2 de Dezembro: Dia Nacional do Samba

Nicolau Frederico,

O Brasil é conhecido internacionalmente pelo samba, um estilo musical e de dança típico do país. O Carnaval é a festividade em que o samba se torna ainda mais popular, virando o ritmo oficial da festa. O Dia Nacional do Samba, ou simplesmente Dia do Samba, é comemorado dia 2 de Dezembro, nesta terça-feira.

"Na década de 1930, organizados por Paulo da Portela, sambistas de Madureira e Oswaldo Cruz, subúrbios do Rio de Janeiro, após um dia de trabalho, voltavam para Oswaldo Cruz no trem das 18h5min. Num desses vagões, organizavam reuniões e discutiam a organização do carnaval, sempre com muito samba. No ano de 1995 outro compositor, Marquinhos de Oswaldo Cruz, reorganizou o "Pagode do Trem", fazendo com que o evento entrasse para o calendário turístico da cidade do Rio de Janeiro, sendo apresentado no dia 2 de dezembro, "Dia Nacional do Samba"." , conforme nos relata o Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira.

Origem do Dia do Samba

Remexendo o site da Academia do Samba , encontro o registro de um artigo de Paulo Eduardo Neves que conta "De acordo com a lenda popular, o Dia do Samba foi criado em homenagem ao sambista Ary Barroso, compositor da música "Na Baixa do Sapateiro", uma ode à Salvador, capital da Bahia. O vereador baiano Luís Monteiro da Costa foi quem instituiu a data, marcando o dia em que Ary Barroso visitou a Bahia pela primeira vez, em 1940. Curiosamente, antes deste acontecimento ele já havia escrito a canção "Na Baixa do Sapateiro", que em seus versos eternizou a Bahia como a “terra da felicidade. Desde então, o Dia do Samba é comemorado principalmente em Salvador e no Rio de Janeiro, onde organizam-se festas e shows em homenagem ao ritmo. Atualmente, existem variações do samba com outros estilos de músicas. Entre eles, o que se destaca é o Samba Rock, representado principalmente pelo cantor Seu Jorge".

O samba e suas variações

"Sinônimo de alegria e festa, o samba nem sempre foi visto com bons olhos. No início do séc. XX, o ritmo era marginalizado, seus seguidores e compositores sofriam preconceito, por razões históricas e também muito ao fato de suas raízes africanas. Só no governo de Getúlio Vargas houve a exaltação do samba como símbolo da identidade nacional, ainda que muito do seu sentido original tenha se perdido e muitas letras modificadas, devido ao objetivo de usá-lo para passar mensagens que iam de encontro ao projeto nacionalista governamental.", conta o pesquisador Ricardo Cravo Albin em seu Dicionário.

Desde então, o samba foi se popularizando por todo país e ganhando novas formas de ser feito, gerando seus sub-gêneros.
Saiba um pouco mais sobre alguns deles:

- Samba enredo: Criado na década de 1930 no Rio de Janeiro especialmente para desfile de uma escola de samba, permanece como atração principal dos carnavais carioca e paulista até hoje. A cada ano as escolas definem seus temas, que definem toda a coreografia, alegoria e a composição que será cantada na avenida.

- Samba de partido alto: Surgiu dos terreiros das escolas de samba ainda na década de 1930. Antigamente considerado um samba mais instrumental, transformou-se em uma espécie de desafio entre sambistas. Suas letras improvisadas trazem histórias sobre a realidade de morros e áreas carentes que seduzem o ouvinte. Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Dudu Nobre são alguns dos sambistas desse estilo.

- Samba de breque: Moreira da Silva é um dos mestres dessa modalidade que tem como característica principal instantes de parada brusca, onde o cantor pode adicionar comentários ou outros artifícios de tom crítico ou humorístico.

- Samba de gafieira: Usualmente encontrado na dança de salão, é mais rápido e mais forte na parte instrumental. Tem sua origem no samba e no maxixe, trazendo para a dança toda a ginga e esperteza do iconográfico malandro do samba, que conduz sua parceira de uma maneira peculiar.

- Sambalanço: Nasceu nas boates do Rio e São Paulo na década de 1950, carregando influências da bossa nova e do jazz e deu um novo swing ao samba tradicional. Seus representantes e contribuidores mais conhecidos são: Jorge Ben Jor, Elza Soares, Djalma Ferreira, dentre outros.

- Samba-funk: Resultante da fusão do samba nacional com o funk norte-americano na década de 1970, também tem Jorge Ben Jor como um de seus contribuidores, assim como Tim Maia.

Samba nas ondas da Rádio Senado

A Rádio Senado prestou sua homenagem ao Dia Nacional do Samba no seu programa semanal Programa Eu quero um samba, produção e apresentação da dupla Fernanda Nardelli e George Cardim.
 
O programa "Eu Quero um Samba", que vai ao ar pela emissora aos sábados e domingos às 12h e pela Internet às sextas-feiras, comemora os 50 anos de carreira de Paulinho da Viola , criador da "Velha Guarda" da Portela, que estreou nos palcos da famosa casa de samba "Zicartola", criada em 1963, pelo mestre Cartola e sua mulher, dona Zica.

Músico refinado, Paulinho soube conciliar a tradição com a inovação, tornando-se autor de clássicos que marcaram a história do samba. Alguns deles foram escolhidos por convidados que passaram pelo "Eu Quero um Samba", como "Foi um Rio que Passou em Minha Vida", "Sinal Fechado", "Eu Canto Samba" e "Para Ver as Meninas".

As sugestões aos produtores foram feitas pelos sambistas e cantores como os cantores Monarco, Marisa Monte, Ivan Lins, Sandra de Sá, Beth Carvalho e Paulinho Moska, pelos escritores Ricardo Azevedo, Bené Fonteles e Gabriela Goulart, pelo compositor Capinan e pelos jornalistas José Carlos Vieira e Luiz Cláudio Cunha.

Com informações do Calendário Online Brasil, Academia do Samba, Rádio Senado FM e Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira

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