Espaço Livre
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Miguel Cirilo

 

Descobrir algo não significa necessariamente saber reconhecer todo o valor desse algo, da mesma forma que conhecer algo no sentido empírico do termo não significa saber interpretá-lo ou mesmo entendê-lo. Esse jogo de palavras iniciais na verdade me veio à mente ao lembrar outro dia da poesia de Miguel Cirilo um dos mais brilhantes poetas do nosso estado, pouco conhecido dos amantes da poesia e menos ainda estudado pelos nossos acadêmicos. Deveria, mas não é.

 

Pois bem, Miguel Cirilo é autor de um dos livros mais emblemáticos e enigmáticos da nossa poesia intitulado "Os elementos do caos". Nesse pequeno (no tamanho apenas) livro há um poema chamado "Conhecimento do morto" que é uma verdadeira obra-prima.

 

Eu já havia lido esse poema algumas vezes, mas foi minha tia Margarida Bittencourt, quem chamou atenção para um dos versos (ela sempre gosta de repetir o verso em eventos sociais) do poema que é simplesmente encantador para dizer o mínimo. O verso diz: "A porta é nada se ninguém me espera". Leia novamente e com calma. Releia.

 

A clareza do verso é momentoso. Mas também é enigmático e certamente metafórico. Aliás, se há algo precisamente metafórico é a poesia. Ela, a metáfora, "ocupa" o lugar de algo ou fala de algo que "não aparece". A idéia de metáfora na poesia é exatamente essa a de falar nas entrelinhas. A beleza poética ou padrão estético da poesia reside em muito neste sentido indireto com que o verso ou as estrofes são produzidos.

 

Pinçado do todo, porém, a frase "a porta é nada se ninguém me espera" se sustenta pela beleza, profundidade e polissemia que a mesma permite. É um verso aberto, incomodo, tocante e mais ainda, crítico de um mundo em que os valores humanos parecem afetados pela correria do cotidiano, como se não houvesse mais um tempo de espera, de acolhimento, de escuta.

 

A porta não deve estar fechada se o outro é esperado. A porta não deve estar fechada se a possibilidade do encontro remete a uma aceitação do outro, do diferente, do fazer humano, do constituir-se humano, da tolerância. A porta enquanto metáfora pode remeter ao vazio negando-se ao compartilhamento de idéias, a aposta no outro, ao amor que nada espera, mas que sabe aguardar.

 

O verso de Cirilo sugere um compromisso e como tal deve ser cumprido. Caso não fica subentendido a pergunta: então para que o compromisso? Se há a porta então que seja feita para a espera. A porta é o ponto de partida para a revelação do encontro, para o desejo que se realiza no encontro e não um ponto de chegada em que apenas o vazio reine.

 

 

Sem citar na integra o poema vale a pena esticar um pouco mais a partir da frase aqui pensada: "a porta é nada se ninguém me espera, sou hóspede e o chamar-te minha amada, dorme na casa do não ser que eu era, morreu quem sou, mas quem não fui resiste".

 

Um estudo mais aprofundado sobre a poesia de Miguel Cirilo ainda carece de um bom interprete. Como diz o mesmo no mesmo poema "amar é achar o tempo do não ser".

 

 
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Debates e pesquisas sobre causas antigas

 

A história das religiões é um campo aberto e sem fim para o debate, pesquisa e principalmente polêmicas. Mas é interessante. Muito, muito interessante. Sábado último (05/05), por exemplo, pela televisão, assisti a um padre (inteligente, culto, preparado) discorrer sobre a trindade cristã, mostrando e "provando" que Deus, Jesus e o Espirito Santo eram uma só natureza em três pessoas. Ele se expressava com mais sutileza do que sintetizo.

 

Mas o que chamou a atenção, pelo menos a minha, foi quando a apresentadora perguntou-lhe quando de fato ocorre a menção ou indicação de que Jesus era o filho de Deus. Também com grande acuidade o referido padre discorreu longamente sobre a pergunta usando como parâmetro a fé e a Bíblia.

 

Mas o que me tocou foi quando o mesmo, no caso o padre, citando o evangelista João, mostra que o que incomodou mesmo os judeus (Jesus era judeu, mas trouxe a mudança) foi quando Jesus publicamente passa a trata Deus por "pai" algo impensável para um judeu legitimo, religioso, algo que não vemos nem na Torá, nem no Velho Testamento.

 

O padre cita a famosa passagem em João quando Jesus acossado por seus detratores (judeus, naturalmente) pergunta-lhes: "por qual das minhas obras me acusam?", ao que os judeus respondem: "por nenhuma de suas obras, mas pelo fato de tratares Deus por pai".

 

Ora, para os judeus que iniciaram a ideia de um Deus único que criou o mundo em sete dias, que gerou Adão do barro e Eva da costela de Adão, supostamente os seus "primeiros filhos", acreditar que Deus tenha escolhido uma donzela para germinar seu filho (o terceiro?) encarnado e verdadeiro, é algo muito distante.

 

Ora, uma das questões de fundo que fica é: se Deus, Jesus e o Espirito Santo são uma e só natureza, logo Jesus (essa era a conclusão do nosso padre pela televisão) é o próprio Deus encarnado. E se é o próprio Deus encarnado fica difícil imaginar Jesus já "existente" na eternidade enquanto filho. Se tudo que há no universo foi obra de Deus, o "filho" ainda não encarnado também foi. Ou será que não havia o "filho" antes da encarnação?

 

Você claro, meu amigo leitor, pode dizer: mas Laurence, há coisas que ao homem não cabe compreender, são os mistérios e os desígnios de Deus. Pode ser. De qualquer forma lamento decepcioná-lo e estou pensando modesta e humanamente. E então eu pergunto: é proibido questionar ou mesmo perguntar coisas referentes à religião? Será que já não avançamos o bastante para não podermos humanamente se interessar por essas questões, também?

 

De qualquer forma penso que para o cristão, Jesus é o filho e Deus é o pai, e estão juntos e separados. O próprio Jeshua (tradução de Jesus) falou: "vou para junto de meu Pai". Bom o certo, ou "quase" certo é que após as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto nas cavernas do Quram (Edmund Wilson um dos grandes intelectuais americanos hoje completamente esquecido estudou os Manuscritos do Mar Morto chegando a escrever um livro que indico intitulado "Os manuscritos do mar morto"), o que sobressai e ganha importância são os Essênios, uma das vertentes do judaísmo na época de Jesus, ao lado dos saduceus, fariseus e os zelotes.

 

Após as descobertas do Mar Morto, diversos estudiosos e exegetas do judaísmo quanto do cristianismo nascentes tentam aproximar João Batista e o próprio Jesus (os dois eram primos) dos essênios. Essa tese ganhou força com a tradução de parte dos textos essênios de Quram onde foi possível saber que os mesmos revelam práticas e terminologias consideradas exclusivas dos cristãos.

Pode-se observar também, o que não passou incólume para estudiosos das religiões abraâmicas, que o Novo Testamento, por exemplo, nunca menciona os essênios embora lance frequentes criticas as duas outras vertentes do judaísmo da época, os saduceus e os fariseus. Há que se acrescentar por fim que da mesma forma existem autores que não concordam com essa tese.

Bom, são debates e debates e pesquisas. Ainda que não mudem nada. Mas vale a pena para quem gosta.

 

 
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Lacan e o processo de educar

 

Jacques Lacan em sua genial carreira como psicanalista ficou marcado pelos seus inúmeros aforismos que lidos isoladamente, fora do contexto em que foram ditos, parece algo sem o menor sentido. Para ser bem franco, na verdade, chegam a causar uma espécie de estranhamento no leitor, pelo inusitado das frases. Um exemplo pode ser "a mulher não existe". Como assim "a mulher não existe"? No entanto, para quem se dispõe a enfrentar o seu estilo "barroco", não há dúvida de que se pode constatar que Lacan foi um gênio a toda prova.

 

E mais: por ter chamado o seu ensino de "Um retorno a Freud", ao leitor mais apressado ou menos avisado pode parecer mesmo que todo o seu legado parece "apenas" o de ser um fiel seguidor do pai da psicanálise. Ao contrário. Nada mais distante. Lacan tem entre outros méritos, o de saber fazer uma leitura corretíssima de Freud. Depois o rigor com que muniu a psicanálise retirando-a de um caminho errôneo que começou a ganhar corpo após a morte do médico vienense, que foi o de um buscar um "fortalecimento do eu ou adaptação do eu" ao mundo, algo completamente distante do pensamento de Freud.

 

Bom, mas o que de fato estou querendo neste artigo? Para quem pensou que é o de fazer uma síntese do pensamento lacaniano eu diria, nada mais distante, até porque impossível. O que pretendo é o de pensar modestamente e sem qualquer sentido maior algumas ideias sobre a relação do pensamento lacaniano com a educação. Obviamente que não há qualquer ensaio, artigo ou mesmo seminário dele que tenha abordado de forma direta o processo de educar. Aliás, o próprio Lacan de forma interessante promoveu uma separação entre o ato de educar da educação, o que já demonstra um pensador original.

 

Lacan jamais aceitou a idéia de que havia uma "natureza humana", o que é correto, e sim que havia uma "condição humana", o que é diferente, ou seja, para nos tornamos humanos é necessário haver condições mínimas para o acontecer "humano". A idéia "natural" de ser humano é algo estranho à teoria psicanalítica, o que implica dizer que "educar" não é algo que obedece a conceitos naturais.

 

Contrariando em muitas algumas das teorias da comunicação contemporânea, Lacan dizia que o ato de comunicação no sentido humano não obedece a uma lógica "unívoca" e sim que o que regula a comunicação humana é o "equívoco".

Pautado no estudo do mundo animal, por exemplo, Lacan perceberá que no encontro entre abelhas (sim, as abelhas) o entendimento sobre a distância do alimento é compreendido e repassado de forma a não haver ruído. No processo humano, o mesmo não se dá. Por isso que no próprio ato da comunicação no social ou em "sala de aula" não há uma reprodução idêntica, linear, entre o que o professor transmite e aquilo que o aluno compreende.

 

A ideia por trás do pensamento lacaniano no sentido acima é que de que se houvesse uma reprodução direta no processo de ensino e aprendizado da linguagem estaríamos dentro do universo puramente animal. Daí a tentativa de compreender que não há uma "natureza humana" e sim uma "condição humana". Logo, o equívoco, o ruído faz parte da estrutura humana, não sendo algo contingente.

 

Uma outra questão interessante é que Lacan não faz usa dos temos como "ensino e aprendizagem" e sim os de "ensino e transmissão". Aliás, é também interessante pensar com ele que "ser" humano é uma conquista que necessita de certas condições e que faltando pode levar a problemas na constituição do sujeito.

Por fim, para Lacan um mestre não deve aspirar a ter discípulos, porque tê-los significaria a não constituição autônoma por parte do chamado discípulos. A este cabe o esforço de romper com os ideais forjando o seu próprio caminho no mundo, e, ao fazer isto estaria promovendo não só o avanço na questão do ser humano quanto nas questões subjetivas das condições humanas.

 

 
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PRA CIMA COM A VIGA, MOÇADA

 

Uma das mais brilhantes e comoventes aberturas de novelas que já foi escrita na literatura mundial ocorre no livro "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira" ou, numa tradução mais livre, porém menos aproximada "Pra cima com a viga, moçada" do escritor J. D. Salinger. Vou reproduzi-la e depois você pensa sobre o que leu:

 "Certa noite, faz uns vinte anos, durante um surto de caxumba em nossa intensa familia, minha irmã cacula, Franny, foi transferida com berço e tudo para o quarto obviamente não contaminado que eu repartia com meu irmão mais velho, Seymour. Eu tinha quinze anos; Seymour, dezessete. Por volta das duas da madrugada, fui acordado pelo choro insistente da nova companheira de quarto. Continuei deitado por alguns minutos, sem me mexer, ouvindo o berreiro, até que escutei ou senti que Seymour se movia na cama ao lado. Naquela época, mantínhamos uma lanterna na mesinha de cabeceira entre os dois para alguma emergência que, tanto quanto me recordo, jamais ocorreu. Seymour acendeu-a e levantou da cama. "Mamãe falou que a mamadeira está no fogo", avisei a ele. "Já dei para ela agorinha mesmo", disse Seymour. "Não está com fome". Caminhou no escuro até a estante e varreu lentamente as prateleiras, para um lado e para o outro, com a luz da lanterna. Sentei-me na cama. "O que é que você vai fazer?", perguntei. "Acho que ler alguma coisa para ela", respondeu Seymour, pegando um livro. "Ah, essa não", eu disse, "ela tem dez meses!". "Eu sei, mas os bebês têm ouvidos. Podem ouvir".

 

"A história que Seymour leu para Franny naquela noite, à luz da lanterna, era uma de suas prediletas, um conto taoísta. Até hoje Franny jura que se lembra de Seymour lendo para ela".

 

Desculpe-me, mas se você não sentiu um arrepio na espinha com a leitura dessas linhas iniciais do livro mencionado fique certo que sua sensibilidade pode ser questionada. Sinceramente. Trata-se de uma, repito, das mais brilhantes aberturas de novelas.

Os detalhes, ou melhor, cada detalhe, a escolha precisa das palavras, as pausas certas, e o conteúdo cativante e até diria carismático. O diálogo entre dois irmãos adolescente recebendo no quarta uma irmã de dez meses. O carinho do mais velho pela irmãzinha colocada no quarto não contaminado do vírus da caxumba é simplesmente encantador. A surpresa do irmão mais novo quando o mais velho escolhe a leitura de um conto como forma de apaziguar o desconforto da irmã que chorava é algo surpreendente, e a forma do relato só mostra algo próprio dos grandes escritores.

 

J. D. Salinger escritor norte americano, morreu em 2010, precisamente em 27 de janeiro de 2010 e deixou uma obra escrita das mais lidas e comentadas. Sua obra prima, quase uma unanimidade, e isso dito pelos críticos e pelo público continua sendo The Catcher in the Rye (O Apanhador no Campo de Centeio) lançada em 1951. O livro aclamado pela critica se tornou de imediato, após o lançamento, um best seller, passando no dizer comum a "influenciar gerações". Vendeu mais de 60 milhões de cópias em todo o mundo.

O romance conta a história do jovem Holden Caulfield, uma espécie de adolescente rebelde que se insurge contra as instituições sociais. Mas a grande novidade no livro foi a linguagem adotada por Salinger, despojada, cheia de gírias o que terminou encantando o público jovem em todo o mundo.

 

Hoje, comparando "O apanhador no campo de centeio" com "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira", minha predileção inegável é pelo último. O curioso no caso do escritor Salinger é que após o sucesso mundial de The Catcher in the Rye, o mesmo se tornou recluso, publicando de uma forma muito mais lenta, e negando-se inclusive a fazer publicidade ou conceder entrevistas a periódicos e jornais.

 

Bom, mas se você leitor quer saber mais da pequena história da familia Glass não pode deixar de procurar nas livrarias e se deliciar com a leitura de "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira". Isto é, caso você se ache uma pessoa ou leitor com sensibilidade para tal.

 

 
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Grande escritor, grande crítico

 

Todo grande escritor demonstra em sua arte uma capacidade genuína de desvelar as sutilezas e as nuances do comportamento humano. E o faz sempre de uma forma extremamente singular.

 

Já se disse que todo grande autor ou grande artista é uma espécie de médium, termo derivado da doutrina espirita que significa a capacidade de incorporar espíritos outros que não o do próprio médium.

 

A idéia por trás dessa concepção na arte é a de que o artista consegue, no ato da criação, construir personagens vários, dando-lhes vida, forma, voz com tal competência e realismo (ou naturalismo), que parece mesmo que aqueles personagens fazem parte ou compõe a própria personalidade do autor criador.

 

Penso ser desnecessário citar alguns desses grandes escritores e criadores. Na literatura em particular, temos centenas e centenas deles. E o estudo mesmo da literatura revela, sobremaneira, o desafio que é estudar o tema. Aliás, é possível dizer, seguindo as pegadas de um dos maiores estudiosos e críticos da literatura na atualidade, se não o maior, Harold Bloom (criador inclusive de uma teoria literária) que a arte da crítica também necessita de "engenho e arte".

 

Todo grande crítico e exegeta da literatura tem necessariamente que ser, além de um grande leitor, um artista na arte da interpretação. Compreender uma obra de arte não é tarefa fácil. O trabalho de análise (cujo significado ou etimologia da palavra remete a decompor) traduz-se como uma capacidade de separar os desdobramentos que a grande arte permite e revela. Traduz-se numa capacidade de perceber os movimentos construídos pelo autor na arte de propor enigmas. Mas não só isso.

 

A arte de analisar uma obra requer também um refino na compreensão da forma e do gênero escolhido pelo artista, e uma compreensão sutil da alma da humana e seus recônditos. Não é à toa que o estudo da literatura terminou se impondo e buscando ganhar ares de "ciência", ainda que para muitos não seja.

 

O incrível é percebermos também, em vários dos grandes artistas criadores, uma junção nas funções de artista e critico. E aqui podemos concluir citando dos dois grandes nomes nessa área, um nacional e outro estrangeiro: Machado de Assis e Edgar Allan Poe.

 

Ambos foram, em seu tempo, e em vários momentos de suas vastas obras, exímios criadores tanto na arte da criação pura quanto na arte da interpretação, chegando inclusive a oferecer tanto ao leitor interessado em ser um criador quanto ao leitor interessado especificamente na área da crítica literária, como deviam proceder. Resta pensar ao final, e diria mesmo com certo pesar, que infelizmente (alguns talvez dissessem "felizmente") que o talento parece transcender o aprendizado. No entanto, deixo como uma proposta aberta para reflexão essa última questão.

 

 
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Alex Nascimento sempre recomendado

 

O que é melhor em Alex Nascimento? O escritor, o poeta, o genial fazedor de frases, o humorista, o jornalista, o cronista, a pessoa, o homem de vida despojada? Reluto. Um diplomata diria: tudo isso e mais alguma coisa. O próprio Alex talvez dissesse que não seria nada disso e sim outra coisa que não cabe a ninguém entender.

 

Bom, Alex Nascimento é um artista, e como tal deve ser apreciado, lido, estudado, analisado. Autor de vários livros, nesta quinta feira faz o relançamento do livro "Recomendações a todos" exatamente o seu livro primeiro livro, livro com estreou no cenário literário do RN em 1982.

 

Depois vieram outros: "Quarta-feira de um país de cinzas", "Alma minha gentil", "A última estação" e "Almas de rapina", "Amor e outras mentiras", sem falar que "Recomendações a todos" foi transformado recentemente em peça teatral por um grupo local. E o que dizer da obra de Alex? Primeiro que é recomendável, pelo menos do meu ponto de vista. Segundo que se trata de uma obra aberta e sempre atual. Alguém pode dizer: "lugar comum". Não, não é lugar comum em se tratando de Alex. Há obras que são temporais, localizadas, frutos de um tempo e de um momento. Não é isso que ocorre com a obra do poeta em causa.

 

Difícil não perceber em sua prosa um convite à reflexão sobre os dilemas do homem, sobre sua passagem no mundo, sobre o cotidiano muitas vezes asfixiante, sobre as dores, os amores, os conflitos e os resultados desses conflitos na relação com os outros. O outro como bem percebeu Freud pode ser motivo de prazer ou desprazer. É dentro dessa linha que Alex na mesma direção (certamente ele não gostaria da comparação) de um Voltaire, de um Moliére, ou mesmo de um Swift mescla esse cotidiano com humor e o que sobressai é um redimensionamento do trágico.

 

Difícil também não reconhecer na sua poesia, por exemplo, um alto nível de linguagem, um rebuscamento, uma qualidade na composição dos versos, da mesma forma que é possível reconhecer as mesmas qualidades em toda grande obra de arte. Na verdade, o que define a grande obra, ou como querem alguns, a "alta literatura" é exatamente esse poder transcendente, que "diz hoje" o que foi dito "antes" ou quando de seu primeiro lançamento. É a perenidade na forma e no conteúdo que faz de uma produção artística uma grande obra de arte.

 

Uma pequena amostra talvez possa oferecer melhor ou dizer o grau e o alto nível desse escritor. "O meu país é quase um continente, Sem vulcões ou ciclones, terremotos, Não tem seres humanos, tem devotos, A quem os cientistas chamam gente".

Ou ainda, "Tive sorte na vida, fui poeta, Nada fiz, enganei, sobrevivi, Ri das caras que creram que sofri, Mendiguei com disfarce de pateta".

Se preferirem algo mais politico fiquem com estas frases: "Universalmente, os criminosos sempre voltam ao local do crime. Aqui, não chegam nem a sair... Não reclamem, vocês votam neles porque querem". Ou ainda, "Existem certos vereadores que, sinceramente, lamento a Câmara não ser de gás".

 

Ainda um pouco mais: "Todos amaram aquela noite, a grande noite, Quando você fez o truque de mudar a água em vinho. Discreto e tímido perguntei no seu ouvido se aquilo não era pecado. Meu filho - assim você falou - Existe revertido um só pecado: De insano eu ter criado o homem, e de paga ter ele me criado".

Para terminar: "Não sei se é amor o que ela sente, não sinto mais amar sem ela perto, não sei se é verdade o que ela mente".

 

"Recomendações a Todos" será lançado no dia 12 de abril, às 19h30, no restaurante Bella Napoli (Av. Hermes da Fonseca, 960, Tirol).

 

 
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Nietzsche para estressados

 

Um amigo dileto me ligou para dizer do seu entusiasmo com a leitura do livro "Nietzsche para estressados", me parece ser esse o título. Disse-lhe que não conhecia o livro, mas em se tratando de Nietzsche é sempre um bom sinal, em que pese as deturpações que seu estilo, meditações e aforismos ganharam em nosso tempo, em especial, após a vinculação do seu nome ao nazismo.

 

Duvido que Nietzsche apoiasse aquela carnificina.

A questão de fundo reside nos temos caros a sua filosofia, ao que ele chamou de o "além do homem" Übermensch, descrito no livro "Assim Falou Zaratustra" - Also sprach Zarathustra - traduzido erroneamente como o "super homem".

 

Nietzsche parte de um diagnóstico, para alguns extravagantes, sobre o homem médio e seus valores, pautados na herança judaico-cristã, o que para Nietzsche serviu como uma espécie de amortecedor para os verdadeiros interesses do homem em seu desejo de viver.

A vinculação advinda dai, como sendo algo da ordem de um excesso foi inevitável. Pobre Nietzsche. Morreu louco e atrofiado, oprimido, ou seja, da forma que ele próprio combateu e não aspirou.

 

A pulsão de vida freudiana, um termo e conceito caro ao pai da psicanálise, talvez representasse toda a vontade de viver que Nietzsche queria expressar com uma parte de sua filosofia.

Aliás, muito do seu conceito (de Nietzsche) de vontade de poder no sentido cosmológico termina indo de encontro e se conformando sem dúvida à pulsão de vida instituída por Freud em oposição a pulsão de morte cujo objetivo último era levar o que é "vivo" para o estado inorgânico.

 

Interessante que esse conceito erguido por Freud, a partir da sua clinica, diga-se, foi bastante criticado e até mesmo rejeitado por muitos psicanalistas contemporâneo do médico vienense. Diante da resistência Freud usou um argumento bastante comum na psicanalise. Disse ele: "diante de uma verdade as criancinhas se portam negando-a".

 

Mas voltando a Nietzsche e sua filosofia, volto a afirmar que não acredito que ele acompanhasse aquela loucura e vulgaridade nazista. Nietzsche era culto e não vulgar. E admito que talvez diante da pobreza intelectual cada vez maior em nosso tempo, tão disposto a ceder a líderes demagógicos, o final trágico dele termine sendo compreensível, ainda que não aceitável.

 

O que é interessante e fato, isso sim, foi a adesão da irmã de Nietzsche ao nazismo, ao ponto dela oferecer a bengala do filósofo ao nazismo. Mas é correto dizer que o ideal ariano de Hitler e seus asseclas, nada tinha a ver com a teoria de Nietzsche, algo que certamente ele odiaria.

 

Bom não li "Nietzsche para estressados" e parece que se trata de um livro com os aforismos do filósofo. Fica a recomendação para quem quer mergulhar no universo deste que um dia escreveu, "O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso".

 

 
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Entrevista com Millôr Fernandes

 

Ainda como uma homenagem ao genial Millôr Fernandes publico uma entrevista que fiz com ele alguns anos atrás.

 

 

ENTREVISTA COM O JORNALISTA MILLÔR FERNANDES

 

 

Por Laurence Bittencourt

 

 

 

Era para se chamar Milton Viola Fernandes, mas por um erro do tabelião, foi batizado Millor Fernandes. Gostou. Ficou, acrescido do acento sobre o "o". Carioca nascido no bairro do Méier, Millôr Fernandes pode ser considerado, sem qualquer dúvida, como uma das raras unanimidades nacionais. Jornalista, humorista, artista plástico, dramaturgo, criador de frases geniais, Millôr iniciou sua carreira, aos 13 anos na revista "O Cruzeiro" onde ganhou seu primeiro salário profissionalmente e não mais parou.

 

Trabalhou na revista "Pif Paf", "Tribuna da Imprensa", fez programa de TV, isso em 1958, chamado "Treze lições de um ignorante", fundou com um grupo de jornalistas famosos, entre eles Paulo Francis, Jaguar, Ziraldo, Henfil, Tarso de Castro, Ivan Lessa, o irreverente "Pasquim" isso no final da década de 60 e que fez a cabeça de muita gente; trabalhou na revista Veja, Isto é, Jornal do Brasil, entre outros.

 

Com mais de 50 livros, 15 peças e 100 traduções de dramas, tragédias e comédias, aos 80 anos Millôr demonstra a mesma vitalidade de um garoto estreante. Isso para o nosso deleite. Recentemente lançou seu último livro chamado "Apresentações" onde reúne uma coleção de apresentações que fez para amigos os mais diversos. Hoje dispõe de uma das páginas (Site) mais procuradas e lidas da Internet, pela UOL, e depois de um longo tempo afastado, voltou a escrever semanalmente para a revista "Veja".

 

Nessa entrevista exclusiva, Millôr fala de jornalismo, política, censura, governo Lula, teatro, literatura e muito mais. É um banho de humor, inteligência e erudição, que os leitores têm o privilégio agora de acompanhar. Divirtam-se.

 

 

 

LBL - Para começar: jornalismo ainda é oposição e o resto é armazém de secos e molhados? MF- A primeira, sempre. A segunda, quase sempre. LBL - Millôr, você sofreu censura sob o governo do tão aclamado "liberal", Juscelino Kubitschek, quando fazia um programa para televisão, foi demitido da "Tribuna da Imprensa" em 1961 por escrever um artigo sobre corrupção na imprensa brasileira, e mesmo sua saída da revista Veja segundo o jornalista Mino Carta também sofreu contratempos com a ditadura militar. O Brasil da chamada "Nova Republica" é diferente em termos de liberdade de imprensa? MF - Os franceses já fizeram uma frase famosa; "Plus ça change..." Mas a mesma coisa tem sempre nuances divertidas.

LBL - Você disse que a censura sempre é exercida pela violência. É isso mesmo?

 

 

MF - Eu estava me referindo a pessoas que acham que abrandando o que pretendem dizer não estão se autocensurando. E também a alguns colegas meus que iam dominar a censura nos áureos tempos. A verdade é que salvaram muitas situações. Eu não tinha inclinação pra isso. Minha atitude, na ocasião, não era decididamente a mais sábia.

LBL - Você acredita em democracia?
MF - A única resposta é a de Churchill. É o pior regime excetuando todos os outros.

LBL - Há uma coisa que eu gostaria muito de saber: como Millôr Fernandes se define politicamente?
MF - Tirando o fato de que qualquer movimento existencial é um ato político, tenho desprezo pela política militante. Uma ou outra vez, mesmo assim poucas, há uma literatura ou filosofia política admirável. Mas, podes crer, "não se aplica".

LBL - Como você avalia o governo PT tendo à frente um metalúrgico?
MF - O pior é a leniência com que Lula é tratado, Já se parte do princípio de que Lula é assim mesmo.Ou seja, de uma ignorância que se tem de admitir.

LBL - Millôr por que resolveu voltar a escrever na Veja?
MF - Não resolvi. Fui convidado. Uma conversa que não durou cinco minutos. Como ninguém se mete comigo, interfere no meu trabalho, porque não escrever na Veja?. É um veículo, mais ou menos como o táxi, que me leva pro trabalho.

LBL - Numa entrevista recente você disse que Machado de Assis era um bobo. Por que a implicância com machado de Assis?
MF - A palavra implicância não se aplica a nada que eu faço. Posso ter uma atitude "superior" com relação a ele, daí o bobo. Quando mostrei que havia uma relação "dúbia" entre Escobar e Bentinho, no Dom Casmurro, eu apenas recolhi umas vinte frases do romance Dom Casmurro. Tudo estava lá. Não alterei uma letra. Sequer comentei. Só que ninguém tinha visto ou tinha querido ver a viadagem.

LBL - Se dependesse de Millôr que escritor brasileiro merecia um Nobel de literatura?

 

MF - Tem muitos. Aquilo, o Nobel, é muito aleatório. Como é que eu vou saber que um poeta indiano é melhor do que um poeta chileno? Na ciência a coisa se aproxima mais de escolha justa.

LBL - Millôr você que escreveu peças de teatro e traduziu também bastante, poderia citar quais as cinco maiores obras teatrais do mundo ocidental?
MF - São milhares. Como escolher cinco? Mas, a escolher por autor, acho que o maior autor do século XX não foi Brecht, marketing da esquerda, mas sim Tom Stoppard. Que, aliás, é quase impossível não estragarem na tradução.

LBL - Seu amigo Paulo Francis dizia que achava o psicanalista Jacques Lacan inacreditável. Vez ou outra você faz umas críticas à psicanálise. Você acha Freud inacreditável?
MF - Eu errei quando disse que até o ano 2.000 a psicanálise seria posta fora da lei. Mas "eles" erraram mais, não pondo. Em tempo: não confundir psicanálise e psiquiatria.

LBL - Em um dos seus textos "O Banheiro", você usou uma epigrafe do Eclesiastes que diz "Quem aumenta seu conhecimento aumenta sua dor". É isso mesmo?
MF - Claro que é. Mas o Eclesiastes é muito dramático. A Bíblia toda é profissional de dramaticidade. Se não for assim de que é que "eles" vão viver? Troque dor por "se fode", é mais carioca e mais brando.

LBL - Qual tua opinião sobre o humor feito hoje na imprensa brasileira? Há algo novo sendo feito?
MF - Tem alguma coisa boa. Pouca coisa ótima. A maior parte é ruim. Como sempre. PS. Não tenho preocupação com o "novo".

LBL - Você que já se disse um notívago, como é um dia hoje na vida de Millôr Fernandes? Qual tua rotina?
MF - Durmo a hora que acontecer. Acordo religiosamente às 6 ponto 00. O dia todo ou estou trabalhando ou estou me divertindo. Há muito eliminei de minha vida o tempo parasitário, estéril. E meu trabalho, quase sempre, é divertido.

LBL - O que é mais forte em Millôr o humorista, o pensador, o teatrólogo ou o jornalista? MF - Isso é pergunta que se faça a um senhor respeitável?

LBL - No inicio da carreira de Chico Buarque você sapecou a frase de que Chico seria a única unanimidade nacional. Nesses nossos tempos ainda há alguma unanimidade nacional?

 

MF - Pergunta prejudicada porque a resposta seria irônica.

LBL - Qual a melhor frase de Millôr? MF - Não sei. Deixa eu pegar uma aqui, ao acaso: "A disciplina militar prestante, não se aprende, senhor, na fantasia.". Ah, não, essa é do Camões.
 
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Morreu o gênio Millôr Fernandes

 


Aos 87 anos morre um dos últimos grandes intelectuais deste país: Millôr Fernandes.

Já se disse que a capacidade múltipla como artista e criador, faz de Millôr alguém difícil de atribui-lhe um rotulo definitivo.

Jornalista, teatrólogo, romancista, poeta, humorista, chargista, critico de arte e da cultura, qualquer um desses epítetos pode significar Millôr.

 

O Brasil perde e muito com sua morte.

 

Ficarão suas obras, suas frases, suas charadas, suas idéias, para as futuras gerações.

Que elas possam saber aproveitar o muito que ele deu ao país e ao ser humano.

Como disse certa vez um grande intelectual "a popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem no teatro ou na imprensa".

 

Que as lições de Millôr nos seus livros, revistas, peças de teatro possam continuar sendo uma senha para a melhora ética e civilizatória deste país. Algo que talvez ele próprio não acreditasse.

 

 
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HOJE É O DIA NACIONAL DA POESIA

 

Hoje é o dia nacional da POESIA.

 


E como um leitor eterno da poesia homenageio a poesia e os poetas de todos os tempos através uma pequena seleção de alguns dos poetas que mais admiro, recorro e cultuo, eu que um dia me aventurei a lançar um livro de Poemas, mas isso já é uma outra história.

 


NÉCTAR - Marize Castro

 

A verdade aproxima-se.
Olha-me com os olhos
abismados da beleza.

Não sou a mulher
que corta os pulsos e se joga da janela
nem aquela que abre o gás
nem mesmo a loba que entra no rio
com os bolsos cheios de pedra.

Sou todas elas.
Escrever me fez suportar todo incêndio
- toda quimera.

 

 

CONHECIMENTO DO MORTO - Miguel Cirilo

 

Não sou quando me chamas ilha ou mar.

 

Amar é achar o tempo do não se,

 

Tempo-abismo de quando o despertar

 

Sabe a um tédio já sono de viver.

 

 

Sabe a não ser o ser que o ser é nada.

 

A porta é nada se ninguém me espera.

 

Sou hóspede e o chamar-te minha amada

 

Dorme na casa do não ser que eu era.

 

 

Morreu que sou mas quem não fui existe

 

Para amar e não ser sem onde e quando:

 

Desde um longe sem tempo (e tu não viste!)

 

Vivo morrendo de não ser te amando.

 

 

CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO - Carlos Drummond de Andrade

 

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

 

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

 

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

 

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

 

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
 Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

 

MAR PORTUGUEZ - Fernando Pessoa

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

 

São lagrimas de Portugal!

 

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

 

Quantos filhos em vão resaram!

 

Quantas noivas ficaram por casar

 

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

 

Se a alma não é pequena.

 

Quem quere passar além do Bojador

 

Tem que passar além da dor.

 

Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,

 

Mas nelle é que espelhou o céu.

 

 

VIA LÁCTEA - Olavo Bilac

 

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

 

 

 
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