Com a missão de trazer de volta a credibilidade do futebol potiguar, o vice-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) eleito após a intervenção na entidade devido a denúncias contra a administração do ex-presidente Nilson Gomes, José Vanildo, assumiu na última quinta-feira (10) o comando da entidade maior do futebol no Estado: a presidência da FNF.
A presidência veio logo após o presidente Alexandre Cavalcanti ter renunciado, alegando problemas de saúde. Nesta entrevista exclusiva para o portal Nominuto.com, José Vanildo, comenta sobre suas pretensões frente à entidade, defende os membros do Tribunal de Justiça Desportista do Estado e diz que não tem receio de sua gestão ficar atrelada à administração do ex-presidente.
Nominuto – Como é assumir uma Federação de Futebol em meio a toda essa crise que envolve o futebol potiguar, nas questões jurídicas no Tribunal de Justiça Desportiva?
José Vanildo – Acho que é um momento importante porque a pessoa começa a avaliar com mais profundidade a crise existente e a possibilidade de melhorias para serem adotadas mais rapidamente.
NM – Na última quinta-feira (10), após o julgamento que deu ganho de causa ao América frente o Assu, algumas pessoas saíram comentando sobre um possível favorecimento aos clubes grandes. O senhor acredita que esse fato pode manchar a credibilidade da justiça e por tabela a da Federação?
JV – O Tribunal é composto por representantes de instituições sérias como, a Ordem dos Advogados Brasileiros e por outros membros indicados por instituições como, sindicatos, clubes e a própria Federação, que exercem função sem nenhuma remuneração, apenas pelo desejo de auxiliar o desenvolvimento do futebol. Já fui presidente do Tribunal por quatro
mandatos e nunca observei essa situação. Mas, poderão existir algumas situações pontuais que devam ser combatidas no âmbito das discussões jurídicas, sem o movimento de paixão clubística ou pessoal.
Presidente da FNF não tem receio de sua gestão ficar atrelada à administração do ex-presidente.
NM – Na verdade, por muitas vezes, os senhor esteve à frente da FNF durante este ano, isso se configuraria numa possível falta de responsabilidade do ex-presidente Alexandre Cavalcanti? Ou o senhor prefere acreditar que existia uma confiança no seu trabalho?
JV – Eu acho que a renúncia do presidente decorreu primeiramente em razão de sérios problemas cardiológicos. Vale ressaltar que desde sua posse, ele já vinha sofrendo com os problemas de saúde, fato que certamente concorreu para que ele se ausentasse de questões
administrativas. No entanto, a todo tempo minha posição foi critica á algumas ações da Federação. Sem, contudo, isso se concretizar numa oposição, mas numa forma de demonstrar que poderia ser realizados atos na entidade.
NM – O senhor assume a Federação até o final de 2009. O que pretende fazer de concreto na sua gestão?
JV – Terei em torno de 20 meses à frente da Federação. Vou realizar uma reforma no organograma da Federação, extinguindo cargos e se possível reduzindo o número de funcionários na entidade. Pretendo também buscar junto ao Governo a cessão de um imóvel para o funcionamento da Federação, que atualmente não possui a menor condição física abrigar uma federação de esportes.
NM – Após a renúncia do presidente Alexandre Cavalcanti, muitos da imprensa e até os desportistas comemoraram, o senhor não tem receio de ter seu nome e sua gestão vinculados a dele.
JV – Acho que esse descontentamento existente reflete exatamente a ausência do presidente da Federação. Eu tenho certeza que isso decorria muito menos em razão de vontade pessoal e mais em decorrência das questões de saúde, que atravessava ele. O meu envolvimento era muito mais na parte técnica como, discutir regulamento, debater com os filiados. Estarei durante todo o meu fim de semana debruçado num balanço da FNF para avaliar as questões financeiras e a real situação contábil da entidade. Nesta segunda-feira (14) estarei numa
reunião interna com a diretoria e com os vice-presidentes e durante a semana irei marcar uma reunião com todos os filiados. Acredito que é fundamental que as conclusões tenham caráter público e participativo de toda a sociedade.