanha em curso, a gente espera que uma série de pesquisas nos informe sobre o andamento da disputa, porque não dá para comparar pesquisas de institutos diferentes e sem levar em conta um período razoável de análise.
O retrato de hoje não é o mesmo de meses atrás. E pode não ser o mesmo no dia da eleição.
Vamos aguardar as pesquisas sabendo que elas não são a panacéia para qualquer candidato. Mas as pesquisas podem jogar luz num processo que até agora só foi jogado nos bastidores.
Iberê Ferreira evita escândalo na campanha e manda cancelar contratos da Copa
O governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira de Souza pulou um fogueira ao decidir pelo cancelamento dos contratos da Arena das Dunas sem licitações.
Foram dois contratos – um com uma empresa de arquitetura norte-americana (Populous) e outro com uma empresa de consultoria paulista (Stadia) – firmados sem licitação para elaborar projetos executivos do novo estádio no valor de R$ 27,4 milhões.
O que pareceu uma decisão técnica do governador foi, na verdade, uma decisão política durante a campanha eleitoral.
Diante da repercussão negativa dos contratos sem licitação, alvo de reportagens em veículos de circulação local e nacional – eu li matérias em pelo menos dois veículos nacionais, em O Globo e na Cartacapital -, o governador foi alertado que o processo com dispensa de licitação poderia se transformar em escândalo político já que a construção da Arena das Dunas tem sido marcada por esse tipo de modalidade contratual. A derrubada de uma creche no Centro Administrativo, início das obras, foi realizada com dispensa de licitação.
Iberê Ferreira de Souza ficou sabendo que a oposição estava se preparando para usar os contratos da Copa na campanha eleitoral. A artilharia seria pesada. E seria um troco dos adversários diante da queda de braço entre o Governo e a Assembleia Legislativa.
O Governo tem alegado, por intermédio do secretário da Copa, Fernando Fernandes, um homem sério, que os contratos assinados foram necessários pela exigüidade de tempo e pelo fato incontestável de que as obras em Natal estão atrasadíssimas, a ponto de colocar a cidade entre os locais que correm o risco de corte caso a Fifa decida realizar a Copa de 2014 em oito ou dez cidades em vez das atuais doze sedes.
O Governo também argumenta que a obra do estádio será realizada por uma PPP – Parceria Público Privada, cujo edital ainda depende de aprovação de um fundo garantidor.
A Arena das Dunas está orçada em R$ 400 milhões.
Não se sabe as conseqüências administrativas do cancelamento dos contratos milionários da Copa. Mas Iberê Ferreira espera neutralizar ou até evitar um escândalo político que macule seu projeto de permanecer à frente do governo estadual.
Nessa altura do campeonato fica difícil ter a certeza de alguma coisa, afinal, o processo está em andamento.
Com o faro aguçado, Iberê Ferreira sentiu o fedor do escândalo.
Rio Grande do Norte precisa também de polícia pacificadora
Em qualquer pesquisa de opinião pública, o eleitor aponta a segurança pública como uma de suas maiores preocupações. Não é para menos. Em algumas regiões do país, vive-se uma verdadeira guerra civil.
Mesmo nos recantos do Brasil, como aqui no Rio Grande do Norte, a população está a mercê da bandidagem organizada. E o tráfico de drogas tem sido o motor de muita violência.
O crime organizado está cada vez mais presente no nosso estado. Prova é o roubo às agências do Banco do Brasil de Martins e Umarizal que foram atacadas com explosivos. Ficaram destruídas.
Martins e Umarizal ficam localizadas na região Oeste do Estado. A região é marcada por muita violência – mortes, roubo de cargas e de automóveis nas estradas, roubo a bancos e caixas lotéricas. A população oestana convive com um clima de faroeste.
O futuro governador ou governadora do Estado precisa ficar atento ao problema, considerado pelo governante de plantão como um problema histórico. A insegurança é geral, chaga nacional, mas nem por isso devemos nos conformar e aceitar passivamente que a bandidagem tome conta dos lugares.
Por incrível que pareça, os próximos governantes devem buscar no Rio de Janeiro um programa que está dando certo na deflagrada guerra civil das favelas cariocas: as Unidades de Polícia Pacificadoras – as chamadas UPPs. Nove comunidades do Rio de Janeiro já sentem os efeitos benéficos da presença destas unidades de polícia que têm levado a presença do Estado às populações antes entregues ao narcotráfico.
O futuro governador ou governadora do Rio Grande do Norte deve conhecer as UPPs e tentar adequá-la à realidade local. Por quê não?
Temos áreas em Natal e em Mossoró que não deixam a dever ao inferno vivido pela população nas favelas do Rio de Janeiro. O que dizer da região Oeste do Estado, sempre carente de mais policiamento?
O portal Nominuto.com iniciou uma série de perguntas aos candidatos ao Governo do Estado e o tema da semana passada, coincidentemente, foi a segurança pública. Faremos perguntas a cada semana até as eleições de outubro. É a contribuição que o portal dá ao debate político, longe da briga por nomes e por cargos.