Augusto Maranhão falou em nome dos empresários de transporte
A greve dos ônibus em Natal iniciada ontem (23) pode terminar amanhã (25) em audiência na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). O reajuste de salários da categoria deve variar entre 12%, reivindicação dos motoristas, e 6%, defendido pelas empresas.
Os motivos e as soluções foram debatidos pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sintro), Nastagnan Batista, e o diretor de comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Seturn), Augusto Maranhão, em entrevista ao Jornal 96, da 96FM, na manhã desta quarta-feira (24).
As principais reivindicações do Sintro são relativas ao salário, segurança, dupla função dos motoristas como cobradores e as condições de trabalho. Além desses, Nastagnan Batista defende o aumento no vale-alimentação e diminuição da carga horária de trabalho, que está prejudicando a classe.
“Queremos aumento de salário já que os custos de rota foram diminuídos, com a Ponte Forte-Redinha, o preço do óleo diesel baixou e a houve redução no quadro de funcionários, com o motorista trabalhando em dupla função”, explica.
A questão da segurança também foi discutida. “De domingo até hoje (24), foram oito assaltos nos ônibus, o trabalhador não suporta mais isso. O bandido é sabido, ele se esconde e depois volta a roubar. São conhecidos como nômades bandidos, porque numa viagem eles descem assaltam uma farmácia, o mercadinho e depois voltam aos ônibus, num círculo vicioso”, afirma.
Ele apresenta o dado de que 20% dos motoristas estão em tratamento psicológico para enfrentar os problemas do trabalho. “Além das condições de trabalho, com o motorista dirigindo sozinho, com dupla função, o estresse do transito e os assaltos estão prejudicando a saúde mental dos profissionais”, frisa.
Para rebate os pedidos e defender os interesses das empresas, o diretor de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Seturn), Augusto Maranhão, declarou: “Estamos num momento de prévia conciliação, buscando solução para esses itens. A grande dificuldade é a segurança, que virou uma zona com falta de prioridade do Governo”.
Mas esse problema não será solucionado agora, como declara Augusto. “Vamos marcar uma audiência pública só para discutir o tema de segurança, mas agora não, para não emperrar as outras questões”, garante.
Sobre a dupla função, de motorista e cobrador, exercida por 20% da frota dos ônibus em Natal, Augusto Maranhão alerta. “Essa mudança é uma evolução, como acontece em outros setores. Hoje em dia, 60% dos usuários utilizam cartão magnético, evitando a questão de troco. E para os cobradores que perderam a função, estamos propondo uma escolinha de motorista”, destaca.
Ele acrescenta que o Seturn não está com portas fechadas e irá tentar solucionar os problemas na audiência na DRT em que os temas serão abordados.
Sobre a pauta salarial, o Sintro defende reajuste salarial de 17,5%, mas já admite reduzir para 12%. “Um motorista ganha R$ 1.061 e um cobrador, R$ 630,00. As empresas reduziram os custos e podem sim aumentar os salários”, diz.
Já o Seturn propõe um aumento de 6%. “Estamos propondo 6% de aumento, porque é inviável para as empresas, que não têm subsídio do governo, mas ainda podemos conversar”, esclarece.
Augusto Maranhão, defensor das empresas, reclama. “Tem que se entender que a situação por que passa o transporte público de Natal. O empreendedor estrangeiro da área de transporte chega aqui, mas quando percebe que não há ajuda, fica difícil investir”, conta.
Ele lembra que o faturamento da empresa corresponde a 50% de encargos e salários. “Tem que ter muita cautela no aumento dos salários para conseguir manter os serviços e custos das empresas”, aponta.
Mesmo assim, o presidente do Sintro reivindica. “O movimento dos ônibus foi duplicado pelo número de usuário, os carros reduziram o percurso e foi reduzido o custo de combustível em 13%. Além disso, não existem mais vendedores de tíquetes nas ruas, reduzindo em 30% a questão da meia-passagem”, garante.
Hoje em Natal existem 4 mil motoristas para uma frota de 800 ônibus e 250 veículos alternativos.
Os dois sindicatos garantiram que estão abertos a diálogos e que irão reunir a diretoria para chegar a um denominador justo para os dois lados, as empresas e os trabalhadores. As propostas devem ser apresentadas amanhã (25) em audiência na Delegacia Regional do Trabalho (DRT).
Confira abaixo a entrevista completa concedida ao Jornal 96 desta quarta feira (24).