Cidades Enviada em 02/11/2008 às 12h33min
INPE de Natal irá formar engenheiros para projetar microssatélites
Programa de Residência Tecnológica Espacial é uma das ações para o Centro Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais.
O Centro Regional do Nordeste do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizado em Natal, dará um salto significativo em termos de tecnologia a partir do próximo ano, quando será montada uma estrutura de laboratórios que fará parte do Centro Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais - CBCD.
Em 2009, será oferecido ainda um Programa de Residência Tecnológica Espacial que formará profissionais para atuarem na área espacial. O CBCD tem como atribuição a coleta de dados ambientais via satélite no Brasil e projetar a próxima geração de microssatélites de coleta de dados do INPE.
Segundo o chefe do Centro Regional do Nordeste, Manoel Mafra, o projeto irá desenvolver tecnologia de ponta em coleta de dados ambientais o que dará autonomia ao país, que hoje depende de tecnologia importada. "Isso será muito importante já que o Brasil é uma potência ambiental", destaca.
Mafra explica que além de serem na maioria importados, os recursos tecnológicos utilizados hoje são antigos. "Por isso vamos formar gente para desenvolver a próxima geração de satélites para essa área", afirma.
Para isso, será oferecido o Programa de Residência Tecnológica Espacial, onde engenheiros elétricos, mecânicos, eletrônicos e de telecomunicação serão preparados para o desenvolvimento de micro-satélites. Hoje, no Brasil, esse tipo de formação só é oferecida pelo INPE de São José dos Campos.
A expectativa é que se formem 15 engenheiros a cada dois anos e se construa um satélite a cada cinco anos. "Esses satélites serão específicos para a coleta de dados ambientais e demora um pouco porque não é possível criar satélites em linha", explica Manoel Mafra.
O CRN também irá investir R$ 20 milhões para a construção de um Laboratório de Tecnologias Espaciais que irá atender os requisitos técnicos para a proposta de capacitação e da construção dos modelos de microssatélites; e um Laboratório de Instrumentação Ambiental que irá fornecer a infra-estrutura para desenvolvimento dos sensores usados na coleta de dados ambientais.
Coleta
A coleta de dados ambientais é feita a partir de estações espalhadas por todo o país, onde são instalados sensores de temperatura chuva, velocidade vento, pressão atmosférica, nível de rios, etc. Essas estações podem estar em um barco, animal, em qualquer lugar, de acordo com os dados que se quer coletar.
As informações das estações são captadas por satélites que transmitem as informações para as estações terrestres do INPE. "Os dados coletados podem ser os mais diversos conforme região e pesquisa. Essas informações são usadas principalmente por agências nacionais e instituições estaduais, como a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), ANA (Agência Nacional de Águas) e Emparn (Empresa de Pesquisas Agropecuárias do RN), mas pesquisadores também podem solicitar os dados ao INPE", informa o chefe do CRN.
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