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Entrevistas
Entrevista realizada em 02/02/2008

Damião Pita: "Não tenho ainda decisão sobre candidatura"

O secretário municipal de Obras e Viação é um dos nomes citados no PSB para a disputa à Prefeitura de Natal.
Fotos: Vlademir Alexandre
Damião Pita: "Não tenho discutido com outros políticos sobre candidatura"
Membros do PSB defendem seu nome como opção para representar a legenda na corrida pela Prefeitura de Natal, em outubro. O secretário municipal de Obras e Viação, Damião Pita, há 19 anos no cargo, porém, garante que não tomou uma decisão a respeito do assunto.

Ele se diz surpreso com a inclusão do seu nome no debate interno promovido pelo PSB e afirma que nunca conversou sobre o tema com as lideranças do partido, como a governadora Wilma de Faria e o prefeito Carlos Eduardo. "Todos estão calados ainda".

Nesta entrevista, concedida ao Jornal 96 e ao portal Nominuto, Damião Pita afirma nutrir uma certa relutância em ingressar na linha de frente da política partidária, pleiteando um mandato eletivo. Ele acredita que a política tem um forte componente desagregador. "Pessoas que são amigas, de uma hora para outra se tornam inimigas. Esse tipo de coisa não combina comigo", destaca ele, que também fala das principais obras que vem desenvolvendo à frente da Semov.

Nominuto — O senhor tem uma das permanências mais longevas à frente de uma Secretaria do município, estando há 19 anos na Secretaria Municipal de Obras e Viação. Devido ao seu trabalho, algumas pessoas têm defendido a sua candidatura á Prefeitura de Natal. Esses apelos o sensibilizam?

Damião Pita — Na verdade, há essa vontade e não é a primeira vez que lideranças comunitárias têm o desejo de ter uma pessoa na Prefeitura que seja ligado e que trabalhe com eles. São 19 anos na Prefeitura, mas eu tive 17 anos na COHAB, trabalhando nessas favelas de Natal. Todo o trabalho da gente tem sido nessa área. Lembro que o primeiro projeto da gente ali no (bairro) Bom Pastor, tendo ainda José Agripino como prefeito, fizemos o primeiro “Promorar” do Brasil. Por fatos como esses, temos essa amizade com o povo de Natal.

NM — Outras vezes pessoas já manifestaram a vontade de que o senhor fosse disputar algum cargo eletivo, mas é a primeira vez que cogitam a possibilidade de ser prefeito?

DP — (Candidatura) a prefeito, é a primeira vez. Uma época me falaram em (candidatura a) vereador, em outra falaram em (candidatura a) deputado, como na última eleição. Mas como tenho me dedicado mais à área técnica, esses anseios não me chamaram a atenção à questão. Agora, as pessoas, de maneira mais intensiva — porque antes eram só as lideranças comunitárias —, fazem uma manifestação bastante interessante. Pessoas que eu até não conheço.

NM — O senhor é filiado ao PSB. Tem discutido com pessoas dentro do partido a possibilidade de uma candidatura?

DP — Sou filiado. Não tenho discutido com outros políticos do Estado sobre o fato, que inclusive estão calados ainda.

NM — Mas essa possibilidade já foi levada à governadora e ao prefeito Carlos Eduardo.

DP — As pessoas, pelas informações que tenho, têm mantido algum contato, mas eu realmente não conversei com ninguém. Como eu disse, há pessoas que querem uma candidatura. Para citar um exemplo, eu me lembro que estava comprando um pedaço de mármore ali perto da Urbana, aí um senhor de idade veio a mim e disse que eu parecia muito com o candidato dele a prefeito. Aí, eu perguntei: quem é seu candidato a prefeito de Natal? E o senhor disse: “é o secretário da Semov, Damião Pita. Nunca falei com ele, mas acompanho o trabalho dele pela televisão”. Daí eu disse que eu era Damião Pita (risos). Mas são coisas isoladas, eu não tenho uma idéia de um modo geral como é que está.

NM — Há um grupo dentro do PSB que pede que o seu nome seja incluído já nas próximas eleições, para ver como está a sua aceitação pela população. Há, realmente, a expectativa de um grupo dentro do partido que quer a sua candidatura?

DP — A turma tem colocado e tem, em alguns momentos, assim se manifestado. Mas eu tenho dito a eles que estou apenas acompanhando (o processo de sucessão). Estou satisfeito com esses casos de lembranças, mas é uma situação em que eu não tenho uma decisão, uma posição sobre o assunto.

NM — Mas se o senhor for chamado pelo prefeito Carlos Eduardo, pela governadora Wilma, para essa missão, qual vai ser a resposta de Damião Pita?

DP — A coisa evoluiu de uma maneira surpreendente assim para mim, no final do ano. Eu estava achando estranhas essas manifestações (em favor da candidatura à Prefeitura), e até no dia 14 de dezembro eu fiz uma carta porque, à frente disso aí, não tem nenhum figurão, não. São apenas lideranças comunitárias e os amigos, como (o ex-vereador Marlindo) Pompeu, (o jornalista) Marcos Pedrosa, pessoas humildes que são militantes na política, mas sem nenhum cargo. Eu cheguei até a fazer uma carta mostrando certos fatos que eu presenciava na política e que não combinavam comigo. Falei que a política, até usando uma frase de monsenhor Lucas, desagrega a família. Faz anos que ele disse isso e eu observei que acontece. Eu me lembro de Cortez Pereira concorrendo com o filho lá em Serra do Mel. São coisas que não combinam comigo. Pessoas que são amigas, de uma hora para outra se tornam inimigas. Então eu penso muito nisso, daí o porquê de eu não conseguir ainda tomar uma posição sobre o assunto.

NM — Agora, não deixa de ser um reconhecimento a todos esses anos de dedicação à Prefeitura de Natal como secretário de Obras do município, não é?

DP — Eu tenho muita satisfação e eu gosto muito de seguir orientações. Quando eu fui para a Secretaria, e não queria ir, eu era engenheiro que tinha uma função na Cohab, a prefeita (Wilma de Faria, na época) no primeiro ano (1998) insistiu e, mesmo que pareça contradição – já que até hoje eu estou no cargo – eu não queria. Eu nunca tive aquele desejo. Houve muita dificuldade para que eu concordasse em assumir a Secretaria. Foram reuniões diversas, em que diziam para eu não me preocupar, porque me dariam todo o apoio. A decisão foi até na casa de dona Sali (Faria), a mãe da governadora. Finalmente, eu tive que assumir e a partir daí continuei esse trabalho, sempre com essa turma, e é um trabalho que me dá muita satisfação, apesar dos problemas. Mas eu recebi um conselho de um amigo meu, jornalista, que na época já conhecia, e eu explicando que não queria assumir. E ele me disse que não teria problema, desde que eu falasse sempre a verdade. Dizia para que, quando alguém me perguntasse alguma coisa e eu não pudesse resolver, eu dissesse que realmente não podia. A pessoa fica com raiva na hora, mas depois vê que foi melhor do que ouvir uma mentira. Quando um jornalista vai entrevistar, ele anota e registra a resposta. Daqui a um ano, se você não cumprir, ele vai cobrar. E eu, durante todo esse meu tempo, fui assim. Se alguém chegar em algum lugar e disser que eu prometi e não fiz, pode dizer que não é verdade, porque eu só prometo quando tenho certeza de que vou fazer, já para não ter esse problema.

NM — Gostaria de falar um pouco também sobre obras. Há dois grandes projetos de drenagem em Natal, um em Capim Macio e outro na Zona Norte. O que está sendo feito pela Prefeitura nessas áreas?

DP — Capim Macio é uma área que quase não tinha infra-estrutura e a reclamação era muito grande. A população argumentava que pagava o IPTU mais caro da cidade e nada tinha. Finalmente, o prefeito Carlos Eduardo conseguiu um empréstimo, com recursos do FGTS, e mais a contrapartida da Prefeitura. Estamos empregando lá R$ 43 milhões. Agora mesmo, estamos trabalhando em 45 ruas e construindo três lagoas para a captação das águas. O esforço é grande para que, até o fim do ano, Capim Macio esteja.

NM — Obra maior é a da Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte.

DP — Lá, o argumento é outro. Enquanto Capim Macio alega que paga o IPTU mais caro, em Nossa Senhora da Apresentação o pessoal diz que é discriminado porque é mais pobre. O projeto lá envolve toda uma região, da avenida das Fronteiras até a estrada de Extremoz, e inclui várias comunidades — como Vale Dourado, Conjunto Aliança, Jardim Primavera e Jardim Progresso —, até o Parque dos Coqueiros. São 440 ruas e já estamos trabalhando, construindo duas lagoas e com uma grande vantagem. É que esses loteamentos já vão dispor das vias do itinerário de ônibus totalmente asfaltadas. O que ocorria, até por falta de recursos, é que a gente pavimenta e, depois de não sei quantos anos, faz o asfalto. Hoje, não. A malha viária será totalmente asfaltada até o final do ano.

NM — E a urbanização da África?

DP — É outra obra importante. Nós consideramos a África a área mais degradada da nossa cidade, porque é uma favela na verdade, como existem outras, só que, às vezes, você tem uma favela numa situação mais precária. Lá, tem esgoto e água no meio da rua. Quando chove, as pessoas não conseguem sair de suas casas. Então, essa obra está sendo executada e com uma vantagem: estamos implantando o esgotamento sanitário e será o segundo loteamento na Zona Norte que terá esgoto. Até agora, só tem em Igapó, que foi implantado na época de Aldo Tinoco. Essas obras serão concluídas até o final do ano.

NM — E quanto é o volume de recursos na África?

DP — Na África, é de R$ 11 milhões e, em Nossa Senhora da Apresentação, é de R$ 112 milhões. São três fontes de recurso. Tem uma parte que é um empréstimo que a Prefeitura conseguiu na Caixa Econômica Federal, através do Fundo de Garantia, tem uma contrapartida própria da Prefeitura e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. Inclusive, há uma previsão, o presidente Lula falou com o prefeito Carlos Eduardo e disse que em março deverá vir aqui visitar essas obras.

NM — O presidente vai iniciar uma série de visitas, em quase todos os Estados brasileiros, fazendo a divulgação das obras do PAC. Já tem data para a visita à Natal?

DP — Me parece que é 29 de março. E ele já vai ver muita obra porque a gente começou agora no início do mês, mas já tem muita coisa pronta.

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