RN quer produzir 60 mil toneladas de oleaginosa por ano
Projeto-piloto em parceria com o Japão deverá ser o início de uuma forte cadeia produtiva das culturas fomentadoras de biocombustíveis.
Por Maiara Felipe
Divulgação
Os investimentos serão da ordem de U$ 3 milhões por parte dos governos local e japonês.
Estruturar a cadeia produtiva de oleaginosas no estado, com a perspectiva de uma produção de 60 mil toneladas por ano. Essa é uma das principais metas do Rio Grande do Norte ao implantar paulatinamente o projeto-piloto – concretizado em parceria com o Japão – de uma agricultura que produza biocombustíveis.
“O desejo da governadora é que o estado se torne auto-suficiente na produção de oleaginosas”, explicita o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), Henrique Santana. Ele acredita que o projeto coroa o programa de agroenergia do estado.
Os investimentos serão da ordem de U$ 3 milhões por parte dos governos local e japonês. O protocolo que credita o início das atividades foi assinado nessa quarta-feira (8), pela governadora Wilma de Faria e pelo consultor da JICA e coordenador da missão japonesa, Naride Nagayo.
Além de recursos financeiros, os japoneses oferecerão cursos de capacitação no exterior. O diretor técnico da Emparn, Marconi César, passou quase dois meses no Japão fazendo um curso de capacitação para atuar nas cadeias produtivas de oleaginosas do estado. Ele foi o único a viajar, mas aqui no estado 100 agricultores e 170 técnicos da Emater foram alvos de cursos sobre a cultura do girassol, que será a primeira cultura a ser aplicada.
“Faremos a produção de oleaginosas sem comprometer a agricultura de alimentos”, lembra Marconi. O projeto tem duração prevista de 48 meses, sendo implementado gradualmente a partir de 2009 até 2013.
Em 2010, acontecerá o plantio das primeiras áreas e criação da unidade de beneficiamento. Nos dois anos seguintes, o projeto segue com estudos de venda e de aproveitamento dos subprodutos.
O projeto-piloto começa a funcionar a partir de 2009 nas regiões Oeste e Alto Oeste. Duas comunidades modelos serão criadas para implantação do empreendimento, em Pau dos Ferros e em Umarizal. Inicialmente, cerca de 100 a 150 famílias serão beneficiadas.
Nessas comunidades será feito do plantio dos grãos à extração do óleo. Tudo será aproveitado. A biomassa do girassol servirá como ração animal no período da seca. A torta (restos do material prensado) voltará para o agricultor também como ração para os animais, com ganho no leite. O óleo extraído, finalmente, será encaminhado para a produção do biocombustível, tendo como cliente preferencial a Petrobras.
Os resultados preliminares de pesquisas apontaram o girassol, a mamona, o coco, o algodão e até as microalgas como as maiores possibilidades. Em 2008, deverão ser plantados 10 mil hectares de girassol, 500 hectares de mamona e 20 mil hectares de algodão.