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Enviada em 23/09/2007 às 13h22min

Os fantasmas do velho teatro

Semelhante à obra 'O Fantasma da Ópera', novela francesa escrita por Gaston Leroux, espíritos cirulam pelo teatro e conversam com Seu Pedro Salustino.
Vlademir Alexandre
Espíritos do TAM perguntam por seus espetáculos.
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Um dedicado mordomo do TAM
O Teatro Alberto Maranhão tem os seus Fantasmas da Ópera. Segundo conta o mordomo do TAM, Seu Pedro Salustino, nomes como os atores Sandoval Wanderley e Jesiel Figueiredo, o ex-diretor Meira Pinto e José Nicanor do Nascimento, que foi funcionário no teatro, ainda rondam o teatro e conversam com ele.

"Eu não vejo fantasma, não. O que eu vejo é os espíritos das pessoas que iam no teatro, como Sandoval Wanderley, Jesiel Figueiredo, Meira Pinto, José Nicanor do Nascimento, que morreu com 106 anos dentro do teatro. Eu falo com eles. Eles não falam com ninguém. Só eu que falo com eles", revela Seu Pedro.

De acordo com o mordomo, os "que partiram dessa para a melhor" só perguntam pelos espetáculos deles, quem está assumindo, quem está tomando conta dos grupos deles e como é que estão fazendo. Também questionam Seu Pedro se estão dirigindo o teatro "com delicadeza, como sempre foi". "É só isso que eles querem saber", comenta.

Seu Pedro Salustino acredita que os espíritos que conversam com ele sejam regidos por um superior. "Eles pedem a esse espírito superior e só vêm até a pessoa que eles foram autorizados a falar", disse o mordomo.

"Um dia, eu estava falando com Jesiel Figueiredo no palco. A menina que estava limpando os camarins terminou o serviço, aí eu estava passando e ele apareceu na minha frente. Eu disse: 'Jesiel, a menina está querendo falar com você'. Aí ele disse: 'Não, Pedro. Eu só posso falar com você porque vim com permissão, mas não posso atender mais a ninguém'. E o estilo que eles tinham, do jeito que eles falavam, é claro, agora continuou como espírito", arremata Seu Pedro.

Fátima Elena
Seu Pedro já conversou, no palco, com três de uma vez só.
Seu Pedro diz não ter medo das aparições. Para ele, são todos amigos, não fazem mal e só querem saber como vai a vida no teatro. Ele até se diverte contando as histórias, ri – e conta tudo nos mínimos detalhes.

"Eu estava no camarim, num dia de sábado. Estava sozinho no teatro. Entrei no camarim pra ver se a menina tinha limpado direito. Aí vi uma rã bem branquinha, em cima de uma pedra que tem no camarim. Fui ver se pegava ela e ela saiu pulando, pulando, e eu caminhando, perto de pegar. Quando chegou igual com a porta do banheiro, a rã voou para dentro do banheiro. Quando eu me viro, está Jesiel escorado na porta, de perna cruzada e mangando de mim porque eu queria pegar a rã", descreve o mordomo.

Missa

Seu Pedro Salustino, após um encontro no palco com Jesiel Figueiredo, Meira Pinto e José Nicanor do Nascimento, "os três de uma vez só", resolveu pedir à diretora da época para celebrar uma missa a todos que estariam rondando o teatro. "Foi muita gente. Ainda hoje eu agradeço a ela por isso", disse.

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