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Entrevistas
Entrevista realizada em 10/05/2008

“Resisti ao apelo da retirada da candidatura”, diz Rogério

Deputado afirma que independente do resultado das eleições tem compromisso com Wilma.
Fotos: Vlademir Alexadre
Rogério: "As conversas que tivemos com a governadora foram pautadas por muito respeito".
Preterido pela governadora Wilma de Faria e pelo prefeito Carlos Eduardo - que manifestaram preferência pelo projeto político da deputada federal Fátima Bezerra (PT) -,o deputado federal Rogério Marinho continua firme na posição de postular sua candidatura na convenção do PSB. 

Durante a semana, o deputado reuniu vereadores e militantes do PSB e reafirmou sua candidatura, mesmo com os líderes pesebistas apoiando para a sucessão da Prefeitura de Natal o nome da deputada Fátima que conseguiu unir tradicionais adversários políticos como a governadora Wilma e o senador Garibaldi Filho (PMDB). 

Na entrevista concedida ao portal Nominuto.com, o deputado falou de sua lealdade à governadora e afirmou que independente do resultado do embate político que se aproxima. Rogério deixou escapar um ressentimento pelo prefeito Carlos Eduardo quando disse que o gestor “incentivou que os secretários municipais se filiassem em outros partidos”. 

E concluiu a entrevista afirmando que não tem a pretensão de aceitar a vaga de vice que foi oferecida pela governadora Wilma caso desista do seu projeto de ser candidato a prefeito de Natal.


Nominuto – Nos bastidores dizem que você em uma das conversas duras com a governadora chegou a dizer: “a rainha, tudo menos a honra”. Você disse essa frase?

Rogério Marinho - As conversas que tivemos com a governadora foram pautadas por muito respeito. Apenas tivemos o cuidado de colocar a governadora que temos que defender o nosso partido que é um patrimônio construído pela militância, pelos apoios, pela coragem, pela ousadia e pelos gestos que a governadora teve durante toda sua vida. O partido não poderia ser abandonado, não poderia deixar de ser comunicado e, principalmente, dizer a ela da nossa irresignação porque o PSB historicamente sempre participou das eleições municipais em situações de adversidades e não seria nesse momento que iríamos fugir a luta e responsabilidade que temos de apresentar as nossas propostas e projetos a cidade de Natal.

NM – Você e o diretório municipal do PSB se sentem atropelados por essa decisão da governadora Wilma de Faria com os demais lideres do PMDB e do PT?

RM – Não sei se o termo correto é atropelar, mas o fato é que nós fomos apenas comunicados. Em um partido é importante e essencial que o contraditório se estabeleça que as conversas sejam claras e que as instâncias partidárias sejam respeitadas. Então o fato de sermos apenas comunicados do processo gerou realmente um clima de irresignação e por isso a nossa manutenção da postulação da candidatura a prefeito de Natal que levaremos até a convenção do nosso partido.

NM – Essa é sua determinação apesar do anúncio da governadora, no último sábado (3), juntamente com as lideranças do PMDB e do PT em favor de Fátima Bezerra? A decisão do diretório municipal é de ir à convenção?

RM – É importante fazer uma diferença. Não é uma decisão do diretório municipal. Até porque o diretório municipal não é instância máxima no nosso partido – como em todos os outros partidos de acordo com a lei eleitoral - é a convenção. Essa é posição de um grupo significativo do PSB que entende da necessidade do partido continuar sendo protagonista nesse processo. Eu disse o tempo todo que não seria candidato de mim mesmo. Tive a última conversa com a governadora na sexta-feira (2) quando - depois de seis conversas consecutivas - eu resisti ao apelo que foi feito e as condições que foram colocadas à retirada da nossa candidatura. No final disse à governadora que apenas íamos salvar o partido, que não concordo e que eu acho que isso é um erro histórico, nós vamos pagar um preço por isso, mas já que a senhora é a liderança maior do partido já definiu eu não quero - em atenção a nossa história e amizade -, confrontá-la. Queremos apenas salvar o partido em atenção a companheiros que acreditaram na gente. Não falo apenas em oito vereadores, são 45 pré-candidatos, pessoas que ficaram dentro do nosso grupo porque acreditaram na governadora Wilma de Faria, porque acreditaram no prefeito Carlos Eduardo, porque acreditaram no nosso propósito. E ao contrário de outras pessoas que passaram o ano passado todo – apesar de ser presidente do diretório municipal, que é o caso do prefeito Carlos Eduardo - estimulando que secretários municipais se filiassem a outros partidos num comportamento, no mínimo, estranho. Nós ficamos dentro do partido tentando construí-lo porque eu não aprendi fazer política dessa maneira, sem solidariedade. Tenho que ter solidariedade com as pessoas que ficaram conosco. Então esse compromisso que foi determinado na sexta-feira não foi cumprido Na segunda-feira (5), às 7h30 da noite, recebemos a resposta do PT que apontava a sugestão de se fazer uma comissão para estudar a possibilidade de se chegar a uma aliança proporcional (candidatos a vereador). O PSB apresenta a possibilidade clara de indicar uma candidatura majoritária do PT que nem sequer era cogitada nas pesquisas, o PT recebe de presente - conforme disse o próprio Ruy Pereira - do PMDB e do PSB e não tem um gesto de humildade de se coligar conosco na proporcional, quer dizer, além de ter a cabeça de chapa ainda querem extinguir o nosso partido aqui na capital. Nós estamos apontando para o segundo cenário. Entregando a Prefeitura de Natal ao PT, nosso adversário histórico na cidade, que aprendi com a governadora a combater, e entregar o governo ao PT, através do prefeito Carlos Eduardo - que no dia 1º de janeiro vai estar se filiando ao PT. Então nós vamos entregar ao PT a prefeitura e o Governo do Estado. E aqueles, agentes políticos, que acreditam que não há esse compromisso eu só posso dizer que eles acreditam em papai noel, mula sem-cabeça e na fada madrinha.

NM – Fala-se muito que a governadora ao decidir pela aliança com o PMDB e PT está pensando mais em 2010, no projeto dela de ser senadora. Você também faz essa análise de que a governadora está pensando mais no projeto pessoal do que no PSB?

RM – Certamente no PSB não está sendo pensado. Agora a questão não é só essa eu acho que a gente tem que pensar também na cidade porque essa discussão está muito dentro do âmbito da política partidária e a gente está esquecendo que esse tipo de intervenção impede que a população tenha o direito da pluralidade, de conhecer as propostas de diferentes candidatos e a opção de votar em quem realmente lhe satisfaz ou que supre suas expectativas em relação à cidade. Esse tipo de intervenção propicia uma situação de absoluto engessamento das candidaturas. As candidaturas têm que nascer do debate com a sociedade. Nós passamos um ano e três meses debatendo com a sociedade um projeto para a cidade do Natal. Nos acusam de não termos crescido nas pesquisas de opinião. Nós começamos com 4% e chegamos a 14% sem nenhum gesto afirmativo dos nossos líderes maiores (Carlos Eduardo e Wilma de Faria) que apesar de ter dito em várias ocasiões que o PSB poderia ter uma candidatura sempre colocou uma reticência e o prefeito Carlos Eduardo designado por ela (Wilma) para ser o condutor do processo foi o que mais trabalhou contra nossa candidatura sempre deixando clara sua opção para um partido diferente daquele que ele presidia, uma situação aparentemente inexplicável, mas só pode ser interpretada como uma vontade de ser candidato legítimo ao governo em 2010, o processo de 2010 contaminando 2008. O fato é que estamos convencidos da necessidade de restabelecer o debate dentro do partido. Ontem (quinta-feira-8) escutei por parte da governadora a necessidade de se convocar o diretório e eu aplaudi essa iniciativa porque se restabelece a normalidade desse processo.

NM – Essa sua posição, juntamente com os vereadores e o diretório municipal do PSB, tem irritado a governadora, segundo informações. Você vai esticar a corda até o fim?

RM – Tem um filósofo do futebol chamado Juarez Soares que diz: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Correção, fidelidade, ética, trabalho, isso a governadora nunca vai me acusar de não ter tido com ela nem de não ter no futuro.

NM – Mas vocês vivem hoje uma grande divergência

RM – Mas é uma divergência política porque num partido político se você não tem o direito de discordar ou divergir, isso não é um partido.

NM – Mas ela como líder não pode exigir isso dos seus liderados?

RM – Quem exige dos seus liderados uma obediência cega não é líder. Ela tem que convencer e se convence pelo exemplo, pelos argumentos, e eu não estou convencido. Me permito discordar até pelos 23 anos que estou com a governadora Wilma na derrota e na vitória.

NM – A governadora sempre foi marcada pela coragem e ousadia. Neste episódio de 2008 a governadora passa a idéia de medo de perder uma eleição em Natal? Porque o argumento é que você não teria condições de chegar nem ao segundo turno?

RM – Um candidato que chega a 14 pontos de intenção de votos sem que suas lideranças se manifestem. Um candidato que constrói sua candidatura fazendo o que a gente chama de dever de casa, indo as ruas, conversando com a sociedade, construí um projeto... Talvez seja o único candidato que fez isso que é o “Natal 2022”, um programa de estratégia para Natal consultando a população. Fui o deputado federal mais votado, fui presidente da Câmara municipal, conheço a cidade profundamente...

NM – Você se acha pesado ?

RM – Não eu estou com 81 quilos, tenho 1,70 de altura, toda manhã faço academia. Não acredito nesse tipo de situação até porque a campanha não começou, ela só começa quando as candidaturas estão postas e consolidadas o que só acontece nas convenções. Tanto que apenas 10% ou 12% da população estão com seus candidatos escolhidos. A governadora continua sendo minha líder. Qualquer que seja o resultado desse embate eu tenho compromisso com ela e com o meu partido que desse eu não abro mão.

NM – Fala-se até que a governadora poderia tirar a Secretaria de Educação do seu grupo político. Essa questão da secretaria lhe incomoda?

RM - Eu acho que os atos e posições que assumimos geram conseqüências. Nós não estamos aqui para fazer bravata. Nós estamos numa posição em defesa do nosso partido, em defesa da própria governadora, em defesa da sociedade e da cidade de Natal.

NM – A governadora teria colocado a sua disposição a vaga de vice. Ou ocupar ou indicar alguém do seu grupo político. Você chegou a pensar nessa possibilidade?

RM – Não, de jeito nenhum. Não temos nenhuma pretensão ao cargo de vice. Até porque nós temos pretensão de sermos candidato a prefeito de Natal.

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