


Diferentemente da Câmara, o Senado era instituição em que as coisas eram decididas com mais tranqüilidade. Eu acho que Garibaldi tem essa função. Tem uma função também, que eu acho importantíssima, de exercer a presidência com independência, mas com harmonia o poder Executivo, até porque nós estamos em um regime presidencialista em que, se não houver essa harmonia, o prejuízo é pesado para a nação, e não para o Governo. Eu acho que Garibaldi tem essa função também. E tem uma função que eu acho que poderá ser cumprida, porque é a decorrência do cargo, é ele utilizar o relacionamento que já criou na administração pública federal para defender projetos fundamentais para o Rio Grande do Norte. Eu acho que Henrique colocou a coisa com muita precisão: tem que ser definido um número de projetos que sejam prioridade, que sejam publicamente aceitos e que não caracterizem, vamos dizer assim, plataforma política de ninguém, mas que privilegiem, sim, o Rio Grande do Norte. A governadora já pensa diferente. Ela descarta, logo, os grandes projetos porque acha que o governo federal é que vai se mobilizar. O que ela quer é o varejo que ela vai administrar. Nisso, eu acho que Garibaldi não pode entrar. Aqui (na Assembléia Legislativa) eu sempre tive um discurso crítico com relação ao governo porque eu sempre achei que o governo nunca se empenhou em nenhum projeto importante para o Estado. Nunca se empenhou no aeroporto (de São Gonçalo) e agora descarta o apoio do senador Garibaldi com uma alegação que é desmentida pelos fatos, porque quem vai lá para o aeroporto vê que não existe. Tem que haver uma ação imediata em favor desse aeroporto. Eu não vejo nenhum empenho da governadora em relação ao segundo canal de transposição do rio São Francisco, que vai beneficiar a região Oeste. Eu não vejo nenhum empenho considerável e forte da governadora em relação à ação da Petrobrás, que eu não sei qual é o projeto fundamental, que esse é um problema que depende de mercado, enfim, não é uma coisa que a gente possa botar na cabeça e dizer “vai ser isso”. Mas a gente tem que exigir da Petrobrás que ela, realmente, apresente a solução. Eu não vejo nenhuma razão. Eu só vejo o interesse da governadora nas coisas pequenas que trazem, para o governo, recursos, vantagens, e ela fatura politicamente esses benefícios. Nisso aí, nós não podemos entrar. Seria um absurdo e o Rio Grande do Norte não precisa disso, ao contrário, nós temos que acabar com isso.
perguntar: a ponte é o maior acerto? Não é o maior acerto, porque a ponte poderia ter sido construída no Baldo, sem a vaidade, sem o orgulho, pela metade do preço e com um resultado muito maior, mas muito maior mesmo. Hoje, nós ainda temos congestionamento razoável, quase igual ao que tínhamos antes – não é igual porque há um pouco da ajuda da outra ponte. Mas se a ponte tivesse sido construída no Baldo a situação seria totalmente diferente porque ela estaria bem localizada geograficamente, ela dividiria, na realidade, a Zona Norte ali para o Centro e atenderia a zona de crescimento da cidade. Onde ela está localizada é para servir de mostruário. É uma vitrine. Ela não tem razão de ser localizada lá e o custo foi excepcionalmente exagerado. Há um sobrepreço constatado pelo Tribunal de Contas da União, pela CGU, pelo MPF, por relatório do MPE. Todos os órgãos que se debruçaram sobre o assunto constaram isso, que é um fato concreto.