Espaço Livre
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Cristovam Buarque diz que Ciro é candidato

Pelo Twitter o senador Cristovam Buarque acaba de informar que Ciro Gomes será mesmo candidato à presidência pelo PSB. Segundo ele, Ciro acaba de informar isso a jornalistas em Brasília. No Twitter do senador Buarque está escrito: "Ciro Gomes acaba confirmar à imprensa, no Congresso, que será candidato à presidência de qq forma". Como eu já havia informado no post anterior "Clima entre Ciro e Lula esquenta em reunião", a reunião de ontem foi tensa entre Lula e Ciro. Se confirmado mesmo, a candidatura pode ser um duro golpe na campanha de Dilma.

 

 

 
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Clima entre Ciro e Lula esquenta em reunião

O clima na reunião ocorrida ontem entre Lula e Ciro Gomes foi dos piores. A tentativa de Lula convencer Ciro a desistir de sua candidatura não foi bem aceita pelo último que afirmou o seu desejo de manter sua candidatura. Por fontes seguras, a "conversa" esquentou tanto (e já é conhecido o pavio curto de Ciro) que o ex-governador do Ceará chegou a mandar Lula "tomar naquele canto". Lula também ventilou a hipótese de que ele mesmo, Lula, poderia vir a sair como vice de Dilma. O problema é que tal decisão teria que ser submetida ao Supremo, por ser inconstitucional. É a corrida para presidente que começa a esquentar as turbinas.

 

 

 
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Moisés e o monoteísmo

Estou relendo sei lá já por quantas vezes o ensaio "Moisés e o monoteísmo" desse gigante do século XX e imbatível a meu ver séculos afora, chamado Sigmund Freud. A capacidade de manusear um denso material articulando-o com suas premissas psicológicas é qualquer coisa de espantoso neste ensaio memorável.

 

 

De uma forma singular, Freud trata brilhantemente no referido ensaio, do Faraó egípcio da XVIII dinastia, Akhenaton ou Amenófis IV, que no dizer de Brestead foi "o primeiro individuo da história humana". Freud, como Judeu, percebe e atribui a Akhenaton o real e verdadeiro instituidor do primeiro monoteísmo na face da terra e não aos judeus.

 

 

Partindo da premissa de que Moisés (Freud começa sua análise pelo nome Moisés que é de origem egípcia e não hebraica) era um egípcio, e de uma forma fenomenal tenta conduzir a idéia de que Moisés viveu como alto graduado na corte de Akhenaton e quando de sua morte - de Akhenaton (os egípcios não aceitaram a implantação de um deus único, no caso o Sol, e retornaram ao politeísmo após sua morte) deu prosseguimento à tentativa de impor o monoteísmo abortado, tomando os judeus como "o seu povo". É fascinante. Essa escolha resultou segundo Freud na idéia de "um povo eleito".

 

 

O ensaio, claro, é longo e genial. Haveria muito mais a falar. Freud irá perceber que o mérito de Akhenaton não foi apenas o de implatar com sua adoração ao Sol (no sentido simbólico e não material) uma nova religião e sim no que ele, Freud, chama de "o fator da exclusividade de um deus universal". É incrível e basta lermos o hino que Akhenaton compôs em homenagem ao deus sol "Ó tu, único Deus ao lado de quem nenhum outro existe" e enxergar as semelhanças com o (de forma quase idêntica, portanto, copiado) mesmo hino que aparece nos Salmos dos hebreus, ou seja, no velho testamento, já retransformado e dirigido agora a Javé.

 

 

A grandeza e a genialidade de Freud são fascinante mas que hoje parece a cada dia mais e mais fora de moda. É uma pena. Sua coragem, ousadia e amor à verdade (nos dizeres precisos de Erick Fromm), continuam calando fundo para quem se dedica aos seus escritos. Ainda sobre o fato de Moisés ser um egípcio e não um judeu, Freud começa citando o fato de alguns estudiosos, incluindo Breasted, terem chegado muito próximo dessa verdade ao reconhecerem que de fato o nome Moises era egípcio.

 

 

A questão onde esbarraram foi no passo seguinte que recuaram talvez diante da empreitada grandiosa. Foi preciso um judeu ateu destemido para ousar o que nenhum teve a coragem.

 

 

 
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J. D. Salinger, influências e seguidores.

Com a morte do escritor americano J. D. Salinger, aos 91 anos de idade, se encerra uma das mais fascinantes e interessantes histórias de escritor americano contemporâneo. Autor do clássico traduzido no Brasil como "O apanhador no campo de centeio" ou, no original "The Catcher in the Rye", Salinger morreu recluso da mesma forma como viveu.

 

 

Agora, após a sua morte, inevitavelmente sua vida pessoal e literária irá ser motivo de inúmeras análises biográficas que ainda esperam para serem escritas. Digo isto, porque pouco se sabe dos reais motivos que levaram esse gigante das letras americanas a partir da publicação de "O apanhador..." em 1951, a se retirar da vida social, preferindo o isolamento, recusando-se inclusive a conceder qualquer entrevista desde 1980.

 

 

Além do best seller que escreveu e que o fez entrar no mundo da alta literatura americana e mundial, Salinger escreveu outros romances como "Pra cima com a viga Moçada!", "Franny & Zooey" e um livro de contos "Nove histórias". Mas foi realmente com a estória do adolescente rebelde e angustiado Holden Caufield em "O apanhador no campo de centeio" que Salinger se imortalizou.

O livro - O grande segredo de Salinger em "O apanhador no campo de centeio", foi ter usado de forma inovadora, o palavreado da juventude americana que começava a se fazer ouvir no inicio da década de 1950 através do personagem adolescente Holden Caufield. Nessa mesma década o rock and roll começava a explodir no ocidente, em especial nos EUA, com toda a sua rebeldia e que terminou resultando no movimento hippie e em Woodstock.

 

 

Fazendo uso de gírias e expressões típicas da juventude americana da década de 50, "O apanhador" é sem duvida um grande livro contracultural. Incrível que hoje percebo que não há nada no famoso personagem de "O apanhador...", que já não tivesse sido dito de uma forma muito mais elaborada e psicologicamente complexa por um escritor como Dostoievski, por exemplo quase um século antes.

 

 

Obviamente que não estou com isso retirando o mérito de Salinger, bem entendido, nem de "O apanhador...", até porque eu gosto bastante do livro. No entanto, a inadequação de Holden Caufield ante a civilização (inadequação registrada por todo grande artista, diga-se, "A montanha mágica" de Thomas Mann é um exemplo claro) também se faz presente em personagens como Raskolnikov de "Crime e Castigo" de Dostoievski, ou se quiserem, em outro livro fundador da moderna prosa americana "As aventuras de Huckleberry Finn" de Mark Twain, livro que o escritor Ernest Hemingway tinha verdadeira adoração. Sem falar claro em "As aventuras de Tom Sawyer" também de Mark Twain.

 

 

Dois dos meus livros favoritos nessa mesma pegada de personagens que se debatem contra a civilização, vivenciando o conflito contra o mundo convencional, puritano, cheio de regras e que hoje estão infelizmente esquecidos, é "O lobo da estepe" e "Demian" do escritor alemão Hermann Hesse, premio Nobel de 1946. É famosa a frase de Demian no livro homônimo "quem quiser nascer tem que destruir um mundo".

 

 

Seguidores - Em relação à Salinger, no entanto, no sentido de elaboração lingüística e de enredo, considero "Pra Frente com a Viga Moçada!" bastante superior ao "Apanhador", embora nem de longe tenha influenciado e alcançado o sucesso mundial que a estória de Holden Caufield conseguiu.

 

 

Salinger, certamente deixou seguidores, sem dúvida, em autores como Jack London e o próprio Jack Kerouac autor do celebre "On the road", traduzido no Brasil como "Pé na estrada". Recentemente, por indicação de um professor amigo, me dei ao trabalho de me aventurar na leitura de "Meus dias de escritor" de Tobias Wolff (que estou inclusive para passar a frente em qualquer sebo da cidade) uma espécie de seguidor de Salinger, mas infinitamente distante do talento, brilho e do charme de salinger.

 

 

 
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Nova atitude ditatorial

Não é a só a censura que está vigorando neste país, agora querem prender jornalista e blogueiro por emitir opinião contraria aos donos do poder, aos poderosos de plantão. Depois da censura ao jornal O Estado de São Paulo, a bola da vez é uma blogueira de Mato Grosso, proprietária de um blog, www.prosaepolitica.com, hoje o mais lido naquele estado. Seu nome: Adriana Curvo, jornalista das mais competentes e de fibra, e que por pensar de forma diferente do atual governo de Mato Grosso, vem sofrendo o diabo. Depois de sofrer censura, agora vem sofrendo uma queixa-crime pelo atual diretor do DNIT Luiz Pagot, insatisfeito com as criticas feitas por Adriana Curvo ao governo do Mato Grosso e a sua gestão. Luis Pagot hoje Diretor do DNIT, foi indicado para o cargo pelo atual governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, ambos pertencendo ao mesmo Partido, o PR.

 

 

A queixa crime movida por Luis Pagot pede a prisão da jornalista, alegando não aceitar a "forma" como ela escreve, e alegando difamação e injúria. Além do absurdo em se tratando de um país em que a Constituição defende a liberdade de expressão, a queixa-crime representa o atraso do atraso, para dizer o mínimo. Representa a volta absurda ao desejo de censura e do silenciamento de uma voz, agora com prisão. Trata-se de um gesto absurdo, grosseiro, ditatorial, totalitário. E olhe que pensávamos que 1964 já era coisa do passado. Um absurdo.

 

 

Mesmo de longe (embora já tenha prestado minha solidariedade e repúdio no próprio blog de Adriana, blog em que também escrevo) presto mais uma vez minha solidariedade a blogueira aqui de longe. A atitude do sr. Pagot se reveste de uma atitude reprovavel. O senador Álvaro Dias do Paraná, já se manifestou publicamente contrário a atitude do sr. Pagot, em seu blog. Abro aspas para o que disse o senador:

 

 

"Absurdo:Querem prender Adriana Vandoni

 

Enquanto corruptos livres vivem às custas da impunidade, querem prender a blogueira Adriana Vandoni . A censura, atentado `a liberdade de imprensa, não foi suficiente. Querem mais.

 

 

http://www.blogalvarodias.com/2010/01/absurdo-querem-prender-adriana-vandoni/".

 

 

 

Sinceramente a cada dia e diante da atitude tomada agora por Luiz Pagot fico me perguntando que país é este. Pode ser que eu esteja enganado, mas não penso que seja um país com fundas raízes democráticas. Muito menos rasas.

 

Deixo uma das postagens em que Adriana fala sobre o processo e agora a queixa crime:

 

"A juíza Flávia Catarina Amorim aceitou a queixa-crime feita por Luis Pagot, diretor do Dnit (aquele citado ontem pela Folha na Operação Castelo de Areia), contra mim. Pagot pede minha prisão, alegando difamação e injúria. Mais ou menos 3 anos e meio.

 

Em julho do ano passado houve a audiência de conciliação. Foram quase três horas onde Pagot tentou, em vão, me convencer de não ser processada por ele. Lá o promotor de Justiça, esqueci o nome dele, só sei que é DJ também, queria discutir comigo a "forma" da minha escrita. Veja bem: o ministério público estadual queria interferir na forma da escrita. Não aceitei, como também não aceitei a proposta feita pela justiça, de que tudo que eu escrevesse sobre Pagot, antes de publicar enviasse a ele para ser aprovado ou não. Agora a juíza recebeu a queixa. Eu terei 10 dias, a partir da notificação, para apresentar minha defesa. Estou aguardando o oficial de justiça.

 

Esta será uma loooonga novela, talvez comece a andar mesmo já no tempo em Pagot diretor geral do Dnit, será apenas uma triste lembrança".

 

 
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Entrevista com o escritor Fernando Monteiro

ENTREVISTA COM FERNANDO MONTEIRO

 

Por Laurence Bittencourt

 

Na visão do mais importante crítico literário da atualidade, o americano Harold Bloom, o mundo de massas, moderno, destruiu o gosto pela alta cultural, provocando um definhamento na prática e cultivo do mundo culto. Hoje cultivamos o pastiche. É uma opinião dura, mas nem por isso totalmente inverdadeira. O escritor pernambucano, Fernando Monteiro, autor de diversos livros lançados, entre eles, romances como Aspades Ets, Etc, Cabeça no Fundo do Entulho, A múmia do rosto dourado, poemas como Memória do mar sublevado e Eu vi uma foto de Anna Akhmatova e biografias de Thomas Edward Lawrence (Lawrence da Arábia) e do faraó Akhenaton certamente que concordaria com o crítico. Nessa longa entrevista Monteiro mostra não só sua vasta cultura, como discorre sobre sua produção passada, presente (e futura), além de tecer comentários sobre a literatura feita no Brasil e no mundo. Provocado sobre suas discordâncias em relação a Ariano Suassuna e Paulo Coelho, Monteiro mostra porque não segue modismos literários muito menos baixa a guarda a patrulhamentos literários, que não tenham um crivo maior com consistência na escrita. A entrevista é um misto de erudição, inteligência e contundência crítica, e, em vários momentos de grande autocrítica. Divirtam-se e aproveitem.

 

 

Laurence Bittencourt - Monteiro uma leitura atenta de "Vi uma foto de Anna Akhmatova" transmite a idéia de que você é um dos últimos representantes de um Humanismo perdido. É correta essa análise?

 

Fernando Monteiro - Se o poema transmite essa idéia, certamente que ele está fazendo mais por mim do que eu mereço, Laurence. Não quero ser o moedeiro falso da modéstia empostada dos dias que correm, mas raciocino: é que a larga palavra usada na pergunta - Humanismo - se encontra inevitavelmente poluída em todos os corações & mentes (incluindo a deste escriba, é claro) da desolada época de "homens ocos" em que caímos, com o sentido de grandeza - meramente humana etc - reduzida à sombra de uma sombra vista no escuro, entre "lágrimas na chuva". Não é mais necessário o Homem (e, em conseqüência, o Humanismo)? E a Poesia - para um não só chocado como vitimado Walter Benjamim - não será mais possível, de fato, "depois de Auschwitz"? Seja como for, fomos longe demais no "adeus a uma idéia" (aquele título do poema fúnebre do grande Wallace Stevens), na longa despedida a um modelo de cultura que se originou das peãs pagãs, cantadas em torno da fogueira grega de guerreiros sentados para ouvir o Poeta entre eles. Naquela época primaveril - de sangue, tempestade e alguns antecipados dias de vinhos e rosas -, cantava-se o fragor da batalha, um choque entre surdas nuvens fazendo cair uma folha amarela do outono grego sobre o branco colo de Ariadne. Onde está ela, agora? E onde ficou a visão de Beatriz, Margarida, Miracelli e Anna Akhmátova? Todas as vozes estão se reduzindo a um murmúrio - e não se ouve mais o Tordo, com o seu piar nublado pelo céu que chora nos olhos vazados de estátuas cegas por ácido. O falcão não atende mais ao falcoeiro - já denunciava Yeats, no seu sombrio poema de 1926 ("The Second Advent"). Desde então, entramos no Terceiro Milênio com a horrível sensação de que tudo está mais morto assim (vivo?), do que se o fogo já houvesse consumido o que a água poupou, no antigo dilúvio transformado numa espécie de filme-catástrofe (mal) dirigido por um James-Cameron-qualquer da vida. Enfim, "vôte!", como se dizia antigamente...

 

 

LB - Por outro lado você émuito ácido em suas análises sobre a produção cultural, por exemplo, feita no Brasil. Não há uma contradição entre esse humanismo poético mesmo nos romances e o Monteiro analítico?

 

 

FM - O Brasil ainda é um Projeto. Um projeto de qualquer coisa na dobra de outras dobras. E não adianta escrever, criar, "forçar" para lhe dar uma espécie de mitologia de emergência (como faz o Suassuna), nem fingir que podemos nos dar bem com algum pulo do gato a fim de "entrar na barbárie da decadência sem ter passado pelo esplendor de algum Século Quinto de Péricles de Brasília" etc. Aqui nesta Pindorama, Péricles é somente o amigo do "amigo da onça", e não o governante ateniense que imaginou a Acrópole como uma representação do mundo ideal suspenso na piscina do espaço. O Brasil é - ainda - raso como uma piscina vazia, apesar do Aleijadinho, de Machado e de Rosa e Villa-Lobos. Porém, somos capazes de perceber o Outro como nenhum outro povo é capaz de ver no espelho, espionando pelo periscópio na bruma da nossa cultura ainda incipiente, para dizer de modo delicado. E nenhuma linguagem - que não seja a (aposentada?) dos oráculos - será agenciadora de novas realidades futuras, enquanto baixarmos a cabeça para o fantasma por trás da máscara da "pós-modernidade" (por exemplo): o Holograma no lugar onde estava o Homem.

 

 

LB - Um pouco de história pessoal. Qual tua formação, me refiro a formação escolar mesmo e quais foram os livros que te formaram como escritor?

 

 

FM - Me formei em Sociologia, aqui no velho burgo Maurício. Para nada. Estudei Cinema (em Roma, de 1969 a 1971), para entender que não adiantava absorver teorias (e, mesmo, práxis gostosamente latinas da Itália), enquanto corria o risco de deixar de ver os filmes passando nas árvores, simplesmente. E não só os bosques do cinema da natureza eram importantes. Um trem (ou a sua janela aberta) também é uma lição do cinema, apreendida naquela maravilhosa síntese de Humberto Mauro: "Cinema é cachoeira". E é mesmo! De modo que deveriam existir universidades formando cineastas de calção de banho baixo de Paulo Afonso, perto do Ninho das Águias do velho Delmiro Gouveia, o Louco do Jardim. Na minha época, não havia (e ainda não há) o curso que teria me servido: o de Formação de Malucos Profissionais ou de Acendedores de Lampiões Inexistentes e/ou de Ícaros com Asas pregadas nas costas com cera inderretível (?) pelo Sol de agosto etc etc. Todos os livros que me ajudaram (mesmo os ruins)? Bem, destaco os bons, os excelentes, os maravilhosos "OS SETE PILARES DA SABEDORIA", de T. E. Lawrence, e DOM QUIXOTE, de Miguel de Cervantes, TRISTRAM SHANDY, de Laurence Sterne, MADAME BOVARY, de Gustave Flaubert, MOBY DICK, de Herman Melville, OS IRMÃOS KARAMAZOV, de Fiodor Dostoievsky, JUDAS, O OBSCURO, de Thomas Hardy, O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Brontë, O CORAÇÃO DAS TREVAS, de Joseph Conrad, O GRANDE GATSBY, de F. Scott Fitzgerald, CONVERSAÇÃO NA SICÍLIA (ou "Gente da Sicília"), de Elio Vittorini, GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de Guimarães Rosa, DOM CASMURRO, de Machado de Assis, DEBAIXO DO VULCÃO, de Malcolm Lowry, A VERDADEIRA VIDA DE SEBASTIAN KNIGTH, de Vladimir Nabokov, OS LOUREIROS ESTÃO CORTADOS, de Edouard Dujardin, a poesia de Leopardi, de Ungaretti, de Montale, de Pavese, do já citado Stevens e do ainda não citado Seferis e seus irmãos de ruínas (Palamas, Elytis, Ritsos, Kazantzakis), além dos poetas árabes de Andaluzia - Sevilha na minha alma não é mesma na "alma de porteiro" de Cabral - e seus sucessores, numa linhagem que vem bater em João - poeta que nunca me emocionou como sempre me emocionou Jorge de Lima, o alagoano que considero o maior poeta da língua portuguesa, ao lado de Luis de Camões (não admiro Fernando Pessoa, meu xará de alma pequena). E também devo a livros de arqueologia e história (destaco o monumental "A CIDADE ANTIGA", de Fustel de Coulanges), e a romances policiais e até bons westerns - nunca-lidos no Brasil! - que resultaram em algumas obras-primas (de Ford, Mann, Hawks, Delmer Daves, Dmytryck e outros), todos desprezados pelo armorialismo chato como uma sessão no dentista para tratamento de canal. Em tempo: a minha geração era tão reprimida que se excitava com a bula do "Regulador Gesteira" - que horror -, e havia filmes preto-e-branco cheios de abismos na fotografia, como se pode (re)ver no magnífico Vagas Estrelas da Ursa, cujo título Luchino Visconti foi buscar num poema de Leopardi. E ainda devo muito aos livros de...

 

 

LB - Seguindo essa mesma linha: como teve inicio sua carreira de escritor? Qual o primeiro livro lançado? Foi difícil?

 

 

FM - Comecei como poeta. Meu primeiro livro publicado foi MEMÓRIA DO MAR SUBLEVADO, um poema longo em três partes. Sempre gostei de poemas longos. Não tive o menor problema para lançá-lo: o livro saiu pela Editora Universitária (da Universidade Federal de Pernambuco), como separata da revista "Estudos Universitários", em 1973. O ano é para se destacar, nesta resposta, porque foi antes da atual idade "petista" nas universidades, quando o partido saído do "coito maldito" (intelectuais X operários) tomou conta, por exemplo, das editoras universitárias - que passaram a publicar somente os textos medíocres do corporativismo assumido etc. Entenda-se: quando o meu primeiro livro foi publicado pela EU (a editora), eu não era nem do corpo discente nem docente da UFPE. Tinha 23 anos, e vivia - como meu pai dizia - "com a cabeça nas nuvens". Meu único título era o de poeta jovem, sem eira nem beira. Meu pai tinha razão, mas eu fui editado nessa era pré-petista de universidades abertas para a cultura e a vida. Hoje em dia, elas estão fechadas para tudo que não seja rasteiro como uma plantação de mandacurus-anões...

 

 

LB - Monteiro, há em alguns dos seus livros, uma espécie de deslocamento do nosso mundo, quase diria um certo desconforto com o nosso tempo. O seu interesse pelo mundo antigo, o Egito, por exemplo, o seu interesse por Akhenaton, a que se deve? Esse interesse pela Historia, é parte da composição literária, ou seja, ajuda na composição literária? De que forma você analisa esse dado?

 

 

FM - Acho que você acerta na mosca. Sou um estranho no ninho, um ET desambientado que não sabe tomar banho nas piscinas vazias do piscinão chamado Terra em Transe de Vera Cruz. Temos, entretanto, tudo para dar certo no século 21 (a partir da alma em branco), o que só será paradoxal para os burrinhos que nos cercam como as águas cercam as ilhas. Ficção das ficções, o Brasil ainda é uma esquina que nos espera na volta da Junqueira Alves (a avenida de Cascudo, rumo ao mar invertido do céu), enquanto aqui em Pernambuco se desce uma rampa na companhia sub-aristocrática de Gilberto Freyre, ainda. Gentes, mares, céus, ilhas. Não acho que "homem nenhum é uma ilha" ou que "és responsável por todo aquele que tu cativas" e todas as frases repetidas pelos Marcos Vilaças (e outros Vilaças da vida), em discursos de chás e Academias. Aliás, eu abomino toda e qualquer academia - exceto as de ginástica, que modestamente ensinam a prevenir barriga de chope e vícios de postura. As outras são imposturas (a começar pela ABL, infelizmente fundada por um gênio inseguro: Joaquim Maria Machado de Assis).

 

 

LB - Vocêjá chegou a mencionar em uma de suas entrevistas que se sentia "envergonhado do artificialismo da literatura". Ao contrário do critico de literatura americano Harold Bloom você não acha que a literatura seja uma porta para a salvação e traga em si caminhos para se adquirir sabedoria?

 

 

FM - Nada é pior do que poesia - quando não é Poesia. Portanto, nada é pior do que literatura - quando não é Literatura. Foi isso o que eu quis dizer (e pensei que havia sido claro, mas, obviamente, não o fui). Ou seja, quando a arte é exercida com o pleno domínio de intenção (em cada caso etc), servida do talento mais aprimorado possível, então ela é via de conhecimento, revelação e expansão da consciência acima de tudo. Só isso.

 

 

LB - Um traço marcante em seus livros, como por exemplo em Aspades, Cabeça no Fundo do Entulho, A múmia do rosto dourado, para ficarmos nesses, é a de uma literatura do fragmento, da não linearidade narrativa. Os franceses têm uma expressão para esse tipo de construção que eu acho interessante: bricolagem. Esse tipo de narrativa lembra de alguma forma o James Joyce de Ulisses e Finnegans Wake. Você confirma a influência de Joyce em teus escritos?

 

 

FM - Prefiro o mestre de Joyce, Edouard Dujardin. Foi esse francês esquecido quem ensinou Joyce a tentar investigar a realidade daquele modo que o talentoso irlandês transformou, em parte, numa chatice. Gosto do Joyce pré-"Ulisses" - e acho que ele não entendeu toda a lição de Dujardin (pelo menos em Os loureiros estão cortados, que é de 1888). E, sim, Joyce ainda tinha outro grave defeito: acreditava que era Joyce!

 

 

LB - O incrível em sua produção artística évermos que vocêtrabalha tanto a poesia, o romance quanto o teatro. Em qual delas vocêse sente mais confortável?

 

 

FM - Na poesia. Se eu fosse "proibido" - por Deus (o único que poderia fazê-lo) - de escrever em mais de um gênero, certamente eu faria o seguinte "negócio" com o Pai Eterno: "Senhor, me deixe continuar escrevendo poemas, que tudo estará beleza etc". E, caso Ele não permitisse, eu seria expulso do paraíso da prosa, do teatro e do cinema, mas continuaria a escrever versos no meio do inferno da poesia.

 

 

LB - Dito de uma outra forma: em qual o gênero literário que vocêclassifica os seus romances? Que tipo de romance você produz?

 

 

FM - Eu produzo com certeza um híbrido de ficção, documentário, delírio e biografia (incluindo a "auto"). E isso não é muito bom. Melhor é escrever como estão escrevendo alguns "novos" surgidos no mercado do livro: vieram para cortejar o espírito do tempo, fazendo a pirueta requerida, seja qual for a "muganga" do momento. (Ah, que bom ter escrito a velha palavra "muganga"! Há muito tempo não a usava - e acho, até, que a maioria já nem sabe o que ela significa. Não vou me dar ao trabalho de explicar, entretanto. Quem acompanha o evoluir da "arte-twitter" (???) sabe a quais "mugangas" freirianas eu estou me referindo...)

 

 

LB - Já que você trafega em gêneros múltiplos o que você diz sobre o conto? Já arriscou ou prefere mesmo o romance?

 

 

FM - Tenho um livro de contos - Armada América (Editora W11/Francis, São Paulo, 2003) - que ficou entre os cinco finalistas da categoria, no Prêmio Brasil/TELECOM de 2004. E estou um livro inédito de histórias curtas, para publicar neste ano. O título é Oxford Hotel e conta com 14 narrativas.

 

 

LB - Uma curiosidade: vocêlançou seu primeiro romance, Aspades Ets, Etc., em Portugal. Por que Portugal? Lançar livro de estréia no Brasil é mais difícil?

 

 

FM - Tive esse livro recusado por algumas editoras daqui de Pindorama, mandei para uma das maiores editoras de Portugal - a Campo das Letras - e, em menos de seis meses, estava publicado lá, pelo editor Jorge Araújo. Ele promoveu o lançamento, em dezembro de 1997, em Lisboa e no Porto, com passagens aéreas e hospedagem para mim e minha esposa em "ambas as duas" cidades (como diria o acadêmico da Academia Alagoana de Letras, Fernando Affonso Collor de Melo), e ainda ontem o Substantivo Plural estava dando notícia da presença do Aspades, ainda, nas "montras" e nos balcões portugueses (com foto e tudo, no SP). Fiquei feliz.

 

 

LB - Vocêacredita que todo romance tem que ser escrito com alguma função - seja ela social, moral - que não o entretenimento, ou o romance de entretenimento cabe?

 

 

FM - O romance, como toda forma de arte, deve ser utilizado (além do terreno puramente do entretenimento pueril) como meio de expressar a Realidade - seja clara ou oculta. Quero dizer, como um lampejo no inconsciente ou no - chamado - consciente de cada ser humano interessado em se comunicar, artisticamente, com outro humano. Simples assim (não posso pensar em conceituação mais simples do que essa). O resto é resto. Ou melhor, o resto é silêncio, ainda. Um silêncio ensurdecedor.

 

 

LB - Monteiro você tem se caracterizado como um dos escritores que mais tem combatido a escrita de Ariano Suassuna e Paulo Coelho. Por quê? Explica isso melhor.

 

 

FM - Paulo Coelho não é um escritor. Ele junta palavras (mal), encontrou um filão que o tornou "popular" numa época em que "encontrar um filão" é mais importante (porque mercadológico, pra começar!) do que expressar qualquer tipo de verdade rasa ou profunda. Ainda assim - ou por isso mesmo - ele não faz o mal que, por exemplo, faz um Ariano Suassuna, verdadeiro escritor e intelectual que, nas suas preocupações chauvinistas com a pátria e a cultura nacional, beira a fronteira de uma visão fascista (o que horroriza os espíritos livres). Ariano é um conservador obscurantista, que tem grandes recursos de "clown" - e eu admiro isso -, porém nunca estarei na fila da frente (nem na de trás) das suas "aulas-espetáculos", rindo das mesmas piadas que ele conta centenas, milhares de vezes, com sotaque treinado e roupa de algodãozinho esmeradamente folclórica na costura. Para quem gosta, é um penico cheio. Eu não gosto. Não gosto da encenação "sertaneja" (Ariano é tão urbano, biograficamente, verdade, quanto um Supla), nem concordo com as posições - ex-monarquistas, de apoio ao general Euler Bentes na presidência da República, contra Chico Science etc. É uma visão estreita que, na cultura, faz muito mal. E, na gestão cultural, pior ainda. Espero estar explicando minhas "diferenças" com o viés suassunesco quadernoso da Onça Malhada do Sertão, pela última vez. Todos me perguntam isso, como se Ariano devesse ser uma unanimidade, um velhinho obrigatoriamente querido e tudo o mais. Com todo respeito, discordo - e desconfio - dele e das suas tolas diatribes contra a arte contemporânea, urbana, o Rock, Bossa Nova, Tom Jobim, a Tropicália, parangolés e outras graças. E não vou deixar me intimidar pelas Juventudes Arianas (ou pelas Senhoras Fascistas da Pedra do Reino) que adoram o escritor fanhoso. Eu não "adoro", e tenho direito a isso - como a J.A e as S.F.P.R também têm o direito de até beijar o chão que Suassuna pisa com aquelas alpercatas compradas em Taperoá, para melhor efeito geral da sua pessoa.

 

 

LB - Vocêcompõe suas estórias a partir do real, ou literalmente vocêcria usando apenas a imaginação?

 

 

FM - Uso o real, a imaginação, o sonho, a topada no dedão do pé, a lembrança da cor da calcinha da primeira professora do ginásio, as "lembranças" - mesmo falsas - que nos oferece a ilusão do cinema, mais a paisagem, o concreto e os rios de águas heracliteanas, assim como os aeroportos (gosto muito de avião e de aeroporto, ao contrário de muita gente) e as cidades, visíveis e invisíveis. A vida é para ser usada. Não necessariamente para servir de base ou ponto de partida para filmes, peças ou romances (conforme julgava o idiota do Hemingway), porque não há decreto algum determinando que se plante uma árvore, se faça um filho ou se escreva um livro (nada mais ridículo do que as mui bem intencionadas frases de almanaques, nesse estilo). Além de usada, a vida não é para ficar parecida com um nenhum lençol lavado com Omo - que, aliás, não garante brancura alguma. A brancura só interessava ao Nacional-Socialismo das juventudes hitleristas.

 

 

LB - Monteiro você também escreveu biografias. Por que a escolha de Lawrence da Arábia?

 

 

FM - Thomas Edward Lawrence (1888-1935) foi um Hamlet moderno, um dos maiores talentos entre os maiores "orientalistas" ingleses da primeira metade do século XX e um dos homens mais atormentados de qualquer tempo. Escreveu uma autêntica e indiscutível obra-prima (Seven Pillars of Wisdom, publicado em 1926 - em edição particular - e em 1935, em edição pública), e viveu, talvez, a mais extraordinária aventura do século passado, no Hedjaz, entre 1916 e 1918. Dois anos de ação, pensamento e abismos. Acho que é o bastante para despertar o interesse de qualquer um, não?

 

 

LB - Vocêtambém chegou a escrever um pequeno texto sobre a figura do FaraóEgípcio Akhenaton, considerado por alguns estudiosos, Freud inclusive, como o iniciador do monoteísmo na história humana? Por que, objetivamente, o interesse por Akhenaton?

 

 

FM - Muito simples: assim como T. E. Lawrence foi uma das mais interessantes figuras do mundo moderno, em Akhenaton - o faraó também conhecido como Amenófis IV - nós temos uma das mais intrigantes figuras da Antiguidade, como líder-reformador espiritual (o primeiro monoteísta da História) e governante no período de maior brilho da longa sucessão de faraós, no Egito. Me larguei para lá, em 1983, a fim de estudar a reforma religiosa promovida por esse enigmático rei da 18ª Dinastia, e não me arrependo: o processo dessa aproximação interessa ao meu próprio espírito, ainda, e continua em curso, dentro de mim, mercê de figuras tão díspares (e afastadas no tempo) como o inspirado rei de Amarna e o desconcertante Lawrence da Arábia (ele detestava o apelido popularizado pelo jornalista Lowell Thomas). Mas, há outros que também me interessam, e sobre os quais ainda não escrevi.

 

 

LB - Por que é tão difícil de se viver de literatura no Brasil?

 

 

FM - Eu diria que é difícil viver - de literatura ou não - na terra Brasilis. Para não parecer que fujo à pergunta, eu acrescentaria que é difícil "viver de literatura", sim, num país como o nosso, no qual a média de leitura, por pessoa, atualmente é de um livro por ano para cada tupiniquim que somos (todos), com saudade do carnaval quinhentista no qual, num dia de sol, comemos o coitado do bispo Sardinha cozinhado em banho-maria na beira da praia dos naufrágios.

 

 

LB - Para terminar: como vocêvêo panorama da literatura brasileira na atualidade?

 

 

FM - O panorama? Bem, eu o vejo como o Arthur Miller via: debaixo da ponte (e aqui no Recife tem muitas)...

 

 

 
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Terremoto no bom senso

Apesar de o nosso presidente ter pedido para adotar o Haiti , até agora não mandou ninguém (a não ser os soldados que já estavam a serviço da ONU, portanto ele não mandou, deixou lá). O Rio Grande do Norte não se fez de rogado e mandou HUM soldado da força nacional de segurança. Mas mandou. Isso mostra o nível da nossa preparação para uma guerra. Nossa governadora realmente merece o título de guerreira...da paz. Enquanto isso os americanos enviaram 10 mil soldados e 800 médicos (evidentemente deve ter sido do SUS americano). Este número, 10 mil soldados, é maior do que todo o contingente das forças armadas no RN. Lula-Alá, ainda não se conscientizou da nossa insignificância. O nosso presidente na sua ânsia de aparecer para o mundo, aceita até sair vestido de baiana.

 

 
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O Pai do mundo e o Haiti

O pai do mundo perdeu a voz e ficou rouco de tanto ouvir (como dizia Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais no tempo da ditadura de Vargas) durante a tragédia de Angra dos Reis. Agora, com o terremoto no Haiti, o pai do mundo recuperou a voz e resolveu adotar o país vitimado. Doou, em nome dos brasileiros (lembrar que o pessoal do Bolsa família ficou de fora), 15 milhões de dólares para as vitimas. A Comunidade Econômica Européia, da qual fazem parte os países atrasados e pobres, Alemanha, Áustria, França, Holanda, Portugal, Itália, doaram apenas 3 milhões de euro. Alguma coisa está errada. Não é pai do mundo?

 

 
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Preso deve votar?

Todos os dias a imprensa mostra o estado deplorável de nossas cadeias, ou melhor, dos depósitos de pessoas tal qual se faz numa criação de suínos. Só que, a higiene dos porcos é incomparavelmente melhor do que a dos detentos.

 

 

A grande maioria das cidades brasileiras não tem presídios, ou mesmo delegacias com o mínimo de estrutura para recebê-los (os presos). Não devemos sonhar com melhorias, porque na democracia brasileira o que vale mesmo é o voto, somente, e não a sociedade como um todo, independente de quem vote.

 

 

Pensando assim, leva-me a evidencia que é impossível melhorar as condições dos presos, pois eles não votam. Imaginem que os brasileiros votantes ainda não recebem sequer os serviços essenciais (básicos) quanto mais os presos.

 

 

Todos os dias vemos nos jornais e na mídia em geral, a repetição dos mesmos problemas relativos aos detentos, tais como rebeliões, fugas, fugas até pela porta principal, e os administradores públicos não estão nem ai para a solução desses velhos e caducos desastres humanos.

 

 

Minha sugestão é que os presos passem a votar, pois assim, dessa forma, os políticos em época de eleição teriam que ir as cadeias conversarem com eles e passar a conhecer os problemas graves do sistema carcerário brasileiro, problemas esses que também terminam prejudicando os que estão fora dos presídios. É bom acrescentar que os presídios são verdadeiras escolas de bandidos, incentivado pelo próprio sistema.

 

 

O melhor dessa história (preso poder votar) é que tendo que visitar os presídios em busca do voto, muitos deles (os políticos) já ficariam na cadeia que é o lugar merecido, sinceramente, de uma boa parte da classe política.

 

 

Até quando nós teremos que convier com a quantidade de apenados, mas que continuam soltos por faltas de vagas e de presídios, causando mais traumas na sociedade? Não há vagas, não há vergonha e nem interesse na solução desses problemas!.

 

 
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O outro lado da moeda

Lula que ganhou destaque na imprensa nacional, nos blogs, nos sites, saudado em verso e prosa (quantas loas!) por ter figurado como o "Homem do ano", como um dos destaques pela imprensa européia, também mereceu "destaque" como um dos cinco "poderosos" mais hipócritas do ano de 2009 pelo jornal (qual?), El País da Espanha. No entanto, ninguém noticiou. Por que será? Por quê? Conveniência? Isso é jornalismo? Cadê o outro lado da moeda? Não houve destaque na imprensa, nos sites e blogs nacionais. Estranho, muito estranho. Pois bem eu reproduzo o que disse o El País, sobre aquele que é o tão cultuado em prosa e verso em nosso "meio":

 

 

O que escreveu o El País:

 

 

Lula da Silva. El presidente de Brasil ha declarado que Hugo Chávez es el mejor presidente de Venezuela en 100 años. Pero nunca hemos oído a Lula decir algo sobre las conductas autoritarias de su amigo venezolano. Sí lo hemos visto, en cambio, atacando furiosamente las recientes elecciones en Honduras. Lo hizo la misma semana que recibió con honores a Mahmud Ahmadineyad, cuya victoria electoral también es cuestionada. ¿Qué tienen las elecciones en Irán que no tuvieron las de Honduras? Un enorme fraude, muertes, torturas y la brutal represión ordenada por el Gobierno de Ahmadineyad. El afable líder brasileño aún no parece haberse enterado.

 

 

 

Tradução: Lula da silva. O presidente do Brasil afirmou que Hugo Chaves é o melhor presidente da Venezuela em 100 anos. Mas nós nunca ouvimos Lula dizer algo sobre o comportamento autoritário de seu amigo venezuelano. Sim, nós temos visto, no entanto, furiosamente ele atacar as recentes eleições em Honduras. Ele fez a mesma coisa ao receber semana passada com honras Mahmud Ahmadinejad, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que as eleições no Irã têm em comum com a de Honduras? A fraude em massa, assassinato, tortura e brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. (Coisa que) O afável líder brasileiro ainda não parece ter se inteirado.

 

 

P.S. O Lulinha paz e amor foi/é puramente um trabalho de marketing, a bruxaria moderna. Quem executou o "trabalho"? Esqueceram? Duda Mendonça, tal qual se fabrica e se constrói um sabonete. Gostou? Então compra. Mas cuidado com o que deixa impregnado no corpo.

 

 
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O poeta e eu

O texto que segue foi publicado inicialmente no blog do Jairo Lima que, diante da minha escrita ainda nos deu uma pequena amostra do seu talento (erudito) para o meu (nosso) deleite, escrevendo um post scriptum, e que, com a devida autorização acrescento logo a seguir.

 

 

 

O poeta e eu

 

 

O poeta, escritor e publicitário pernambucano, residente em Natal, Jairo Lima, assim como eu, acredita que o trabalho intelectual é algo superior ao uso do trabalho sensório per si. Vou tentar explicar, antes que me acusem de alguma obscenidade, mesmo que quem o faça não saiba que está ofendendo mais a si do que a mim. Aliás, foi Freud quem disse certa vez que quando Pedro fala de João, está falando mais de Pedro do que de João. Deu para entender? Não? Então, deixa pra lá, paciência. Na verdade, isso é outra história. Deixemos Freud, e voltemos a Jairo.

 

Jairo é fã de música erudita. Eu também. As identificações param ai. Exemplo? Jairo ensinou música erudita, eu não. Bom, mas música erudita obviamente não é a mesma coisa que música popular, que é o que eu quero falar aqui. A música popular é feita ou pode ser feita (composta, para usar o jargão) por qualquer analfabeto musical, já a música erudita não. A musica erudita é música construída com base no refinamento intelectual, conceitual, faz uso da cultura intelectual e da lógica. Sem lógica, não há musica erudita, sem o uso do intelecto não há musica erudita, por isso ela é superior. Já a música popular, não. Essa é intuitiva e vive do sensorial. Freud explica, mais uma vez.

 

Mas vejamos outro exemplo: o rock por exemplo, é sensório puro. Qual a diferença entre a gritaria musical do rock and roll e a gritaria de Hitler discursando? Nenhuma. Deu para entender? Por isso ambos fizeram sucesso. Alguns ainda arriscam a dizer que fazem. Ambos. O problema é que não há na "mensagem" deles apelo ao intelecto, não há apelo ao refinamento, que precisa da lógica, logo, a cultura do rock and roll e os discursos de Hitler são não só anteriores a cultura intelectual como inferiores. Deu para entender? Se não, então é melhor desistir e continuar tocando a sua cultura inferior. Ou se preferir, com o seu rock and roll.

 

Estou dizendo isso, para tentar raciocinar porque que uma música baiana que não nos diz absolutamente nada, consegue vender milhões (deixando milionários seus "criadores"), e levar multidões atrás de um trio elétrico e a 3ª sinfonia de Beethoven que é uma das coisas mais geniais que alguém já compôs, não consegue absolutamente nada em relação à massa? Por quê? Há outras músicas eruditas, óbvio, mas fiquemos nessa do nosso Beethoven.

 

A música popular nos pega não pelo intelecto, e sim, pelo estímulo imediato. Sem mediação. Já a música erudita exige análise, conceituação, exige trabalho mental. A musica popular não exige nada. Por isso que alguns - Jairo e eu, por exemplo -, acham que a música popular é pura alienação. E é. Mas não no sentido marxista, bem entendido, porque a música erudita é refinamento, e marxismo não é. Sei que é assim, e não quero explicar isso agora, talvez no futuro. Talvez.

 

O certo é que a música moderna acabou com a música erudita. Entre os assassinos se encontra também a música erudita moderna. Jairo explica. Eu o acompanho. Somos dois decadentes (ou caretas no jargão moderno), mas não decaídos. Se quiser saber mais e porquês sobre música erudita é só marcar uma prosa (erudita) com Jairo Lima no Bar Papo Furado que fica no Mercado de Petrópolis, na Hermes da Fonseca. Você irá sair de lá, com cancha de perito em música erudita. Pode se gabar.

 

 

Laurence Bittencourt

 

 

Segue o PS do poeta Jairo Lima.

 

 

"Querido e corajoso amigo, vc comprou uma briga sem tamanho com um bando de analfabetos musicais que, em nome do politicamente (argh!) correto afirmam candidamente que os sapos são iguais aos navios porque são vistos sempre próximos à água. Moliere, em frase lapidar de sua peça "As Sabichonas", fala dos que, para se mostrarem iguais aos gênios, imitam-lhes o modo de escarrar. Os shoppings intelectuais estão cheios destes cuspidores que, falseando a mais elementar verdade, tiram do povoa possibilidade de acesso aos bens culturais superiores (superiores, sim, vocês podem estourar de raiva, mas são superiores, sim) sugerindo que a arte popular é tão importante quanto a suposta, para eles, arte erudita. Ou que, simplesmente, não existe diferença entre Meu Limão, Meu Limoeiro e a Tocata e Fuga em Ré. A tchurma confunde, deliberadamente, arte, artesanato, ritos sociais tradicionais, indústria do entretenimento, o caralho a quatro; botam tudo num mesmo saco e sentam em cima. São os defensores da "cultura" este tudo que é nada. Assim, é só deixar o povo como está. Pobre, explorado, submisso e, sobretudo, ignorante. Afinal, para quese esforçarse futebol é arte, jogador é herói, motorista de carro de corrida é gênio e Michael Jacson foi o mais importante fenômeno artístico do século passado? Ou seja: para que estudar, ou fazer qualquer outro esforço intelectual se já nascemos institivamente habilitados para o usufruto das mais ricas benesses do espírito? E esta turma, reaça e conservadora,pasme, posa de esquerda. Combine isto com governantes analfabetos e o resultado é a consagração institucional deste abestalhamento abissal que nos retira da penumbra contemplativa do teatro para avulgaridade ensolarada e participativado circo.
P.S. Quer fazer um teste? Pergunte a um abestalhado destes, sem dar tempo para ele consultar a Wilkipedia, o que é uma fuga. E depois me diga".

Ass. Jairo Lima.

 

 

 
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A propaganda sempre foi a alma do negócio.

O título que Jayme Copstein deu a sua crônica do dia 04/01/2010, comentando o artigo do jornalista Elio Gaspari na Folha de São Paulo, foi "De FHC a Lula", mas bem que poderia ser "Quem não se comunica se trumbica, ou A propaganda sempre foi a alma do negócio". Engraçado que os lulistas que gostam de citar Elio Gaspari convenientemente nem de longe repercutiram esse seu artigo. Por que será? Ah, a política! Ah, a política! Bom, de qualquer forma segue abaixo a crônica de Copstein, que transcrevemos na integra. Números não mentem, mas às vezes a ilusão misturada com paixão ideológica cria um caldo de cultura deturpando os fatos e que parece sempre foi a mola da política. Reflitam.

 

Jayme Copstein

 

De FHC a Lula

 

Crônica que deveria correr a Internet, em lugar das chatices que costumam vir com o gancho "imperdível", "sensacional", passe adiante" - é a de Elio Gaspary na Folha de São Paulo de ontem: "Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois". Gaspary resume análise de números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PND) de 1996 e 2002 (anos tucanos) e a de 2008 (anos petistas), feita pelo economista Claudio Salm, comprovando que, de Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil cresceu com igual velocidade e em ritmo equivalente. Salm é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Comparou os números dos relatórios das PNDs de 1996 e 2002 (mandatos de Fernando Henrique Cardoso) e 2008 (a mais recente do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva). Estabeleceu uma reta de progresso contínuo, sem nenhum contribuição especial do Governo petista que jogue a linha para cima. Em 1996, início do Governo Fernando Henrique Cardoso, 48,5% dos domicílios pobres eram servidos por água encanada. Em 2002, fim do mandato, eram 59,6% - crescimento de 11,1 pontos percentuais (pp). A PND de 2008, no sexto ano do Governo Lula, mostra ascensão para 68,3%, crescimento de 8,7 pp.Verificou-se o mesmo com o serviço de esgotos: crescimento de 9,1 pp no período de FHC, incluindo 41,4% dos domicílios pobres, passando-se a 52,4% em 2008, com acréscimo de 11,3 pp.Em 2002, os 79,9% de domicílios pobres servidos por eletricidade elevaram-se para 90,8%, aumento de 10,9 pp em 2002. Em 2008, somaram 96,2%, crescimento de 6,2 pp. Na telefonia, os números são: 5,1% em 1996, 28,6% em 2002 e 64,8% em 2008. Domicílios pobres equipados com geladeiras eram 46,9% em 1996, 66,1% em 2002 e 80,1% em 2008.Gaspary conclui a crônica, comentando que "Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato." Ao que se pode acrescentar uma frase lida em algum lugar: "Política é o meio que alguns têm para fazer fortuna e outros, para procurar desgraça".

 

 
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Capote vivo e atual

O jornalista Carlos de Sousa, disse recentemente no blog Substantivo Plural que para ele era mais importante alguém ser um leitor do que mesmo escrever. Confesso que a frase me surpreendeu, ainda mais sendo ele jornalista cujo oficio maior é escrever, e só aos poucos fui absorvendo o sentido da frase, e reconheço agora que a afirmação de fato faz um sentido imenso. E acrescento: há livros que lemos e temos que voltar ler outra vez; há livros que lemos e uma vez basta e ainda há livros que começamos e deixamos de lado sem terminar, não fazendo falta alguma. No primeiro caso, posso citar o livro do romancista americano Truman Capote chamado "A sangue frio". O livro se tornou um best-seller quando foi lançado em 1966 nos Estados Unidos e transformou Capote além de milionário em uma espécie de mito. O livro traduzido no Brasil tem um dos mais belos prefácios que eu conheço escrito pelo também jornalista, Ivan Lessa que hoje mora em Londres.

 

Mas por que estou mencionando o livro de Capote? Por diversos motivos. Primeiro, como indicação. Segundo para dizer que acho impossível um livro como este ser escrito no Brasil. O livro recompõe a história verídica do brutal assassinato ocorrido numa pequena cidade do Kansas, Holcomb, localizada no sul dos Estados Unidos, dos quatro membros da família Clutter, Herbet, o pai, Bonnie, a mãe e dois filhos (Nancy e Kenyon). Os assassinos invadiram a casa da família Clutter na madrugada de 15 de novembro de 1959, amarrando, amordaçando e baleando na cabeça com tiros de espingardas as quatro vitimas. Após serem presos em Las Vegas, foram julgados e enforcados em 1965. Mas repito? Por que estou mencionando o livro?

 

O livro é magistralmente escrito. E Capote um fenômeno como escritor. Um dia depois do crime, o assassinato mereceu uma pequena nota no jornal The New York Times, que não passou incólume aos olhos do atento Capote. Ao se deparar com a nota, de imediato fez as malas e rumou para a cidade "escondida" dos grandes centros e dos burburinhos de Nova York onde residia. O interessante é que quando Capote decidiu viajar ainda não se sabia nada dos assassinos, nem mesmo se era um, dois ou mais, os assaltantes.

 

"A sangue frio" se tornou um fenômeno de vendas. E mais: depois de lançado, o livro criou um novo gênero chamado de "romance de não ficção" ou de livro-reportagem, porque tinha um caráter jornalístico (Capote nunca foi um verdadeiro jornalista, registre-se) já que se tratava de um fato real, mas narrado artisticamente, como se fosse uma ficção. Trechos do livro foram lançados antes do lançamento oficial em livro, na revista na revista The New Yorker em quatro edições que bateram recordes de tiragem.

 

No livro Capote conta com detalhes todo o desenrolar que culminou na morte dos Clutter, até o desfecho final com a morte por enforcamento dos assassinos. Ele contrapõe, como ele mesmo chamou, os dois mundos dentro dos Estados Unidos. O mundo puritano, radicalmente moral, conservador e o mundo miserável e cheio de violência constante.

 

Mas por que estou citando o livro? Recentemente escrevi um artigo indagando do porque de não sermos (o Brasil) um país moral. E perguntava qual a diferença entre um ladrão que assalta Bancos, casas, rouba galinhas, do ladrão de colarinho branco que rouba milhões da população e continua freqüentando as paginas das colunas sociais, não dando absolutamente nada para eles.

 

No livro de Capote entre outras mensagens (para quem se der ao trabalho de adentrar na sua leitura) ele permite esse tipo de reflexão. Aliás, tem duas cenas durante o julgamento de Dick Hickock e Perry Smith (os dois assassinos) que é quando Perry Smith (o mais inteligente dos dois) diz que "todos os crimes só são variedades de roubo, inclusive o assassinato". Ou ainda olhando para a platéia, indaga, "Esses caipiras daqui vão votar pelo enforcamento muito depressa, feito porcos indo comer a lavagem. Basta ver os olhos dele. Como se eu fosse o único assassino presente no Tribunal".

 

Por que estou citando o livro? Resposta: olhando a corrupção e os roubos dos colarinhos brancos no Brasil não há como indagar como Perry: porque aqui só ladrão de galinha e de Bancos são considerados assassinos? É perturbador? Pode ser em se tratando de Brasil, mas que merece uma reflexão, ah, isso merece. A leitura é fundamental. Carlão tem razão. E Capote continua vivo e atual.

 

 

 

 
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Para onde vai o Irã?

Poucos países se manifestaram até o momento contra os atos de violência e repressão intensos praticados pelo governo do Irã, que não pára de assacar contra os que pensam diferente do atual regime.

 

 

Ontem o presidente da França em nota oficial, voltou a condenar a repressão sangrenta aos manifestantes no Irã. E acrescentou "Desde a eleição de 12 de junho de 2009, o povo iraniano pede pacificamente o direito de se expressar livremente e de escolher seu destino. A França está ao seu lado, como sempre está quando se trata de um povo que pede liberdade e justiça", acrescentou a presidência francesa, solicitando "o fim da violência, a libertação de todos os opositores detidos e o respeito dos direitos humanos".

 

O comunicado de Sarkozy segue em acordo com o que o Ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard kouchner em nome do governo, já havia dito dias atrás ao pedir a libertação de "todas as pessoas injustamente detidas"

 

 

As manifestações no Irã que começaram logo após as eleições que culminaram com a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, e continuam forte em Teerã. O atual regime viola os direitos humanos, tortura, mata, proibiu a internet, enfim, trata-se de um regime de terror brutal, com o perdão da redundância.

 

A questão que todos se perguntam é: para onde vai o Irã? Segundo o The Wall Street Journal, os iranianos desejam mudança de regime, e algumas mensagens no twitter já informam que o Aiatolá Khamenei* pode se refugiar na Rússia, caso seja necessário. Seis meses atrás o slogan era "onde está o meu voto", hoje é "Khamenei é assassino e o seu governo é ilegal". O Itamaraty também há poucos dias já se pronunciou que se houver derrubada do regime do Irã, irá a ONU se manifestar contrário.

 

* Ali Khamenei é o Aiatolá cuja designação no Irã é a de ser o Líder Supremo, e foi também presidente do Irã de 1981 a 1989.

 

 
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Rio não invade casa, casa é quem invade rio

Depois do movimento ambientalista no mundo, especialmente no Brasil é possível observar que ele tem servido para esconder a incompetência dos governos brasileiros especialmente dos prefeitos, que diante dos soterramentos de barracos, causando vitimas, preferem colocar a culpa nas chuvas, quando na verdade os responsáveis são eles - os administradores públicos. A falta absoluta e radical do entendimento do que seja civilização é o que corrói a mentalidade pública nesse país.

 

Incrível, por exemplo, é constatarmos aqui mesmo em Natal que diante da falta de saneamento básico, da falta de galerias pluviais, não vemos nenhum movimento dos ditos "ambientalistas", em fazer piquete, "abraço de protesto", reclamação pelo fato da Caern poluir o Rio Potengi, ou deixar milhões sem saneamento básico. Olhem o paradoxo. No entanto, se for para fazer manifesto contra a industrialização ou construção de prédios eles se mobilizam rapidamente. Por que uma coisa e não outra? Na Europa claro, como o saneamento já está equacionado, os "verdes" de lá lutam pela preservação da "Amazônia" ou contra o aquecimento global.

 

Em relação a nós, a demagogia toma conta desse país. E quem ousa ir contra está fadado ao isolamento e a condenação. No Brasil muitas casas são erguidas nas várzeas dos rios, mas como são erguidas pelos chamados desvalidos os governos fecham os olhos, pois as enchentes servem para eles declararem inocência e ainda gera muitos votos. Os bolsões de miséria que se formam geram um potencial de mortandade e que ao longo da nossa história acontece. Mas quem tem coragem como político de enfrentar a situação? Agora mesmo ficamos sabendo que o projeto "Minha casa minha vida" que não é de todo ruim, não recebeu os recursos que foram prometidos. Por quê? Eis a questão que não é respondida. Ou, para onde foram os recursos? Em quem devemos confiar? Nos Tribunais de Conta? No Ministério Público? Esse é o problema. Mais um problema.

 

Claro, dificilmente no Brasil temos noticias de rico sofrer com enchentes, porque para construir uma casa, as prefeituras (e nisso os governos são "bons e eficientes", e como são) exigem a escritura do terreno, projeto de um arquiteto, licença do CREA (Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos), projetos, instalação elétrica, hidráulica de esgoto, etc, etc. Fora os "por fora".

 

E há também a noção clara de que os remediados não constroem casas em área de risco porque a prefeitura não deixa e daí podemos concluir que os políticos tem muito zelo por aqueles que formam opinião e financiam uma parte das campanhas pois o grosso são financiados pelas empreiteiras com dinheiro desviado dos contribuintes. O escândalo de Brasília é um velho costume que se renova mais forte. Porém é o corriqueiro.

 

As marginais de São Paulo foram feitas nos leitos dos rios, observe, e portanto nesses casos, também foi o prefeito (ou prefeitura) que invadiu o rio. Por outro lado, estamos extremamente atrasados no encaminhamento das águas de chuvas. Não há no Brasil nenhuma cidade que tenha um projeto de galerias pluviais, nenhuma. Claro, as galerias pluviais seria a única solução para enchentes (além de pensar em um ponto de cota mais baixo para onde possa desaguar a água), mas como galerias pluviais são projetos que infelizmente"vivem" enterrados, logo não proporciona votos, apenas, pela sua ausência, doença e morte.

 

Nosso poder público tem 25% dos empregos formais e esse "emprego" só serve para consumir energia gerada pelos trabalhadores da iniciativa privada. Só Deus passando a mão por cima.

 

 

 

 

 
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Lula, o picareta mor

Eu não tenho nenhuma simpatia por Lula. Nem sou obrigado a ter. E acho-o um picareta. Grande. Imenso. Mas e a popularidade dele? Popularidade não é termômetro para medir a picaretagem de ninguém. E dou um exemplo do nível de picaretagem que assola Lula. Ele foi participar da COP 15, o Congresso realizado em Copenhagen (Dinamarca) para discutir a redução de gases poluentes que provocam o efeito estufa causando aquecimento global. O Brasil estava entre os 200 países presentes.

 

Lula fez duras criticas aos países ricos, em especial aos EUA por não assumir a defesa direta e de frente da proposta de redução dos gases poluidores. Obama durante o encontro chegou a dizer que ele não era presidente do mundo. Lula não gostou da postura e do discurso de Obama.

 

Bom mas aonde estaria a incoerência de Lula? Compreenda. Lula faz um discurso para a comunidade internacional, crítica os países que só pensam em crescimento, mas dentro do Brasil suas (dele, Lula) atitudes vão no sentido contrário. Aqui ele fez uma festa com a descoberta do Pré-Sal, dizendo ser a redenção do Brasil. Mas Pré Sal significa petróleo, o que significa mais carros circulando e carro é um dos maiores contribuintes para gerar o efeito estufa. Ou seja, quando é para se beneficiar politicamente e eleitoralmente Lula esquece as criticas e seu discurso junto a comunidade internacional.

 

Outra: ele reduziu o IPI para a venda de automóveis. Ou seja, não deveria ter tomado tal atitude, uma vez que a venda de carros significa mais poluição, mais efeito estufa. Ele quer que os "outros" não cresçam, mas quer crescimento para o Brasil. Cadê a coerência? Como nós vivemos em país que a tolerância é 100 (e não zero) para com as incoerências políticas, os roubos, os desmandos, as falcatruas, a incoerência de Lula não faz e não tem nenhum efeito.

 

Com sua atitude dúbia e falsa, Lula apenas repete a velha e manjada frase: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Ou ainda, dois pesos e duas medidas. Ou ainda mais, incoerência e picaretagem absoluta. Você não concorda que ele seja um picareta?

 

 

 
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O povo é o vilão?

Como entender o nosso país? Como entender Brasília? Faço as perguntas diante do resultado obtido pela Folha de São Paulo através de pesquisa realizada via Datafolha, entre os dias 14 e 18 deste mês, onde o eleitor de Brasília, vejam só, sinalizou que prefere ter de volta Joaquim Roriz para governar o Distrito. Em todos os cenários possíveis levantados pelo Datafolha, Roriz tem entre 44% e 48% da preferência do eleitorado, vencendo as eleições já no primeiro turno. O incrível é que o escândalo do mensalão do DEM tem as digitais fincadas, marcadas e expressas do governo de Joaquim Roriz, fato que parece mais do que claro, até o momento, diante das revelações de Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais do atual governo e o responsável pelas gravações que atestaram o esquema de corrupção conhecido como Caixa de Pandora.

 

Para quem não se lembra e é bom reavivar a memória, Durval Barbosa em depoimento ao Ministério Público Federal, confirmou aos procuradores que o esquema de corrupção começou no governo de Joaquim Roriz, em 2002, já com a participação do então deputado José Roberto Arruda.

 

Como explicar essa "tendência" do eleitorado em trazer de volta Joaquim Roriz? Um esquema de corrupção leva a esquecer um outro? Eta Brasil. Como diria Carlos Heitor Cony, "o povo é vilão".

 

 
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A frase do vice-governador

Ainda estou surpreso com a fala do vice-governador Iberê Ferreira durante o encontro de confraternização de fim de ano com os jornalistas ao pedir que os jornalistas não confundam a posição de governador a partir de 2010 com a posição de candidato ao governo. A frase parece uma sacada de mestre, e foi, mas qual a intenção do vice? Obviamente que tem todo um tom matreiro, que parece mesmo querer antecipar ou neutralizar possíveis incômodos. Restam saber quais incômodos.

 

Iberê é conhecido como uma pessoa de fino trato, legal e educado. Mas isso não significa dizer ingenuidade, ao contrário. Basta dizer que o prefeito de Serra Negra, Rogério Mariz me disse pessoalmente que ele de fato atende todos os prefeitos sempre com um sorriso no rosto, sempre solicito, e em qualquer hora, enquanto Robinson parecia pesadão. Mas a questão é a frase de Iberê. Por que pedir para separar o candidato do governador? Há preocupação na frase? Certamente. Mas qual, insisto?

 

A imposição do nome de Iberê obviamente que seguiu a nossa já velha tradição autoritária, onde um nome é colocado de cima para baixo e apenas retransformado pelo marketing como algo natural. A grande massa da população distante desses jogos de poder e sutilezas, apenas absorve, como sempre. A questão seriam os formadores de opinião que em países desenvolvidos removem as não explicações e fustigam as questões não claras. Em um país como o nosso, com as nossas velhas tradições de dependência dos chamados poderes públicos (nada temos de democrático), fica difícil esperar tais atitudes, ainda que fosse o correto. A questão é garimparmos os formadores de opinião isentos, livres dos interesses pessoais para tentar entender melhor o jogo.

 

A frase do vice-governador pode ser pinçada de sua fala como a coisa central, obviamente que dita de forma pensada e arquitetada antes do encontro. Há uma intenção clara (ainda que enigmática) e declarada. Se a política é um jogo de enigmas como querem os mais experientes, a questão então é entender a frase.

 

 
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Repetição e rega-bofes

Compulsão à repetição

 

 

A carreira política de Robinson Faria parece mesmo marcada pelo que Freud magistralmente chamou de "compulsão à repetição". Ou seja, uma força demoníaca que parece ser mais forte que o desejo de mudança. Vejamos: o deputado num passado não tão remoto, rompeu com os Alves porque se achava preterido pela família que sempre dominou o PMDB, alegando não ter espaço para galgar vôos mais altos. Sempre foi preterido pela família e dentro do partido. Não havia espaço, não davam espaço. E não davam mesmo. Rompeu, saiu e foi buscar novos horizontes, como se diz na política. Foi atrás de espaços vitais (quem foi mesmo que usou essa terminologia durante uma guerra? Deixa pra lá).

 

Pois bem, quando tudo parecia caminhar bem para uma eleição, enfim majoritária, com o apoio do governo estadual, do partido da governadora, o PSB, eis que novamente, parece, Robinson será preterido, tanto como candidato ao governo, e agora, parece, como até possível vice-candidato em uma coligação com o PSB. E quem parece que irá ocupar o lugar? Novamente um Alves, desta feita Carlos Eduardo Alves, imagine, tido como o "curinga das esquerdas" no Estado.

 

Robinson tentou conciliar, buscou viabilizar seu nome, conversou, andou, mas a governadora (que tinha e tem seu projeto próprio) soube manter o jogo duplo, e aos poucos, foi fechando as portas para o deputado e sua pretensão de candidato ao governo, e com o apoio dela.

 

Se tudo se consumar, e o chapão Iberê-Carlos Eduardo sair vitorioso, o governo claro, irá alegar que Robinson não soube esperar, que foi intransigente, que bateu de frente, que não soube esperar, que sua pretensão sempre foi muito alta, enfim, que ainda não era o tempo, etc, etc, etc. No fundo podemos presenciar a força pulsional contrária mais uma vez se manifestando.

 

 

 

Os rega-bofes continuam

 

 

E os rega-bofes de fim de ano continuam a toda. Imprensa e poder se confraternizando. Jornalismo que é bom, zero. Pelo menos algo novo surgiu: o deputado Henrique Alves, pelo que se lê por ai, não fará sua "confraternização de fim de ano" em um restaurante da cidade, e sim, em sua casa. Isso significa que o "povo" não irá pagar o rega-bofe? Com vocês a resposta.

 

 
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O almoço do vice-governador

O Vice-governador Iberê Ferreira de Souza ofereceu alguns dias atrás um almoço "de confraternização de fim de ano" para os jornalistas. Vez ou outra eu leio alguns jornalistas reclamarem da falta de independência dos grandes jornais de centros maiores. Dentro de uma concepção séria e de jornalismo independente, que fala em nome e para a sociedade, a primeira coisa a fazer e saber, seria de onde estaria vindo o dinheiro que pagou o almoço. Pelo que li nada disso foi falado ou dito, e parece mesmo não ter nenhuma importância. E isso em se tratando de um político, atual vice-governador e que é pré-candidato ao cargo de governador no próximo ano. Imagine!

 

Soube, pelo que li, que o almoço foi sucesso de "critica e de púbico". De público (já que era BLT, ainda que "alguém" pague a conta, a questão é saber quem) tudo bem, mas de critica? Porque de critica? Deve ser para mostrar "as habilidades do candidato". Esse é o nosso jornalismo. No entanto o mais estranho foi o fato também de ter lido que durante a sua "fala" o vice governador pedir (uma vez que ele é o candidato da situação, ou seja do próprio governo que ele faz parte) ao jornalistas que saibam separar "o Iberê candidato do Iberê governador". O que isso significa? Nenhum questionamento. Nenhum. Esse é o nosso jornalismo! Mas o que é que ele quer dizer com essa separação? Que como candidato ele não faz parte do atual governo? Ou será que só se deve falar das "promessas" dele? Aqui só fazemos levantar a bola e "divulgar" o fato, falar para a sociedade passa longe.

 

Outra coisa durante o almoço foi o fato do "candidato" a governador (que tem a maquina na mão) ter feito questão de fazer uma comparação do atual governo com o de Garibaldi. Garibaldi por acaso é candidato ao governo? Pelo que eu saiba não, e sim a senador. Ou seja, a sua comparação deveria ser em relação à Rosalba Ciarline e ao exercício dela à frente da prefeitura de Mossoró. Mas não. A "estratégia" no momento é outra. Mas, nenhum questionamento por parte dos jornalistas. Nenhum. Diante de almoço grátis resta apenas relaxar e aproveitar que ninguém é de ferro. As promessas virão apenas depois. E tome promessas.

 

 
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