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Entrevistas
Entrevista realizada em 07/06/2008

Francisco Segundo: "Queremos isenção de impostos e devolução da Lei Kandir"

Organizador da Expofruit 2008 fala sobre o crescimento da fruticultura potiguar, das reivindicações do setor e faz balanço sobre a Feira.
Cedida
Segundo de Paula: "O que queremos é a qualidade do evento".
Desde o dia 5 de junho Mossoró se transformou na capital internacional da fruticultura potiguar irrigada, com a realização da 13ª edição da Expofruit, evento promovido pelo Comitê Executivo de Fitossanidade do RN (Coex), Sebrae e Ufersa. O tema da Feira este ano é "Nossa fruta chama atenção do mundo faz tempo”. O evento, realizado no Expocenter, instalado no prédio da Ufersa, reúne, em um só local, produtores, compradores, fornecedores de insumos, equipamentos e serviços ligados ao setor agrícola, distribuídos em uma área de 15 mil m2 e 330 estandes. O presidente da Coex e organizador da Expofruit 2008, Francisco Segundo de Paula, conversou com o Nominuto.com sobre os resultados positivos que o evento vem alcançando ao longo dos anos e sobre o setor da fruticultura potiguar.

Nominuto - Há cinco anos o senhor está à frente da coordenação da Expofruit, um evento que já se consolidou e que é cenário de fechamento de muitos negócios durante os dias de sua realização. Como o senhor avalia a importância da feira para o setor produtivo da fruticultura potiguar?

Francisco Segundo - Eu avalio que estamos no rumo certo, que nos tornamos realmente uma feira de negócios. Um percentual de 25% dos estandes são de empresas que estão vindo participar da feira pela primeira vez. O que queremos é a qualidade do evento. A Expofruit proporciona aos produtores a oportunidade de negociação, de prospecção de novos e bons negócios.

NM - Que tipos de pleitos o setor tem feito ao Poder Público?

FS - O principal é a estrada do melão. Por ela, cruzam de dois a três mil veículos semanalmente, incluindo as carretas que transportam as frutas. O roteiro tem início na estrada de Tibau, passa pela comunidade de Pau Branco, em Mossoró, cruza a BR-304 até Baraúna, passando pela comunidade de Pico Estreito e termina na estrada do Cajueiro. Essa é uma reivindicação antiga. A primeira etapa da estrada foi licitada e estamos confiantes que este é o primeiro passo para a sua concretização. Os demais pleitos são mais políticos, como a devolução da Lei Kandir, por exemplo. O estado do Ceará está pagando e o Rio Grande do Norte ainda não. Queremos apenas que a legislação seja cumprida e que o Governo pague a devolução da Lei Kandir. Outra questão é que os produtores pagam 5,3% de impostos pelos produtos que chegam à Europa. Queremos que o Governo faça como outros países da América Latina, que praticam a isenção dos impostos. Também reivindicamos o desenvolvimento da pesquisa para que o setor possa avançar. Não temos um órgão direcionado especialmente para a pesquisa da agricultura. Acho que agora é a época de tentarmos trazer a Embrapa para o RN, pois se não fizermos isso agora, com o PAC da agricultura, não conseguiremos mais.

NM - O que o setor de fruticultura tem gerado de empregos diretos e indiretos? E em termos de divisas para o Estado?

FS - Em termos de geração de emprego, aqui no Rio Grande do Norte a fruticultura responde por cerca de 30 mil empregos diretos e mais de 80 mil empregos indiretos. Em termos de divisas, as exportações de frutas, principalmente o melão, que representa 50%, capta cerca de 200 milhões de dólares.

NM - Que posições ocupa a produção de melão potiguar no Brasil e no mundo?

FS - O brasileiro ainda não tem a cultura de consumir fruta, não faz parte do cardápio e por isso a comercialização no mercado interno ainda é mais baixa que no mercado internacional. Nosso forte é a exportação. O melão é hoje a segunda fruta mais exportada pelo país. Uma campanha nacional está sendo realizada com o objetivo de incentivar os consumidores brasileiros a inserirem a fruta na alimentação. De 2007 para 2008 houve um aumento de 10% no consumo interno e a tendência é que a cada ano esse número aumente mais 10%.

NM - Quais as principais exigências do mercado internacional?

FS - A principal exigência, e que engloba vários aspectos, é a certificação. É uma espécie de ISO com normas de qualidade e higiene. O mercado internacional não comercializa com um produtor que não seja certificado. Antigamente todas essas exigências eram um ‘calo’ para nós, porém hoje é uma forma de controle dos produtores. Todos os produtores da região são certificados, desde o grande até o pequeno produtor.

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