Preocupante, muito preocupante mesmo o que disse a ministra Carmém Lúcia

Carlos Alberto,

Pode parecer boquirroto, mas as palavras da ministra Carmém Lúcia, presidenta do STF (Supremo Tribunal Federal), num evento público em São Paulo no último sábado (7), foram preocupantes. Cármen Lúcia afirmou que o brasileiro não dormiria, se conhecesse tudo o que ela sabe. A declaração foi dada pela ministra ao comentar asituação dos presídios brasileiros, segundo ela, totalmente dominados por organizações criminosas.

— Hoje temos as questões gravíssimas de organizações criminosas dominando em todos os estados do Brasil. Por isso eu digo que não é cômodo nem confortável nenhuma poltrona na qual eu me assente, por uma singela circunstância: eu sou uma das pessoas que mais tenho informações e não tenho a menor capacidade de ter sono tranquilo — disse a ministra, durante participação no Festival Piauí Globonews de Jornalismo, realizado na capital paulista.

— Se o brasileiro soubesse tudo o que sei, tendo visitado 15 penitenciárias masculinas e femininas, seria muito dífícil dormir — completou.

Cármen Lúcia ainda rebateu os críticos e os desafiou a assumir o seu lugar e fazer o que faz. Para ilustrar o momento atual do Brasil, a ministra citou um trecho do poema “Nosso Tempo”, do mineiro Carlos Drummond de Andrade: “Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos/ As leis não bastam/ Os lírios não nascem da lei/ Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.”

— Vivemos tempos de muito tumulto. Para mim, infelizmente, eu estou na presidência do Supremo e o Brasil quer uma solução para um mundo de tumulto — disse Cármen, negando que se tratasse de um “reclamação.”

O que fazer, eu pergunto caro leitor, quando uma presidenta da maior corte de justiça do país diz saber de coisas cabeludas nas penitenciárias brasileiras e essa mesma corte não toma, digamos, nenhuma providência para tranquilizar à sociedade?

Costumo dizer que o problema da violência no Brasil não está somente na falta de oportunidades para pessoas de baixa renda que acabam se entregando ao tráfico de drogas. Está também na qualificação dos profissionais policiais, nas melhores condições de trabalho destes mesmos policiais, na compra de armamentos mais sofisticados que possam equipar as tropas na guerra contra o tráfico e, sobretudo, na morosidade da justiça que deixa os processos se amontoarem nas mesas dos juizes, enquantam barganham auxílio moradia com verbas absurdas e que muitas vezes sequer moram na Comarca.

A título de exemplo vou citar casos que ocorrem na justiça Brasil afora. Numa briga de casal o marido mata a esposa numa discussão mais acirrada. Vai preso, mas o seu julgamento demora. Acaba indo para um CDP (Centro de Detenção Provisória). O tempo passa e o sujeito não é julgado como deveria. Então no CDP ele ou acaba virando marica ou um marginal de verdade para não morrer. E acaba fugindo e virando um traficante, ou seja, vai para marginalidade. E de quem é a culpa aí? Da justiça, óbviamente, que não julgou um sujeito que matou a esposa num momento de raiva mas que não tinha nenhuma passagem pela polícia anteriormente.

Ou seja, o problema da criminalidade no Brasil não está só na construção de novas penitenciárias tipo das federais, mas é muito mais complexo do que se pensa. Talvez e certamente por isso a ministra Carmém Lúcia tenha dito que não consegue dormir.

A conferir!

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