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Enviada em 03/08/2008 às 08h26min

DER X Clandestinos

E no meio dessa queda-de-braço, fica a população que se arrisca em carros ilegais.
Ana Paula Oliveira
Os loteiros tentam trabalhar de forma digna, porém na ilegalidade.
Por força judicial, o Departamento de Estradas de Rodagens do Rio Grande do Norte (DER) é obrigado a intensificar as fiscalizações aos transportes clandestinos. 

Os loteiros, como são chamados os motoristas de carros particulares que fazem o transporte coletivo de passageiros, tentam trabalhar de forma digna, porém na ilegalidade. 

E no meio dessa queda-de-braço, fica a população, que tem cada vez mais preferido se arriscar viajando em um carro clandestino a pegar um transporte coletivo lotado.

Nas segundas e sextas-feiras, as paradas intermunicipais, principalmente as localizadas em frente a uma grande rede de supermercados atacadista, na BR-101, e ao antigo posto de gasolina de Dudu, nas imediações do bairro Parque Industrial, em Parnamirim, ficam completamente lotadas.

Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, clandestino é aquele que realiza transporte remunerado de pessoas ou bem sem licença para esse fim. No entanto, os loteiros se defendem dizendo que estão fazendo um trabalho honesto.

"Poderíamos estar roubando ou matando. Mas estamos aqui tentando ganhar o nosso pão de cada dia", diz um loteiro, que prefere não se identificar temendo represália. Todos têm o mesmo argumento: que dependem do trabalho para sustentar a família. "Há mais de 14 anos trabalho com isso. Não tenho outra fonte de renda", declara outro loteiro.

Quanto a segurança, ele é enfático: "É uma viagem em família. Um Kadet, por exemplo, só leva quatro passageiros. Tudo isso para proporcionar uma viagem agradável e segura".

Por falar em carros, eles são variados, porém muito antigos. No entanto, quando questionado sobre possíveis acidentes, o loteiro diz que não sabe informar a quem recorrer. 

As viagens são feitas para os mais variados destinos, desde municípios do interior do Estado, como Mossoró, Currais Novos, Caicó e Santa Cruz, até cidades de estados vizinhos, como Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba.

Uma viagem a Mossoró, por exemplo, sai por 40 reais por passageiro. Em um ônibus a viagem sairia por 38 reais. Mas, então, qual seria a vantagem? Eles explicam que apesar do preço ser um pouco mais alto, os passageiros preferem o transporte por ser mais ágil e cômodo.

"Nós deixamos o passageiro na porta de casa ou do destino. Durante a viagem, nós paramos para lanchar ou ir ao banheiro. Isso, eles não têm em um transporte coletivo legalizado", diz o loteiro.

Sobre a fiscalização do DER, os loteiros reclamam de assédio moral. "Já passamos por muitos constrangimentos. O carro de um amigo nosso foi atingido por balas de revólver de um fiscal. Outro, estava fazendo uma viagem com a família e o fiscal exigiu que ele desse um beijo na boca da esposa para comprovar a união".

DER
Segundo a diretora de transportes do DER, Valéria Arruda Câmara, o órgão trabalha há três meses com planejamento para estratégias de fiscalização aos clandestinos.
 
Ela informou que o órgão tem o apoio da Secretaria de Trânsito e Transporte (STTU), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran-RN), Comando de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE), além das Secretarias de transportes de Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.

"Estamos cumprindo várias sentenças judiciais, provocadas pelo Sindicato das Empresas de Transportes Intermunicipal de Passageiros do Rio Grande do Norte (Setrans-RN) e dos permissionários. Inclusive o não cumprimento delas acarreta na cobrança de multas diárias altas pelo responsável pelo órgão", diz a diretora de transporte.

Valéria Arruda comentou que as cidades localizadas na Região Metropolitana de Natal são as que possuem maior concentração de veículos clandestinos. Sobre um número oficial de carros clandestinos em Natal, ela não soube informar. "É muito difícil ter um controle. Mas posso garantir que estamos fiscalizando".

Outro meio de transporte que vem realizando viagens de forma clandestina, segundo ela, são as vans de turismo. "O DER já está montando uma estratégia para fazer a fiscalização desses veículos também", afirma.







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