“Não temos o que comemorar”, afirma superintende da Liga
No Dia Nacional de Combate ao Câncer (27), números apontam crescimento da doença e os problemas do sistema oncológico no Rio Grande do Norte.
Por Marília Rocha
Marília Rocha
“O sistema de saúde brasileiro não pensa no envelhecimento da população", revela Roberto Sales.
No dia em que se comemora em todo o Brasil o combate ao câncer, o superintende da Liga Norte-rio-grandense de Combate ao Câncer diz que não tem o que comemorar. “Não temos muito motivos para comemorar. A oncologia no Rio Grande do Norte vive uma situação muito complicada em relação aos profissionais, aos índices de neoplasia que tem aumentado pelo envelhecimento da população”, afirma.
Os novos casos e os doentes em tratamento, afirmam o crescimento alarmante nos potiguares de mais de 420 casos descobertos mensalmente, principalmente adultos e idosos divulgados pela Contra o Câncer. No final do ano, serão mais de 5 mil casos só no Rio Grande do Norte.
O superintendente da Liga, Roberto Sales, acredita que os números alarmantes e a data deveriam motivo de análise dos problemas enfrentados pelo setor. “
A falta de reajuste salarial dos médicos, que recebem por uma tabela congelada há 10 anos, provoca desinteresse na especialização oncológica, prejudicando o segmento no Brasil inteiro. Outra dificuldade apresentada pelo médico é o crescente envelhecimento da população. “O sistema de saúde brasileiro não pensa no envelhecimento da população, que agora tem uma qualidade de vida maior e precisa de maiores cuidados”, afirma.
Essa preocupação tem uma explicação. Dados apontam que 97% dos pacientes em tratamento são adultos e idosos e apenas 3% são crianças. O Instituto Nacional de Câncer – INCA divulgou as estimativas de câncer no Rio Grande do Norte, com mais de 5.590 registros de câncer no estado.
Nos homens, o maior índice é do câncer de próstata, com 604 casos detectados, seguido de pulmão, com 160 casos. Nas mulheres, o câncer de mama tem o maior índice com 520 diagnósticos, câncer de útero com 250 casos. “O único tipo de câncer que pode ser diagnosticado antecipadamente é o de câncer de colo de útero”, diz.
No Nordeste, o câncer feminino mais comum é o de mama, com 7.630 casos e o de próstata nos homens com 9.820 casos.
O corpo clínico da Liga é composto por médicos, psicólogos, enfermeiros, odontólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e assistentes sociais que atendem pacientes do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. “Somos mais de 300 profissionais no corpo clínico e temos cursos de formação para concluintes e profissionais de saúde, além de residências médicas”, afirma Roberto Sales.
A média de atendimento mensal da Liga é de 2.635 pacientes, sendo 6.715 consultas, 827 cirurgias e 426 novos casos mensais em 2008.
A Liga é composta por três unidades que atendem pacientes do SUS e do sistema particular de saúde. Lá eles recebem tratamento de radioterapia, cirurgias e exames, sendo a maioria de 75% oriundos do Sistema Único de Saúde – SUS. “Mensalmente, os números de diagnósticos, pacientes curados e de prevalências tem aumentado”, afirma Roberto Sales.
A medicina identifica diversos fatores que motivam o aumento na incidência de câncer e dados apontam que mais de 90% dos casos tem motivação hereditária e os 10% dos casos correspondem a influências ambientais. “É o caso do fumo”, confirma o médico.
Para melhorar a qualidade nos serviços prestados aos milhares de pacientes, a Liga tem um sistema de doação que pode ser deposito em conta, cofres em farmácias, doação de notas fiscais e contribuição na conta de energia. Maiores informações: 4009 5578.