Brasília, Urgente
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Luis Fausto é jornalista profissional desde o século passado, com passagens pelo O Mossoroense, Gazeta do Oeste, Tribuna do Norte, Correio Braziliense e Jornal de Brasília.

Para salvar Elias, Henrique desafia o governo e promete retaliações. Mas...

 

O mas do título é o que mais importa nos registros de ontem e de hoje da crise cada vez maior entre o PMDB e o Palácio do Planalto, por conta da ameaça de demissão de um aliado do líder Henrique Eduardo Alves da diretoria-geral do Dnocs.

Para manter o conterrâneo potiguar Elias Fernandes Neto no comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, Henrique soltou os cachorros.

Primeiro desafiou o governo pelo twitter, só aceitando a saída de Elias se o Tribunal de Contas da União (TCU) provar as acusações de malfeitos que pesam sobre o protegido.

Depois, prometeu retaliações no Congresso que a partir de quarta-feira reabre suas portas - garantindo dificuldades mil nas votações a caminho e até ensaiando convocações de ministros também envoltos em suspeitas.

Como se não bastasse, o líder peemedebista que sonha com a presidência da Câmara em 2013 ainda aumentou o tom de voz - segundo contam na Folha de S.Paulo de hoje as reporteres Andreza Matais e Catia Seabra, em reportagem que vocês podem ler aqui se forem assinantes do jornal ou do portal Uol. "O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores?", teria dito Henrique.

E aí é que entra o mas do título, detalhe fundamental e imprescindível.

Comentando as notícias de desafio e de ameaças do PMDB, o jornalista Ricardo Noblat pergunta em seu blog quantas divisões tem o líder Henrique Alves. "O PMDB é dono da segunda maior bancada de deputados federais. Mas para defender afilhados dele encrencados ou projetos pessoais, Henrique não conta com muitos aliados. Pelo contrário. A maioria dos deputados reclama que Henrique só joga para ele mesmo. E que por isso não está disposta a defendê-lo", escreve Noblat.

Em outro blog importante, o do jornalista Josias de Souza, o comentário vai na mesma linha de raciocínio e há uma pérola parecida no colo de Henrique Eduardo Alves: "Deputados do partido o acusam de abandoná-los à própria sorte. Num instante em que Dilma raciona a farinha, o líder cuidaria primeiro do seu próprio pirão", escreve Josias.

Para piorar, as denúncias contra o Dnocs que Elias comanda sob os olhos de Henrique não param de surgir. Hoje, por exemplo, O Globo informa que o órgão pagou duas vezes por uma mesma consultoria de engenharia. E pagou caro, R$ 9,3 milhões.

Portanto, a crise tem tudo para ficar maior e muito mais grave. E com várias pitadinhas de mas...

 
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