A coluna hoje abre espaço para a escritora Nazarethe Fonseca. Ela esteve em São Paulo participando do 2º Simpósio de Literatura Fantástica - Fantasticon 2008, que rolou nos últimos dias 5 e 6.
Na oportunidade, Nazarethe, que é maranhense mas adotou Natal como morada há algum tempo, lançou seu segundo livro e participou de uma das mesas-redondas do evento. A pedido da coluna, ela mandou um pequeno artigo com as impressões dela sobre a viagem.
Confiram:
Encontrei São Paulo mergulhada num sol fraco e vento frio. Carro sem ar-condicionado para mim é novidade, vinda da Terra do Sol - desci em uma cidade perfeita para Vampiros e seres afins. Gianpaolo Celli me esperava com carinha de sono, o tirei cedo da cama!
Pela janela só a cidade e o trânsito belo e caótico. Inundada de sons e novos aromas, deixei as horas correrem rápidas.
Fui direto para a casa do amigo, roteirista e escritor Eric Novello (Innatu - Histórias da Noite Carioca). Mais ambientada, fui lançar meu novo livro – Kara e Kmam - Uma Saga de Alma e Sangue. Lá encontrei a jovem e talentosa Cristina Lasaitis, que também lançava Fábulas do Tempo e da Eternidade.
O Bardo Batata é um local acolhedor e cultural. Gente bonita, fotos e literatura. Os fãs foram chegando e assumindo o controle, eu de um lado e a Cristina do outro íamos revezando entre autógrafos e fotos.
Muitos comentam que foi o ponto de partida para o Fantasticon. Mas ainda é cedo, me deixa dizer quem estava por lá.
De cara, Gerson Lodi Ribeiro, escritor de ficção científica e história alternativa. Autor, dentre outras obras, de "Outros Brasis" (Unicórnio Azul) e "O Vampiro de Nova Holanda" (Caminho). Desde 2004, atua como consultor da Hoplon Infotainment. Ele gentilmente fez a introdução do meu livro Kara e Kmam.
Simpático e completamente tranqüilo ele passou a experiência de quem já viu muitas noites de autógrafos. A sala ficou cheia e, à nossa volta, Richard Diegues (editor da Tarja), Alexandre Heredia, Fabio Fernandes, Marcelo Tonidandel, Douglas MCT, Fernando Trevisan, Mila Fernandes, Gian Celli, Martha Argel, André Vianco. E, se me esqueci de mencionar alguém, perdoem a negligência desta humilde escritora que banca a colunista de cultura.
Foi uma noite para lembrar por muitas outras. No sábado o Fantasticon começou com gás total. Palestras, mesas redondas. Estava todo mundo lá e fazendo o melhor. Na parte superior, livros, fantasia, ficção científica e, lá em baixo, aos nossos pés, bruxas, vampiros, monges lutadores, soldados romanos, elfos, ninjas, piratas, príncipes, princesas.
Os corredores do Colégio Marista Arquidiocesano estavam cheio e, entre autógrafos, fotos e conversas animadas, a noite caiu ligeira. Logo, Gerson sugeriu uma esticada básica para comer e beber num local próximo e que comportasse nossas mentes e corpos todos próximos, pois queríamos mesmo era trocar idéias. É, comemos além de escrever.
Uma mesa comportou figuras como Ana Cristina, presidente do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e editora da Somnium; Jacques Barcia, editor da Kalíopes; Gianpaolo Celli, editor da Tarja; Douglas Quinta Reis, diretor editorial da Devir. Eles já haviam arrebentado horas antes falando sobre a importância da internet para a divulgação de livros e periódicos de ficção científica e literatura fantástica.
Próximo ao Gerson duas de suas colaboradoras, Maria Emilia e Jaqueline Tartari. Eric Novello (brevemente lançando Necrópoles - Histórias de Bruxaria) ao meu lado, seguindo o Jorge, um amante dos livros, um observador.
E Jacques Barcia, Fernando Trevisan, Roctavio de Castro, Flavio Medeiros, Cristina Lasaitis, Otavio Aragão, que sorteou um de seus livros. Uma experiência cultural única e de fazer inveja a qualquer pobre mortal, afinal naquela mesa se reuniu o que há de melhor na literatura, seja fantástica ou científica.
Horas depois parti, afinal domingo tinha de participar da mesa Redonda “Os Desafios de Escrever Literatura Fantástica no Brasil". Chegue atrasada, para variar, mas fui imediatamente introduzida no assunto por Nelson de Oliveira, escritor, que organizou a antologia "Futuro Presente", a sair pela Record, em 2009.
Na mesa, comigo, Cristina Lasaitis (Fábulas...), Cláudio Villa (escritor de Pelo Sangue e Pela Fé) e J. Modesto (Trevas).
Como disse e reafirmo, temos de ser féis as nossas convicções, personagens e a literatura. Manter personagens, a linha, lembrando sempre de nos mantermos atualizados com o mercado.
Dificuldades sempre haverá, editoras seletivas com linhas editorias restritas e discriminativas, com editores focados em outros mercados e antenados com ondas de consumo globalizados, que esquecem qualidade e repetem formulas para manter vendas.
Incentivar os jovens a ler é um dos desafios, assim como a compra de livros para as bibliotecas, o que divulgaria o escritor nacional. Os escritores de literatura fantástica existem em todos os estados, mas são poucos os que conseguem publicar, o que centraliza a produção e joga muitos no esquecimento, não na ausência de texto.
O papo estava esquentando e pegou fogo quando Jacques Barcia atiçou com uma pegada ótima: como inserir o Brasil na literatura fantástica brasileira. Fácil, o Brasil tem uma ligação natural com a fantasia. Culturalmente somos ricos em lendas, o folclore é um bom exemplo disso. A exemplo disso, Alma e Sangue, O despertar do Vampiro traz o vampiro ao Brasil nos dias atuais e inserido dentro do universo cultural de São Luis (MA). J. Modesto também o fez em seu livro “Anhangá", prestes a ser lançado.
Antonio Luiz trouxe questões interessantes, a participação de Clinton Davisson não passou desapercebida. As perguntas fizeram rir e pensar. Encerramos com a certeza do dever cumprido.
Antes de sair encontrei Helena Gomes e Raphael Draccon (que estão comigo na coletânea de contos Anno Dominis, a ser lançada no dia 19/7 pela Casa das Rosas) e Nelson Magrine (Relâmpagos de Sangue) também presente.
Cara foi demais.
Um portal mágico se abriu e nós passamos todos para outra realidade. Senti-me em casa, em meu mundo, o da fantasia.
Os meus mais sinceros agradecimentos à organização do evento, especialmente para Silvio Alexandre que fez do Fantasticon 2008 um grande sucesso. O evento foi, tenho certeza, um passo importante da ficção no Brasil.
Aguardemos o próximo Fantasticon.
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