O Inimigo Mora ao Lado

Lígia Limeira,

Levante a mão quem já não se questionou sobre o que está acontecendo com a opinião pública, mais especificamente com um sem número de pessoas que nos cercam, que parecem equilibrados e tranquilos, mas que nos surpreendem com palavras e atitudes rudes, cínicas, agressivas e intolerantes, geralmente se utilizando da linguagem escrita.

Sim, comportamentos desse tipo vêm se multiplicando de forma galopante e sim, eles assustam. São diuturna e maciçamente disseminados pelas redes sociais e, em alguns casos, por meios de perfis falsos. Costumam destilar ódio e veneno contra suas vítimas, no mais das vezes quem defende pensamentos contrários aos seus. Têm especial predileção pela chacota, pelo deboche e pela humilhação.

O anonimato sempre é a arma preferida dos covardes, estando presente nas relações sociais desde que o mundo é mundo. Porém, o movimento que a ele se contrapõe tem cara limpa e despudorada. Parece mesmo nascido de transtornos de personalidade, porquanto não se coaduna com os perfis que aparentam os seus adeptos.

Os transtornos de personalidade se traduzem em anomalias do desenvolvimento psíquico. Dentre estes, destaca-se a psicopatia que, de acordo com uma das maiores autoridades no assunto, o renomado psicólogo e professor da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, Robert D. Hare, caracteriza-se, infalivelmente, “pela falta de emoções, da capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa para, pelo menos, imaginar o seu sofrimento”.

Teste desenvolvido pelo referido profissional, e devidamente validado pela comunidade científica, consiste em entrevistas padronizadas com pacientes, a partir do levantamento dos seus históricos pessoais, inclusive dos antecedentes criminais, em muitas vezes ausentes das vidas pregressas do corpo entrevistado. O exame revela três grupos que se sobrepõem, mas que podem ser analisados em separado, quais sejam, deficiências de caráter, ausência de culpa ou de empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos.

Evidencia-se, pois, que esse tipo de indivíduo, cujo comportamento dúbio e doentio vem se difundindo, faz parte da nossa rotina e pode mesmo estar bem ao nosso lado. Não, isso não é terrorismo. É apenas um alerta, para que exercitemos um dos mais importantes ensinamentos bíblicos: “orai e vigiai!”

No contraponto dessa realidade, sobreleva-se uma pesquisa realizada pela Universidade Sapienza de Roma, na Itália, com 50 mil participantes, cuja conclusão foi a de que “o efeito global das redes sociais no bem-estar individual é significativamente negativo”. Nada obstante o estudo reconhecer os benefícios trazidos pela facilidade na comunicação entre pessoas, diversas situações anômalas e extremamente preocupantes foram identificadas, tais como questões de discriminação e incitação ao ódio, distorções de fatos e sua utilização como elementos de chantagem ou de diversas formas de assédio, com publicações de fotos e fatos de natureza eminentemente privada.

E vejam que a pesquisa foi publicada em agosto de 2014, com questionários aplicados nos anos de 2010 e 2011. Estamos caminhando para 2016. O que diriam as estatísticas atuais? É óbvio que seriam bem mais alarmantes! Prova maior de que esse público - o dos emocionalmente transtornados - vem transtornando a vida de muita gente...


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