Já não é todo mundo que gosta de música instrumental, que dirá quando ela é experimental. O primeiro dia do Festival DoSol – Música Contemporânea, quarta-feira (12), foi marcado pelo estranhamento do público.
Por volta das 19h30, a banda Debate começou sua apresentação na Casa da Ribeira com um instrumento novo, o tenori-on, aparelho sintetizador nada convencional. Segundo o músico Eduardo Ramos, “para improvisar é a coisa mais fantástica do mundo”.
Aos poucos, novos sons surgiam no palco. Foram mínimos os momentos em que se pôde identificar frases musicais bem definidas. Um pequeno teclado, bateria, baquetas variadas, computador, pedais e muitos fios começaram a ter sentido como em uma sinfonia que espera cada instrumento se posicionar na música.
O corpo do percussionista Sérgio Ugeba, mais inquieto que seu parceiro, também fazia música. Pulando, dançando e usando a madeira do piso como tambores, Sérgio causou espanto no público.
“Não vi o começo da primeira banda, mas quando cheguei vi o cara batendo no chão com as baquetas. Achei tosco”, disse a fotógrafa Débora Ramos, que apesar disso gostou do evento. “Acho válida a iniciativa de trazer algo diferente para Natal”.
Durante o show, o duo parece manter uma comunicação abstrata. Mal se olham e trocam poucas palavras. O “debate” é entre os sons. Um pára e o outro chama. Tudo é improvisado. Eles não ensaiam, não passam o som e nem combinam o equipamento que vão utilizar por vez.
Dez minutos depois que a confusão sonora parou, o produtor Anderson Foca anuncia “o melhor metal” que já ouviu. E com microfones voltados para as caixas de som, a banda Elma recebeu críticas mais positivas.
"O Elma é o encontro do peso Slayer com o descompromisso do Fugazi. É uma das bandas cabeças dessa cena de bandas de rock instrumental contemporâneo aqui no Brasil", disse o guitarrista da banda Deadfunnydays, Bugs e editor do fanzine Lado[r], Dimetrius Ferreira.
Com um metal instrumental pesado, os quatro músicos prenderam a atenção de todos no som distorcido das guitarras de Ricardo e Paulo em um experimentalismo mais discreto que o do Debate.