Cultura Enviada em 29/11/2008 às 18h35min
Nordeste é tema de conversa com Cony
Escritor, apaixonado pelo Nordeste, elogia autores que fizeram do Nordeste o cenário de suas narrativas.
O Nordeste foi tema para os quatro debates da sexta-feira (28) do 3º Encontro Natalense de Escritores, realizado de 27 a 29 de novembro na praça Augusto Severo, Ribeira. O Nordeste na literatura brasileira foi a temática da entrevista de Carlos Heitor Cony feita por Tarcísio Gurgel.
O escritor Cony, apesar de ser carioca, tem grande admiração pela cultura nordestina. Ele defende que o Nordeste foi mais importante que São Paulo para o Modernismo no país.
“O Brasil novo não começou em São Paulo. Do ponto de vista espiritual, do ponto de vista que interessa, que forma uma nação, surgiu no Nordeste; tenho certeza”.
Segundo o autor, na geração de 22 existia “uma grande mediocridade” principalmente por ter emergido dos círculos de grandes magnatas da sociedade. “Já existiam outros modernistas antes do movimento [Modernista]”, afirmou.
Cony confessa que nem sempre teve interesse pelos livros nacionais. “Quando comecei a escrever eu conhecia muito pouco da literatura brasileira. Nunca tinha lido Machado de Assis, Lima Barreto ou Castro Alves”.
“Fui muito influenciado pela literatura estrangeira, sobretudo a francesa”, complementa. Entretanto, com o amadurecimento de seu trabalho, Cony se aproxima da literatura que trata de temas regionalistas.
“Raquel de Queiróz me deslumbrou. José Américo de Almeida trouxe para a literatura o bagaço, com a Bagaceira. Ele traz uma novidade: o chão brasileiro”, elogia.
Em sua opinião, os autores contavam as histórias que viam com total espontaneidade sem se preocupar em ser telúricos, ligados à terra.
“Graciliano [Ramos] é severo em termos gramaticais e mesmo assim é espontâneo”, acredita.
PUBLICIDADE


Palavras-chave
Mais notícias
Comentários enviados
Nenhum comentário enviado no momento.