Um profundo sentimento de dedicação à arte e todos os processos que envolvem sua consolidação diante do público. Assim poderia ser definido o trabalho da curadora e historiadora de arte Tereza de Arruda. Paulista de nascença, ela se dedica a função há mais de 19 anos, época em que trocou o Brasil pela capital alemã, Berlim.
Na Europa, concluiu mestrado em História da Arte pela Universidade Livre de Berlim. Responsável pela realização de exposições artísticas em diversas partes do mundo, a curadora esteve em Natal para coordenar a mostra internacional Diálogo Intercultural, do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC).
Além de coordenar a exposição, que foi aberta no dia 24 de julho e segue até o dia 28 de agosto, Tereza de Arruda ministrou uma palestra e um workshop sobre curadoria de arte, na Biblioteca Central Zila Mamede e no Museu Câmara Cascudo, respectivamente. Embora seja uma função de importância essencial no mecanismo produtivo artístico, o trabalho e a importância do curador ainda é desconhecido da maioria das pessoas – inclusive dos artistas.
De acordo com Teresa de Arruda, o trabalho do curador está na base de tudo. É ele quem vai definir o conceito da exposição e, a partir daí, iniciar um verdadeiro trabalho de garimpo em busca dos artistas que se encaixem naquela proposta.
Essa parte do trabalho muitas vezes exige um empenho digno de um investigador, além de uma considerável bagagem artística. O próximo passo é pensar nas questões logísticas, como espaço, orçamento além de buscar apoio e patrocínios junto a empresas privadas ou órgãos públicos.
“Aí reside outra pesquisa minuciosa para tentar localizar empresas que se encaixem no conceito da exposição e que topem ter sua imagem vinculada à arte. Não é todo mundo que entende a proposta”, admite Tereza de Arruda. A outra opção mais viável para angariar fundos é tentar um diálogo com o poder público.
Embora também não seja uma tarefa das mais fáceis, a curadora acredita que esse caminho, quando bem sucedido, confere mais legitimidade ao trabalho artístico. “A aproximação com o poder público é sempre bem vinda, por que confere outro peso”, aponta, citando a realização da exposição da UFRN como exemplo. “Nesse caso, a universidade atua como um laboratório. Por ser um terreno neutro, um órgão federal, facilita bastante o diálogo com o público”, opina.
Abertura cultural
Com residência fixa em Berlim, onde mantém um escritório independente, Tereza de Arruda chegou à Alemanha em 1989, pouco antes da queda do Muro de Berlim. Na época, recém graduada em Administração de Empresas com especialização em Comércio Exterior, ela encontrou na Alemanha dividida um panorama cultural bem diferente dos dias atuais.
Depois da queda do muro, já matriculada no curso de História da Arte da Universidade Livre de Berlim de onde saiu com um mestrado, Tereza de Arruda pôde acompanhar a abertura cultural que a unificação trouxe para a vida artística do país. “Muitos artistas se aproveitaram da unificação da Alemanha. Ficou mais fácil circular e divulgar os seus trabalhos”, recorda.
Atualmente, a curadora realiza trabalhos para alguma das principais instituições artísticas do Brasil e do mundo como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM - RJ), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP) e o Chicago Cultural Center, em Chicago, no estado americano de Illionois, além de trabalhos em países da Ásia como Japão e China.
A partir dessas vivências, é possível para Tereza de Arruda comparar o tratamento da profissão do curador entre o Brasil e outros países. “No Brasil, a profissão ainda está começando a ser levada a série. Aos poucos estão surgindo cursos de especialização, as pessoas estão se interessando. Mas na Europa já é uma profissão bem mais antiga e reconhecida, bem mais levada a sério, inclusive com exigências rígidas de formação acadêmica”, aponta.