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Enviada em 06/03/2008 às 12h53min

Mineradores do Seridó trabalham em condições subumanas

Extratores de caulim se arriscam diariamente para conseguir cerca de R$ 80 por mês de trabalho.
Ana Paula Oliveira
Darrimar Lopes: "Eles descem no túnel de cuecas porque o calor é muito forte".
A extração artesanal do caulim, um minério quimicamente inerte com diversas aplicações na indústria, tem sido um vilão na vida de trabalhadores autônomos na Região do Seridó, mas precisamente em Equador e Parelhas, municípios considerados com alto risco para a saúde do minerador.

No início deste mês, o trabalho muitas vezes chamado de escravidão branca, devido ao pó do caulim, fez mais uma vítima. Devido a um soterramento de terra, em um buraco que em média tem profundidade de 50m, um trabalhador morreu.

“Quando eles não morrem soterrados, eles morrem adoecidos”, diz a coordenadora do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Caicó, Darrimar Lopes, explicando que o caulim provoca endurecimento dos pulmões, conseqüentemente, insuficiência respiratória.

Segundo a coordenadora do Cerest Caicó, o órgão desenvolveu entre setembro e novembro de 2007 pesquisas com objetivo de detectar essa dura realidade. “Depois dessa pesquisa, fomos convidados para apresentar os resultados em Brasília para o coordenador de Saúde de Minas e Energia, José Carlos do Vale”, enfatiza. 

Na pesquisa, foi constatado que, no município de Equador, 62% dos trabalhadores de minas executam as atividades em túneis e 38%, a céu aberto. “Dentro ou fora dos túneis, o trabalho é muito complicado. Fora, eles correm o risco de desabamento de terra, e dentro, o risco é de soterramento”, explica a coordenadora.

Outro dado constatado pela pesquisa é que, em Parelhas, apenas 18% dos trabalhadores usam equipamento de proteção individual e 82% não utilizam nenhum material de segurança.

“Eles descem no túnel de cuecas porque o calor lá dentro é muito forte”, declara.

Em Parelhas, 53,3% dos trabalhadores apresentam sintomas respiratórios. Geralmente o minerador apresenta dores nas pernas, peitos e cabeça.

“Infelizmente é o único meio de vida para a sobrevivência deles”, afirma. Uma caçamba com o minério é vendida por eles ao preço de R$ 60. “Muitas vezes eles tiram R$ 80 por mês”, garante.
De acordo com a coordenadora, a grande preocupação do Cerest de Caicó é com a saúde do trabalhador e os direitos da vida de cada um. “O principal objetivo da gente é trabalhar, adoecer não”, alerta.

Ela informa que, nos trabalhadores em que são identificados problemas, eles são encaminhados para o Cerest e atendidos por médicos especialistas.

“Quase 95% dos trabalhadores que chegam ao Cerest estão num estado bastante avançado de debilitação”, lamenta.

As cidades de Ouro Branco, Carnaúba dos Dantas, Currais Novos, Jucurutu, Jardim do Seridó, Acari e Santana do Seridó possuem risco do trabalho de mineração.

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Comentários enviados

muito bom!.tenho q concordar essa matéria foi belissima.
vilkenia (postado no dia 16 de outubro de 2008, às 20h57min)
eu achei a coisa mais interessante do universo inteiro!!!!!!!!!!DDDDDD++++++!!!!!!!!!!exelente!!!!!!!!!!parabens para todos que escreveram essa reportagem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Giovanna Eloy Araujo (postado no dia 06 de agosto de 2008, às 23h09min)

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