

Dono do maior potencial eólico do país, o Rio Grande do Norte leva uma larga vantagem sobre os demais estados na corrida pelo desenvolvimento deste setor energético. A pretensão de aproveitar toda essa potencialidade, no entanto, esbarra na falta de infra-estrutura.
No estado, há duas empresas já operando, mas muitas outras têm procurado o Governo interessadas em investir. Há pelo menos 20 empresas com reais condições técnicas e econômicas para se instalar aqui.
"O potencial potiguar chama a atenção de investidores de diversos lugares. Muitos projetos de energia eólica já foram apresentados ao Governo do Estado. Estamos trabalhando no cadastramento dessas empresas para avaliar a verdadeira viabilidade de instalação", afirma o secretário estadual de Energia, Jean-Paul Prates.
Segundo Prates, o potencial eólico do estado é bem maior do que se imagina. A produção atual é de 51,1 megawatts de energia, resultado da soma de produção do parque eólico de Rio do Fogo, do grupo Iberdrola, que gera 49,3 MW, e do projeto experimental da Petrobras, em Macau, com 1,8 MW.
Então, por que as empresas de energia eólica ainda não estão instaladas no estado? A resposta para esse questionamento é a falta de infra-estrutura. Para que o setor progrida, é necessário vencer o gargalo das linhas de transmissão de energia e garantir a compra dessa energia.
Para isso, a Secretaria está promovendo o cadastro de empresas interessadas em participar do leilão eólico, na tentativa de avaliar as reais condições técnicas e econômicas dessas empresas. A organização dessas informações é o primeiro passo, com previsão de lançamento do edital para cadastro em 17 de novembro.
O segundo ponto de discussão é a infra-estrutura. "O governo estadual vai tomar a iniciativa, convocando os empresários da energia eólica para discutir como será construída a linha de transmissão. Antes disso, temos que encaminhar a solicitação ao governo federal para autorização e inclusão no orçamento do próximo ano", diz Prates.
O secretário comenta que é preciso marcar a apresentação do pleito na pauta do governo federal, com data prevista para o fim de novembro. Após esse trâmite, o Ministério inclui o projeto na pauta do governo federal, para ser autorizado o leilão da transmissão.
Durante esse processo, a Secretaria vai articular os contatos com os empresários para adiantar as obras de infra-estrutura. "Vamos unir os empresários do setor eólico para formular um consórcio de energia comum, reduzindo os custos para as empresas. O arco de transmissão vai estar alinhavado a esse projeto, melhorando a infra-estrutura do setor e gerando mais competitividade aos proponentes", acredita o secretário.

O terceiro ponto são os incentivos concedidos às empresas, como os leilões de energia, que garantem a compra da produção potiguar. A regulamentação de um calendário de leilões incentiva o investimento dos empresários no parque eólico potiguar.
O quarto item de destaque são os incentivos para atração de empresas de equipamentos, com fornecedores de máquinas para empresas eólicas. "Com a demanda aquecida e o potencial eólico mapeado, o Rio Grande do Norte pode ser tornar estado pólo de energia eólica no Brasil".
A Comissão de Energia do Estado, presidida por Jean-Paul Prates, estuda ainda sugerir a criação de uma legislação federal para pagamento de royalties a territórios com potencial eólico, como os espaços geográficos com reservas de petróleo. Para a exploração de espaço com potencial eólico, seria pago um valor aos proprietários de terra, a exemplo do que a Petrobras faz em relação ao petróleo.
Entendendo a energia eólica
Conhecida como energia dos ventos, a energia eólica é fonte de energia renovável, limpa e disponível em todos os lugares. O interesse para uso de energia eólica foi iniciado há pouco mais de 30 anos, como alternativa para a crise do petróleo, que se multiplicava em todo o mundo. As primeiras movimentações comerciais para produção de energia eólica aconteceram na Europa, chegando ao Brasil anos depois.
A determinação do potencial eólico é dada pela variação da velocidade com a altura, um cálculo que varia de acordo com o lugar de instalação das hélices e dos movimentos dos ventos. O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros com maior potencial eólico, principalmente nas áreas do litoral, quando os ventos alísios e temporários atingem uma força maior.
Apesar de ter um rendimento menor que os outros tipos de energia, como a hidrelétrica, os empreendimentos eólicos são de fácil construção e não alteram as condições ambientais do lugar, sem riscos de acidentes ambientais. Além disso, a utilização da energia eólica não demanda consumo fóssil, as fontes são abundantes e gratuitas.
Do ponto de vista econômico, a utilização de sistemas eólicos é importante para a redução da poluição atmosférica e permite o uso das águas para outras atividades, como irrigação e abastecimento urbano.
No Rio Grande do Norte, o aproveitamento da energia dos ventos é recente. A instalação da primeira empresa só veio a ocorrer em 2005.