Redes Sociais e Carreira

Leonardo Galvão,

Você já pensou sobre do impacto das redes sociais em sua vida profissional?

Longe de querer instituir ou forçar uma postura do “politicamente correto” nas redes sociais, mas se você não se monitora, já é hora. Algumas pessoas podem afirmar que uma coisa é a vida pessoal outra é a vida profissional, mas será possível dissociar esses dois pontos no universo online?

Já considerou se em um processo de seleção, uma das etapas for a investigação da vida pessoal e como você se posiciona perante algumas questões no Facebook ou Twitter, por exemplo? Ou até para uma promoção? Nunca imaginou? É hora de acordar.

A interação no mundo online não é mais uma tendência, muito além disso, já está consolidada. Hoje, somos vistos são só pelo que fazemos no offline, mas, principalmente, pelo que realizamos no mundo virtual. As informações circulam rapidamente. Um comentário mal elaborado e lançado na rede, dificilmente se reverterá.

Certamente, é preciso cautela e bom senso. Para Mauro Nogueira, profissional da área de Mercado, não se pode separar o homem do profissional. Não apenas nas redes sociais, mas no próprio desempenho. Isso está relacionado à forma como nos posicionamos no mundo, seja em família, amizades, redes sociais, trabalho, enfim. Muitas vezes as pessoas acabam por se expor em demasia nas redes sociais, provavelmente acabam por postar coisas que no mundo offline não exporiam. Uma opinião polêmica pode gerar sérias consequências, alerta.

Basta fazer uma breve pesquisa no Google para achar notícias que corroboram com o dito acima. Lembremos da enfermeira que foi demitida por filmar o jogador Neymar durante um exame em um hospital em Fortaleza (CE); recentemente, uma outra enfermeira, em Olinda (PE), postou fotos da equipe do hospital nas redes sociais e também foi desligada por expor os pacientes e sua privacidade. Uma professora também foi demitida por mostrar os alunos fazendo prova em um sala de aula com infiltrações, em Imperatriz (MA). Em 2012, na cidade de Jundiaí (SP), um funcionário foi desligado por justa causa devido a “curtir” no Facebook publicações ofensivas a empresa em que trabalhava.

Para o advogado, especialista em Direito do Trabalho, Marcelino Medeiros, apesar de já existir jurisprudência não reiterada (constam apenas casos isolados), é necessário antes saber se as empresas possuem regimento interno que especifique a proibição do uso das redes sociais. Mas faz um alerta para comportamentos inadequados nas redes sociais, visto que na CLT no artigo 482, há menção à justa causa no artigo 482 de onde se extrai “todo ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas contra o empregador e superiores hierárquicos constitui demissão”.

Em pesquisa recente realizada pela Eurocom Worldwide, foi constatado que já são encontrados casos de reprovação por conta da análise das redes sociais, uma em cada cinco empresas já rejeita candidatos por perfil nas redes sociais.

Apesar de no Brasil ainda termos episódios pontuais, nos Estados Unidos esses casos não são nada isolados: cerca de 8% das empresas com mais de 1.000 funcionários já desligaram um funcionário devido a publicações em redes sociais, de acordo com pesquisa da empresa Proofpoint, publicada no ano de 2009.

Apesar de alguns cuidados já elencados, as redes sociais podem ser aliados poderosos à sua carreira, haja vista que possibilita, através do networking, se conectar a pessoas antes não tão acessíveis e agora são encontradas com uma maior facilidade; oportuniza-se a troca de informações. Potencializa-se a empregabilidade, na medida em que facilita a comunicação com os principais headhunters e recrutadores, bem como se tornar cientes de vagas divulgadas. Temos acesso ao conhecimento de forma quase instantânea, por meio de redes como o Linkedin (rede especializada em carreira).

Muitas empresas e consultorias de RH já se utilizam das redes sociais para buscar candidatos; empresas no segmento de Telecomunicação como a Oi e Vivo e do segmento de bebidas como a Ambev, são exemplos que corroboram sobre a mudança nas práticas de RH direcionadas ao recrutamento e seleção. Em pesquisa realizada pela consultoria Robert Half em 12 países, o Brasil se destacou como sendo aquele em que as empresas mais usam as redes sociais no recrutamento de executivos. Em dados recentes do Great Place to Work Brasil, mais de 80% das empresas que são enquadradas no programa de melhores práticas já realizaram trabalhos de atração e contratação via redes sociais, sendo 39% direcionados ao Linkedin e 36% ao Facebook.

Diante de tantas informações, cabe ao usuário de cada rede social, entender o seu contexto, saber a que se destina e usá-la da melhor maneira, levando em consideração que somos monitorados o tempo todo, vale o bom senso. 


Tags: Carreira Facebook Linkedin Redes Sociais RH Twitter
A+ A-