Elis, no som das capas de Elifas Andreato

Nicolau Frederico,

Ele acaba de ganhar uma exposição no Centro de Referência da Música Carioca (CRMC), na Tijuca. Está completando 50 anos de carreira e é considerado o maior designer de capa de disco do país.

Elifas Andreato é seu nome e sua arte continua inspirando. Jornalista e artista gráfico, recentemente postou em sua FanPage mais uma de suas criações, entre tantas que o Brasil cultural sempre agradece.

Desta vez, ele postou este vídeo, ao que indica iniciando mais uma de suas séries de sucesso. "Som das Capas - Histórias e curiosidades sobre a criação das capas de discos mais famosas do Brasil, por Elifas Andreato".

E começa pela nossa estrela maior, Elis Regina, com quem ele conviveu em diversos projetos na sua carreira de sucesso  artístico. Vale conferir e prestigiar este grande artista brasileiro!


 

Com informações de Catraca Livre Rio, Dicionário Cravo Albin da MPB e Canal YouTube


O ídolo que passou e o ídolo que ficou

Nicolau Frederico,

Reservo este "Espaço MPB" para um texto do jornalista conterrâneo araxaense Ronan Soares Ferreira, que tem passagens por grandes veículos da mídia brasileira, como a Rádio Nacional de Brasília, Correio da Manhã, O Estado de S. Paulo, O Globo, Rede Globo de Televisão, o canal GloboNews e assessorias de Imprensa.

Ronan foi o inspirador de minha profissão de jornalista. Em minha infância e adolescência, lia e acompanhava seus textos publicados no Correio de Araxá, editado há mais de 50  anos pelo dedicado jornalista Atanagildo Cortes. Mas, quando iniciava meus primeiros passos, ainda como "foca", foi Ronan quem me indicou para um estágio na sucursal do Estadão em Brasília. Eis o seu texto sobre dois grandes brasileiros de nossa história; um, na MPB e o outro na política:

"Em 1961, vivi como repórter uma nova fase da história do Brasil. Estava no jornalismo da rádio Nacional de Brasília, e já era respeitado porque escrevia fácil e fiz muitos amigos. Jânio Quadros, que eu detestava, como contei aqui em outro capítulo, foi eleito presidente.

Nessa época, reencontrei, na rádio, uma pessoa de quem eu gostava muito: Luiz Gonzaga, o 'Lua', o Rei do Baião. Empolgado com Jânio, ele ajudou a mulher dele, dona Eloá, a fazer a campanha do marido pra presidência, sucesso absoluto.

Quando Jânio foi eleito, Gonzagão ficou eufórico e convidou a mim e ao Miudinho, que tinha sido zabumba dele no baião, funcionário da rádio, para tomar umas e outras na Cidade Livre e comemorar a vitória de Jânio numa boate de lá.

Idolatrado pelo povo, ele foi recebido como uma grande estrela. Começamos a beber e ele se mostrava empolgado pela veia esquerdista de Jânio, embora fosse um nordestino dos mais conservadores (meses depois, Jânio condecoraria Che Guevara, mas, já nesta época, dava recados de simpatia para a esquerda internacional).

Depois de umas e outras, os admiradores não se conformavam com seu silêncio, porque ele estava ali com a cabeça na vitória do Jânio, como cidadão, e nem se importava se era o 'Rei Luiz Gonzaga', e começaram a pedir que ele cantasse.

Naquela época, tinha uma expressão popular no país inteiro que era: "Qual é o pó?", que eu acho que não tinha nada a ver com cocaína, era uma maneira de perguntar o que estava acontecendo. O fã clube ali presente começou a pressionar, perguntando: "Gonzaga, qual é o pó?", e ele fez de conta que não tava ouvindo, mas como insistiram, ele já com umas e outras na cabeça e contrariado, virou-se pra eles com o dedo polegar em forma de '0', e falou: "O pó, gente, é o tal cuzinho!". E ali ficamos mais um bom tempo, e eu pensando na fria que ele tinha entrado com o Jânio. Em meses, ele e o resto do Brasil saberiam qual era o pó."


Gil & Caetano, um século de música

Nicolau Frederico,

O que dizer dois músicos e compositores brasileiros que, como conterrâneos baianos, trazem no peito a amizade e a MPB e completam este ano 50 anos de suas carreiras musicais?

Tudo bem e parabéns para eles, você vai me responder. Mas, eles querem mais. Vão comemorar com o show “Dois amigos, um século de música”. Aqui e no exterior. São eles Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O ensaio para o grande show da dupla baiana começou meses antes. Semana passada fizeram a primeira reunião para a definição do repertório da turnê, que estreia em junho na Europa. Confira o roteiro da turnê

O show no Brasil fica para o segundo semestre deste ano e vai percorrer as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Dependendo da resposta do público nestas capitais, as apresentações podem chegar a outras cidades e capitais brasileiras.

Ícones do movimento tropicalista, Gil e Caetano comemoram 50 anos de carreira e foram entrevistados no programa dominicalFantástico”, da Rede Globo de Televisão, quando falaram deles próprios e do show comemorativo.

Com informações da produção de Gilberto Gil e Caetano Veloso. 



Trio Madeira Brasil lança o seu primeiro DVD

Nicolau Frederico,

Eles se apresentaram no Teatro Riachuelo, acompanhando a cantora potiguar Roberta Sá no show "Quando o canto é reza". Mostraram sua arte e o seu valor.

Agora,com mais de 15 anos de carreira, três discos lançados e o primeiro álbum, produzido em 1998, o Trio Madeira Brasil apresenta neste sábado (02/05), às 18h e na sexta (08/05), às 10h, pelo Canal Brasil da telinha, o seu primeiro DVD. O violonista Yamandu Costa é o convidado especial.

O trio é formado por Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira) e Ronaldo do Bandolim (bandolim). O show passeia por um repertório de clássicos do samba, choro e MPB, com composições de Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Chico Buarque, Astor Piazzolla, Radamés Gnattali e Heitor Villa-Lobos, além de músicas autorais.

Os incessantes dedilhados de incrível precisão – é possível acompanhar suas movimentações de perto em tomadas que detalham cada nota – começam com três choros de Jacob do Bandolim: Santa Morena, Quebrando o Galho e Assanhado. Choro pro Tio, composta por Zé Paulo Becker, dá sequência ao repertório, que continua com Olha Maria e Passarim, ambas de Tom Jobim.

O violonista Yamandu Costa junta-se ao trio em Suíte Retratos (Mov. Pixinguinha), de Radamés Gnattali, antes do repertório tornar-se internacional, com composições do argentino Astor Piazzolla e do espanhol Manuel de Falla. O set list ainda traz o clássico de Villa-Lobos, O Trenzinho do Caipira.

“Trio Madeira Brasil” possui trabalhos acompanhando Guilherme de BritoA Flor e o Espinho (2003) – e Roberta Sá Quanto o Canto É Reza (2010).

Com informações da produção do Canal Brasil




Wanda Sá e Lysia Condé no embalo do Seis & Meia

Nicolau Frederico,

A cantora e compositora carioca Wanda Sá e a mineira-natalense Lysia Condé são as atrações nacional e local do Seis & Meia desta terça-feira (14), no palco do Teatro Alberto Maranhão. 

Considerada uma das mais importantes intérpretes da bossa nova, a cantora Wanda Sá inicia seu show as 19h30, apos a apresentação de Lysia Condé.

Em “Benção Vinicius de Moraes”, Wanda canta grandes sucessos do “poetinha” e, em clima intimista, conta histórias que viveu ao seu lado. Além de amiga, Wanda foi parceira musical de Vinicius, com quem viajou o Brasil e a América Latina fazendo shows.


No palco, ela conta com a companhia de Adriano Souza (piano), João Cortez (bateria) e Dôdo Ferreira (baixo), que dão o tom para um repertório convidativo à participação do público. Entre outras canções, a set list traz “Ela é carioca”, “Eu sei que vou te amar”, “Minha namorada”, “Se todos fossem iguais a você” e “Água de beber”.

A cantora aproveita a oportunidade para uma celebração própria. Ela comemorou, em 2014, 50 anos do disco “Wanda vagamente”. O álbum, produzido pelo músico, compositor e produtor Roberto Menescal, foi um grande sucesso de vendas e a projetou internacionalmente quando gravado em 1954.

Nos Estados Unidos, “Wanda de Sah” – seu nome artístico no mercado norte-americano – gravou os álbuns “Softly” e “Brasil ’65” (1965) e teve participação no disco do compositor com Paul Desmond, gravando a versão americana de "Pra dizer adeus", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.

No Brasil, Wanda Sá gravou mais de uma dezena de álbuns, sempre interpretando ou na companhia de grandes nomes da bossa nova. Entre eles estão Roberto Menescal e o grupo vocal BeBossa, ao lado de quem lançou seu mais recente trabalho: “A Galeria do Menescal” (2012).

Lysia Condé que abre o show de apresentação de Wandá Sá,  canta de 18h30 às 19h30. A formação  da equipe de músicos que a acompanham está em voz, violão, piano e violoncelo.

O repertório musical foi escolhido a dedo e inclui Chiquinha Gonzaga, Caymmi, Tradição Oral, Tom Jobim e Dominguinhos.

Show imperdível! Com muitas e boas bossas, com banquinho e violão ...

Com informações de Regina Oreiro, Elio Perez e Amaury Júnior


Os nonsenses de Gilberto Gil em "Refazenda"

Nicolau Frederico,

O cantor, compositor e músico Gilberto Gil, volta a postar em sua FanPage os comentários sobre suas músicas. Desta feita, o artista baiano fala sobre como nasceu e compôs a canção “Refazenda(1975).

Gil explica que “"Refazenda" resultou de uma justaposição de nonsenses. Começou com um brainstorm com sons: fui aleatoriamente escolhendo palavras que rimassem e cheguei a um embrião interessante - um desses troncos de árvores tronchas sobre os quais o cinzel dos artistas populares vai trabalhar para fazer esculturas loucas, à la Antônio Conselheiro, do Mario Cravo, nascida de um tronco com dois galhos de braços abertos. O esboço era maior e muito mais absurdo: não tinha sentido nenhum! Aos poucos fui criando sentidos parciais a certas frases, até desejar um sentido geral para todas.

E continua, descrevendo que "os versos foram feitos antes da música, obedecendo a um ritmo que eu tinha na cabeça. Para o primeiro, escolhi o alexandrino, um dos preferenciais do cantador nordestino, pois queria a priori uma canção com esse direcionamento country."

Quanto à frase "Abacateiro, acataremos teu ato" – Gil diz que  "na época pensaram que eu me referia à ditadura militar (o verde da farda) e ao ato institucional, o que nem me passou pela cabeça. O que me veio mesmo foi a natureza em seu contexto doméstico, amansada, a serviço da fruição - daí a idéia de pomar e das estações. “Refazenda” é rememoração do interior, do convívio com a natureza; reiteração do diálogo com ela e do aprendizado do seu ritmo."

Falando sobre a “linguagem transgressiva” da música, o compositor explica que "o período em que compus a canção é permeado pelo nonsense ou o que o tangenciasse; por um despudor audacioso de brincar com as palavras e as coisas; por um grau de permissibilidade, de descontração, de gosto pela transgressão do gosto. É uma fase muito ligada aos estados transformados de consciência, pelas drogas, e a consequente multiplicidade de sentidos e não-sentidos."

Já sobre a palavra “Guariroba”, o cantor destaca que é um "nome de uma palmeira do Planalto Central, a palavra dava nome também a uma fazenda que um grupo de amigos (Roberto Pinho, Pontual e outros) tinha a uns cem quilômetros de Brasília. Chegou-se a pensar em criar lá uma comunidade alternativa, onde nos juntássemos todos com nossas famílias. Não deu certo, e a fazenda foi vendida."

Que tal a gente rever "Refazenda" neste vídeo do canal You Tube?

Com informações da FanPage de Gilberto Gile canal YouTube


A estrela maior Elis Regina volta a brilhar na rede mundial

Nicolau Frederico,

A cantora e artista Elis Regina, que nos deixou há 33 anos, completaria nesta terça-feira (17) seus 50 anos de carreira e chegava aos seus 70 anos de idade.   

Para comemorar, será lançado nesta data tão marcante o seu primeiro site oficial com materiais exclusivos e discografia completa. Um "senhor presente" para os fãs da "pimentinha"!

Recentemente, a cantora ganhou uma loja online que carrega seu nome e assinatura, uma biografia assinada por Júlio Maria, “Nada Será Como Antes”, e foi homenageada no Carnaval de São Paulo pela Escola de Samba Vai-Vai, campeã 2015.

Mas isso não é tudo. A novidade da vez é o primeiro site oficial de Elis Regina, que entra no ar nesta terça-feira (17).

A plataforma promete reunir vídeos raros, fotos exclusivas e discografia completa da cantora. Entre os conteúdos de destaque, estão depoimentos inéditos de artistas como César Camargo Mariano, Milton Nascimento, Marília Pêra, Gal Costa e Gilberto Gil.

Em agosto de 2012, o Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, abrigou a exposição "Viva Elis", sobre a vida, a obra e a trajetória da “Pimentinha”. Visitei a exposição no CCBB/RJ e relembrei momentos inesquecíveis de sua carreira. Relembre aqui

Ainda iniciante no jornalismo, como “foca”, entrevistei a grande cantora para a Rádio Planalto, AM de Brasília, no final da década de 60, após um show que ela apresentou no Teatro Martins Pena, totalmente lotado. Já era uma estrela brilhando na MPB!   

Assista ao teaser de apresentação do site

Com informações do You Tube e produção do site oficial de Elis Regina

Os caminhos do Elefante na MPB

Nicolau Frederico,

Ele sempre me cobra a divulgação neste Espaço MPB sobre os músicos, compositores, cantores e artistas da música popular do Rio Grande do Norte. Pois agora chegou a vez!  

O potiguar José Dias Júnior, mais conhecido aqui em Natal como "Zé Dias", completa 20 anos como produtor cultural e musical. Para comemorar, lança mais um de seus projetos musicais, desta feita estritamente com músicos, compositores e estilos musicais dos mais diversos em nossa MPB.

É o "Caminhos do Elefante na MPB". O mapa do estado do Rio Grande do Norte tem o formato de um elefante! Mesmo atarefado, o produtor Zé Dias atendeu nosso pedido e respondeu as perguntas que encaminhamos para esta entrevista ao "Espaço MPB".
 
Espaço MPB - Zé, você inicia 2015 com mais um de seus projetos. O projeto “Caminhos do Elefante na MPB” pega algum gancho em outros de seus projetos culturais e musicais? Ou difere dos demais? Em quê aspectos? Vai virar também um livro?

José Dias Junior A diferença básica é que nós contaremos a nossa história na Música Popular Brasileira. Seremos os Protagonistas. O "Seis e Meia" tinha a atração nacional e o artista local, tinha uma forma de mostrar o seu Trabalho. Agora não, contaremos a nossa história. Pode até pintar um livro, mas num primeiro momento, não.

Espaço MPB - Por quê “Caminhos do Elefante na MPB”? Qual a contribuição de cantores, músicos e compositores potiguares na história de nossa MPB?

José Dias Júnior - Se pegarmos os vários momentos da MPB, estamos inseridos e não contamos esta história. Se perguntarem sobre se temos um ritmo, temos CHICO ANTONIO e seu COCO, descoberto por Mário de Andrade no final dos anos 20. Se participamos dos outros movimentos, poderíamos observar o "Choro" com Ademilde e K-Ximbinho; o "Samba Sincopado" que levou a "Bossa Nova" com Raymundo Olavo e Hianto de Almeida; se vislumbrarmos os grandes "Trios Vocais do Brasil", teríamos o Trio Iraquitan e o Trio Maraya; se caminharmos para as grandes "Cantoras do Rádio", oferecemos ao Brasil, Núbia Lafayette; na "Jovem Guarda", Leno; na "música regional", Elino Julião e Severino Ramos e nos "Festivais", tivemos uma produção local de altíssimo nível, com destaque para Mirabô e Terezinha de Jesus, artistas que foram na leva dos nordestino dos anos 70, incluindo-se ai o Flor de Cactus. Fomos engolidos nos anos 80, como toda música popular brasileira, ressurgindo com o "Projeto Seis e Meia", nos anos 90 até os dias de hoje, com artistas como Quarteto Linha, Khrystal, Rosa de Pedra, Isaque Galvão Carlos Zens e Lis Rosa, participando de programas a nível nacional. Temos que contar isto.

Espaço MPB - A "Bossa Nova" teve mesmo influência de algum(a) compositor(a), músico(musicista) ou cantor(a) potiguar? Se teve, qual a importância deles(delas)? Algum(a) especial?

José Dias Júnior - Teve em Raymundo Olavo, ídolo de João Gilberto no "Samba Sincopado" e a presença de Hianto de Almeida, que foi gravado por quase todos os nomes do movimento, com destaque para primeira gravação solo de João Gilberto/52, primeiro arranjo de Tom Jobim/55 e primeira citação da palavra "Bossa Nova/55". Estávamos na frente.

Espaço MPB - Zé, você sempre foi uma referência potiguar para assuntos relacionados à MPB e à música regional e nordestina no RN. Quando começou o seu interesse neste assunto? Conte um pouco esta história de sua vida.

José Dias Júnior - Rapaz, fui ver! Estou completando 20 anos de PRODUÇÃO MUSICAL. Desde o "Seis e Meia", em 95, passando pelo "NATAL EM CANTO", no final dos anos 90 e caminhando para uma produção de boa música, com projetos em shoppings centers da cidade. Produzi 5 discos e continuo a servir a música de meu país e hoje mais focado em meu estado.

Espaço MPB - Um de seus projetos que acompanhei de perto foi o “Seis & Meia” no Teatro Alberto Maranhão (TAM). Fiquei sabendo que o novo diretor do TAM pretende resgatá-lo. O que você pensa da proposta? Guarda algum mágoa das últimas tentativas desse Projeto?

José Dias Júnior - Desejo boa sorte a quem vai fazer e mágoa nenhuma. Quando fiz, foi um sucesso. Uma  referência para o Brasil.

Espaço MPB - Fale um pouco sobre como  você analisa o atual momento cultural e musical no RN e sua expectativa? Sobre os equipamentos (teatros, auditórios e locais públicos, praças) para apresentação dos shows, artistas, compositores e músicos disponíveis e incentivos governamentais e privados.   

José Dias Júnior - Gosto da produção musical do estado. Gosto dos equipamentos, temos bons secretários de Cultura, tanto no município, quanto no estado e acho que caminhamos para EDITAIS e LEIS de INCENTIVO. O mercado daqui não é diferente do resto do Brasil. Fomos engolidos pelo "show business", de péssima qualidade e temos que sobreviver. Este é o Caminho. Precisamos é ter uma ATITUDE POLÍTICA melhor!

Antes de terminar, não poderia deixar de registrar a grande contribuição à MPB dessa cantora potiguar, nos seus mais de 50 anos de carreira: Glorinha de Oliveira, que o "velho Chateau" chamava de "Rouxinol potiguar"! Outro também que fica nesta galeria é o cantor Gilliardi

Ia fechando esta matéria, quando recebo uma mensagem pelo MSN do amigo Zé Dias. Gostei tanto que vou reproduzir aqui:

"Respondi o Email. Veja. Se eu e você pegássemos uma Van no nosso imaginário e convocássemos ADEMILDE para vir de Macaiba até o Nordestão de Igapó. Lá, ela entraria e sairíamos pegando Raymundo Olavo em MARACAJAU, K-XIMBINHO em Taipu e chegaríamos a Macau, onde Hianto de Almeida entraria. Em 180 km, teríamos mudado a história da MPB com o CHORO, O SAMBA SINCOPADO e sinalizaríamos para a Bossa Nova. É mole! Quinta, tem os Caminhos do Elefante na MPB. 20:30 horas. Ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00."

Este é o nosso Zé Dias! Estilo simples, direto e humano! Grande empreendedor de nossa música potiguar! Sucesso, caro Zé!

Para acompanhar todas as novidades e agenda do projeto curtam a FanPage do projeto "Caminhos do Elefante na MPB" e fiquem de olho!



Guaramiranga respira jazz & blues na carnaval 2015

Nicolau Frederico,

Estive anos atrás por lá. Vi de perto na cidade de Guaramiranga, na serra Maciço de Baturité, a 100 km de Fortaleza, um fenômeno musical.

A cidade de 6.400 habitantes, recebe nestes dias de carnaval, perto de 13 mil pessoas de todas as idades e dos mais diversos cantos do país. O motivo é o Festival Jazz & Blues 2015, que chega este ano à sua 15ª edição. A programação do festival na serra começa neste sábado (14) e vai até terça (17) e depois se transfere para quinta (19) a sábado (21), em Fortaleza.   

A cidade serrana vive os quatro dias de jazz, blues e boa música instrumental, além dos hotéis, pousadas e aluguel de casas em Guaramiranga, os visitantes têm opções de hospedagens nas outras cidades do Maciço de Baturité. Só há um pequeno barzinho que destoa do clima de jazz & blues. Lá, uma bandinha anima os poucos foliões com as marchinhas do bons e antigos carnavais.

Cidade Jazz & Blues

Uma estrutura de 1.500 m2, dos quais, 850 de área coberta, recebe toda a programação de shows do Festival Jazz & Blues este ano em Guaramiranga, É a Cidade Jazz & Blues, erguida na rua principal, no espaço do campo de futebol. É lá que acontecem os ensaios abertos às 16h, os shows das 17h e das 21h, além das Jam Sessions, que vão até as 3h da manhã. Tudo no mesmo local, projetado para dar mais conforto e segurança para quem vai subir a serra para quatro dias de boa música.

Projetada com acessibilidade em todos os espaços, a Cidade Jazz & Blues é uma estrutura com piso, praça de alimentação, área de banheiros químicos e com uma ambientação que remete à beleza natural da serra.

A nova estrutura é fruto da proposta da Via de Comunicação e Cultura, realizadora do Festival, de procurar inovar a cada ano, com novos projetos e atrativos ao público cativo que conquistou ao longo de 15 anos de carnaval jazzístico na serra.

Outros espaços em Guaramiranga também recebem atividades do Festival. Na Praça do Teatro Rachel de Queiroz, diariamente às 15h há o Café no Tom. É o momento de um bate-papo com uma das atrações do Festival.

Na Escola Zélia Matos Brito e na sede da Associação Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA) acontecem oficinas de percussão e canto e Cine Clube. Qualquer pessoa pode participar das oficinas. O acesso é gratuito, mas como as vagas são limitadas os interessados precisam se inscrever na secretaria do Festival.

Além do reconhecimento do Festival em todo o País e fora dele, as diretoras do Festival, Maria Amélia Mamede e Rachel Gadelha, comemoram este ano os 15 anos da Via de Comunicação e Cultura, com inúmeros trabalhos já realizados nas áreas da cultura, de organização de eventos e relações públicas.

Assim, o festival impulsiona a cultura, a educação, o turismo e a economia local, visando à sustentabilidade social e a valorização do maior patrimônio do ser humano: o conhecimento.

Atrações nacionais do festival

O palco da Cidade Jazz & Blues em Guaramiranga recebe diversas atrações, entre músicos locais, nacionais e internacionais. Este ano todas as informações acerca do Festival Jazz & Blues 2015 estão disponíveis em seu hotsite. Acesse aqui o hotsite do festival

Muito mais interativa, na página, o internauta acessa toda a programação do Festival, além de obter informação sobre a compra de ingressos e também adquiri-los online, reservar o passaporte para o Expresso Jazz & Blues - uma novidade para o público que não consegue mais hospedagem na cidade - e conhecer as novidades desta 15ª edição.

Quem está nos bastidores

Assim como em um grupo musical, no qual os músicos devem estar afinados e entrosados para realizar um excelente espetáculo e propiciar momentos de emoção e divertimento ao público, a equipe de produção do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga, busca cada vez mais afinação e aprimoramento.

"O Festival é reflexo de quem o faz. Compromisso, pioneirismo, apuro, qualidade técnica e artística, excelência, esmero, dedicação, experiência, profissionalismo e amor à arte e à cultura, são os elementos fundamentais na condução deste que é um dos eventos mais importantes do gênero no Brasil.", reconhecem as diretoras do festival.

Conheça aqui os maestros do Festival de Jazz & Blues.

Com informações da Via de Comunicação e Cultura


Rio de Janeiro: 100 anos de carnaval

Nicolau Frederico,

Um dos maiores carnavalescos, jornalista, escritor, produtor cultural e ator brasileiro, Haroldo Costa, publica uma obra preciosa para quem gosta de participar, comentar e rememorar os dias de Momo, mais conhecido como Carnaval.

A Editora Irmãos Vitale, de São Paulo, especializada em música é a responsável pela edição. “100 anos de carnaval no Rio de Janeiro” foi editado em 2001 e ainda permanece atual.

Haroldo Costa

É o próprio autor que explica sua obra, quando diz “Uma coisa eu afirmo: só poderia ou poderá escrever a história do carnaval carioca quem for carnavalesco, quem gostar dos folguedos de Momo, quem envelhecer trepidando com sambas, correndo para ver passar na rua ou mesmo numa distante esquina, ou ainda para acompanhar, um bloco, um rancho, uma escola de samba.”

E continua o jornalista Haroldo Costa na introdução de seu livro, afirmando que “O carnaval carioca é uma das mais legitimas expressões da maneira brasileira de ser. Tanto assim que, escapando da esfera geográfica da nossa cidade, sua transformação deu-se de maneira inexorável, influenciando outras cidades e estados, criando uma temperatura que não tem nada a ver com a meteorológica mas, sim, com a pulsação interna e contaminação de difícil resistência.

Nas ruas, seu habitat natural, nos salões, nas praias, não há um só lugar onde o carnaval do Rio de Janeiro não se faça presente. Por ser um carnavalesco convicto sempre me interessei sobre as histórias sobre esta festa que é a maior catarse coletiva do país.
 
Nascido nas ruas, por obra e graça de boêmios e foliões anônimos impulsionados pelo incentivo alcoólico, o carnaval carioca encontrou seu destino nos batuques, nas cantigas improvisadas, na graça das mulheres e na transgressão que ficou sendo uma de suas marcas indeléveis
.”

Finalizando, Haroldo destaca que “O livro, para mim, é uma viagem muito interessante pelas várias fases pelas quais o carnaval vem passando, registrando o talento musical do povo, a criação de aparatos visuais, sejam fantasias ou carros alegóricos, sempre acrescentando inovações e variedades, tendo sempre o cuidado de não perder de vista as razões de sua existência que são a alegria espontânea do povo e a soma das nossas influências culturais.”

Na apresentação do livro, a Editora Irmãos Vitale comenta ainda que “Zé Pereira, corso, batalha de confete, banho de mar a fantasia, bailes, concursos de fantasia, blocos, escolas de samba. Tudo nos é mostrado pelo jornalista e historiador Haroldo Costa, de maneira clara e erudita, falando do que conhece e muito bem. O livro é fruto de um longo trabalho de pesquisa, no qual o autor se debruçou para compilar o que de mais importante ocorreu no carnaval carioca, desde os primórdios do Século XX até os dias de hoje.”

Conheça mais de perto a biografia, a obra e a história de vida deste grande brasileiro em nossa MPB, acessando aqui o link de seu Site oficial de Haroldo Costa

Fundada em São Paulo em 1923, a Editora Vitale se mantém nestes mais de 80 anos como uma grande parceira de alguns dos maiores nomes da nossa história musical. Em seu acervo, estão mais de 20.000 músicas, de um total de 9 mil autores ou herdeiros.

Criada pelos irmãos Emílio, Vicente, Affonso, José e João Vitale, hoje ela é administrada pela segunda geração da família através dos, também, irmãos Fernando, Sérgio, Luiz e Rubens, tanto na matriz de São Paulo como na filial do Rio de Janeiro, existente há mais de 50 anos.

Esta é a nossa dica para este Carnaval. Claro, se você não for brincar ....

Com informações da Editora Vitale e Dicionário Cravo Albin da MPB



A generosidade de Tom Jobim

Nicolau Frederico,

Em junho de 2013, o músico, compositor e produtor musical Roberto Menescal, a convite da cantora Camila Masiso, se apresentou no Teatro Riachuelo, aqui em Natal/RN, ao lado dos músicos potiguares Eduardo Tauffic (teclado) e Diogo Guanabara (violão).

Nesta comemoração do dia de nascimento do nosso maestro maior, Tom Jobim, relembro uma das séries de entrevistas que fiz com Menescal. Ele falando sobre o agora eterno músico, compositor, cantor e maestro brasileiro, com quem conviveu de perto por longos anos.   

Nicolau –
Recentemente a Folha de São Paulo lançou uma coleção “Tributo a Tom Jobim”, que vem somar aos dois filmes documentários de Nelson Pereira dos Santos, ao livro “Histórias de Canções: Tom Jobim” (Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira), à série de shows do Projeto Nívea Viva Tom Jobim e ao Instituto Tom Jobim (no Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro). Sabemos que em 2014, se completam vinte anos de sua perda. E como foi sua convivência com este grande maestro, músico e compositor?

Menescal – O Tom é “sobre nós”! Para mim foi e continua sendo a grande figura da música popular brasileira. Ele foi muito generoso com esta geração da gente que veio quase dez anos depois dele, sempre nos ajudou sem dizer que estava nos ajudando. Ele nunca nos criticou, pelo contrário, ele dizia assim: “Ouvi uma música tua, “Rio”, gostei muito. Esgarcei ela quase toda!” Aí ele fazia: “Rio, maré mansa” e botava a letra “Por isso é que o meu Rio não era assim...” Aí eu perguntava a ele: “Como é Tom? Não é assim, mas vai ser assim.” Aí ele dizia que não queria modificar. Ele estava na verdade dando uma dica. Então, esta generosidade que ele tinha eu não conheço ninguém que a tivesse tido. O Tom foi o cara que me deixou uma marca muito grande. Eu estive semana passada no Instituto (Instituto Tom Jobim), lá no Jardim Botânico e falei com o Paulinho (Paulo Jobim, músico e filho de Tom Jobim): “Me deixa ficar um pouco andando sozinho por aqui...” Olha, fiquei muito feliz e emocionado e falei para mim mesmo que coisa bonita tudo isso, todo mundo tinha que conhecer e ver tudo aquilo. As pessoas não podem esquecer. Ali estavam os bilhetes escritos à mão: “Vinicius, você não acha bom isso aqui não? Vinicius, está coisa de “já botei o Cristo até demais. O que é isso? Nós precisamos respeitar.” E a resposta do Vinicius: “Ah, ah, ah!”

Nicolau – Os dois formaram uma dupla fantástica, não?

Menescal – Sem dúvida nenhuma.

Nicolau – Agora o Tom tinha uns parceiros interessantes. Olha o caso do Newton Mendonça, por exemplo, não é Menescal?

Menescal – É e tem gente que fala que o Newton se escondia. Eu conheci o Newton. Ele era aquele cara que não falava. O Tom, por sua vez, era expansivo, era brilhante. Quando abria a porta era aquele: “Oh!” Ele perguntava se o Newton estava e o Newton ficava num canto. São personalidades totalmente opostas. Um brilhava, mas o outro não queria brilhar. Mas as músicas deles foram feitas a quatro mãos. Na canção “Desafinado”, eles se entenderam perfeitamente. Ele foi o grande parceiro musical de Tom Jobim. Ninguém nunca escondeu ele. Era a sua personalidade. E morreu com 32 anos, muito cedo.

Com informações de Roberto Menescal, Dicionário Cravo Albin de MPB. Foto do Site Oficial de Tom Jobim


Teatro Rival é palco de solidariedade da turma da Bossa Nova

Nicolau Frederico,

O Teatro Rival, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (21), será palco de um show de solidariedade com a presença da turma da Bossa Nova.

Estarão juntos Miele, Roberto Menescal, Marcos Valle, Bossacuca Nova e Carlos Colla. Eles vão fazer um show beneficente para uma campanha humanitária em curso, cuja finalidade é custear uma cirurgia para o garoto Ruan Victor.

Ruan Victor é uma criança de 9 anos de idade, portadora de uma microencefalia e paralizia cerebral. O show visa arrecadar recursos financeiros para a cirurgia de implantação de uma válvula cerebral.

Mas, deixemos com o próprio Miele o convite para este show humanitário. Se você é do Rio de Janeiro ou vai passar por lá esses dias, não deixe de marcar sua presença!



O renascer do Beco das Garrafas

Nicolau Frederico,

Em julho (11) de 2013 publiquei em meu blog o artigo “Beco das Garrafas: aqui começou a bossa nova”. Bateu uma saudade e lembrei-me daquele local histórico.

Onde fui encontrar a informação? Fuçando a rede mundial, encontrei um site carioca que relembra tudo. Acessei o site oficial de um grupo denominado Copacabana.com . Lá, encontrei as origens e as histórias do Beco das Garrafas e o início da Bossa Nova nas noites cariocas.

O nome Beco das Garrafas decorreu da seguida prática dos moradores dos edifícios em torno, de jogar garrafas nos frequentadores das boates lá em baixo, e, por ser uma rua estreita e sem saída. Foi batizado por Sérgio Porto inicialmente como Beco das Garrafadas, reduzido mais tarde para Beco das Garrafas. Não muito longe dali, também em Copacabana, o Bossa Três – Os Reis do Ritmo – Bossa Três, formado pelo pianista Luís Carlos Vinhas – Samba da Benção – Jobim, Vinicius, Baden, Menescal, Lyra… and All the Others, o baterista Edison “Maluco” Machado Edison Machado e o baixista Tião Netto incendiavam as noites do restaurante Au Bon Gourmet. Eles não foram muito bem-recebidos. A conservadora classe política que frequentava o Bon Gourmet  não gostou da maneira ousada que o trio tocava samba – queriam é ouvir Nelson Gonçalves  cantar samba-canção. Resultado: na mesma hora em que eles foram demitidos eu contratei o trio para tocar no Little Club.”, lembra Alberico Campana, um dos proprietários das duas boates, ao lado de seu irmão Giovanni Campana.

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E Campana acrescenta que “em seus pequenos espaços, abrigavam pocket-shows assinados com criatividade pela dupla Miele e Bôscoli (Ronaldo Bôscoli), responsáveis pela direção, pelo som e pela iluminação, seu lema era “Dê-nos um elevador e nós lhe daremos um espetáculo”. Além dos musicais noturnos, havia também as matinês de domingo, que reuniam músicos amadores e profissionais.” O Beco das Garrafas, abrigou, nos anos 1960, o melhor da bossa nova instrumental.

O Beco renasce

Pois bem, o Beco das Garrafas renasce agora em 2014, passados 50 anos depois do primeiro show de Elis Regina no Rio de Janeiro, quando chegou ao Bottle´s direto de Porto Alegre. Depois de algumas semanas de êxtase, foi demitida por Roberto Jorge, um dos diretores do show, por faltar demais às apresentações.

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De lá, foi contratada para o vizinho Little Club a convite da dupla Mièle e Bôscoli, mas, novamente, receberia o cartão vermelho assim que Bôscoli descobrisse que Elis estava faltando para cantar em outros lugares. O fato é que a cantora começava a ficar grande demais para os pubs do Rio. E São Paulo, onde ela se tornaria um estrondo nacional, já a assediava com vontade.

A produtora Amanda Bravo, filha do lendário Durval Ferreira, compositor, produtor e autor de clássicos da bossa nova como "Batida Diferente", ele mesmo um frequentador do Beco, ativou o empresário Sérgio De Martino (que é o proprietário dos imóveis onde ficam o Bacará e o Botlle’s Bar) e no "peito e na raça", reabriram a casa.

Firmaram um patrocínio com uma marca de cerveja que bancou uma reforma, e que abriu em setembro de 2014 com diversos shows numa programação composta por artistas e bandas do novo cenário da música brasileira. “Quero permitir o encontro da nova com a velha geração, gente que já passou pelo Beco e artistas recentes.”, afirma Amanda.

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Conheça mais e fique por dentro da programação do Beco das Garrafas, acessando o  site oficial aqui

Fique com o depoimento sobre o Beco das Garrafas e os shows que lá aconteciam pelo músico, compositor e produtor Roberto Menescal. Nas décadas de 50/60 ele por lá andou e sabe das coisas.


Com informações do site Copacabana.com, Agência Estado e Bottle´s Bar


Luiz Pié: revelação na MPB

Nicolau Frederico,

Procurei, pesquisei novamente, como fiz no artigo anterior, "Álbum de Natal". A mídia brasileira ainda não o descobriu. Sorte maior tiveram os cariocas, paulistas e também os asiáticos (Japão, Cingapura, Indonésia) e europeus (França) que já o conhecem.

Como não poderia deixar de ser, ele é mais uma das grandes revelações feitas pelo "mestre" Roberto Menescal e marca este nosso último artigo do ano de 2014. Em 2013, Menescal revelou a pernambucana de Garanhuns, Andrea Amorim, grande sucesso que mereceu até um CD com o seu mestre, "Alma de Bossa Nova".   

Luiz Fernando Gonçalves Martins, hoje mais conhecido como Luiz Pié, foi uma criança que morou em Poá, em São Paulo. Hoje, com 25 anos, seu sonho se torna realidade, cantor de MPB ganha o mundo com sua linda voz. Já percorreu Indonésia, Singapura e França fazendo show, sem contar o sucesso que faz aqui no Brasil.

A sua história começou com oito anos na Aldeias Infantis e foi até os dezessete. Segundo ele, foram nove anos dos quais ele viveu muitos momentos de infância feliz, jogou futebol com os amigos, escutou música na praça e também teve oportunidade de ter mães sociais que ele lembra com muito carinho e saudade. Além do amor maternal, ele também teve a amizade de oito irmãos, que até hoje mantém contato.  “É uma história linda, tenho orgulho de ter sido da Aldeias!” afirma Luiz.

Luiz Pié, estudou música popular e teve uma passagem pela bossa nova para criar um jeito novo e diferenciado de cantar. Com influências diversas da bossa ao samba, passando pela MPB, Pié garimpou pérolas de novos e antigos compositores. Com sua voz de timbre privilegiado e seu estilo jovem e carismático de cantar, cria novas roupagens para antigos sucessos e interpretação vigorosas para a musicas inéditas.

A foto que ilustra este artigo não foi tirada nos anos 70. Nem no Carnegie Hall. Nem no Blue Note. Nem no Bourbon Street. Mas esse cantor merece estar em todas elas - e no mundo todo. Conheçam Luiz Pié, aplaudido aos gritos "Emílio não morreu" (alusão a Emilio Santiago, também revelado e produzido por Roberto Menescal) no encerramento do Circuito Carioca de Bossa Nova. Foto por Vinícius Giffoni

Pié foi entrevistado no programa "Armazém Cultural", produzido e levado ao ar pela Rádio MEC AM. Confira aqui a íntegra entrevista.

Mas, ninguém melhor de quem descobriu essa revelação para apresentar as qualidades deste jovem músico e cantor. Menescal gravou e divulgou e gravou este vídeo que posto aqui neste "Espaço MPB". 


Com informações de Apta Produtora, Comunicação & Marketing e YouTube. Foto de Vinicius Giffoni


Álbum de Natal

Nicolau Frederico,

Procurei formas, imagens, sons, textos e mensagens para deixar neste "Espaço MPB" nesta semana que antecede a Noite do Natal.

Pesquisei na Web, troquei ideias com amigos e colegas, recorri a livros, revistas e jornais. Pensei bastante, pois desejo levar para você que me prestigiou neste 2014, uma mensagem e algo simples e criativo, mas que represente a verdadeira história de nossa Música Popular Brasileira.

De tudo que consegui ler, assistir, conversar, ouvir, acompanhar e analisar, encontrei o "Álbum Itaú Cultural" que faz a homenagem especial "É Natal". O "Álbum" é resultado do trabalho dos núcleos de Música e Comunicação do Itaú Cultural.

É uma síntese daquilo que eu queria levar para você, internauta! E não poderia ser diferente. São as músicas natalinas, os seus compositores,intérpretes e cantores brasileiros.

Espero que os da minha geração possam recordar e os da nova geração ouvirem com atenção as belas músicas de nossa MPB que nossos antepassados nos passaram e ficaram para sempre.

Como bem diz o texto na homepage "Um fim de ano quase sempre é parecido com todos os anteriores: especiais de TV, retrospectivas do que rolou na temporada, listas dos melhores discos, filmes e livros, avenidas e prédios enfeitados e votos para que a próxima safra seja melhor."

E continua afirmando que "uma das datas mais comemoradas pelo comércio, o Natal também não passa despercebido de compositores e intérpretes brasileiros desde as primeiras décadas do século 20. Como em outros países, artistas e grupos lançam canções que tematizam o nascimento de Jesus Cristo, a ingenuidade em torno da lenda do Papai Noel ou, ainda, as desigualdades sociais e o consumismo desenfreado."

E conclui dizendo que "alguns criadores conseguem emplacar suas músicas para além do 25 de dezembro. O campeão é Assis Valente (1911-1958), municiador de hits de Carmen Miranda (“Camisa Listrada”, “E o Mundo Não se Acabou” e “Minha Embaixada Chegou”) e presente nesta playlist com duas marchas: a crítica “Boas Festas” (“Já faz tempo que eu pedi/Mas o meu Papai Noel não vem/Com certeza já morreu/Ou então felicidade/É brinquedo que não tem”), gravada por Carlos Galhardo em 1933, e “Recadinho de Papai Noel”, interpretada pela Pequena Notável em 1935."

Acesse aqui a homepage do "Álbum ItauCultural" na série especial "É Natal"!  Leia o texto completo e ouça e aprecie a seleção dos núcleos de Música e Comunicação da Itaú Cultural

Com informações de ItaúCultural


Tudo a favor de Dorival

Nicolau Frederico,

Em meu artigo anterior, publicado neste “Espaço MPB”, a internauta Maria Rodrigues deixou um comentário que, pelo seu conteúdo, aqui publico, mantendo o título que ela colocou, “Tudo a favor de Dorival”.

Tudo a favor de Dorival Caymmi, cantor e compositor tão importante pra música baiana quanto foi Rui Barbosa como um dos mais prestigiados juristas brasileiros. Nada contra os ícones brasileiros, de qualquer parte do Brasil. Temos mesmo que reverenciar, que prestigiar, sempre e tanto aqueles que contribuem e contribuíram para o progresso da nossa cultura.

O que me espanta, por ser natalense, ter vivido maior parte da minha vida no Rio e em Brasília, é estar em Natal/RN há apenas 06 anos e verificar que o meu povo não sabe como lidar com a cultura própria, com aqueles que aqui nasceram e se projetaram nacional e internacionalmente sem, contudo, receberem um mínimo de mimo dos seus conterrâneos. 

Foi uma coisa triste demais saber da morte repentina de Ademilde Fonseca, acho que há dois ou três anos atrás, sem que o RN, através dos canais locais, tenha feito as devidas homenagens a essa enorme cantora, cantora de rádio como foram Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Hebe Camargo, Emilinha, entre tantas outras. Foi uma vergonha para o Estado, porque eu mesma vi televisões do Brasil inteiro homenageando Ademilde Fonseca, a única pessoa capaz de cantar o Choro com técnica e desenvoltura de uma pessoa singular, pela sua voa rápida e ligeira, de uma voz somente entende por Deus na sua plenitude. Eu mesma não vi uma linha sobre a morte dela. 

Glorinha de Oliveira é outra grande cantora de Natal, hoje com noventa anos ou mais, porém cantando ainda como um pássaro. Vi, por acaso, uma entrevista dela na televisão local, dizendo ser seu maior desejo poder gravar um CD. Imagine! Canta como jamais alguém viu. Embora tendo sido consagrada no Rio e em São Paulo, não conseguiu sequer envelhecer para ter uma casa razoavelmente confortável.

Marinho, um dos maiores jogadores do mundo, pelo Botafogo e pela Seleção Brasileira, morreu neste ano, acho, na mais plena miséria, como se fosse um ser a parte, ou um bandido foragido. Vale dizer que ele chegou a ser flertado por uma rainha em Londres. A história desse grande atleta vai ser contada um dia, quando de nada mais adiantará. Muitos anos atrás, segundo soube, a vida desse homem era de miséria, de muitas dificuldades, quando o Estado poderia ter-lhe dado a mão, e, assim, ajudando-o a ter seu nome preservado.

Mesmo sem encerrar a montanha de nomes significativos da história do RN, citarei apenas mais um, que é o de uma das maiores cantoras brasileiras - Núbia Lafaiette. Esta aí encantou o Brasil com sua voz límpida; com suas canções apaixonadas e apaixonantes, num tempo em que o amor era vibrante, e as pessoas viviam para amar e se deliciar com os grandes cantores. Morreu, como Ademilde Fonseca, há pouco tempo, e eu só fui saber que ela era do RN por acaso, tal o descaso da imprensa local com suas personagens relevantes no cenário nacional e até internacional. 

Acho que aqui neste blog de Nassif, como em poucos, eu vi homenagem a Ademilde Fonseca. E vi alguma coisa na Rede Vida, embora saiba que nacionalmente fizeram alguns programas para relembrá-la. O fato é que aqui em Natal, onde voltei a morar após décadas, a maioria sequer sabe quem foi essa mulher.

Mas, reitero, sou a favor de qualquer homenagem a Caymmi, e a qualquer expoente cultural brasileiro. Só lastimo que um Estado como o RN não tenha a percepção da importância de prestigiar, de fazer conhecer e relembrar personagens tão significativas para a cultura local.”

Prezada Maria Rodrigues, obrigado pelos seus comentários. Além deste blog no portal Jornal GGN e antes no portal do Luís Nassif, eu fiz uma matéria em 2008 sobre o livro “A bossa nova de Hianto de Almeida”, de autoria da professora, pesquisadora e imortal na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), Leide Câmara.

Leide, antes dessa sua obra sobre o músico e compositor macauense, lançara em 2001 o seu “Dicionário da Música do Rio Grande do Norte", trabalho iniciado em 1996 e que resultou na mais completa catalogação da música potiguar. Foram catalogados cerca de 160 CD’s e 500 LP’s, além de compactos e outros objetos, como fotos, revistas e partituras.

Lá constam as biografias e as obras das cantoras potiguares às quais você se referiu e aqui publico os links na Internet: Ademilde Fonseca, Glorinha de Oliveira e Núbia Lafaiette, além de tantos outros artistas, músicos e compositores do Rio Grande do Norte que participam e participaram da história de nossa MPB.

Com informações do Dicionário Cravo Albin da MPB, Facebook e Jornal GGN. Foto de Evaldo Gomes.  





Casa da Ribeira comemora centenário de Caymmi

Nicolau Frederico,

Com o show “Samba da Minha Terra” e o lançamento da emissão postal do selo comemorativo ao Centenário do Nascimento de Dorival Caymmi, a Casa da Ribeira prestou sua homenagem ao compositor baiano e ao Dia Nacional do Samba, comemorado no dia 2 de dezembro (terça-feira).

Para o jornalista cultural Sérgio Vilar "O espetáculo "Samba da minha terra" é um musical realizado por artistas natalenses, celebrando a obra de Dorival Caymmi, um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira que, em 2014, estaria completando cem anos de idade."

O show foi realizado na noite do sábado (6), na Casa da Ribeira, localizada no tradicional bairro boêmio da cidade e contou com o patrocínio do Fundo de Incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal de Natal, com apoio da Empresa de Correios e Telegráfos -ECT/Correios e apoio cultural do Balalaika Produções.

As quatro vertentes da obra de Caymmi integraram o espetáculo: o mar, a mulher, a Bahia e o Amor através de canções imortais como “Marina”, “Suíte dos Pescadores, Vatapá, “O que é que a Bahia tem”, ” Samba da Minha Terra”, “Gabriela” e ” Você já foi a Bahia?” “Maracangalha”,além de outros clássicos do autor.

O maestro Joca Costa assinou a direção musical que trouxe a excelente participação dos cantores Ivando Monte, Heliana Pinheiro, Bruna Hertzel, Laryssa Costa, entre outros artistas.

Selo filatélico

"Os Correios homenageiam, por meio desta emissão, Dorival Caymmi, um ícone da nossa música, dono de uma voz poética singular, além de refinado compositor e intérprete. Suas canções são patrimônio da cultura nacional e sua obra permanecerá  sempre viva na memória dos brasileiros. Não é por acaso que do casamento com a mulher de toda a sua vida, a cantora Stella Maris, nasceram tres talentos da nossa música popular: Nana, Dori e Danilo.", bem resume o professor Júlio Diniz, do Departamento de Letras da PUC-Rio na apresentação do edital do selo de emisssão comemorativa ao centenário de nascimento do grande e inesquecivel músico,  compositor e cantor Dorival Caymmi.
 
Com informações da Assessoria de Imprensa dos Correios, Casa da Ribeira, jornalista Sérgio Vilar e Balalaika Produções


2 de Dezembro: Dia Nacional do Samba

Nicolau Frederico,

O Brasil é conhecido internacionalmente pelo samba, um estilo musical e de dança típico do país. O Carnaval é a festividade em que o samba se torna ainda mais popular, virando o ritmo oficial da festa. O Dia Nacional do Samba, ou simplesmente Dia do Samba, é comemorado dia 2 de Dezembro, nesta terça-feira.

"Na década de 1930, organizados por Paulo da Portela, sambistas de Madureira e Oswaldo Cruz, subúrbios do Rio de Janeiro, após um dia de trabalho, voltavam para Oswaldo Cruz no trem das 18h5min. Num desses vagões, organizavam reuniões e discutiam a organização do carnaval, sempre com muito samba. No ano de 1995 outro compositor, Marquinhos de Oswaldo Cruz, reorganizou o "Pagode do Trem", fazendo com que o evento entrasse para o calendário turístico da cidade do Rio de Janeiro, sendo apresentado no dia 2 de dezembro, "Dia Nacional do Samba"." , conforme nos relata o Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira.

Origem do Dia do Samba

Remexendo o site da Academia do Samba , encontro o registro de um artigo de Paulo Eduardo Neves que conta "De acordo com a lenda popular, o Dia do Samba foi criado em homenagem ao sambista Ary Barroso, compositor da música "Na Baixa do Sapateiro", uma ode à Salvador, capital da Bahia. O vereador baiano Luís Monteiro da Costa foi quem instituiu a data, marcando o dia em que Ary Barroso visitou a Bahia pela primeira vez, em 1940. Curiosamente, antes deste acontecimento ele já havia escrito a canção "Na Baixa do Sapateiro", que em seus versos eternizou a Bahia como a “terra da felicidade. Desde então, o Dia do Samba é comemorado principalmente em Salvador e no Rio de Janeiro, onde organizam-se festas e shows em homenagem ao ritmo. Atualmente, existem variações do samba com outros estilos de músicas. Entre eles, o que se destaca é o Samba Rock, representado principalmente pelo cantor Seu Jorge".

O samba e suas variações

"Sinônimo de alegria e festa, o samba nem sempre foi visto com bons olhos. No início do séc. XX, o ritmo era marginalizado, seus seguidores e compositores sofriam preconceito, por razões históricas e também muito ao fato de suas raízes africanas. Só no governo de Getúlio Vargas houve a exaltação do samba como símbolo da identidade nacional, ainda que muito do seu sentido original tenha se perdido e muitas letras modificadas, devido ao objetivo de usá-lo para passar mensagens que iam de encontro ao projeto nacionalista governamental.", conta o pesquisador Ricardo Cravo Albin em seu Dicionário.

Desde então, o samba foi se popularizando por todo país e ganhando novas formas de ser feito, gerando seus sub-gêneros.
Saiba um pouco mais sobre alguns deles:

- Samba enredo: Criado na década de 1930 no Rio de Janeiro especialmente para desfile de uma escola de samba, permanece como atração principal dos carnavais carioca e paulista até hoje. A cada ano as escolas definem seus temas, que definem toda a coreografia, alegoria e a composição que será cantada na avenida.

- Samba de partido alto: Surgiu dos terreiros das escolas de samba ainda na década de 1930. Antigamente considerado um samba mais instrumental, transformou-se em uma espécie de desafio entre sambistas. Suas letras improvisadas trazem histórias sobre a realidade de morros e áreas carentes que seduzem o ouvinte. Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Dudu Nobre são alguns dos sambistas desse estilo.

- Samba de breque: Moreira da Silva é um dos mestres dessa modalidade que tem como característica principal instantes de parada brusca, onde o cantor pode adicionar comentários ou outros artifícios de tom crítico ou humorístico.

- Samba de gafieira: Usualmente encontrado na dança de salão, é mais rápido e mais forte na parte instrumental. Tem sua origem no samba e no maxixe, trazendo para a dança toda a ginga e esperteza do iconográfico malandro do samba, que conduz sua parceira de uma maneira peculiar.

- Sambalanço: Nasceu nas boates do Rio e São Paulo na década de 1950, carregando influências da bossa nova e do jazz e deu um novo swing ao samba tradicional. Seus representantes e contribuidores mais conhecidos são: Jorge Ben Jor, Elza Soares, Djalma Ferreira, dentre outros.

- Samba-funk: Resultante da fusão do samba nacional com o funk norte-americano na década de 1970, também tem Jorge Ben Jor como um de seus contribuidores, assim como Tim Maia.

Samba nas ondas da Rádio Senado

A Rádio Senado prestou sua homenagem ao Dia Nacional do Samba no seu programa semanal Programa Eu quero um samba, produção e apresentação da dupla Fernanda Nardelli e George Cardim.
 
O programa "Eu Quero um Samba", que vai ao ar pela emissora aos sábados e domingos às 12h e pela Internet às sextas-feiras, comemora os 50 anos de carreira de Paulinho da Viola , criador da "Velha Guarda" da Portela, que estreou nos palcos da famosa casa de samba "Zicartola", criada em 1963, pelo mestre Cartola e sua mulher, dona Zica.

Músico refinado, Paulinho soube conciliar a tradição com a inovação, tornando-se autor de clássicos que marcaram a história do samba. Alguns deles foram escolhidos por convidados que passaram pelo "Eu Quero um Samba", como "Foi um Rio que Passou em Minha Vida", "Sinal Fechado", "Eu Canto Samba" e "Para Ver as Meninas".

As sugestões aos produtores foram feitas pelos sambistas e cantores como os cantores Monarco, Marisa Monte, Ivan Lins, Sandra de Sá, Beth Carvalho e Paulinho Moska, pelos escritores Ricardo Azevedo, Bené Fonteles e Gabriela Goulart, pelo compositor Capinan e pelos jornalistas José Carlos Vieira e Luiz Cláudio Cunha.

Com informações do Calendário Online Brasil, Academia do Samba, Rádio Senado FM e Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira


1973 - o ano de reinventou a MPB

Nicolau Frederico,


"Nas vitrolas rolava todo tipo de som. Do experimentalismo de Caetano Veloso e Walter Franco a música popular e romântica de Odair José e Antônio Marcos. Da força percussiva de Naná Vasconcelos aos rebolados dos Secos & Molhados. O ano de 1973 foi assim. O 1973 é assim.  Assim é o ano que reinventou a MPB. Quando os críticos mais vorazes da música popular brasileira afirmavam que ela estava morrendo, notadamente com o final da era dos festivais> Mas, ao contrário ela simplesmente se reinventa."

Assim, o jornalista e produtor Célio Albuquerque  abre a introdução do seu projeto do livro "1973 - o ano que reinventou a MPB", lançado pela Editora Sonora. Ele mesmo assinala que "trinta e um dos cerca de 50 autores marcaram presença. Mas, como identificar tantos autores? Foram criados crachás. Sem filas, cada leitor procurava seu autor conhecido e dele coletava assinatura. E os próprios autores coletavam assinaturas de seus pares. Alguns artistas como obras retratadas no livro como João Donato, Moraes Moreira (Novos Baianos), Fagner, Ednardo (Pessoal do Ceará) e Roberto Menescal (produtor atuante em 1973 e em todos anos 70, em especial) marcaram presença no lançamento. E também deram seus autógrafos."

Célio narra que "em 1973, algo enigmático faz com que a música brasileira produza uma quantidade incomum de discos que teimariam em resistir ao tempo, não só por sua alta dose de inovação, mas também pela quantidade generosa de estreantes que os assinam. Sem nenhuma pretensão de destronar seu maior rival, 1968 (“o ano que não terminou”), este livro aponta para a eternidade particular de 1973, ao reunir olhares individuais de cinquenta escritores para 50 álbuns no ano em que 1973 completa 40 anos."

Prossegue ele, afirmando que "jornalistas, artistas e outros notáveis enriquecem a leitura com seus pontos de vista e percepções particulares, acrescendo dinamismo e refinando ainda mais seu conteúdo. Contudo, tanto o idealizador do livro como os autores não pretendem fornecer explicações para um fenômeno inexplicável em sua própria essência, apenas ratificam a certeza absoluta do mistério que envolverá para sempre 1973 – o ano que reinventou a MPB."

"1973 - o ano que reinventou a MPB" é uma leitura obrigatória para quem gosta da música popular brasileira, seus compositores, suas canções e sua história.

Neste vídeo, o jornalista e produtor Célio Albuquerque dá mais detalhes sobre o seu projeto do livro coletivo.

http://youtu.be/8GkMQX7Egbo

Com informações de Célio Albuquerque e do Canal YouTube


Gilberto Gil: nos bastidores de "Não chore mais"

Nicolau Frederico,

O músico,  compositor e cantor Gilberto Gil, postou em sua FanPage e este "Espaço MPB" reproduz o seu comentário e explicações sobre a sua música "Não chore mais". É uma série, denominada "Por trás da música" que o compositor baiano criou.  

"Eu pensava na transposição de uma cena jamaicana para uma cena brasileira a mais similar possível nos aspectos físico, urbano e cultural. Emblemática do desejo de autonomia e originalidade das comunidades alternativas, No Woman, "No Cry" retratava o convívio diário de rastafaris no 'government yard' (área governamental) em Trenchtown, e a perseguição policial, provavelmente ligada à questão da droga (maconha), que eles sofriam. Esta situação eu quis transportar para o parque do Aterro, no Rio de Janeiro, também um parque público, onde localizei policiais em vigília e hippies em rodinhas, tocando violão e puxando fumo, como eu costumava vê-los de noite na cidade. Coincidindo com o momento em que a abertura política estava começando, "Não Chore Mais" acabou por se referir a todo um período de repressão no Brasil." , comenta Gilberto Gil.

Sobre a canção  "Não chore mais", Gil explica que "Minha tradução para o refrão-nome foi uma escolha arbitrária, porque eu nunca entendi direito o que os autores queriam dizer com o proverbial 'no woman, no cry'. Até procurei, mas não tive meios de saber. Alguns me disseram que a expressão significa 'nenhuma mulher, nenhum problema'; eu pensei em 'nenhuma mulher, nenhum choro', um adágio local talvez. E também numa possível forma em inglês dialetado para o correto 'no, woman, don't cry'.

 "Optei por algo próximo disso inclusive porque, assim, eu me aproximava mais do sentido dos outros versos da música, uma espécie de lamento pela perda dos amigos e pela presença pertubadora da repressão que, na versão pelo menos, adquire um ar de canção de despedida, com o homem dizendo à mulher que está indo embora, mas que isso não é o fim do mundo, e que é pra ela se lembrar do tempo dos dois juntos etc. Uma instauração de um espaço afetivo que eu até hoje não sei se o original contém." , destaca o músico e compositor.

Sobre as palavras "Amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais", Gil comenta que "Eu não pensava em ninguém especificamente; a tradução vinha diretamente dos versos em inglês, com o detalhe do uso do termo 'presos' - surgido naturalmente com a lembrança do modo de atuar da repressão, através das prisões, torturas e mortes de pessoas."

 E a sua explicação para a frase "Melhor é deixar pra trás", ele registra que "Há uma certa licenciosidade interpretativa aí. 'You can't forget your past' ('Você não pode esquecer o seu passado'), diz o original. Me referindo ao período que estava terminando no Brasil, eu digo: 'Vamos passar a borracha nisso tudo. O passado tem um débito conosco, mas vamos dar um crédito ao futuro'. Uma posição típica da minha ideologia interna, do meu otimismo, do meu gosto pela conciliação, do traço tolerante da minha personalidade."

Novo CD e DVD vem aí...

Vem aí o CD e DVD "Gilbertos Samba - Ao Vivo", registro do show que Gilberto Gil e banda fizeram no Teatro Municipal de Niterói em setembro deste ano.

Produzido pela Conspiração Filmes, com direção de Andrucha Waddington e lançado pela Sony Music Brasil, "Gilbertos Samba - Ao Vivo" apresenta repertório que passeia por canções que fizeram sucesso na voz de João Gilberto - de autores como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Caetano Veloso - e canções que de alguma forma dialogam com João e com aquilo que ele representa. A partir de semana que vem disponível para encomenda no iTunes.

Com informações de Gilberto Gil, músico, compositor e cantor  

21-40 de 90