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Entrevistas
Entrevista realizada em 26/04/2008

“Que discussão é essa que exclui partidos aliados?”, questiona João Maia

Mesmo não tendo sido convidado pela governadora para participar das conversas, o deputado disse que só decide quem apoiar depois de reunião com Wilma.
Fotos: Vlademir Alexandre
Deputado não participou de reuniões
Deixado de fora das reuniões que a governadora Wilma de Faria (PSB) manteve com dirigentes do PSB, PT e PMDB, acerca da sucessão em Natal, o deputado João Maia, presidente estadual do PR, afirmou em entrevista ao Nominuto.com que acha muito difícil uma conversa com a governadora enquanto não houver uma definição se a chefe do executivo estadual vai apoiar o candidato de consenso ou não. 

Apesar desse “escanteio” nas conversas com os outros partidos, o deputado João Maia continua fiel à Wilma de Faria dizendo que não tomará nenhuma decisão sem conversar antes com a governadora. 

O deputado disse que a possível aliança dos partidos da base aliada do presidente Lula em Natal, especialmente do PT, PSB e PMDB, é uma opção, mas que o problema é que a aliança está mais ligada ao pleito de 2010 do que as eleições de outubro deste ano. 

João Maia declarou, ainda, que se for convocado pela governadora Wilma ou pelo prefeito Carlos Eduardo vai colocar na mesa algumas disputas em importantes cidades do Rio Grande do Norte em que o PR está disputando o pleito.



Nominuto – Está prevista uma conversa do PR com a governadora Wilma para este final de semana? O que você vai dizer a governadora?

João Maia – Não está prevista essa conversa. Eu acho muito difícil uma conversa na situação atual porque a sucessão de Natal saiu da esfera municipal. A decisão não é mais dos diretórios municipais, virou uma discussão dos dirigentes maiores estaduais e enquanto eles não chegam ao consenso ou se haverá candidato de consenso é muito difícil conversar alguma coisa sobre Natal.

NM – O PR não foi convidado para participar das reuniões que a governadora manteve com dirigentes do PT e PMDB. O senhor se sente livre para outro compromisso?

JM – Se está se consolidando uma candidatura e nós não participamos dessas conversas, evidentemente que não há compromisso. Que discussão é essa que exclui partidos aliados? Poderemos apoiar outro nome, mas isso será discutido no momento apropriado e não tomarei nenhuma decisão sem conversar antes com a governadora.

NM – O que o senhor acha dessa aliança tão falada, tão propalada, inclusive, defendida pelo prefeito Carlos Eduardo entre PSB, PT, PMDB e os demais partidos da base de apoio ao presidente Lula em Natal?

JM – Eu acho que é uma opção, mas se me perguntar qual é o problema dessa aliança é que ela tem pouco a ver com 2008. Quer dizer uma proposição que está mais vinculada ao que vai acontecer em 2010 do que a própria eleição municipal de 2008. Esse me parece que é o grande complicador dessa aliança. 

NM – Mas não é natural que isso ocorra? Os líderes partidários quando combinam alguma coisa sobre uma eleição, principalmente municipal, eles têm em vista a estadual dois anos seguintes.

JM – Mas combinar uma eleição municipal onde indique candidaturas para daqui a dois anos e meio é de qualquer forma uma coisa muito complicada.

NM – O Partido da República pensou numa candidatura própria a prefeito de Natal. Como está o pensamento do partido na atual fase de pré-campanha?

JM – Nós não conseguimos viabilizar candidatura própria, isso é uma decisão que nós já tomamos. Vamos esperar para que se defina o quadro sucessório em Natal para ver que aliança faremos, com quem vamos caminhar. E essa discussão, pelo menos para nós, é uma discussão que a gente está olhando o partido também muito a nível estadual, essa é nossa discussão.

NM – Então está descartada a candidatura própria?

JM – Não viabilizamos o nome competitivo para a candidatura própria e não vamos lançar nossos candidatos a vereadores numa aventura política.

NM – O senhor chegou a ser convidado a aceitar essa candidatura?

JM – Não. Natal está numa situação tão confusa que nós só temos uma candidata em Natal que é a deputada Micarla de Sousa. Ela é candidata, o partido (PV) apóia e ela está a busca de outros apoios. Então a candidatura dela está posta. Fora disso é muito difícil você discutir qual é a outra candidatura. Conversei com o vereador Hermano Morais, com o deputado Rogério Marinho, mas você não sabe se essas candidaturas ficarão até o fim. Pelos acontecimentos mais recentes, não. Então é muito difícil você definir – diante de um quadro desse – com quem o partido vai caminhar.

NM – Qual é a prioridade do PR em relação às eleições municipais levando em conta os interesses do interior do Estado? 

JM – Nós estamos fazendo os encontros regionais. Já fizemos quatro: Alto Oeste, Médio Oeste, Sertão Central e Mato Grande. Sábado (26/04) vamos fazer o encontro do Seridó, reunir os 24 municípios em Caicó. Até 15 de maio vamos fazer esses encontros em todas as regiões do Rio Grande do Norte. Nós vamos ter em mãos onde teremos candidato próprio, com quem vamos compor, em que posição na chapa, e ai sentaremos. Em alguns lugares nós já temos essa definição tomada. Mas no Estado inteiro precisamos concluir esses encontros.

NM – Em Mossoró o PR vai compor chapa com algum dos candidatos ou o partido pode lançar candidatura própria? Fala-se muito no nome de Marcelo Rosado.

JM – Nós temos um pré-candidato lançado que é Renato Fernandes. Marcelo preferiu ficar na Secretaria de Desenvolvimento do Estado e nem candidato mais ele pode ser porque não se desincompatibilizou e a decisão dele é de continuar. Lá o que nós queríamos era juntar os partidos de oposição a prefeita Fafá em cima de uma metodologia. Senta o PT, o PR, o PC do B e a gente poderia ver como poderíamos caminhar. Qual o critério para a escolha do candidato? Lá nós temos problema porque o PSB lançou a deputada Larissa Rosado, o PR lançou Renato Fernandes, o PC do B lançou o ex-deputado Antônio Capistrano e, portanto, o processo de unificação da oposição em cima de uma candidatura única ainda está num compasso de espera muito
grande.

NM – E em São Gonçalo?

JM – Em São Gonçalo nós temos um pré-candidato natural que é Jaime Calado. Ele foi candidato na última eleição e perdeu a eleição por 136 votos. Então ele é naturalmente um candidato que está com a pré-candidatura colocada.

NM – Em Ceará-Mirim há uma expectativa do apoio da governadora ao delegado Peixoto?

JM – Tanto em São Gonçalo quanto em Ceará-Mirim nós trabalhamos junto com a governadora - aliado de primeiro e segundo turnos com dedicação e empenho – então é mais do que natural que a gente espere o apoio da governadora nesses dois municípios.


NM – O prefeito Carlos Eduardo anunciou apoio a um nome do PT. Como o senhor vê essa sinalização do prefeito?

JM – Eu acho que muito boa para o PT que definiu que teria candidato próprio. Em relação a candidatura do PSB que é a candidatura de Rogério Marinho muito ruim. O presidente do PSB de Natal anunciou que vai apoiar o candidato do PT.

NM – E quem é o candidato do PT? Porque tem Virgínia Ferreira, Fernando Mineiro, mas fala-se muito em Fátima Bezerra nos últimos dias, Ruy Pereira também tem sido citado.

JM – O prefeito, pelo que li, disse que o PT escolheria o candidato e ai eu acredito que o PT tem toda uma forma, um processo interno de escolha de candidato e eu acho que isso acontecerá nos próximos dias. Então saberemos quem é o candidato que o PT vai escolher.

NM – Tem prévia do PT marcada para o dia 18 de maio 

JM – Eu acredito que o PT vai se entender diante de uma oferta tão generosa.

NM – Se o deputado João Maia for chamado pela governadora Wilma e até pelo prefeito Carlos Eduardo dentro desse processo, o que João Maia vai levar em conta? A composição de forças em Natal, em relação ao interior do Estado, aos interesses do PR no interior?

JM – Eu penso em colocar na mesa algumas questões que envolvem a disputa do PR em algumas cidades importantes do Rio Grande do Norte, além de estarmos cuidando da eleição de candidatos da chapa proporcional. Nós temos afinidade muito grande hoje com PPS, esse processo da chapa proporcional em Natal está caminhando e acredito que o PR vai discutir Natal olhando alguns municípios importantes do Rio Grande do Norte.

NM – Se tivesse de opinar e dizer quem vai apoiar em Natal, o senhor teria um nome hoje?

JM – É uma questão política, não é uma questão pessoal. Gosto demais de Micarla é uma pessoa com quem tenho conversado, tenho afinidades. Gosto da deputada Fátima Bezerra, entendeu? Tenho uma relação boa, cordial, com Rogério Marinho. Então não é uma questão pessoal, é uma questão política. Apoiar politicamente, além do projeto para a cidade, nós precisamos saber como o partido sai fortalecido desse apoio.

NM – Essa semana a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais, mas aprovou com modificações permitindo a venda de bebidas no perímetro urbano. Essa foi uma emenda sua?

JM – Foi e eu gostaria de explicar isso. O trânsito no Brasil é uma tragédia permanente. Tem vitimado gente jovem, famílias inteiras e mutilado muitas pessoas. E uma das causas – porque tem muitas - é motorista dirigindo embriagado. Mas tem outras causas. Tem a causa da falta de educação no trânsito que deve começar na escola porque quem ultrapassa, por exemplo, numa faixa contínua está fazendo a roleta russa só que ao invés de arriscar a vida dele, ele está arriscando a vida dele e dos outros. Tem o excesso de velocidade, a questão da má conservação das estradas...

NM – Mas a bebida vendida perto da estrada não facilita a possibilidade maior de acidentes?

JM – No Rio Grande do Norte fiz um levantamento antes de apresentar a emenda e 55 cidades são cortadas por BR’s. Ali tem um pai e uma mãe de família que tem um estabelecimento que está lá há 30 anos. De repente ele ficou desprovido do seu sustento. Teve casos como em Mossoró de churrascarias tradicionais dentro da cidade, freqüentadas pelas pessoas da cidade, porque ficava na BR, que desempregou 30 pessoas. Caicó é um caso fantástico porque os clubes da cidade ficaram proibidos de fazer festa como a AABB e a Associação de Sargentos e Sub-tenentes do Exército, além de motéis que ficam na beira da rodovia federal. Então eu apresentei a emenda e discuti o seguinte: nós precisamos fazer campanhas para educar, quem dirige embriagado é um tolo porque está botando em risco a vida dele, é um criminoso porque está botando em risco a vida dos outros. Então nós não podemos punir aqueles que estão trabalhando e gerando empregos. E acho que a MP foi um momento grande da Câmara porque ela aumentou as punições e o rigor. Se for pego bêbado dirigindo, prende o carro e a carteira. Agora o governo também tem que aumentar a fiscalização. Ao invés de multar o sujeito que está trabalhando porque vendeu uma caixa de cerveja tem que punir quem está dirigindo embriagado. Eu acho que a questão é de educar, fiscalizar e punir. E não de proibir o comércio.


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