Entre lanternas e livros

Sebo Vermelho, recanto das letras potiguares

Michelle Paulista,


Espremido entre magazines e restaurantes populares, lá está. É um lugar de achados, sobretudo para os amantes e entusiastas das letras potiguares. Lá é possível encontrar verdadeiras relíquias da produção literária e artística do Rio Grande do Norte.

Falo do Sebo Vermelho, a Pasárgada dos que apreciam escritores – poetas, ensaístas, ficcionistas – da nossa literatura. Títulos esgotados lá podem ser encontrados; acervo valioso para pesquisadores idem.

O lugar é simples, mas cheira a literatura. Cores de cultura são refletidas no espaço. O comandante, Abimael Silva, é um desses quixotes das letras. Guardião da nossa história literária, Abimael vive do seu Sebo, o que me faz considerá-lo um homem de muita sorte e bastante felizardo: quisera eu viver de literatura potiguar.

Com cerca de 500 livros publicados (sem verba do governo ou edital, como gosta de frisar), Abimael Silva e seu Sebo Vermelho prestam um grande serviço à memória da literatura do Rio Grande do Norte. Ao entrarmos no sebo e percorrermos as estantes cheias dos grandes potiguares, sentimos uma espécie de alumbramento, por perceber que ali encontramos muito do nosso acervo potiguar, deveras esquecido e desprestigiado.

Recomendo aos leitores que, numa dessas idas à cidade, dê uma “passadinha” no Sebo: lá é possível conhecer muito da nossa história e cultura impressas nos livros à venda, todos a preços módicos.

Sábado último, estive por lá. Era a comemoração do aniversário de Abimael, disseram. O buffet era uma vistosa paçoca com feijão verde e a velha e inseparável cervejinha. Encontrei por lá alguns escritores conhecidos, batendo papo. Eu buscava uns títulos de Veríssimo de Melo para pesquisa. Conversávamos sobre isso quando fomos interrompidos por um jovem estudante, desses com cara de aspirante a Medicina, Direito ou Engenharia:

- O senhor tem o livro Física quântica de autoria de fulano de tal?

- Não, meu filho – respondeu rapidamente Abimael.  Aqui só temos livros pra gente que não estuda.


Tags: sebo vermelho
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