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Inútil, totalmente inútil

Um amigo meu que tem um ódio monumental a tudo que cheire aos Estados Unidos estava me dizendo outro dia, que com essa crise americana agora, não tem mais jeito, eles não só perderam a hegemonia econômica, como o capitalismo está vivendo seu último estertor. Menas verdade, como diria o nosso “sábio” Lula. 

Óbvio que é inútil argumentar o contrário contra quem pensa dessa forma. Inútil, rigorosamente inútil. Fiquei tentado a lembrar-lhe que também diziam que os americanos tinham perdido a hegemonia em 1929, com o crack da bolsa de Nova York. Os americanos entraram na guerra em 1941, e quando terminou a guerra tinham 50% do PIB mundial. Mas é inútil. É inútil. 

Agora vejam, dos 850 bilhões de dólares dados pelo governo americano para conter a crise, esse valor representa apenas, 8% do PIB dos EUA. Adianta? Mas posso citar outro exemplo, para mostrar que não há perda de hegemonia. Quando terminou a guerra do Vietnam, por exemplo, disseram que os americanos, por perder politicamente, tinham perdido a hegemonia do mundo capitalista e consequentemente da economia. Hoje, o Vietnam é um dos maiores clientes dos states, ou melhor, o maior cliente do Vietnam são os americanos, e o Vietnam vai muito bem das pernas. Mas é inútil. É inútil. 

Para quem não lembra, mas eu lembro, quando os americanos foram derrotados no Irã (o que só prova que para os americanos não importa derrotas politicas, política é coisa de país subdesenvolvido) durante o governo Carter, disseram a mesma coisa. Nada disso ocorreu. Mas é inútil. É inútil. 

O que move os Estados Unidos, é a riqueza material e financeira. Sempre foi assim, desde a guerra pela Independência contra os ingleses, quando os americanos se rebelaram contra os altos impostos do país colonizador. Só para você leitor ter uma idéia, o deposito bancário nos EUA atual é algo da ordem de 5 trilhões, que é quase quatro vezes o PIB brasileiro. Isso é muito menos, guardando as devidas proporções, que o Proer deu ao Banco do Brasil (humm), o nosso admirável Banco estatal, para ele não quebrar. 

Também é possível ler que com a crise, os americanos perderam a hegemonia e consequentemente (é inevitável essa consequência) perderam o valor do dólar. Bom, o incrível é que diante de toda a crise o dólar está se valorizando. Mas é inútil. É inútil. 

Agora imagine a seguinte cena: um sujeito (que pode ser você leitor) vai aplicar 100 reais em um Banco qualquer no Brasil. Desses 100 reais, 45 reais vão direto para o Banco Central, que não pode fazer nada com esse dinheiro. Mas ai, acompanhe-me, uma indústria qualquer quer ampliar, modernizar, ou mesmo expandir seus negócios, e para isso tem que pedir dinheiro emprestado aos Bancos. Como quarenta e cinco por cento do dinheiro dos empréstimos privados fica retido no Banco Central do Brasil, claro que irá faltar recursos para tomar emprestado, e se tomar, como a quantidade disponível é limitada os juros também sobem a estratosfera. Essa é nossa mentalidade “capitalista”. Você sabe quanto das aplicações em Bancos nos EUA são retidos? Eu digo: até 10 milhões de dólares em aplicação, há isenção. De 10 milhões até 44 milhões são retidos 3% e mais de 44 milhões são retidos 10%. É isso o que explica a riqueza daquele país. Não é o Estado que financia o desenvolvimento, mas a iniciativa privada. Adianta explicar isso? Não. É inútil. Totalmente inútil! 

Pois bem, se voltarmos para as nossas indústrias brasileiras que precisam de empréstimos e não tem como conseguir, o que elas fazem? Vão pedir empréstimo fora, ao mercado estrangeiro porque tem mais dinheiro e barato. E para onde eles vão? Exatamente para os Bancos americanos. 

Você pode não lembrar, ou mesmo não saber, mas a compra da Vale do Rio Doce por 3 bilhões de dólares, só foi conseguida através de empréstimos que o Benjamin Steinbruch fez junto ao Banco americano de investimentos Goldman Sachs. Hoje é a 2ª maior mineradora do mundo. Agora com a crise americana, que segundo meu amigo está levando os states perderem a hegemonia, as linhas de credito de lá, foram fechadas. Mas o “sábio” do Lula ainda insiste em dizer que a crise não chegou ao Brasil. Talvez Lula, assim como meu amigo, ache que os americanos vão perder a hegemonia econômica. A esperança desse amigo comunista, e também de Lula, certamente, é que o peso cubano venha a substituir o dólar. Mas penso eu que o peso cubano “pesou” tanto no mundo, que terminou destruindo a economia soviética com as “mesadas” que os comunistas soviéticos tinham que doar a Fidel e “sua” Ilha. 

A crise chegou ao Brasil, claro, mas a hegemonia econômica dos Estados Unidos não vai ser abalada. Aliás, o Império Romano caiu na antiguidade, porque era um império estatal. Os Estados Unidos é um império capitalista e não vão perder a hegemonia econômica. Adianta explicar isso? Não. É inútil. Totalmente inútil.



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Comentários enviados

Professor Laurence, fui seu aluno de Publicidade na UnP. Volta e meia conversámos sobre o quadro político e suas participações no "Questão Política". Lembra de mim?! Pois bem, esse seu texto, "pra variar" está sensacional. É excelente para uma reflexão que temos que fazer sobre o atual cenário economico. Além do que, a maneira como vc escreveu foi fantástica. Mas adianta alguns privilegiados intelectuais terem essa visão e o nosso, infelizmente, presidente não ter?! Não. É inútil. Totalmente inútil.
Rafael Machado (postado no dia 20 de outubro de 2008, às 12h00min)
Laurence, excelente texto para reflexão. Mas, esse seu amigo, em parte tem razão, os norte-americanos, até que podem, mas, a mania de grandeza é demais...até dos Quadrinhos querem ser os criadores, o que não são. Nada contra eles, mas, esperamos uma saída dessa crise, sem maiores consequencências para nós. Como a globalização é um fato!, isso parece inevitável!
Iran Costa (postado no dia 11 de outubro de 2008, às 08h18min)

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