Muito trabalho, uma inflamação na coluna vertebral e outros contratempos. Então vamos ao resumão da semana:
FestNatal
O incansável Valério de Andrade promoveu mais um mostra Vidas na Tela, dentro das programações do Festival de Cinema e Vídeo de Natal. Já disse mais de uma vez e volto a repetir que o Vidas é a mostra cinematográfica mais significativa promovida na cidade. É uma chance de nos depararmos, de uma maneira que só o cinema é capaz, com o nosso país, com nossa História. Falarei a seguir sobre os filmes que mais me impressionaram.
Estamira
É um rolé pela loucura humana e mostra, de maneira velada, como a sociedade tem dificuldade em lidar com isso. Concordo com a amiga Ana Guimarães: o filme é um pouco longo, mas tem belos devaneios imagéticos.
Celso
Filmes como O Longo Amanhecer deviam passar toda semana em alguma escola ou universidade. Interessante como um tema um tanto árido para se tratar num filme, a obra do economista Celso Furtado e a atuação política dele a partir da década de 50, rende uma obra tão palatável. Um bom documentário de idéias. A grande falha, a meu ver, é que se defende muito a corrente de pensamento econômico criada por Furtado, mas não se abre espaço para a crítica pertinente a ele. Tudo bem que cinema não é jornalismo e ninguém tem a obrigação de abrir espaço ao tal contraditório, mas acho que seria mais enriquecedor.
Cartola
O Buraco da Catita esteve em peso no Moviecom para assistir ao documentário sobre o mestre do samba. Tinha gente sentada até no chão na última sessão. O melhor filme disparado do Vidas na Tela. Procure o DVD, baixe o torrent, compre no camelô, mas não deixe de assisti-lo.
Mala do ENE
O Encontro Natalense de Escritores encerrou-se neste sábado e, como é de praxe, toda edição aparece uma mala sem alça entre os convidados. A deste ano foi, disparado, Arnaldo Antunes, que é um ótimo músico e um poeta muito do mais ou menos. Não deu entrevista pra seu ninguém, o produtor conseguia ser mais arrogante que ele e andou pra cima e pra baixo rodeado de seguranças. Em resumo: um chato.
Literatura
Participei do ENE mediando uma mesa sobre jornalismo e literatura, com três figuraças que viraram amigos instantâneos: Moacir Amâncio, João Gabriel Lima e Homero Fonseca. Um convite que muito me lisonjeou e mostrou uma atitude bacana da Capitania - quem conhece o histórico de entreveros deste colunista com a instituição e as críticas feitas ao evento no ano passado vai entender do que estou falando.
Bravo!
João Gabriel é editor da revista Bravo! e, quando vi o nome dele na lista, pensei com meus botões: lá vem mais um boçal e chato da inteligentsia paulista. Qual nada. João se mostrou uma figura agradabilíssima, que derrubou várias long necks no Buraco da Catita na sexta-feira, junto com Ailton Medeiros e Chico Mattoso, este também um cara pra lá de bacana.
Kriterion
O sábado em Jairo Lima foi de arromba, com a presença de uma galera fina para bater papo em torno do escritor Homero Fonseca. Foi, com o perdão do trocadilho, um porre homérico. Só dói quando respiro.
Sebos
O imortal Antônio Carlos Secchin fez um périplo pelos sebos da cidade na sexta-feira e esteve no Vermelho, conversando com Abimael Silva. Segundo Abimael, esta foi a quarta ou quinta vez que o pesquisador, fissurado em livros antigos, esteve pelo estabelecimento à procura de algumas edições.
Vinicius
Taí, o melhor de todo o ENE foi a aula-show de Arthur Nestrovski, Zé Miguel Wisnik e Paula Morelenbaum. Vinicius de Moraes nunca esteve tão vivo.
Oswaldo
Carlos Newton Junior deu um show de erudição ao falar da obra de Oswaldo Lamartine de Faria – como bem frisou Woden Madruga, deveria ter uma mesa cativa para se discutir a obra de Oswaldo em todo ENE. E também nas escolas, universidades, conselhos comunitários, bancos de praça... Só fica uma pergunta no ar: o que diabos Antônio Naud Jr. estava fazendo ali? Temos muita gente mais gabaritada por aqui mesmo para tratar do tema proposto. O cara ficou totalmente deslocado.
Cadê?
O ENE esteve num nível de discussão mais bacana que a do ano passado, porém no geral faltou gente prestigiando boa parte das mesas. Uma explicação talvez sejam as trapalhadas que envolveram a divulgação do evento, com trocas súbitas e repentinas de convidados. Agora, volto a bater na tecla: é preciso envolver as escolas com o evento. É a melhor maneira de garantir casa cheia.
Quem?
Deixo vocês com o videoclipe Who’s Gonna Save My Soul?, da banda Gnarls Barkley. Até amanhã.