A Lava Jato desmoralizada

Carlos Alberto,

Inspirada na Operação Mãos Limpas deflagrada na Itália, e que objetivava investigar casos de corrupção na década de 1990 envolvendo políticos e empresários, a Operação Lava Jato no Brasil está desmoralizada.

O jornalista Reinaldo Azevedo, conhecido por ter opiniões de direita, diga-se de passagem, diz que "a Força Tarefa, ainda a maior pauteira da imprensa, tem na sua história alguns feitos notáveis: conseguiu mandar para a cadeia um ex-presidente da República sem apresentar as provas de seu crime e tentou criar uma fundação bilionária que renderia em juros o que empresas que empregam milhares não rendem em lucros".

Reinaldo Azevedo publicou neste domingo (17) um balanço dos cinco anos de Lava Jato, em que retrata a operação como uma das maiores tragédias já ocorridas no Brasil.

"A Lava Jato completa cinco anos hoje. Veio para mudar o Brasil. Mudou. Jair Bolsonaro é presidente da República: Sérgio Moro é ministro da Justiça; Vélez Rodriguez é ministro da Educação; Damares Alves é ministra dos que vestem azul e das que vestem rosa, e o chefe do Executivo atravessou o umbral da nova era ao divulgar um filminho pornô", escreveu Azevedo em sua coluna no Uol.

Já o confrade Luís Nassif afirmou que "a Lava Jato se constituiu um modo simples de enriquecer os fiscais da probidade". Não à toa o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tachou os procuradores da Lava Jato de "gangsters".

É verdade que Mendes é alvo de cinco questionamentos no pedido de instalação da CPI Lava Toga no Senado. No entanto, sua afirmação baseia-se no fato da Corregedoria da Procuradoria-Geral da República ter aberto um procedimento para analisar os atos praticados por procuradores da Lava Jato que tentaram criar um fundo de R$ 2,5 bilhões de multas pagas pela Petrobras. Um dos principais alvos da investigação é o procurador Deltan Dallagnol, o articulador e porta-voz da iniciativa.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, apresentou documentos que comprovam a ilegalidade da Força-Tarefa da Lava Jato, os Estados Unidos e a Petrobras na criação de uma fundação privada para gerir US$ 2,5 bilhões, oriundos de uma multa.

Segundo o parlamentear, o fundo “é um procedimento totalmente ilegal” e os procuradores envolvidos “cometeram crimes contra o interesse nacional”. Ainda de acordo com o Líder do PT, a criação do fundo foi combinada de forma secreta.

Aliás, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu, na última sexta-feira (15), o acordo firmado entre a Petrobras e a força-tarefa da Lava-Jato. O tratado permitia a criação de uma fundação para gerir parte de R$ 2,5 bilhões repassados pela estatal de petróleo a título de indenização em decorrência do esquema de corrupção que afetou a empresa.

Como se observa, caro leitor, não sou só eu que estou dizendo que a Lava Jato está desmoralizada. São os fatos que comprovam isso, e contra fatos não há argumentos.

Tenho dito!

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Quebra de decoro de Bolsonaro leva à teoria da conspiração

Carlos Alberto,

Diante das seguidas quebra de decoro por parte do presidente da República, capitão da reserva Jair Bolsonaro, já começam a surgir teorias conspiratórias contra o seu mandato. Primeiro foi a postagem na sua conta na rede social de um vídeo durante o carnaval considerado pornográfico. Agora, também se utilizando da sua conta nas redes sociais, Bolsonaro postou uma notícia falsa para agredir a jornalista Constança Rezende, do Estado de S. Paulo, e seu pai, Chico Otávio, do Globo, que investiga a atuação das milícias do Rio de Janeiro e sua ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Bolsonaro cometeu um crime na noite deste domingo (10), ao divulgar uma informação falsa em suas redes sociais para agredir a jornalista e seu pai. O presidente usou um post de um site bolsonarista de fake news para dizer que Constança teria dito que pretende arruinar Flávio Bolsonaro, ligado às milícias, e derrubar seu governo;  o fato é que ela jamais disse tais frases e Bolsonaro postou seu tweet para tentar promover seu linchamento virtual.

“O momento é de observação.” Essa tem sido a frase clichê do senador Renan Calheiros (MDB-AL) a jornalistas que o abordam para saber como ele atuará no Senado após sofrer sua maior derrota eleitoral ao ser superado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) na disputa pela Presidência da Casa. Alcolumbre, não custa lembrar, foi o candidato do governo à Presidência do Senado.

Um interlocutor muito próximo de Renan Calheiros explica: “Ele considera o Davi [Alcolumbre] novo e inexperiente. E está vendo o governo Bolsonaro desarticulado. Acha que esse início é favorável, porque é início de governo, mas acredita que, mais pra frente, a corda vai esticar. E é aí que ele entra com sua capacidade de articulação, conhecimento, experiência e, acima de tudo, domínio dos bastidores”, afirmou.

Ou seja, Renan Calheiros pode ser o Eduardo Cunha (MDB-RJ) de Jair Bolsonaro. Não esqueçamos que por muito menos Cunha foi quem tramou nos bastidores da Câmara o impeachment da presidenta Dilma (PT). E falta de decoro parlamentar, o que é gravíssimo, pode gerar o impedimento do atual presidente da República.

De acordo com o jornalista Ascânio Sêleme, ex-diretor do Globo, este debate é inevitável e começará a ser travado no Parlamento. O vice-presidente General Mourão, tende a ganhar adesões com as trapalhadas de Jair Bolsonaro, para uma discussão que já ganha corpo no Congresso, sobre o eventual afastamento de Bolsonaro da Presidência da República.

Mas a teoria da conspiração não fica só aí. Há quem diga que não interessa a extrema-direta um impeachment de Jair Bolsonaro agora, com menos de dois anos no governo. Isso implicaria numa nova eleição e fatalmente a esquerda venceria devido a frustração dos eleitores com a eleição de um candidato ultraconservador, caso de Bolsonaro. Daí, se trabalhar o impedimento num segundo momento, tempo suficiente pra Mourão ocupar o cargo saindo da condição de vice para presidente, tal qual Michel Temer (MDB-SP).

A conferir!

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A Tuiuti me representa

Carlos Alberto,

A Escola de Samba Paraíso do Tuiuti mais uma vez deu exemplo de uma escola politizada e afinada com o povo ao se apresentar na madrugada da segunda-feira (4) de carnaval no Sambódromo com o samba-enredo
“O Salvador da Pátria”, que homenageou o ex-presidente Lula.

“Do nada um bode vindo lá do interior, destino pobre, nordestino sonhador, vazou da fome, retirante ao Deus dará, soprou as chamas do dragão do mar”, diziam os versos que contagiaram a avenida.

O carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos, já havia antecipado a homenagem a Lula. “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!”

Não é a primeira vez que a Tuiuti politiza na avenida. No ano passado, na Marquês de Sapucaí, com críticas à Reforma Trabalhista, ala chamando manifestantes pelo impeachment de fantoches e um ‘presidente vampiro’, numa referência a Michel Temer (MDB), o enredo da Paraíso do Tuiuti foi o mais comentado da Avenida.

E a censura já estava de volta ao país no carnaval passado. No desfile das campeãs, o “vampirão” da Paraíso do Tuiuti, que represrntava o então presidente Temer, desfilou sem faixa presidencial. Em entrevista à Mídia Ninja, o historiador Léo Morais, que deu vida ao “vampirão”, afirmou que seu personagem representava o “sistema” – e não necessariamente Michel Temer, que usurpou a Presidência da República por meio de um golpe parlamentar.

Quer queiram alguns, quer não queiram outros, fato é que a Paraíso do Tuiuti tem dado o recado no carnaval carioca. Tanto assim que o Sambódromo manifestou o seu pensamento após o desfile da escola cantarolando Lula Lá.

Não só isso; de Norte a Sul e de Leste a Oeste do país o Lula Lá ecoou nos blocos de carnavais. E como disse certa vez o jornalista Kennedy Alencar, “em 1954, Vargas havia escrito que seu nome seria uma bandeira de luta. Agora, Lula à sua maneira, repete a mesma mensagem quando disse que cada um que defende ele será um “Lula’ em cada canto deste país.

Como afirmou também Che Guevara, "os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira". 

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Só agora a imprensa descobre o engodo que é Bolsonaro

Carlos Alberto,

A imprensa golpista tá percebendo, embora que tardiamente, que Jair Bolsonaro foi um engodo eleitoral. Ele foi usado como instrumento da ultra-direita para aniquilar politicamente Lula e a esquerda. Só que agora, essa mesma imprensa golpista, percebeu que a Nação caiu no conto do vigário.

Detalhe: só os bolsomínios defendem o capitão da reserva travestido de presidente de uma República de bananas, cujo o seu maior "feito" é emprenhar pelos ouvidos os ditames da prole, que, aliás, cada vez mais deixa o paipai em situação vexatória. Escândalos e mais escândalos surgem todas as semanas e ainda tem quem acredite que esse é um governo probo, ético e sem os vícios da política do Brasil de Macunaíma. Para os incautos, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter é um livro de 1928 do escritor brasileiro Mário de Andrade, considerado a sua obra-prima.

Nem O Estadão não leva mais fé em Bolsonaro, escreveu um amigo meu. E é verdade! Em Editorial neste domingo o jornal O Estado de S. Paulo levou ao título da sua opinião a seguinte manchete: O Espectro do populismo.

E dizia já no inicio do texto:

O "bolsonarismo" é, por enquanto, apenas uma caricatura mal-ajambrada de movimento populista, dos que são tempos livres no Brasil, mas isso não significa que o país possa tranquilizar-se. Ao contrário: uma escassose precoce do governo Jair Bolsonaro parece ter despertado um presidente demagogo que sempre foi e que se encontrava apenas anestesiado em horizontes de conveniências orçamentárias. Caso isso se confirme, uma recuperação do país, uma réplica de obstáculos, seria seriamente prejudicada, com base em sepulturas para a solvência do Estado e para uma retomada de desenvolvimento. Nem é preciso enfatizar o perigo que uma das duas formas de representar para a estabilidade do país e do mesmo para uma ordem social (...)

(...) Desse modo, Bolsonaro equipara atos de governo a tuítes tolos e "memes" engraçadinhos. As instituições não são seriamente responsáveis pelo desempenho de uma instituição de ensino superior (...)

(...) Para os propósitos de Bolsonaro, no entanto, as redes sociais são o meio ideal para confundir uma opinião pública, a formação de uma realidade paralela na qualidade de um trabalhador (...)

Como podemos observar, caro leitor, a mesma imprensa que defenestrou Lula e o PT, descobre agora que Jair Bolsonaro é um equívoco. Mas, antes tarde do que nunca. 

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Dois governos: um faz acontecer, o outro acontece sem fazer

Carlos Alberto,

Pouco mais de 45 dias já se passaram, tempo suficiente para se fazer uma análise de dois governos: falo do governo petista da professora Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e do governo do capitão da reserva, Jair Bolsonaro (PSL), na Presidência da República. O primeiro faz acontecer, enquanto que o segundo acontece sem fazer.

Sim, Fátima Bezerra conseguiu nos primeiros dias de governo pagar o salário dos servidores dentro do mês trabalhado e já sancionou a Lei 10.485, que abre caminho para a contratação de empréstimo na rede bancária dando como garantia a arrecadação dos royalties de petróleo e gás natural.

A receita, prevista para o Estado até 31 de dezembro de 2022, será direcionada à quitação do débito com aposentados e pensionistas, referente aos anos de 2017 e 2018. A governadora também sancionou a Lei 10.484, que autoriza o Executivo a ampliar o limite para realização de operações com antecipação de receitas orçamentárias previsto na LOA -2019. Duas leis aprovadas por consenso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Fato!

Já o governo Bolsonaro, em meio as ídas e vindas para colocar em votação pelo Congresso Nacional a proposta de reforma da previdência, vive um inferno astral com os filhos sempre ocupando o lugar do pai, colocando-o numa saia justa. Bem ao seu feitio, aliás.

Ficarei em apenas dois casos pra poupar o governo ultradireitista:

O menino das laranjas (em seis atos)

Primeiro, antes da posse de presidente, vieram à público informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que implicam o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, então deputado estadual hoje senador da República.

Ato 1: a primeira denúncia dizia que Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, quando deputado do estado do Rio, recebia sistematicamente transferências bancárias e depósitos feitos por oito funcionários que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete do deputado na Alerj. Os valores suspeitos giram em torno de R$ 1,2 milhão. O Ministério Público quer esclarecer essas movimentações.

Ato 2: em uma segunda informação vazada, além dos famigerados R$ 1,2 milhão movimentado atipicamente entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, passaram pela conta de Fabrício Queiroz mais R$ 5,8 milhões nos dois exercícios imediatamente anteriores. Ou seja, no total, Queiroz movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos. Segundo o próprio Jair Bolsonaro, Queiroz 'fazia rolo'. "Haja rolo", como disse o colunista Lauro Jardim, n'O Globo. Posso rir?!

Ato 3: E não parou por aí! Novo documento do Coaf mostrou depósitos em dinheiro no valor de quase 100 mil reais na conta do senador eleito Flávio no período de um mês. Foram 48 depósitos, no valor de 2 mil reais cada, entre junho e julho de 2017. Vários dos depósitos foram feitos em poucos minutos, concentrados no posto de autoatendimento na Assembleia Legislativa.

Ato 4: Todo mundo foi convocado pelo Ministério Público a prestar depoimento, mas ninguém compareceu. No entanto, as figuras circularem em entrevistas na Record e no SBT. Pareciam na verdade ter ido fazer testes fracassados para as respectivas novelas, bíblicas e infantis. O caso é que se depender dos amigos, o Pastor Edir Macedo e o apresentador Silvio Santos, ganham o Troféu Imprensa de melhores atores.

Ato 5: Entre as movimentações financeiras atípicas de Queiroz registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie no mesmo valor dos depósitos suspeitos feitos nas respectivas vésperas - o que coloca o problema ainda mais no colo do presidente.

Ato 6: Sem ter pra onde correr, Bolso Jr ataca outra vez e recorre à mamata do foro privilegiado. Flávio Bolsonaro pede ao STF para barrar investigações contra si e Queiroz. E, como no Brasil, há um acordo "com o Supremo, com tudo", consegue!

O primogênito de "papai" também aparece envolvido com líderes de milícias do Rio de Janeiro. A mãe e a esposa daquele que é apontado como um dos líderes do Escritório do Crime, procurado em operação policial, foram empregados no seu gabinete. O grupo é suspeito de planejar o assassinato da ativista dos direitos humanos e vereadora do Rio, Marielle Franco, e seu motorista, ocorrido em março do ano passado.

Tanto Bolsonaro quanto os filhos são defensores destas organizações, a quem homenagearam em discursos e comendas legislativas. A eventual ligação do líder máximo do país com o crime que chocou o mundo, da vereadora e do seu motorista, pode se confirmar como um capítulo ainda mais triste da história do país.

E agora o escândalo mais recente envolvendo outro filho do presidente Bolsonaro. Trata-se do vereador Carlos Bolsonaro, manipulador de redes sociais. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada dias atrás revelou repasse do PSL de R$ 400 mil de recursos públicos do fundo partidário para uma candidata de Pernambuco suspeita de ser “laranja”. Bebianno era o presidente do partido durante as eleições e, segundo a reportagem, autorizou os repasses.

Dias depois, para negar que houvesse crise por causa da denúncia do jornal, Bebianno disse que tinha conversado três vezes com Jair Bolsonaro enquanto o presidente ainda estava internado em São Paulo.
Em uma rede social, o vereador Carlos Bolsonaro classificou a afirmação de Bebianno como “mentira absoluta”. Depois, Jair Bolsonaro compartilhou as mensagens do filho na mesma rede social.

Magoado e demitido do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno falou o óbvio ululante quando apontou o dedo para o pai na crise que culminou em sua exoneração, como bem disse o jornalista Kiko Nogueira do site Diário do Centro do Mundo  .

“O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, disse, segundo o jornalista Lauro Jardim na sua coluna em O Globo.

E ainda por cima o governo Bolsonaro parece que escalou a ministra da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, para falar merda para desviar o foco das merdas do governo. 

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Enquanto as livrarias fecham as Fake News proliferam no Brasil

Carlos Alberto,

Difícil acreditar que o mercado editorial no Brasil esteja enfrentando dificuldades e provocando um efeito dominó com livrarias fechando por falta de compradores. Livro neste país varonil virou sinônimo de coisa obsoleta, ultrapassada. O que está em moda são as redes sociais, muitas vezes se utilizando de notícias falsas prejudicando pessoas.
Me reporto ao fato inspirado num texto que recebi de um colega de São Paulo onde ele diz:
"Nem lendo os bolsonazis deixam de ser idiotas... Olhem este diálogo que um deles teve comigo: 
- Jerry, pare de ler livro, meu!! (observação do Blog: "meu" é uma gíria muito usada em São Paulo)
- Por que você fala isso?, pergunta Jerry.
O que o seu interlocutor responde:
- As novas tecnologias de internet, i-fone (sei lá como se escreve esta porra), vão substituir o livro.
- É mesmo? Onde você estudou isso? Indaga Jerry
- Li num livro!
Não sei se é pra rir ou pra chorar. Contudo, para retratar bem a realidade em que estamos vivendo nestes tempos de redes sociais, recorro, mais uma vez, a lucidez mordaz do escritor e filósofo italiano (in memoriam) Umberto Eco. Disse ele certa vez:
- As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis.
Perfeito Umberto Eco!
Aliás, muitos falam que as redes sociais estão tomando espaço da imprensa. Ledo engano. Considero que isso é um fenômeno efêmero que começou com a eleição de Donald Trupm, nos Estados Unidos, e que inspirou a eleição do ultradireitista Jair Bolsonaro no Brasil. 
Concordo que Bolsonaro foi eleito pelas redes sociais usando, sobreduto, Fake News. Mas acho também que houve erro de comunicação na campanha do petista Fernando Haddad, que se preocupou mais em responder as mentiras plantadas pelo bolsonarismo, como o Kit Gay, por exemplo, que de vasculhar os bastidores da trama para eleger Bolsonaro.
Lembro que o encontro do então juiz federal, Sérgio Moro, que estava a frente da Lava Jato, para acertar a sua nomeação para ministro da Justiça, na residência do então candidato Jair Bolsonaro, pouco foi explorado pela campanha petista. Da mesma forma o vazamento da delação de Antônio Palloci à Polícia Federal, poucos dias antes de ocorrer o segundo turno da eleição presidencial. 
Se estes dois fatos tivessem sido explorados ao invés de estarem preocupados com Fake News, certamente o resultado das eleições poderia ser outro. Assim como o caso Coaf, envolvendo o filho do presidente Jair Bolsonaro, na época em que era deputado estadual (RJ), hoje senador eleito da República, Flávio Bolsonaro.
Por que esse assunto só vazou após a eleição? Faltou competência da comunicação do PT que não foi a fundo pra saber o que está no relatório e o que dizem envolvidos e autoridades após divulgação do documento que apontou operações bancárias suspeitas de servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, na famosa Operação Furna da Onça? E o caso Marielle? Por que a comunicação do PT não foi a fundo, certamente se chegaria ao suposto envolvimento das milícias do Flávio Bolsonaro.
Estou falando isso porque no Brasil, parte de assessores de imprensa compraram esta ideia de que responder Fake News, parece, se tornou mais importante do que os fatos. E muitas pessoas hoje dão mais crédito a Fake News do que uma notícia de jornal. 
Não, não Srs leitores. Não se enganem, na medida em que as pessoas perceberem que estão sendo usadas e ludibriadas, as redes sociais com suas Fake News tendem a arrefecerem.
Vou dar mais um exemplo recente de que não se deve acreditar muito nas redes sociais. A poucos dias, bombeiros que atuam a procura de corpos em Brumadinho, foram enganados por pessoas sem escrúpulo a procurarem supostas pessoas que estariam nas matas como forma de se protegerem do tusnami de lamaçal. Mentira! Um desserviço ao Corpo de Bombeiros de MG que desviou homens para vasculhar a mata em vão, quando poderiam está ajudando a outros militares a procurar corpos no local do acidente.
Repito o que disse no título deste texto: Enquanto as livrarias fecham as Fake News se proliferam no Brasil 
Leiam, caros leitores, leiam mais jornais e livros. Não deixemos que as mentiras tomem conta da nossa consciência e que os livros estejam fadados a peças de museus. 
A conferir!

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Todo país tem o Governo e o Parlamento que merece

Carlos Alberto,

Lastimável o que vem ocorrendo neste país varonil. Primeiro um presidente eleito por Fake News, sem sequer precisar fazer campanha, nem participar de debates, até porque não estava preparado pra isso. Agora a eleição do presidente do Congresso Nacional, que mais pareceu uma comédia pastelão ou uma eleição para o sindicato do crime. Senão vejamos:

Condenado a quatro anos e seis meses de prisão por crimes contra o sistema financeiro, e atualmente cumprindo pena no regime semiaberto, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) participou da votação para a Presidência no Senado neste sábado, no qual foi eleito Davi Alcolumbre com forte ligação com Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro. 

Gurgacz foi indicado pelo seu partido para monitorar a apuração ao lado da Mesa Diretora da casa. Ele cumpre pena no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Não só isso. O presidente eleito do Congresso Nacional, um senador obscuro até apresentar sua candidatura, representante do Amapá, responde a um inquérito por crime eleitoral — em sua campanha, em 2014, foram apresentadas notas falsas na prestação de contas à justiça eleitoral. Antes disso, em 2004, ele foi indiciado num inquérito da Polícia Federal que apurou desvios na Saúde.

Mas a comédia pastelão em que se transformou a sessão, ou sessões, para eleger o novo presidente do Congresso Nacional, foi marcada por confusão, uma votação anulada e pela desistência da candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL), outro não menos suspeito por desvio de condutas.

Ah, teve também o filho do presidente da República, senador Flávio Bolsonaro revelando o seu voto em claro e bom som, óbviamente, em Davi Alcolumbre, embora a votação fosse secreta conforme o Regimento Interno da casa. Aliás, para dar maior visibilidade ao seu voto, Flávio Bolsonaro se postou na frente da mesa diretora da sessão sob a luz dos holofotes para mostrar a cédula de votação.

Bom que se diga, que assim como os senadores Acir Gurgacz e Davi Alcolumbre, Flávio Bolsonaro tem uma ficha pouco condizente com o cargo que passará a ocupar, ou seja, de senador da República. Não custa lembrar que ele está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro a partir de movimentações financeiras consideradas “atípicas” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), desde quando era ainda deputado estadual.

Flávio Bolsonaro e seu ex-motorista Fabrício Queiroz são alvos de procedimento investigatório do Ministério Público do Rio de Janeiro iniciado a partir de relatórios do Coaf. O conselho identificou uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz e também na conta de Flávio Bolsonaro – em um mês, foram 48 depósitos em dinheiro, no total de R$ 96 mil, de acordo com o Coaf.

Como se observa, cada país tem o Governo e o Parlamento que merece. E neste contexto não me sinto representado!

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"A pátria amada - mais uma vez - chafurda-se na lama da vergonha e da ignomínia"

Carlos Alberto,

Transcrevo um texto da juiza trabalhista Roberta Araújo, de Pernambuco, sobre a tragédia de Brumadinho, tragédia essa que se repete no Brasil e providências não são tomadas para evitar novos desastres que ceifam vidas humanas e degradam o meio ambiente, lamentavelmente. Segue o texto:

"Há três anos, em Mariana, tivemos a maior tragédia ambiental da história do Brasil. Até hoje, as famílias seguem desamparadas e os responsáveis impunes. Os efeitos devastadores desse desastre não foram suficientes para impedir o que ocorreu em Brumadinho.

O Brasil é um país sem memória e sem compromisso com a vida humana. Seguimos com fiscalizações ineptas e licenças ambientais aprovadas de modo precário, como moeda de troca entre os interesses políticos e do mercado.

Na reunião que aprovou a licença da barragem, o representante do Ibama alertou para o risco do rompimento. Mas a ânsia da Vale em aumentar o lucro, aproveitando o surto econômico da mineração gerou a pressão adequada para obter em uma mesma reunião, a Licença Prévia de Instalação e de Operação.

Esse desastre é responsabilidade de todos os partidos e governos coniventes com a atividade empresarial predatória das mineradoras deste país, onde a vida humana segue importando menos que o preço das ações no mercado de capitais.

E neste espiral da ganância e da ambição, a pátria amada - mais uma vez- chafurda-se na lama da vergonha e da ignomínia."

*Roberta Araújo - Juíza TRT - PE

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Vendas de carros e de apartamento movimentam Bolsogate

Carlos Alberto,

Primeiro foi Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que disse em dezembro numa entrevista ao SBT que parte do R$ 1,2 milhão que movimentou vem de negócios como compra e venda de carros.

Agora, Flávio Bolsonaro diz que depósitos fracionados são dinheiro vivo recebido em venda de apartamento. O senador eleito pelo PSL-RJ afirmou também, em entrevistas à Rede Record e à RedeTV!, que o pagamento de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa se refere a esse imóvel. Relatório do Coaf aponta movimentações atípicas em sua conta. Interessante é que os canais de televisão onde as entrevistas foram dadas são da simpatia da família Bolsonaro.

No sábado (19), o Jornal Nacional mostrou que, em relatório sobre movimentações atípicas de Flávio Bolsonaro, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) destacou o pagamento no valor de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa. O Coaf não identificou o favorecido, nem a data, e nenhum outro detalhe.

Nas entrevistas deste domingo, Flávio Bolsonaro disse que a Caixa quitou a dívida dele com a construtora e que ele passou, então, a dever à Caixa. Disse ainda que vendeu o mesmo imóvel logo depois e que recebeu parte do valor em dinheiro vivo.

Flávio Bolsonaro alega que depositou o dinheiro na conta dele, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 48 envelopes de R$ 2 mil, porque era o local onde ele trabalhava e que o valor era o limite para cada depósito no caixa automático.

Ao senador, não foi perguntado, e por isso ele não respondeu, por que optou por fazer 48 depósitos de R$ 2 mil, com diferença de minutos em cada operação, em vez de depositar a totalidade do que recebeu em espécie de uma vez só na agência bancária em que tem conta.

Na semana passada, a Polícia Federal do ex-juiz e ministro  Sergio Moro ao invés de vazou velhas mentiras do ex-ministro Antônio Palocci, ao invés de cobrar explicações da família Bolsonaro.

Em nota a direção nacional do PT afirmou:

“O vazamento ilegal (mais um) de depoimento de Antônio Palocci, com falsas acusações ao PT e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, mostra que a Polícia Federal, sob o comando de Sérgio Moro, está totalmente a serviço da guerra de Jair Bolsonaro com o PT".

E continua:

"O vazamento das mentiras ocorre no dia em que o país cobra explicações à Polícia Federal, ao Ministério Público, ao Ministro da Justiça, ao ministro Luiz Fux, do STF, e à Presidência da República, sobre a milionária movimentação financeira envolvendo a família de Jair Bolsonaro e seu motorista, o ex-assessor legislativo Fabrício Queiroz".

E completa:

"Em busca de escapar da prisão e recuperar sua fortuna – a respeito da qual a Lava Jato jamais o investigou – Palocci envolveu dois de seus motoristas em suas mentiras. Ocorre que nenhum desses trabalhadores comprovou a mentira do ex-chefe, sobre supostas entregas de dinheiro.

Bem diferente do ex-motorista Queiroz, que movimentou 1,2 milhão em um ano, incluindo um cheque de R$ 24 mil para a mulher de Jair Bolsonaro. E isso está comprovado em relatório do Coaf, diferentemente das caixinhas e envelopes cujo conteúdo os ex-motoristas de Palocci não confirmam.

Sergio Moro tem a obrigação de explicar o vazamento de uma delação falaciosa de Palocci, que ele mesmo recusou quando era juiz da Lava Jato.

O que a sociedade brasileira exige hoje não são os fuxicos de Palocci, mas um esclarecimento sobre os desvios, intrigas e disputas no condomínio de Bolsonaro."

Em tempo: não deixe de ler também, caro leitor, um pequeno resumo sobre o Bolsogate clicando aqui

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Porque sou a favor da redução da maioridade penal

Carlos Alberto,

Em março de 2013 publiquei um texto em que falava do porque ser a favor da redução da maioridade penal. Nesta segunda-feira (14), a Folha publicou uma pesquisa da Datafolha em que aponta que 84% das pessoas que responderam à enquete são favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Segundo a pesquisa, 14% são contrários à alteração da lei, 2% são indiferentes ou não opinaram. Pois muito bem. No meu texto escrito há pouco mais de cinco anos, eu falo do meu posicionamento em relação ao assunto. Segue o artigo:

Porque sou a favor da redução da maioridade penal

Quando um adolescente tem direito ao voto aos 16 anos ele sabe perfeitamente o que está fazendo. Quando um menor de idade engravida uma menina sabe perfeitamente o que está fazendo. Por que é que quando um menor de 18 anos rouba, mata e comete outros crimes hediondos não pode ser responsabilizado por seus atos e ser julgado como qualquer adulto? Ele, por acaso, não sabe o que está fazendo quando assalta, estupra ou tira a vida de uma pessoa?

Faço esse registro para dizer que sou totalmente contra essa história de que o menor de 18 anos já sofre penalidades quando comete algum tipo de crime, conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Sou a favor da redução da maioridade penal.

Dizer que a Constituição Federal de 1988 considera os menores de 18 anos inimputáveis quanto ao Código Penal, mas sujeita eles a legislação especial: o ECA, que prevê seis tipos de medidas sócio-educativas para os adolescentes – da advertência à internação, com privação de liberdade por um período máximo de três anos, é pura balela.

E mais: não há no Estatuto um sistema de impunidade. Pode-se dizer que, na realidade, são inimputáveis só os menores de 12 anos, pois entre 12 e 18 anos as punições estão previstas pelo ECA e uma vez que infrinjam a lei estarão sujeitos à medidas sócio-educativas. Outra balela.

Difícil acreditar que um menor de 18 anos que assalta ou mata uma pessoa se sofrer “medidas sócio-educativas” poderá ser reintegrado à sociedade. Acho que entre 10 adolescentes infratores um se recupera, pois que as chamadas casas de recuperação, que antigamente se chamavam de Febem, só fazem piorar a situação desses menores, pois que de medidas sócio-educativas não têm nada. Essas casas de recuperação de menores são, na verdade, verdadeiros pardieiros transformados em escolas do crime.

Definitivamente a redução da maioridade penal deve ser um dos temas de maior polêmica no Congresso Nacional este ano. A Constituição prevê que não podem ser imputados penalmente os menores de dezoito anos (artigo 228), que assim ficam sujeitos a punições específicas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas é grande a pressão de parte da sociedade para que os hoje menores infratores possam ser penalmente responsabilizado por suas ações. Três propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o tema aguardam, na CCJ do Senado, decisão da Mesa Diretora da Casa sobre pedido para que sejam analisadas em conjunto. A conferir!

Obs do blog: leia texto que aborda a questão do menor infrator retirado do portal do TJRN clicando Aqui

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Bolsonaro esqueceu de combinar com os "russos" e aí foi desautorizado

Carlos Alberto,

Nunca na história do Brasil um presidente da República foi desautorizado em público por seus auxiliares. Falo de Jair Bolsonaro. O presidente falastrão que se utiliza das redes sociais para falar asneiras, se deu mal ao falar à imprensa que o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, iria anunciar até o final do dia (sexta-feira, 4) a possibilidade de diminuir de 27,5% para 25% a alíquota máxima do Imposto de Renda. Por outro lado, ele também disse que o governo vai aumentar a alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

Nem uma coisa nem outra. Ao contrário, no mesmo dia, o presidente Jair Messias Bolsonaro foi desautorizado por generais, ministros e até pelo secretário da Receita Federal. Ou seja, não precisou nem de 100 dias para se avaliar o que será o governo Bolsonaro, apenas em uma semana se viu as trapalhadas de um governo de extrema-direita, onde se discute que menino tem que usar azul e menina tem que usar rosa, quando na verdade a cor predominante no atual governo é laranja.

Isso me faz remeter ao folclore futebolístico, quando, dizem, que Garrincha perguntou ao então técnico da seleção brasileira num treino tático para enfrentar o então selecionado da extinta União Soviética, se ele [Feola] havia combinado com os russos as jogadas ensaiadas pelo Brasil para enfrentar a seleção russa. Teria dito Garrinha: "combinou com os russos Sr Feola?" Isso em 1958.

A situação se aplica bem a Bolsonaro. Ele esqueceu de combinar com os seus ministros o que iria dizer aos jornalistas e aí foi desautorizado por seus auxiliares. Pura comédia pastelão. Bolsonaro deu as declarações estapafúrdias ao final da cerimônia de transmissão de cargo de comandante da Aeronáutica, na base aérea de Brasília. Ele não discursou durante a solenidade, mas concedeu uma entrevista coletiva à imprensa ao final do evento.

Outra:

Repercutiu mal entre os militares a sinalização do presidente Jair Bolsonaro sobre a possível instalação de uma base militar norte-americana no território brasileiro, e as Forças Armadas são contra essa possibilidade, disse à Reuters uma alta fonte militar neste sábado (5). “As Forças Armadas não concordam com isso”, afirmou a fonte ouvida pela agência Reuters. “Temos que ver o que realmente o presidente falou sobre isso, mas os militares são contra”

Como se observa, Bolsonaro se tornou o próprio Fake News de seu governo

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Um governo que se inicia na contramão da história

Carlos Alberto,

O governo Bolsonaro, parece, não entendeu ainda que o mundo quer paz. Quando um governante diz, através das redes sociais, que pretende editar um decreto para facilitar a posse de armas, sinaliza que quer ver o Brasil armado. Jair Bolsonaro já vinha dizendo, desde a campanha eleitoral, que é favorável a flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. Pelo Estatuto, a pessoa que deseja ter uma arma em casa deve cumprir uma série de requisitos.

Surpresa maior Bolsonaro deve ter tido após saber que pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (31), apontou que 61% dos brasileiros consideram que a posse de armas de fogo deve ser proibida, por representar ameaça à vida de outras pessoas.

O levantamento foi realizado nos dias 18 e 19 deste mês. Na pesquisa anterior, de outubro, 55% se disseram contra a posse de armas. Observe-se, caro leitor, que o percentual de pessoas contrárias a posse de arma de fogo aumentou em menos de dois meses.

Detalhe:

De acordo com o Datafolha, a rejeição sobre posse de armas é maior entre as mulheres. 71% delas se disseram contrárias, enquanto 51% dos homens têm a mesma opinião.

E porque isso? Porque muitos crimes passionais são cometidos pelo fato do marido ter uma arma de fogo em casa, mesmo que não tenha direito a posse. Certamente o número de mulheres assassinadas com a liberação da posse de arma vai aumentar, não tenho a menor dúvida.

E quando falo que o governo Bolsonaro está indo na contramão da história, falo embasado que nos Estados Unidos mesmo, onde é liberado o porte de arma seja de que calibre for, o ex-presidente Barack Obama, já tentou implantar a Lei do Desarmamento, e só não conseguiu porque o poderio da indústria bélica lá é muito forte e financia campanhas políticas. Aqui, temos a "bancada da bala", que vai dar sustentação política ao governo Bolsonaro.

A conferir!

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Alguém viu o Queiroz por aí? Pergunta no posto Ipiranga!

Carlos Alberto,

A pergunta se faz necessária porquanto o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz, faltou pela segunda vez ao depoimento que iria prestar no Ministério Público do Rio, na sexta-feira (21). A defesa de Queiroz alegou novamente motivos de saúde para não aparecer na oitiva marcada para esclarecer movimentações atípicas em sua conta, apontadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O MPRJ informou que também pedirá para que Flávio Bolsonaro preste esclarecimentos sobre o caso, no dia 10 de janeiro.

De acordo com o MPRJ, o advogado de Queiroz informou que seu cliente "precisou ser internado na data de hoje (sexta-feira), para realização de um procedimento invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos". A defesa se comprometeu a apresentar os referidos laudos até o próximo dia 28.

Alguém sabe dizer qual a clínica ou hospital Queiroz realizou o tal procedimento invasivo e pra que? Não né, tá igual aquela música "Conceição", ninguém sabe ninguém viu.

Pois é, tem razão o jornalista Jefferson Miola, colunista do site Brasil 247, quando afirma que "não é preciso ser adivinho para presumir como a Lava Jato agiria se Fabrício Queiroz fosse petista ou outro inimigo do regime de exceção. Assim como não é necessário grande esforço de raciocínio para concluir que a Lava Jato safou da cadeia o chefe do Queiroz, o deputado Flavio Bolsonaro, como também livrou Jair Bolsonaro de investigações sobre os [pelo menos] R$ 24 mil depositados na conta da esposa Michele e sobre a retenção de 99% do salário da Nathália Queiroz – contratada como "laranja" no gabinete em Brasília"; para ele, "a Lava Jato abafou o quanto pode a participação do Queiroz. Ele somente foi descoberto devido ao vazamento do Coaf que a onipresente falange do Moro não conseguiu evitar" .

Miola afirma ainda que "Queiroz foi escondido pela Lava Jato desde sempre. É preciso recordar que a Operação Furna da Onça, da Lava Jato/RJ, deliberadamente excluiu Flavio Bolsonaro da investigação realizada nos gabinetes dos 10 deputados e 16 assessores que incorreram nos mesmos ilícitos e que, em vista disso, foram presos".

Por inexplicável coincidência, os Bolsonaro demitiram Queiroz e a filha Nathália dias antes da Furna da Onça ir a campo, numa espécie de "limpeza" da cena do crime.

Como se observa, caro leitor, talvez nem no posto Ipiranga, onde se sabe de tudo e tem de tudo, alguém possa responder o paradeiro de Queiroz. Certamente deve está escondido na Furna da Onça.

Claro e óbviamente Queiroz vai aparecer quando o seu patrão-mor, Jair Bolsonaro tomar posse como presidente da República de Bananas no dia 1º de janeiro. Aí a onça vai beber água sem ser na Furna, mas no Planalto.

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"Paladinos da moralidade" Rogério Marinho é alvo de 5 inquéritos no STF e Agripino Maia réu na Lava Jato

Carlos Alberto,

Na última segunda-feira (10), o guru do presidente eleito de ultradireita Jair Bolsonaro, economista Paulo Guedes, anunciou o nome do deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) para secretário especial de Previdência Social. A título apenas de lembrança, Rogério Marinho foi o algoz da classe trabalhadora como relator da reforma trabalhista e, certamente, será o algoz dos aposentados.

Não custa lembrar também que o tucano é alvo de cinco inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal): 

3386/2011 – STF É alvo de inquérito que apura falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária.

4474/2017 – STF Inquérito instaurado para apurar a suposta prática de peculato pelo deputado e por Francisco Washington Cavalcanti Dantas, devido ao desvio de recursos oriundos do Convênio celebrado entre o Rio Grande do Norte e a Federação de Câmaras Municipais do RN (FECAM-RN), à época presidida pelo então vereador e atual parlamentar Rogério Marinho. O STF declinou da competência para julgar o caso, e o remeteu ao TJRN.

4679/2018 – STF O parlamentar é alvo de inquérito que apura suposta prática de peculato quando ocupava o cargo de vereador na Câmara Municipal de Natal.

4484/2017 – STF O deputado é investigado por indícios da prática de peculato pela contratação de 900 pessoas que estariam ocupando cargos comissionados como servidores “fantasmas”, ou servidores que, na verdade, prestam serviços em empreendimentos particulares dos vereadores, sendo remunerados pelos cofres públicos.

3026/2010 – STF É alvo de inquérito que apura crimes contra a administração.

E agora está sendo alvo também de uma ação de investigação judicial eleitoral por supostamente ter sido beneficiado nas eleições deste ano, quando foi candidato a reeleição, por doação de uma ambulância ao município de Angicos, interior do Rio Grande do Norte.

Já, o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que é réu num dos desdobramentos da Lava jato - ele foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por suposto desvio de dinheiro público na construção da Arena das Dunas, em Natal - agora também sofreu outro revés. 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou o parlamentar e mais duas pessoas pelos crimes de associação criminosa e peculato por suposta nomeação de funcionário "fantasma" no gabinete.

Conforme a acusação, o parlamentar manteve por sete anos um funcionário que não prestava serviços no Senado. Além disso, disse Dodge, o salário do servidor era repassado para outra pessoa que prestava serviços ao parlamentar.

Como se observa, caro leitor, os dois ditos "paladinos da moralidade", quando foram as ruas de braços dados pedir o impeachment da presidenta Dilma e até mesmo a prisão do ex-presidente Lula, alegando corrupção nos governos petistas, estão de mãos dadas, ao que parece, no que se pode chamar de ações pouco republicanas, tendo em vista que praticam coisas que condenam, ou supostamente condenam, melhor assim. 

Aliás, o povo já deu a resposta a estes maus parlamentares quando  aposentou os dois nas nas urnas. No entanto, Rogério Marinho, algoz dos trabalhadores, será alçado agora a algoz dos aposentados com um emprego ganho no futuro governo de ultradireita. O nome dele foi escolhido a dedo por Paulo Guedes com a missão de trabalhar no Congresso pela Reforma da Previdência.

A conferir!

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A família Bolsonaro também tem seu PC Farias e seu coronel Lima. O Coaf descobriu!

Carlos Alberto,

A senha já foi dada pelo presidente eleito de ultra-direita Jair Bolsonaro: 'a questão ideológica é muito mais grave que a corrupção" . Já comentei isso em outra oportunidade, quem acompanha o meu Blog e a coluna que assino no Portal Nominuto.com, certamente observou. Clique aqui pra relembrar. Mas volto ao assunto tão eloquente são as palavras de Bolsonaro para os incautos que depositaram o seu voto nele.

Para os menos avisados digo que, Jair Bolsonaro nem começou o seu governo já apareceu o seu PC Farias [vide Color de Mello] e seu coronel Lima [vide Michel Temer]. Mas , "a questão ideológica é muito mais grave que a corrupção". Sintomática esta declaração de Bolsonaro, muito sintomática!

Fato é que um relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) em desdobramento da Operação Lava Jato no Rio indica movimentação financeira atípica de um ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), que é filho de Jair Bolsonaro e senador eleito. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo na quinta-feira (6).

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, de acordo com o relatório do órgão. A reportagem do jornal afirma que uma das transações de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Fabrício de Queiroz trabalhava há mais de dez anos como segurança e motorista do deputado Flávio Bolsonaro, com quem construiu uma relação de amizade e confiança. Veja, caro leitor, Flávio Bolsonaro e Fabrício de Queiroz construíram uma relação de amizade e confiança. Tudo a ver.

No entanto, o escândalo envolvendo a família Bolsonaro citada em reportagem do Estadão, não se esvaíra só no envolvimento do filho com o seu ex-assessor. Veio à tona nesta sexta-feira (7) um fato gravíssimo do relatório do Coaf, que aliás, ficará sob a tutela do superministro da Justiça, Sérgio Moro: o documento cita movimentações entre contas dele [Queiroz] e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz. Ela é nada menos que ex-assessora do próprio Jair Bolsonaro. Há menção no relatório a um valor de R$ 84 mil em uma conta de Nathalia.

A filha foi foi nomeada em dezembro de 2016 para trabalhar como secretária parlamentar no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara. A relação do pai é bem mais antiga. Ele foi funcionário de Flávio Bolsonaro por 11 anos, desde 2007. Estranhamente, no dia 15 de outubro deste ano, ambos foram exonerados, conforme noticiou o jornalista Fausto Macedo.

A história da relação Bolsonaro-Queiroz é ainda mais longa que o simples vínculo empregatício do PM na Assembleia Legislativa do Rio, conta o jornalista Mauro lopes, editor do site Brasil 247.

Segundo lopes, há 15 anos, em outubro de 2003, Flávio apresentou na Assembleia moção de louvor e congratulações a Queiroz -portanto, já havia uma relação de apreço e intimidade na ocasião. Três anos depois, outro dos agora primeiros-filhos, Carlos, foi ainda mais longe: ele fez a Câmara de Vereadores aprovar um requerimento seu para que Queiroz recebesse a medalha de mérito Pedro Ernesto, principal honraria concedida pela cidade do Rio.

É relação antiga, de confiança, de prestação de serviços. Até a quinta-feira (6), o escândalo havia se insinuado à porta do gabinete do presidente eleito. Agora, com a filha de Queiroz, a crise está instalada dentro do gabinete - e da casa do casal Jair-Michelle.

Como se comportarão as autoridades? Que investigações serão feitas? Como se comportará Sérgio Moro que terá o Coaf e a PF sob seu comando a partir de janeiro e estará cercado por integrantes do Ministério Público?

Bom que se diga que o documento do Coaf que mapeou, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), as movimentações financeiras dos servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), foi anexado na investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que levou à prisão 10 deputados estaduais fluminenses.

O rastro do dinheiro está aí, à vista de todos. E cheira mal.

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Quando Lula era presidente o Brasil era 'o cara'. Hoje não passa de coadjuvante

Carlos Alberto,

Triste Brasil, cada vez mais perdendo importância no mundo. De protagonista a coadjuvante nas relações internacionais. Na reunião do G-20, em Buenos Aires, que reúne as principais economias do mundo, no comunicado à imprensa internacional distribuído pela organização do evento, há menção a 12 “máximos líderes mundiais”. O texto cita Emmanuel Macron (França), Theresa May (Reino Unido), Angela Merkel (Alemanha), Sebastián Piñera (Chile) e Donald Trump (EUA), mas não menciona nem Temer, nem o Brasil.

Há cerca de alguns anos o Brasil era protagonista na reunião da cúpula do G8, na Itália, e Barack Obama se referia ao então presidente Lula como "o cara". O G-8 (Grupo dos 8) é um grupo internacional formado pelos sete países mais desenvolvidos e industrializados do mundo. O Brasil do então presidente Lula participava como convidado.

Hoje o Brasil, lamentavelmente, se encaminha para ser um lambe-botas dos Estados Unidos, onde o seu futuro presidente bate continência para a bandeira americana e cria situações diplomáticas difíceis para agradar Donald Trump numa clara submissão ao governo americano. A título de exemplo a mudança da Embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

' A Palestina primeiro precisa ser um estado para ter o direito de uma embaixada', declarou o presidente eleito ao jornal conservador 'Israel Hayom'. Ele também publicou mensagem no Twitter. A declaração de Jair Bolsonaro foram publicadas no início deste mês.

Não só isso: Bolsonaro quer que o Brasil saia do Mercosul e pensa em retaliar a Venezuela. Já criou um problema com Cuba na questão do Mais Médicos, esvaziando um programa que deu certo.  e pode criar um problema com a China, o "Dragão" que faz sombra ao governo de Trump.

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas A. Shannon, avalia que o Brasil teria que comprar algumas brigas comerciais com os EUA, como a contra a China, para concretizar o alinhamento crescente entre as gestões de Donald Trump e a do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

“A prioridade do presidente Jair Bolsonaro é, pelo que percebemos, reforçar as relações com o governo estadunidense, e isso só pode vir a se tornar algo bom”, disse durante um debate realizado na quinta-feira (29) no Instituto Fernando Henrique Cardoso em conjunto com o ex-presidente e o copresidente do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Carl Bildt.

Segundo ele, com essa mais nova relação entre os dois países, será possível alinhar certos aspectos da economia brasileira com a economia americana, o que implicaria com a questão dos conflitos comerciais com a China. Shannon foi embaixador no Brasil entre 2010 e 2013.

Como se observa, o Brasil de Bolsonaro ao que tudo indica será submisso ao governo americano, voltaremos a ser colônia. Como diz o título deste Editorial, quando Lula era presidente o Brasil era `o cara´. Hoje não passa de coadjuvante no G-20 e em breve, muito breve, colônia estadunidense.

A conferir!

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'A questão ideológica é muito mais grave que a corrupção': Bolsonaro deu a senha do seu governo

Carlos Alberto,

Não é surpresa nenhuma o presidente eleito de extrema-direita, Jair Bolsonaro, declarar em mais um dos seus arroubos, que a “questão ideológica” é “muito mais grave” que a corrupção. Não esqueçamos que o futuro governo, surgido no bojo de uma onda “contra a corrupção”, tem ao menos quatro dos nomes já indicados para compor o seu ministério sob suspeição: Luiz Henrique Mandetta (Saúde): investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2, o que ele nega; Tereza Cristina (Agricultura): investigada por supostamente beneficiar a JBS, o que ela nega; Onyx Lorenzoni (Casa Civil): investigado por suposto recebimento de caixa 2, o que ele nega; Paulo Guedes (Economia): investigado por supostas irregularidades em fundos de pensão, o que ele nega. Segundo Bolsonaro, somente denúncia “robusta” vai tirar algum ministro do governo quando ele assumir a Presidência da República. Ah, sei!

Fato é que pelas palavras proferidas por Jair Bolsonaro num encontro que teve com parlamentares do seu partido, o PSL, em um hotel em Brasília, o seu governo não vai se importar com corrupção. Pelo o que disse e deixou a entender aos colegas de partido, o discurso contra a corrupção foi mais um engodo eleitoral. Para o futuro presidente de extrema-direita, o mais importante é evitar que a esquerda retome o poder, não importando se o seu governo vai ser corrupto ou não. “Se nós errarmos, aquele pessoal volta e nunca mais sai. E quem vai ter que sair seremos nós. E vai faltar toco de bananeira para nós nadarmos até a África ou até os Estados Unidos. Não queremos isso para o nosso Brasil. Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica. Vocês sabem muito bem disso”, afirmou.

E os incautos de seus eleitores ainda acreditam que com o juiz "todo poderoso", Sérgio Moro, no Ministério da Justiça, a corrupção neste país varonil vai acabar. Como, se o próprio Moro já perdoou o seu futuro colega de governo, Onyx Lorenzoni (Casa Civil), de ter praticado caixa 2, e se o próprio presidente eleito disse que muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica? Aliás, tudo sob os ouvidos de Sérgio Moro, o indemissível. Há quem diga até que a estratégia de Bolsonaro de convidar Moro para ser ministro da Justiça deu certo, ou seja, afastou o juiz federal do comando da Lava Jato, o que, na prática, está de acordo com o discurso dele [Bolsonaro], de que, "muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica."

Em meio aos arroubos de Jair Bolsonaro, não custa lembrar que o TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou levantamento inédito por meio do qual aponta que 38 órgãos e entidades federais, todos com alto poder econômico no governo central, “possuem fragilidades nos controles” em seus contratos. Segundo o estudo, tais níveis de vulnerabilidade sãos “altos” e “muito altos”. As unidades governamentais têm orçamento anual de R$ 216 bilhões, acrescenta o TCU.

Pois é, sobre este levantamento, não causa surpresa, mas causa espanto que um político que foi eleito presidente e que tinha como uma de suas bandeiras o combate a corrupção, dizer aos seus aliados que a “questão ideológica” é “muito mais grave” que a corrupção, de onde se pode deduzir que a bandeira contra a corrupção continua sendo uma falácia desde o golpe contra a presidenta Dilma Ruosseff (PT). Michel Temer está aí para provar o que estou dizendo. É possível até que ganhe um cargo de embaixador na Itália no governo ultra-direitista,  após o término de seu mandato como presidente em 31 de dezembro.  Isso para poder ter direito a foro privilegiado diante das denúncias que lhe são imputadas.

Como disse o jornalista Kiko Nogueira, os fins justificam os meios. Pode ser corrupto, desde que seja “ideológico” e ajude a enxotar os "comunistas".

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É bom já ir se acostumando com o 'Game of Thrones' do governo ultradireita

Carlos Alberto,

Aos leitores-eleitores que votaram no ultradireitista capitão da reserva do Exército, Jair Bolsonaro (PSL), acostumado aos arroubos estapafúrdios da campanha eleitoral, melhor já ir se acostumando com o samba do crioulo doido e até do risco, diria, que poderá se transformar o seu governo. Provas o presidente eleito pelas fakes news tem dado nos últimos dias. Senão vejamos:

Primeiro, o ultradireitista anunciou a mudança da embaixada do Brasil de Israel para Jerusalém, o que causou um mal-estar na diplomacia internacional. Depois, mais recentemente, anunciou um diplomata praticamente desconhecido que criou há dois meses um blog reafirmando com linguajar pernóstico todas as idiossincrasias ultradireitistas de Bolsonaro – a ponto de ser chamado pelo jornalista Clóvis Rossi de um “cabo Daciolo com alguns livros a mais” – e conseguiu, apoiado por Olavo de Carvalho, dar um chapéu nos maiorais do Itamaraty, que agora prometem despejar um caminhão de melancias em cima dele. Falo de Ernesto Araújo, o chanceler contra o “marxismo cultural”. tudo isso no campo da diplomacia brasileira.

No que toca ao governo propriamente dito, temos inúmeros embaraços, tais quais o próprio superministro da economia, Paulo Guedes, que não sabe nem como se projeta o OGU (Orçamento Geral da União). Aliás, o "homem do Instituto Millenium" é investigado pelo MPF (Ministério Público Federal), por se associar a executivos para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais. Em seis anos, ele captou R$ 1 bilhão em operações suspeitas. Um procedimento investigativo criminal ainda apura se o economista cometeu os crimes de gestão fraudulenta ou temerária.

O mesmo Paulo Guedes, homem forte do governo conservador, indicou para presidir o Banco Central, o economista Roberto Campos Neto. Campos Neto é diretor do Banco Santander, onde trabalha há quase 20 anos, e é neto do economista Roberto Campos, que foi ministro do Planejamento entre 1964 e 1967. Tudo a ver.

Outro indicado do superministro, desta vez para presidir o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi o ex-ministro da Fazenda durante o período de maior crise do governo Dilma Rousseff (PT), o economista Joaquim Levy. Na semana passada, em rápida declaração para jornalistas, Bolsonaro deu carta branca à indicação. “Ele [ Paulo Guedes] é que está bancando o nome de Joaquim Levy. Ele tem um passado com a Dilma, sim, teve dez meses. Tem um passado com o governo [Sérgio] Cabral, mas nada tem contra sua conduta profissional. Assim sendo, eu endosso Paulo Guedes". Ah sei!

Mas os nomes sob suspeição do futuro governo de ultra-direita não ficam só aí: perdoado por Sérgio Moro, que será superministro da Justiça, o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pode ter recebido um caixa dois ainda maior do que admitiu em suas campanhas eleitorais. Planilha entregue por delatores da JBS indica a entrega de mais R$ 100 mil por fora ao deputado, além dos R$ 100 mil que ele já havia admitido.

Indicada para ser ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) concedeu incentivos fiscais à empresa JBS na mesma época em que arrendou propriedade ao grupo. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, a futura ministra ocupava a Secretaria estadual de Desenvolvimento Agrário e Produção de Mato Grosso do Sul ao mesmo tempo em que arrendava uma propriedade aos irmãos Joesley e Wesley Batista para criação de bois.

O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), citado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como cotado para comandar o Ministério da Saúde, é investigado por tráfico de influência e de fraude à Lei de Licitações. O caso tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas foi transferido para a Justiça Federal no Mato Grosso do Sul em setembro.

A confirmar-se o que a Revista Crusoé noticiou na semana passada de que o presidente eleito, o ultra-direitista Jair Bolsonaro (PSL), pretende contemplar o “verdugo” da reforma trabalhista, deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), que recebeu a desaprovação das urnas, com algum cargo em seu governo, e com o recuo de manter a pasta do Trabalho com o status de Ministério e, portanto, podendo o tucano ser contemplado como ministro, fica a pergunta: Será que Rogério Marinho vai pedir desculpas ao futuro ministro da justiça, juiz Sérgio Moro, para abrandar os inquéritos envolvendo o seu nome em corrupção, assim como fez o futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, envolvido em denúncias de caixa 2?

Sim, pra quem desconhece, Rogério Marinho responde a 7 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), dos quais, apenas um desceu, até o momento, para a primeira instância em Natal, lembrando que no próximo ano o tucano perde o foro privilegiado já que foi aposentado pelos eleitores nas urnas nas eleições deste ano.

Pra completar o `Game of Thrones´ do governo ultradireita, a "Síndrome de Comunismo" que domina o futuro governo com reflexos em seus eleitores, resultou na retirada dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos. O país enviou profissionais para atuar no Brasil desde 2013, quando o governo da então presidente Dilma Rousseff criou o programa para atender regiões carentes do país sem cobertura médica. O Ministério da Saúde de Cuba atribui a decisão a “declarações ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro.

A atuação dos médicos cubanos no Brasil gera polêmica desde a criação do Mais Médicos. No entanto, o programa contrata profissionais de várias nacionalidades, e não apenas cubanos.

Detalhe: levantamento do governo divulgado em 2016 apontou que o programa é responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com até 10 mil habitantes. Em 1.100 municípios atendido pelo programa, o Mais Médicos representava 100% da cobertura de Atenção Básica, de acordo com dados divulgados em 2016.

A conferir!

Em tempo: a título apenas de informação: Game of Thrones é uma série de televisão americana criada por Davi Benioff e D. B. Weiss. Situada nos continentes fictícios de Westeros e Essos, a série centra-se no Trono de Ferro dos Sete Reinos e segue um enredo de alianças e conflitos entre as famílias nobres dinásticas, seja competindo para reivindicar o trono ou lutando pela independência do trono

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Coragem e determinação pelos desafios que se tem pela frente

Carlos Alberto,

Pelos assombros relatados nos últimos dias pela imprensa a despeito da situação caótica que o Rio Grande do Norte passa, a governadora eleita, Fátima Bezerra (PT), assim como teve coragem e determinação para enfrentar uma eleição em que tinha na disputa um governador candidato a reeleição com toda a máquina na mão, e por outro lado um grupo oligárquico tutelando a candidatura de um ex-prefeito de capital, a petista certamente terá a mesma coragem e determinação para o enfrentamento da crise que se abate sobre o estado, sobretudo, financeira.

O atual vice-governador, Fábio Dantas, já tratou de alardear que Fátima Bezerra vai receber o estado com um déficit de R$ 2 bilhões. O tablóide Agora RN informou que "o déficit da previdência estadual, que a governadora eleita receberá de presente em 1º de janeiro, dia de sua posse, é uma bomba-relógio prestes a explodir". Segundo o jornal, o atual controlador geral do Estado, Alexandre Santos de Azevedo, disse que para adiar por pouco tempo a detonação da bomba, o novo governo teria de demitir imediatamente 13 mil servidores ativos, o que provocaria uma verdadeira batalha jurídica, já que muitos destes encontram-se próximos da aposentadoria.

Em maio deste ano, portanto, antes das eleições, o Blog do BG, em reportagem assinada pelo repórter Dinarte Assunção, relatava que para concretizar o corte na folha de ativos – já que ele, o estado, não pode reduzir a folha de inativos – deve, segundo a Constituição Federal, reduzir em vinte por cento as despesas com cargos em comissão e funções de confiança e, em seguida, exonerar servidores efetivos.

E complementava:

Atualmente, o montante total da despesa anual com servidores comissionados gira em torno de R$ 38 milhões. A redução de 20% dessa despesa acarretaria em uma economia de R$ 7,7 milhões, o que representa apenas 0,57% do total da redução necessária, de modo que, após exonerar os comissionados, ainda será preciso reduzir a folha de ativos em R$ 1,3 bilhão, dessa vez mediante exoneração de servidores efetivos.

Na quarta-feira (7), o mesmo blog com a manchete "4 tópicos para entender o tamanho da crise do RN, que tem colapso total pré-anunciado", diz:

- O relatório do Tesouro Nacional com a alarmante informação de que 86% de tudo que o Estado arrecada vai para o pagamento de servidores colocou a crise, que já era grande, em novo patamar.
Há quatro questões sobre o assunto para entender a dimensão da crise
1) Com os 14% que faltam é com o que o Estado paga tudo, dívidas com fornecedores, manutenção da máquina, comprar subsídios para o funcionamento de hospitais e escolas e para realizar investimentos, por exemplo.
2) O relatório do Tesouro não conta a história toda. Segundo economista Raul Velloso, o problema está na folha dos servidores aposentados, que tem gasto cada vez mais crescente.
3) A governadora eleita Fátima Bezerra vai convocar a Assembleia Legislativa extraordinariamente em janeiro para apresentar medidas sobre o assunto.
4) Se não houver mudanças, os 14% que restam vão ser devorados, e a máquina pública, já muito deficiente, vai parar de vez.

Como se observa, os desafios são muitos a serem enfrentados pela governadora Fátima Bezerra, e ela está consciente disso. Tanto assim que só quer se posicionar sobre o real quadro do estado após coletadas todas as informações da equipe de transição.

Respaldada por mais de 1 milhão de votos obtidos nas urnas, Fátima Bezerra já procurou a Assembleia Legislativa para ter o apoio necessário a eventuais medidas que terão que ser tomadas. Medidas estas a serem adotadas já no primeiro mês de governo para tentar, senão sanar, ao menos amenizar a situação crítica em que o estado se encontra.

Aliás, a governadora eleita pautou a sua campanha sobre um tema tabu no que diz respeito a redução do desequilíbrio financeiro das contas públicas. Fátima afirmou em diversas ocasiões que uma das iniciativas será criar uma força-tarefa unindo procuradores e auditores fiscais para ampliar a recuperação de parte da dívida ativa do estado, hoje avaliada em R$ 7 bilhões.

Um outro assunto polêmico, mas que tem que ser encarado de frente e que de certa forma desafogaria os cofres públicos e que terá que ser colocado em pauta é o empréstimo que o governo do estado fez ao BNDES para pagamento do estádio Arena das Dunas, que só sediou quatro jogos da Copa/2014. (99% da obra financiada pelo BNDES) – Total da obra: R$ 400 milhões – BNDES: 396,5 milhões, valores estes com indícios de superfaturamento.

Segundo o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a PF houve superfaturamento de R$ 77 milhões na arena em Natal, valor que deixava até mesmo a previsão inicial da obra, de R$ 350 milhões, acima de uma quantia real.
De acordo com o TCE (Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte), se os pagamentos referentes ao estádio continuarem sendo feitos (de juros, por exemplo), os danos aos cofres públicos em 15 anos chegarão a R$ 457 milhões.

Da mesma forma deve entrar na pauta já neste primeiro momento a sobra de caixa dos poderes, no caso Judiciário e Legislativo, e agora mais agravado ainda com o reajuste nos salários dos ministros do Supremo com efeito cascata sobre os tribunais de justiça dos estados. A governadora Fátima Bezerra disse em campanha que vai chamar os poderes para conversar. Sem redundância, mas é preciso a união de todos para tirar o estado da inércia em que se encontra, do contrário todos serão prejudicados.

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Sem açodamento Fátima começa a desenhar o seu governo

Carlos Alberto,

Com a necessidade que o tempo exige, mas ao mesmo tempo sem açodamento, a governadora eleita do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), começa a desenhar o que será o seu governo.
Três dias após ter sido eleita a única governadora nas eleições deste ano no Brasil, Fátima Bezerra já estava em Brasília tratando com os executivos do Banco Mundial da renovação da parceria visando dar continuidade ao Projeto Integrado de Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte, o programa “Governo Cidadão”, que prevê recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão para uma série de investimentos e benfeitorias nas áreas de segurança, saúde educação, gestão do estado, inclusão social, turismo e cultura.

Tendo como maior aliado o povo do Rio Grande do Norte, que depositou nas urnas mais de 1 milhão de votos a seu favor, Fátima tem o que chamo de a "bala de prata" e não pode errar como fizeram os seus antecessores. Em seus discursos Fátima tem ressaltado que fará um governo técnico e que não vai admitir qualquer tipo de ingerência política em seu governo.

Fátima sabe das dificuldades que o estado enfrenta e também do difícil relacionamento com um governo de extrema-direita, caso de Jair Bolsonaro, no plano federal. Contudo, vivemos num regime republicano e, portanto, as dificuldades de relacionamento político poderão haver, mas no que toca a parte administrativa, nem pensar, até porque qualquer tipo de retaliação neste campo seria utopia se pensar, levando-se em consideração que o Nordete é esquerda como apresentou o mapa eleitoral após 28 de outubro. Ou seja, Bolsonaro vai precisar também do Nordeste para governar. Daí terá que dar contrapartida aos governadores.

Repito o que já dissera antes em artigo aqui no blogdobarbosa: a eleição da senadora Fátima Bezerra (PT) para governadora do Rio Grande do Norte quebrou paradigmas. Primeiro, por ser ela de origem popular, segundo por ser de um partido de esquerda e, terceiro por ter desbancado as oligarquias no Rio Grande do Norte no poder há mais de 50 anos. No entanto, uma coisa tem que ficar clara: os apoios de última hora à sua candidatura não podem e não devem ser contabilizados como alianças. Alianças Fátima Bezerra só tem com o PCdoB, PHS e, sobretudo, com o povo.

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1-20 de 1883