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Enviada em 27/04/2008 às 14h18min

Polícia simula queda de Isabella

Peritos tentam reconstruir passo a passo o que aconteceu no dia da morte da menina. Suspeitos do crime, o pai e da madrasta dela não participam do procedimento.
Arquivo da Família
Isabella Nardoni foi assassinada no dia 29 de março, após ser arremessada do 6º andar.
A queda da menina Isabella Nardoni, morta após ser jogada do 6º andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, foi simulada neste domingo (27), como parte da reconstituição do crime.

Aos 5 anos, Isabella morreu no dia 29 de março após ser espancada, asfixiada e arremessa da janela do apartamento onde moravam o pai e madrasta, considerados pela polícia como suspeitos do crime.

Queda

A simulação da queda da menina começou às 13h, quando policiais se aproximaram da janela carregando no colo uma boneca especial - com peso e tamanho similares aos de Isabella - e tentaram encaixar os pés dela em um buraco feito na tela. Após cerca de cinco minutos, os peritos afastaram-se de novo da janela.

Num segundo momento, os peritos fizeram a boneca sair pelo buraco da tela, colocando primeiro os pés para o lado de fora. O manequim foi segurado pelos braços. Primeiro, só o braço esquerdo da boneca foi solto. Depois, o direito. Isso porque a menina apresentava fraturas no braço esquerdo, provavelmente provocada pelo momento em que teria ficado pendurada.

Logo depois, o braço direito da boneca foi solto, mas ficou pendurado por cordas, a cerca de dois metros da janela. A imagem chocou quem assistia à reconstituição. Foi o momento mais dramático desde o início do procedimento. A cena foi repetida às 13h10. Nas duas ocasoões, ela foi fotografada a partir da varanda e filmada a partir da rua.

Após reconstituir o momento em que a Isabella foi jogada, os peritos marcaram o local em que ficaram o braço esquerdo e o direito da boneca no momento em que ela ficou pendurada.

Fundamental

A reconstituição é considerada um recurso fundamental para o andamento das investigações sobre o caso. O promotor de Justiça Francisco Cembranelli acompanhou a repetição da simulação ao lado da delegada seccional Elizabete Sato e do delegado do 9º Distrito Policial, Calixto Calil Filho.

Moradores do Edifício London e de imóveis vizinhos contarão o que viram o ouviram naquela noite. O porteiro do prédio, primeiro a ver o corpo de Isabella estendido no gramado, e os homens do Resgate darão detalhes sobre a posição em que a menina foi encontrada e o socorro à vítima.

Esquema de segurança

Assim como na ocasião em que os dois suspeitos do crime foram prestar depoimento no 9º Distrito Policial, onde as investigações são concentradas, foi montado um esquema de segurança para garantir o trabalho dos peritos, a circulação dos moradores e a movimentação da imprensa. Os acessos à rua estão bloqueados e apenas moradores, jornalistas e policiais podem entrar.

A calçada do prédio e parte da rua em frente dele são áreas restritas apenas aos policiais e aos carros que precisarem entrar ou sair das garagens.

Foram montados dois bloqueios na rua do prédio, um 60 metros à direita do edifício e outro 60 metros à esquerda. Nesses locais, estão policiais que controlam a passagem dos carros e pedestres. Apenas são autorizados a passar os jornalistas, moradores e visitantes das residências locais, que são acompanhados por policiais ao seu destino. A idéia é evitar o acúmulo de pessoas, o que pode gerar confusão e barulho, atrapalhando o trabalho dos peritos.

O espaço aéreo acima do edifício está fechado em um raio de 1,5 km, conforme autorização judicial. Isso porque o barulho dos helicópteros pode comprometer a reconstituição quando forem comparadas as versões de testemunhas que afirmam ter ouvido gritos na noite do crime.


Fonte: G1.


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