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Sobre Ciência, Arte e algumas palavras de Suassuna

Fotos: Karl Leite
Suassuna disparou sua metralhadora ideológica contra o darwinismo
Na noite de quinta-feira, fui dar uma espiada na palestra de Ariano Suassuna no Teatro Alberto Maranhão. Tava com tempo disponível e além do mais seria abertura do seminário Ciência do Povo, promovido pela Fapern. Na programação, o tema era ‘cultura popular no Nordeste’. Fiquei com orelha em riba porque perigava de o homem soltar algumas pérolas que valeriam o passeio pela Ribeira.

Era óbvio que Suassuna ia mandar toda a pompa e circunstância para o escambau e fazer sua velha peroração sobre os malefícios da cultura de massa. E repetir as mesmas piadas de sempre (por mais engraçado que sejam, tenho limitado minhas experiências com o humor ao cinema). E colocar a platéia na mão, fazendo os senhores e senhorinhas se esbaforirem de tanto riso com suas gaiatices. E foi o que aconteceu.

Mas, lá pelas tantas, ele também alumiou um e outro pensamento sobre ciência e arte. Ou Ciência e Arte, como soem grafar os armoriais. Para mim, foi o que valeu a viagem.

A religiosidade católica de Ariano Suassuna – e a visão de mundo subordinada à fé – o colocam como um crítico da ciência. Ariano joga com os conceitos para inverter seus valores. “O verdadeiro espírito científico deve começar pela dúvida”, é o que preconiza. Para ele, o “espírito dogmático da ciência é sempre um desastre”.

Para justificar seu pensamento, Ariano ataca o darwinismo. “Já observaram a quantidade de fé necessária para acreditar naquilo?”, questionou o escritor. Bom, de minha parte, nada contra o darwinismo.

Mas entendo a cisma.

Dentro do sistema de pensamento sertanejo-católico dele, há algo de inescrutável na vida e na raça humana que nos leva necessariamente a Deus. O mistério que envolve a divindade é mais encantador do que a aridez racional do espírito científico.

É uma visão de um fogo sagrado e criador, como o sol sertanejo ou, como ele chamou, a “centelha divina na inteligência humana”, a mesma chama também responsável pela existência da vida e o mesmo ‘brilho’ interior que ele identifica na obra de arte em sua Estética.

Ainda que seja o homem o grande artífice, é animado pela divindade que ele chega à criação. Daí afirmar: “A Ciência verdadeira nasce da mesma forma que a Arte: da imaginação criadora dos grandes homens”.

Apesar de divino, esse impulso é ainda natural, já que a busca pela beleza e pela ciência nada mais é que a busca pelo divino. “A necessidade de beleza existe em todo ser humano. É um instinto, como a fome, como o sexo. Investigar o sentido do mundo é da natureza humana.”

Você pode até discordar, mas há uma beleza nisso tudo.

 
Escritor entrou pra lista dos papangus potiguiares







Papangu

Aproveitando a presença de Ariano Suassuna em Natal, Ana Paula Cadengue e Túlio Ratto entrevistaram o intelectual para a revista da Fapern. E aproveitaram a oportunidade para apresentá-lo à revista Papangu. Pense num papo invocado que deve ter rolado.

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Comentários enviados

http://almadobeco.blogspot.com/

:))
Gabi (postado no dia 27 de novembro de 2008, às 09h24min)
http://www.festnatal.com/

:)
Gabi (postado no dia 25 de novembro de 2008, às 09h40min)

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