Vila que Encanta

Projeto Encantos da Vila chega ao quarto ano e participa de livro do programa Proext Cultura, do MinC.
Cedida/Teodora Alves
Projeto engloba diversas vertentes culturais como música, dança e teatro.
Lidar com diversas linguagens artísticas promovendo o encontro entre os saberes acadêmicos e populares, a partir da realização de ações culturais e sociais. Esse é o objetivo do projeto de extensão Encantos da Vila, desenvolvido na Vila de Ponta Negra pelo Departamento de Artes da UFRN desde 2004. Aprovado no edital do Proext Cultura 2007, iniciativa do Ministério da Cultura, em conjunto com a Fundação de Apoio à Universidade Federal de São João Del-Rei (FAUF) e a Petrobras, que contempla projetos de extensão voltados para ações culturais, o projeto foi um dos dois escolhidos na região Nordeste para participar de um livro relatando as ações do edital pelo Brasil. 

A conquista é fruto de um trabalho árduo e comprometido, iniciado por demanda dos próprios artistas da vila, que procuraram o Deart da UFRN em busca de apoio para continuar desenvolvendo suas atividades. Mestres de tradicionais manifestações culturais como o Congo de Calçola, Pastoril, Boi Pintadinho e Bambelô, os artistas sofriam com a falta de apoio do poder público e dos próprios moradores da comunidade. "Eles nos procuraram e apresentaram alguns dos problemas pelos quais passavam. 

Na época, já havia uma mobilização entre eles para formar um movimento a fim de reverter essa situação. A partir daí, surgiu a proposta de criar um projeto de extensão que atuasse junto aos artistas da Vila", explica a professora Teodora Alves, coordenadora do Encantos da Vila.
 
Apesar das boas intenções, a professora conta que o primeiro obstáculo a ser ultrapassado foi a desconfiança dos mestres, pouco afeitos aos ambientes acadêmicos e já escolados em receber promessas não cumpridas. A solução para furar o bloqueio de incerteza foi se aproximar ainda mais dos artistas, procurando deixar claro que o objetivo do projeto não era modificar ou modernizar a arte desenvolvida por eles, mas sim promover um diálogo entre as duas partes. "Explicamos que buscávamos sim a diversidade, mas sobretudo a igualdade entre todas as linguagens. Desenvolvemos as ações junto a eles, a partir das opiniões e necessidades deles. Foi aí que ganhamos a confiança deles", explica Teodora Alves
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Assim, várias expressões artísticas encontradas na vila foram se reunindo e passaram a participar do projeto. A partir das reuniões semanais promovidas pelo projeto, artistas de modalidades diversas como contadores de histórias, mestres de capoeira, emboladores de Coco, grupos teatrais, músicos, rendeiras, além dos mestres de danças tradicionais, foram aparecendo e ajudando a desenvolver atividades como oficinas, seminários, espetáculos e cortejos culturais que, desde então, vem ajudando a difundir e expandir o alcance da arte, ampliando inclusive sua relevância dentro da própria comunidade. 

"Hoje, além dos mais antigos, já existem novos artistas aparecendo. Há uma parceria com o pessoal da comunidade de hip-hop de lá, do pessoal do grupo Pau e Lata, da Cia. Tropa Trupe, entre diversos outros grupos", contabiliza Teodora Alves.

Esforço contínuo
A longevidade e o sucesso do projeto vêm de um esforço contínuo entre artistas e acadêmicos, que depende de soluções criativas e práticas para poder se equilibrar dentro do orçamento anual de R$ 2 mil disponibilizado pela UFRN. A aprovação no edital do Proext Cultura 2007, que disponibilizou recursos da ordem de R$ 28.500, possibilitou a ampliação de algumas ações.
 
Um desses avanços foi o registro fonográfico das canções e cantigas dos mestres da Vila, realizados com o apoio da Escola de Música da UFRN. Das cópias prensadas, 500 foram distribuídas entre os próprios artistas, enquanto outras 500 foram destinadas à distribuição em universidades, escolas e outras instituições culturais.
Com os recursos disponibilizados pelo edital, também foram feitos investimentos em equipamentos sonoros, material gráfico para produção de panfletos e bolsas de estudos para alunos e mestres. São essas realizações que vão constar no livro do Proext Cultura, ainda sem previsão de lançamento. 

"Os planos agora são dar continuidade ao projeto, sempre desenvolvendo as ações junto aos artistas e sem desconstruir a arte e a cultura popular", afirma Teodora Alves.

* Matéria publicada no Jornal Nasemana (edição 25 - 20 a 26 de setembro de 2008)

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