Narrativas curtas e criminalide contemporânea são temas no segundo dia da Flip 2008
Escritor e jornalista Guilherme Fiuza substitui Caco Barcellos em mesa de debates.
As mesas de debate no segundo dia de programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) seguem por caminhos variados. Além de literatura, a criminalidade e as relações familiares são alguns dos temas abordados nas mesas de debate desta sexta-feira (4).
Abrindo o segundo dia, a mesa “Formas Breves” reuniu os escritores brasileiros Modesto Carone e Rodrigo Naves e o alemão Ingo Schulze, em torno de debate sobre a técnica de concisão das narrativas curtas.
Além de discorrer sobre os processos utilizados na construção de um bom conto, Carone e Schulze falaram um pouco sobre a influência da política em seus escritos: enquanto o brasileiro escrevia sob os anos de chumbo do regime militar, o alemão citou o impacto que a queda do Muro de Berlim, em 1989, teve em seus escritos e na sociedade em que viveu.
“Só depois da queda do muro de Berlim [novembro de 1989] é que tive consciência da história da Alemanha como um todo”, ressaltou Schulze.
Um dos debates mais concorridos da programação vespertina sofreu uma alteração de última hora. O jornalista e escritor Caco Barcellos, que participaria junto ao jornalista inglês Misha Glenny da mesa “Os Fuzis” cancelou sua vinda de última hora.
Para seu lugar, foi escalado às pressas o escritor Guilherme Fiuza, autor do best-seller Meu Nome Não é Johnny, que deu origem ao filme de mesmo nome. Um pouco deslocado no tema da mesa (a criminalidade contemporânea, tema central dos livros Abusado, de Barcellos e McMáfia, de Glenny), Fiuza limitou-se a partilhar sua experiência ao escrever o livro sobre o traficante João Estrella.
Em seu livro, Glenny rastreia uma rede mundial de corrupção que reúne, entre outros, os narcotraficantes no Brasil, a escravidão sexual em Israel e o alto escalão de políticos nos Estados Unidos.
Ao falar de sua experiência no Brasil, o inglês se disse impressionado com a dimensão que os chamados crimes cibernéticos, que utilizam ferramentas da internet como Orkut e MSN, atingiram no país.
O encerramento da programação do segundo dia da Flip 2008 fica por conta do americano David Sedaris, eleito humorista do ano pela Time Magazine e que acaba de lançar o livro Eu Falar Bonito Um Dia no Brasil.
A programação também reuniu João Gilberto Noll e Lucrecia Martel, na mesa “Ficções”, e o argentino Martín Kohan, o americano Nathan Englander e o gaúcho Vitor Ramil na mesa “Estética do Frio”.
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