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A voz que cobra e mão que não paga

Divulgação
Vamos agir corretamente.
A caminhada de hoje foi daquelas maravilhosas. Estou bem, com a saúde em dia, vibrei positivamente e observei na bela praia de Ponta Negra, a vida representada por todas as suas tribos. Em qualquer lugar, nas feiras, hospitais, colégios, eventos, podemos perceber todos os signos, personagens, psicologias e comportamentos que existem em atividade em nossa aldeia global. Está tudo ai, para quem quiser ver.

Nessas caminhadas, longas, costumamos pensar em vários assuntos. Nossa mente, feito macaco louco, pula de pensamento em pensamento, num turbilhão de análises, julgamentos, reflexões, que nos conduzem a decisões, a alegrias e tristezas e, influem nos escritos dos escritores e articulistas, como eu por exemplo.

Como já escrevi muito sobre diversos assuntos, escolhi um dos pensamentos para hoje. Abri os jornais antes da caminhada e li que um determinado deputado de meu Estado, denunciava corrupção no governo, falava de irregularidades num determinado programa do mesmo, cobrando honestidade e princípio moral a nossa governante.

Ai minha mente logo pensou se a tal figura parlamentar teria moral para tal cobrança. Explico melhor: para prover meu cotidiano material, me sustento com uma assessoria de imprensa, que entre os seus préstimos, oferece clipagem de jornais e internet para empresas, órgãos públicos, pessoas físicas e parlamentares.

O tal deputado é um dos meus clientes e tem uma dívida comigo que ultrapassa um ano de serviços prestados mensalmente. Vez por outra ele resolve pagar um mês, ai passa dois, três sem pagar. Tenho apelado para nosso time de futebol nas cobranças, para nossa simpatia pela doutrina espírita, já falei com seu filho, assessores, já entreguei carta poética, mas nada sensibiliza o deputado, tão aguerrido nas cobranças ao governo, mas tão frágil no pagamento de suas obrigações pessoais.

A voz que cobra dos outros não encontra similaridade na mão para honrar seus compromissos financeiros. Ai comecei a pensar em mim mesmo. Não posso exigir do nobre deputado uma postura tão santa, pois cobro do meu filho não tomar tanto refrigerante e, vez por outra consumo uma fanta uva. Já escrevi artigo baixando o pau no açúcar e, tempos depois, voltei a consumir moderadamente esse nocivo produto que tanta desgraça tem feito a humanidade.

Somos assim, cobramos dos outros e não olhamos nosso próprio umbigo. Somos incoerentes. E nesse barco estamos quase todos, mas tem uns que são mestres em cobrar e, neófitos em cumprir eles próprios os deveres e afazeres da vida correta.

Nossa mente é assim, nos mergulha num mar de pensamentos e reflexões, nos lembra determinados assuntos e, afoitos, vamos logo encontrando erros nos outros, mas quando chega a hora do meu culpa, ela logo pula de galho, evitando assim que possamos avaliar nosso próprio comportamento.

Concluo aqui fazendo votos para que estimule o contraponto. Não deixe que sua mente só lhe conduza para a condenação alheia. Veja o que você mesmo tem feito. Observe seu próprio comportamento. Evite falar muito e pensar demais também.

Todos os grandes mestres espirituais lembram que devemos falar pouco, pensar pouco e vigiar muito. Faço votos para que o nobre deputado continue vigilante com o governo, cobre honestidade, mas faço votos para que ele também aja de acordo com o que quer no quintal do vizinho.

Eu, de minha parte, estou sempre atento a minha mente e a minha postura, procurando ver sempre o outro lado e, buscando inspiração nos grandes mestres, corrigindo comportamentos e ações, para que possa fluir na vida de maneira cada vez mais correta, evitando estresse, o mal e a injustiça com meus companheiros de jornada.

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