Vaza Jato: caso Watergate é fichinha

Carlos Alberto,

O caso Watergate que derrubou o presidente Nixon nos EUA em 1974, é fichinha frente aos diálogos da Vaza Jato revelados pelo The Intercept Brasil.

Só pra relembrar aos leitores mais antigos e relatar aos mais jovens o que foi o Caso Watergate:

Watergate foi um escândalo político que manchou para sempre a história política dos Estados Unidos e a reputação do então presidente Richard Nixon.

Isso resultou na acusação e eventual convicção de vários dos conselheiros mais próximos do presidente e induziu a demissão de Nixon no cargo em 9 de agosto de 1974.

O escândalo começou realmente ao longo de dois anos anteriores à renúncia de Nixon. Em junho de 1972, cinco homens foram presos por tentar entrar na sede do Comitê Nacional Democrata, localizado no complexo de escritórios Watergate, em Washington.

Virgilio Gonzalez, Bernard Baker, James W. McCord Jr., Eugenio Martinez e Frank Sturgis foram acusados de tentativa de roubo e a tentativa de intercepção de telefone e outras comunicações.

Após extensas investigações do Bureau Federal de Investigações (FBI), do Comitê Judiciário da Câmara, do Comitê Watergate do Senado e da imprensa nacional, tornou-se evidente que a invasão provavelmente era apenas a ponta do iceberg de questionável ou ilegal atividades realizadas pelos funcionários da administração Nixon.

Quarenta e sete anos se passaram, quase meio século, e temos no Brasil um escândalo, certamente, muito maior do que o ocorrido nos EUA, porque envolve um ex-juiz federal, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, procuradores do Ministério Público Federal, e porque não dizer, até o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Faltava o baton na cueca não falta mais. A Lava Jato, após as revelações do site Intercept Brasil dos diálogos proporcionados pelo então juiz federal Sérgio Moro e procuradores federais que trabalham nas investigações, se maculou de vez.

A Lava Jato, ou seria melhor chamar de Vaza Jato usou indevidamente o aparato jurídico para atender interesses políticos. O Código de Ética do Ministério Público, o estatuto da magistratura e a Constituição foram todos burlados.

De acordo com os diálogos, não desmentidos, é bom ressaltar, durante o processo que levou um ex-presidente para a cadeia, no caso Lula, o juiz orientou, recomendou alterações de estratégias, antecipou uma decisão e até indicou uma testemunha para acusação.

O que mais falta para esse ex-juiz, hoje ministro da Justiça renunciar ao cargo? O que mais falta para o atual presidente da República, beneficiado diretamente pelas ações anti-republicanas renunciar ao cargo?

A conferir!

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