Ao mestre Roberto Menescal, com carinho

Nicolau Frederico,

"Dia de luz, festa de sol, e um barquinho a deslizar ....." Hoje é o dia de prestar homenagens e parabenizar o nosso "mestre" da Bossa Nova! Pessoa que desejamos o maior bem pelo seu carisma, pela sua simplicidade, pelo seu dom musical e pela amizade sincera que a ele dedicamos e que é mútua. Um verdadeiro "mestre" na concepção da própria palavra.

Devo a ele o estímulo e o incentivo para criar este blog "Espaço MPB", que ele sugeriu como nome "Espaço da Música Puramente Brasileira". Era o ano de 2008 e a Bossa Nova completava os seus 50 anos de existência. Em sua homenagem dediquei a ele a primeira entrevista.

Eu já divulgava o trabalho de Roberto Menescal desde a década de meados de 60 até início de 70, em meu programa semanal "As mais solicitadas da semana" na Rádio Planalto, em Brasília/DF. Semanalmente encontrava e divulgava suas canções e a da turma da Bossa Nova e da MPB (outros além de "Menescal e seu conjunto", seus parceiros e amigos, como Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Miéli, Nara Leão, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho, Nana Caymmi, João Gilberto, Pery Ribeiro, Leny Andrade, João Donato, Chico Feitosa, Luiz Carlos Vinhas, Bebeto Castilho, Edu Lobo, Wanda Sá, Marcos Valle, Dori Caymmi, Francis Hime, Sylvinha Telles, Quarteto em Cy, Astrud Gilberto, Olivia Hime, Joyce, Olivia Byinton, Luizinho Eça, Alayde Costa, Claudete Soares, os irmãos Castro Neves, Johnny Alf, Billy Blanco, Durval Ferreira, Milton Banana e tantos outros.

Não  posso esquecer também a sua forte presença e participação como diretor artístico das gravadoras Philips e Polygram. Jamais passaria pela sua cabeça, totalmente voltada para o seu esporte predileto - a pesca submarina - que seria o responsável pela produção de artistas do naipe de Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Nara Leão, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Rita Lee, Emilio Santiago, Leila Pinheiro e uma dezena de outros.

Nos anos 80 trocou a caça submarina pela fotografia do fundo do mar e pelo cultivo de bromélias. Nos anos 90 e recentemente, Menescal criou a sua própria gravadora - a Albatroz - e partiu para a divulgação da Bossa Nova na América do Norte, Canadá, Europa e Ásia (Japão e agora na China).

Não esqueceu a nova geração, incentivando e promovendo jovens artistas. Recentemente, descobriu Andrea Amorim, pernambucana que se dedicava ao rock lírico e que hoje faz grande sucesso em shows e CD´s com Menescal e outros artistas nacionais da MPB. Isso sem falar da descoberta do jovem cantor Luiz Pié, a mais recente do mestre da Bossa Nova.

Menesca, felicidades, saúde e muita música!

Com informações de Ruy Castro in "Coleção Folha 50 Anos de Bossa Nova" e "Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira"  


Roberto Nunes e o seu violão

Nicolau Frederico,


Ele pegava toda a manhã a barca em Niterói e desembarcava no cais da cidade do Rio de Janeiro. Carregava o seu instrumento de trabalho – o violão – e se dirigia à Rádio Tupi/Rio e depois, no início da noite, ia para o Cassino da Urca, onde tocava até a madrugada no Conjunto de Rogério Guimarães.
 
Em 1944, apresentou-se na Rádio PRE-6 de Niterói, que funcionava no Teatro Municipal de Niterói, com o seu próprio conjunto: Jorge Tiba (violão), o irmão de Dino Sete Cordas (cavaquinho) e Altamiro Carrilho (flauta).

Estou falando do violoncelista fluminense Ademar Nunes, que muitos conheciam naquela época como “Paciência”. Foi uma época de ouro, pois ele conviveu com os grandes músicos da MPB como Dilermando Reis e Pixinguinha. Uma desavença com produtor da Rádio Tupi/Rio o fez largar tudo. Ademar pegou seu violão, atravessou a ponte e não voltou mais ao Rio. Foi dar aulas de violão em Niterói.

Anos mais tarde, já na década de 50, seu filho Roberto Nunes segue os passos de seu pai. “Ganhei um cavaquinho aos oito anos da idade. Levei uma bronca de meu pai, que me disse que eu só tocaria violão! Me chamou num canto, colocou o violão na minha perna esquerda e me disse: Você vai ser o que eu não fui! Não deu outra! Vivi do violão, eduquei minhas duas filhas e durante 51 anos dei aulas.”, relata..

“Dos nove aos dezoito anos de idade eu estudava violão o dia inteiro. Quando meu pai retornava do trabalho, ele me tomava a lição.”, conta Roberto. “Quando completei dezoito anos sai de casa e me escondi na casa de um amigo. Antes disse para o meu pai que não tocava mais violão! Aos dezenove anos comecei a dar aulas de violão, como meu pai!”, completa.

E foi um amigo de um ex-aluno de seu pai que lhe arranjou um lugar para ele dar aulas de violão. Este lugar ficou muito marcado em sua vida. “Ficava em uma loja de vendia violão, debaixo de uma escada. Fiz uma parede com alguns armários e comecei a dar minhas aulas. Fiquei seis anos nesta loja”, registra Roberto.
 
Eu dava aula de terno, cara! Não pagava o local, pois eu fazia propaganda do violão e cobrava do cliente quando ele queria que fizesse uma demonstração do instrumento”, destaca Roberto Nunes. Mas haviam alguns clientes que queriam era “bater violão” e não aprender o violão clássico, como ele ensinava. “Por isso, comecei a dar aulas particulares de violão fora das lojas”, explica Roberto.
 
O primeiro concerto de violão de Roberto Nunes foi no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Era sua grande virada, como ele faz questão de dizer! Nos anos seguintes, 1954, 1955, 1956 até 1960 ele foi dar aulas na Escola Nacional de Música, que contava com a presença de Osvaldo Soares, um músico que seguia a escola de Tárrega, famoso por tocar com apoio. “A escola francesa ensina a tocar violão sem apoio”, explica Roberto.

Depois de passar como professor pelo Conservatório de Música (Escola Fluminense de Música), por duas vezes Roberto Nunes saiu de seu lugar nas lojas e foi dividir um outro espaço maior com colegas de música e de cultura: uma musicista de violino e outra professora de inglês.

Mas, nas três últimas décadas vieram os anos de “vacas magras” em sua carreira, quando faltaram alunos para suas aulas.

Depois de mais de 50 anos na carreira de professor de violão, Roberto Nunes se viu só. Mas ele tem um consolo: “Aos 51 anos eu tinha muita fama. Conheci muita gente na área da música brasileira. Muitos músicos passaram por mim!”, recorda ele.

Hoje, aos 70 anos ele diz que de tudo fica uma lição: “Hoje não tem mais isso. Antes, todo médico queria que seu filho fosse médico. Todo músico, que seu filho fosse músico. A paternidade hoje deixa o filho escolher a sua profissão. Hoje, quem vai ser músico é porque quer ser músico!”

Roberto Nunes, professor e músico, como ele gosta de ser chamado, esteve recentemente em Natal visitando uma de suas filhas, aqui radicada. Durante esta entrevista, deixou como recordação um CD com suas gravações ao violão. Escolhi uma dessas, de autoria de Tom Jobim para aqui apresentar a você, que prestigia este blog.

Com informações de Roberto Nunes



O "Gurugundum, guerenguendém" de João Donato

João Donato, chega aos seus 80 anos e afirma "nunca fui programado para ser músico. Sempre fui músico o tempo todo".

Nicolau Frederico,

"Nunca fui programado para ser músico. Sempre fui músico o tempo todo", esta é a frase pinçada pelo jornalista e escritor Ruy Castro sobre o músico, compositor e produtor João Donato de Oliveira Neto, conhecido no meio artístico como João Donato.

Este ano completa os seus 80 anos, dos quais 65 anos dedicados ao "piano, voz, acordeon, trombone e o que lhe cair às mãos" como ele afirmou ao Ruy Castro.

João Donato nasceu em 17 de agosto de 1934, na capital do Acre, Rio Branco. Conforme consta no Dicionário Cravo Albin da MPB, "em sua infância, costumava brincar de música com flautinhas de bambu e panelas. Depois, recebeu de presente um acordeon de oito baixos e, mais tarde, um acordeon maior. Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família. Nessa cidade, começou a tocar em festas de seu colégio. Numa dessas festas, conheceu o grupo Namorados da Lua e fez amizade com Lúcio Alves, Nanai e Chicão. Quatro anos depois, já atuava em jam-sessions realizadas na casa de Dick Farney e no Sinatra-Farney Fan Club, do qual era membro."

E a sua descrição pelo pesquisador e historiador da MPB, Ricardo Cravo Albin acrescenta que " sua carreira profissional começou em 1949, como integrante do grupo Altamiro Carrilho e Seu Regional, com o qual gravou, nesse ano, um 78 rpm contendo as canções "Brejeiro" (Ernesto Nazareth) e "Feliz aniversário" (Altamiro Carrilho e Ari Duarte). O selo omite sua participação no disco. Em seguida, substituiu Chiquinho do Acordeon no conjunto de Fafá Lemos em apresentação na boate Monte Carlo (RJ). Atuou depois em outras casas noturnas, como Plaza, Drink, Sacha's e Au Bon Gourmet, entre outras."

As comemorações dos 80 anos de João Donato se estenderam a todo o país e ao exterior,com as tournés feitas este ano a países europeus e as gravações de CDs para o mercado japonês. Aqui no Brasil, recentemente ele lançou o CD oficial de celebração dos seus 80, “Live Jazz In Rio”. CD gravado totalmente ao vivo no Rio durante uma única apresentação no último verão.

Só que, ao invés de ser um mero CD duplo, como geralmente são os registros de show, o produto estará presente nas lojas e também nos shows do artista sob a forma de 2 CDs individuais – “Live Jazz In Rio Vol. 1” e “Live Jazz In Rio Vol. 2”, o primeiro vendido somente em lojas e o segundo somente nos shows de João Donato.

Inovação mercadológica concebida por Marcelo Fróes, diretor da Discobertas, gravadora responsável pelos lançamentos, em parceria com a Acre Musical, de Donato.

Apelidados de “O Couro Tá Comendo!” e “O Bicho Tá Pegando!”, respectivamente, os volumes 1 & 2 trazem Donato em sua melhor forma e acompanhado por seu trio. Destaque para as performances de “Song For My Father” e “Paradise Found”, sem contar suas parcerias com Tom Jobim, Martinho da Vila e Gilberto Gil, além das novidades com Nelson Motta, Moacyr Luz e Gabriel Moura, dentre outros.

Vale a pena conhecer mais sobre a vida e a obra deste grande músico brasileiro. Seu início na carreira musical, os revezes que sofreu até chegar a ser reconhecido nacional e internacionalmente e ser procurado para escrever letras ou musicar canções por artistas de fama internacional.

Para tanto, acesse aqui informações sobre João Donato.

Fique com "Minha saudade", de sua autoria com João Gilberto, aqui numa magistral interpretação do saudoso Dominguinhos (acordeon), com Luiz Alves (contra-baixo) e Wilson das Neves (bateria).

Com informações da "Coleção Folha 50 Anos de Bossa Nova", Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira e Instituto João Donato




Fest Bossa & Jazz Pipa 2014, música e sustentabilidade

Nicolau Frederico,

Quinze dias aproximam-se da quinta edição do Fest Bossa & Jazz Pipa, um projeto que tem à frente a produtora cultural Juçara Figueiredo, paulista da cidade de Franca, mas que adotou o Rio Grande do Norte, principalmente a praia de Pipa, onde mora atualmente.

Juçara é uma pessoa simples e empreendedora. Desde pequena tinha como projeto de vida realizar eventos que reunissem muita gente e encontrou na sua juventude esta força motriz, chamada música, pois foi cantora da noite em São Paulo, onde conheceu e conviveu com grandes artistas e produtores de shows musicais.

Este “Espaço MPB” foi até ela e bateu um longo papo. Ela, gentilmente, apesar de envolvida nos preparativos finais de mais um de seus projetos, recebeu este editor em um cafezinho no Natal Shopping e contou esta história e falou sobre o Fest Bossa Jazz Pipa 2014.

Espaço MPB – Conte como foi a idéia deste projeto que resulta na sua quinta edição.        Juçara Figueiredo - O festival sempre começava no primeiro semestre, lá por abril e maio, época de chuva aqui em Natal. Depois a gente foi chegando até julho e agora estamos acertando para agosto, um bom período.
A gente não pode esquecer que tem a captação dos recursos dos patrocinadores. Muitas vezes as empresas demoram a decidir e a dar uma resposta de apoio ao projeto. E como a gente vinha fazendo, fica muito difícil.  Nas primeiras edições eu ainda tentei fazer no primeiro semestre, mas encontrei muitas dificuldades. 

Espaço MPB – Como você avalia as quatro edições ( 2010, 2011, 2012 e 2013) do Fest Bossa & Jazz?
Juçara Figueiredo - Não é vaidade. Mas, realmente o projeto atingiu patamares inesperados. E a gente não esperava esta repercussão. Ainda em 2013, eu comentava em uma de minhas entrevistas à imprensa que dentro de dois anos seria o maior festival de bossa e jazz do Nordeste.  De fato, hoje nós somos o maior festival de jazz do Nordeste. E costumo dizer e brincar com isso, mas é uma verdade.
Se você observar, eu levei o festival para Pipa porque o lugar é muito importante no projeto de um festival deste gênero, um festival aberto de jazz e bossa. O lugar tem que ter gente, em primeiro lugar. Pipa é cosmopolita e recebe gente de todo lugar. Este fato é que garante o sucesso de um projeto como esse. O ano passado nós tivemos em Pipa em torno de 20 mil pessoas. Para este ano estamos prevendo chegar a 30 mil pessoas. Se eu quisesse mudar de lugar hoje, não poderia. Veja bem, lá em Pipa eu tenho um complexo hoteleiro excelente, com hotéis e pousadas. Teria São Miguel do Gostoso, mas ainda é pequeno para um festival como este. Eu penso fazer lá em Gostoso talvez um dia de festival.

Espaço MPB – Juçara, o Fest Bossa & Jazz Pipa está isolado dos outros festivais do gênero no país? Como você organiza o evento? 
Juçara Figueiredo - Eu trabalho profissionalmente o ano inteiro. Sou membro da Associação Brasileira de Festivais (Abrafest) e estou sempre em conexão com o festival de Rio das Ostras, considerado hoje o maior festival aberto de jazz do mundo.  Mas, hoje a Abrafest abrange diversos festivais de jazz e bossa no país, como os de Guaramiranga e Fortaleza, no Ceará; o de Rio das Ostras – o quarto maior festival aberto do mundo - e o Bourbon Festival de Paraty, no Rio de Janeiro; o de Brasília; o da praia do Forte, em Salvador, na Bahia; e o Circuito de Jazz e Bossa. O Bourbon Street é a casa de jazz mais antiga do país.

Espaço MPB – Excelente! Mas qual o diferencial, na sua opinião, do festival no Rio Grande do Norte dos demais? 
Juçara Figueiredo - O interessante desses festivais é que eles acontecem nos feriados, como o de Guaramiranga, que é realizado somente durante o período de Carnaval. Neste quesito, nós fomos desbravadores.  Nunca fiz perto de feriado. Eu brinco com o pessoal que eu criei o feriado, pois hoje quinze dias antes do festival, se você for reservar hotel em Pipa, você não vai encontrar lugar vago. As pessoas vão a Pipa para assistir ao festival. E não é só gente de Natal, mas de todo o país. Hoje nós começamos já no carnaval a divulgar entre as pessoas que frequentam a praia de Pipa neste período. A gente solta alguns folhetos bilíngues. Também participamos de feiras internacionais e nacionais, divulgando o projeto, além de manter sempre atualizado um site na Internet.

Espaço MPB – Acompanho a evolução de seu festival. Vejo que o seu formato foi mudado, não?
Juçara Figueiredo - Nós mudamos o formato para uma coisa mais espetáculo. Para você ter uma ideia, somente o palco hoje mede 18 metros. Outra mudança foi na definição do programa e do novo estilo do festival, que foge daquele caráter intimista de antigamente. Hoje ele é mais espetáculo, mais agressivo, mais groove. Hoje nossa proposta é diferente. Tem jazz, bossa nova, blues mas o enfoque é mais instrumental. Pode até ser um duo, mas que tenha repercussão e levante a plateia.

Espaço MPB – Quando você concebe este formato e a programação, inclui e convida artistas e músicos daqui do Rio Grande do Norte?
Juçara Figueiredo - Este ano teremos a cantora potiguar Camila Maciso se apresentando, além de outros bons músicos locais. Fiz uma proposta e eles aceitaram. Isso demonstra que a gente valoriza não somente o pessoal de fora, mas também os músicos e artistas locais e regionais. Sempre há a abertura com os locais, a segunda entrada é regional, depois a apresentação dos convidados nacionais e internacionais. Eu acho importante a gente valorizar também os músicos regionais. Este ano teremos três atrações internacionais.

Espaço MPB – Há também um cuidado com a modelagem do festival? Haverá alguma novidade este ano? 
Juçara Figueiredo - Faremos a abertura na praçinha ecológica, atrás do Camarões antigo, no dia 20 de agosto, uma quarta-feira, a partir das 10 horas da manhã. Lá montaremos um palco com “backstage” e teremos apresentação de “good morning jazz” pelas “street bands”, com chamadas para o festival. Esta será a grande novidade. Iniciaremos em Ponta Negra. Enquanto isso, lá em Pipa, estão acontecendo as oficinas de músicas. Inclusive, quinze dias antes do Fest Bossa & Jazz já estão em andamento oficinas em 5 escolas no município de Tibau do Sul. Nas comunidades mais carentes, temos arte-educadores trabalhando com essas crianças.

Espaço MPB Quer dizer então que o festival não se restringe apenas às apresentações no palco?
Juçara Figueiredo Isso. Na parte da manhã dos demais dias, vamos separar as crianças que mais se destacarem, que vão tocar instrumentos em apresentações. Na parte da tarde, as oficinas são destinadas aos músicos mais experientes, com enfoque em construção de instrumentos de percussão, com latas, copos, etc. Na sexta-feira tem um worshop à tarde, tanto em Tibau do Sul, como na pracinha em Pipa. À noite, tem as apresentações de novos talentos e dos convidados até à meia noite, quando descem para os barzinhos, encerrando lá pelas tres horas da madrugada. O festival é muito dinâmico, começando cedo e terminando na madrugada.

Espaço MPB – Parece que também há um outro diferencial em seu festival. Você em Pipa aproveita o charme e a característica do lugar para aliar a música à sustentabilidade ambiental. É verdade, isso? Conte como este fato ocorre.
Juçara Figueiredo - Nós trabalhamos muito com música aliada à sustentabilidade, até mesmo porque o local (praia de Pipa) fica num ambiente que valoriza a sustentabilidade ambiental. Se a gente não der essa noção para essa criançada, é um tiro no pé!  Porque o que é Pipa? Se você tirar a natureza de lá, Pipa não é nada! A sustentabilidade e a preservação é uma bandeira grande que a gente carrega. Este ano estamos documentando tudo isso para passar lá no palco para que o público presente possa entender melhor o sentido e a finalidade do festival em Pipa.

Espaço MPB – Fiquei sabendo também que você aproveitou em seu projeto um maestro que montou uma “jazz band” no SESI Natal. O que ele fez ou faz no festival?
Juçara Figueiredo - Nós temos hoje uma equipe base de doze pessoas, entre maestro, assessoria de Imprensa, agência de publicidade e músicos. Para você ter uma idéia já estamos montando o projeto do Fest Bossa & Jazz Pipa 2015.  De fato o nosso maestro é que criou a “jazz band” do SESI, que é formada por professores de música que dão aulas para os filhos dos trabalhadores nas indústrias. Este maestro, que é português, tem toda uma formação européia e formou a nossa “street band”, com músicos de metais de Cruzeta e Pipa. Ela é que toca nos intervalos das apresentações no palco do festival. Inclusive, este ano a gente saiu um mês antes do festival com essa “street band” para João Pessoa, Campina Grande, Recife e outras capitais e cidades. É ela que sai pelas ruas e a gente distribui a folhetaria do festival. É muito bacana, no estilo das “jazz band” de New Orleans, com alguns arranjos que eles fizeram para músicas de bossa nova também. A nossa tem uma caracteristica e referencial das demais, pois os músicos tocam instrumentos de sopro e de percussão, sem o banjo.

Espaço MPB – Juçara, você está de parabéns pelo seu projeto e pelas inovações que ele traz. Mas, esta idéia de realizar um evento desta magnitude, gratuito e ainda deixar algo para a comunidade, como contrapartida, partiu de sua iniciativa e porquê? 
Juçara Figueiredo - Nós temos uma obrigação, como cidadão, de oferecer uma contrapartida para a comunidade em que vivemos. Mesmo que seja um festival gratuito, sabemos que os nativos tem muita resistência quando a gente fala de jazz.  Então eu faço um trabalho com os filhos deles e eles serão meus futuros clientes no festival, Estou dando uma contrapartida, inclusive, na formação dessas crianças. Muitas delas, alguns já adolescentes, não teriam uma oportunidade para esses contatos com músicos experientes que participam do festival. Nós os colocamos em contato com este grande universo que é a música e a produção de um evento desta magnitude. Alguns deles participam até como estagiários, acompanhando de perto toda a organização do evento.
O festival caiu no gosto das pessoas, inclusive dos jovens. Para nós, é uma satisfação muito grande ver que esses jovens participam e vibram nas apresentações e nas oficinas. Como a grande mídia não divulga muito este estilo musical do festival, a gente contribui na formação da platéia, aproveitando a gratuidade. Desta forma, nós prestigiamos a música de qualidade que talvez muitas das pessoas presentes não teriam a chance de conhecer. Como a bossa nova é considerada o jazz brasileiro, eu infiltrei este gênero no festival. 

Fique por dentro da programação oficial e receba mais informações sobre o Fest Bossa & Jazz Pipa 2014, acessando o site oficial aqui

Com informações de Juçara Figueiredo, produtora cultural 


Vinte e cinco anos sem Nara Leão

Nicolau Frederico,

Antes da Copa do Mundo Brasil 2014 começar, entre minhas anotações, lembrei-me de um fato. No dia 7 de junho último completaram 25 anos sem a “musa da Bossa Nova”, como ela era chamada pela turma e que ela recusava sempre, lembrando que era apenas uma cantora e artista da MPB.

Falo da cantora Nara Leão, irmã da jornalista e escritora Danuza Leão. Nara Lofego Leão Diegues foi casada com o cineasta e diretor Cacá Diegues, marcou a história da Bossa Nova e da MPB. Na comemoração dos 50 anos da Bossa Nova, em 2008, a revista Bravo, da Editora Abril, em sua coleção especial, a ela dedicou o fascículo número 9 – “Nara Leão, A grande musa” (foto). Pois bem, Nara Leão foi capa também do livro/CD número 6 da Coleção Folha 50 anos da Bossa Nova. Homenagem mais do que justa a uma cantora que marcou a história da música popular brasileira.

A histórica coleção “Bravo, 50 anos de Bossa Nova“, trazia em seu índice informações preciosas sobre a cantora brasileira. Nara abriu as portas do “apartamento de seus pais na Avenida Atlântica, em Copacabana, virou ponto de encontro dos amigos – todos mais velhos que ela – que passavam as noites tocando violão, compondo e conversando sobre música. Sylvia Teles, Roberto Menescal, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli eram alguns dos frequentadores mais assíduos das famosas reuniões , pelas quais passaram também ícones do novo estilo, como Tom Jobim e João Gilberto. Tudo isso quando a Bossa nova começava a nascer.”, conta a autora do fascículo, a jornalista e produtora cultural Maria Dolores. Falar em Bossa Nova e não falar dela, não tem jeito! Ela foi o que a mídia eternizou como “a grande musa”, “a eterna musa”, muito embora ela mesma não gostasse desse tratamento, digamos assim, desse chavão!

Nara Leão nasceu em Vitória/ES (1942) e faleceu no Rio de Janeiro/RJ (1989). Dela o crítico musical Ricardo Cravo Albin em seu Dicionário da Música Popular Brasileira afirma que “É claro que Nara foi musa, sim, e ninguém negará isso, ao menos nós que vivemos os anos dourados da bossa entre 1960 e 1964. Aliás, não apenas musa do mais poderoso movimento musical que existiu no Brasil. Mas até musa individualizada de quase todos nós, que caíamos de quatro ante a sedução sem par daquela franjinha, daquela boca carnuda, daquela voz grave ao falar, daquele par de olhos que encarava o interlocutor com uma firmeza capaz de demonstrar qualquer alma menos prevenida, um misto de luz celestial de anjo e raio dardejante de mulher sedutora. Sedutora? Muito, muitíssimo mais que isso.”

Com seu jeito de menina-moça ela conquistou não só aquela turma das rodas de violão que frequentava o seu apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana, mas a opinião pública. Nara teve sua história de vida marcada pela sua simplicidade, timidez e um amor e dedicação à arte musical. Dedilhando as cordas de um violão, ao lado de seu fiel amigo Roberto Menescal, ela levou aqueles novos acordes para o que seria o maior movimento de renovação de nossa MPB. Não sabia aquela turma que o novo gênero chegaria intacto a meio século depois.”, narra a jornalista Maria Dolores

E continua ela, afirmando no fascículo que “Nara Leão não deixou sua marca somente na Bossa Nova. Ela quis mais. Buscou novos caminhos. Certa vez, ela disse em uma entrevista à revista Fatos & Fotos: “Chega de Bossa Nova … Chega de cantar para dois ou três intelectuais uma musiquinha de apartamento … A Bossa Nova me dá sono.” Era o seu despertar como mulher de opinião em uma época em que o país vivia a perda de sua liberdade democrática. E ela foi buscar nas raízes do morro e da favela a sua nova identidade musical: a música de protesto. Foi quando levada por Carlos Lyra se aproximou dos compositores e ícones do samba brasileiro como Zé Kéti, Cartola, Nelson do Cavaquinho e João do Vale.”

E a repórter da revista Bravo relata em seu texto que “Logo depois, cerrou fileiras com Chico Buarque nos festivais da música popular brasileira da TV Record e nos festivais internacionais da canção da TV Globo. E não ficou por aí, pois se aliou um tempo depois ao mais novo movimento musical da época, a tropicália de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e do maestro Rogério Duprat. Teve também uma rápida passagem pela Jovem Guarda, quando gravou “E que tudo mais vá para o inferno” (1978).”

Finalizando em um de seus trechos, Maria Dolores informa que  “Depois de seu casamento com o cineasta brasileiro Cacá Diegues e de uma temporada em Paris, Nara se dedicou à família e aos afazeres domésticos. Quando retornou ao Brasil buscou novamente suas raízes com a Bossa Nova, produziu ainda diversos discos e realizou turnês no exterior. O interessante é que ela nesses discos parecia relembrar as músicas de sua infância e adolescência, como se pode constatar em “Meu primeiro amor” e em “Meus sonhos dourados”. Isso sem falar em suas participações em programas de televisão, de rádio, peças teatrais e shows com artistas brasileiros e internacionais. Nara Leão tem em sua discografia mais de 40 LPs e CDs.”

No final do fascículo, conta que “Sua irmã, Danuza Leão afirma que “ela foi uma guerreira até o último minuto”. Nara Leão sempre lutou pela sua independência, pelos ideais e pela vida, só não vencendo a última batalha que enfrentou, um câncer que a levou aos 47 anos de idade.”

Saiba mais sobre essa excelente cantora e intérprete de nossa MPB e com razão denominada a “musa eterna da Bossa Nova”, acessando aqui oDicionário Cravo Albin da MPB.

Fique com trechos do programa “MPB Especial com Nara Leão” exibidos no programa ‘Radiola‘ na TV Cultura.

Com informações da Coleção Bravo!50 anos de Bossa Nova, do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira e do Canal YouTube - Trama/Radiola


As músicas do Copa

Nicolau Frederico,

Abro meu "Espaço MPB" nesta semana para um aluno de jornalismo de Santo André/SP. Rodrigo Vasconcellos é o seu nome e me parece que ele prefere o jornalismo esportivo.

Um de seus textos publicados no site publikador.com me chamou a atenção. Rodrigo fala sobre as músicas que naturalmente surgem durante a realização da Copa do Mundo. E, no Brasil, país do samba, da bossa nova e do futebol, não poderiam faltar.

Li o seu artigo, fiz o contato e, ele surpreso, autorizou a publicação neste "Espaço MPB". 

Seu artigo "As músicas da Copa" começa dizendo que "Tudo bem que você pode não ser a favor da Copa do Mundo e muito menos do governo PT, ou de qualquer outro partido.Que esteja buscando um país melhor não só em novelas, mas no mundo real, porque a vida perfeita e fantasiosa “A gente vê por aqui”, certo? Porém, independente da sua opinião, e do que esteja fazendo, a Copa está seguindo suas regras, precisa de campos de futebol, segurança, torcidas, seleções e músicas. Músicas? Como assim?"

Vale conferir a íntegra aqui

Rodrigo tem outras publicações no seu site e-minuto e também colabora com o site torcedores.com

Com informações de Publikador.com, Torcedores.com e Rodrigo Vasconcellos


O Chico do samba e do futebol chega aos 70 anos

Nicolau Frederico,

"O homem que entende as mulheres, o ativista político, o músico brasileiro do século. Tímido como é, Chico Buarque provavelmente fica vermelho quando ouve declarações como essas.

Chico Buarque completa 70 anos nesta quinta-feira (19) com o nome marcado na história da Música Popular Brasileira. Chico se diz, na verdade, um contador de histórias, de emoções. Músico que surgiu nos festivais estudantis, Chico tornou-se também escritor de sucesso e autor consagrado de musicais.

Não gosta de ser chamado de intelectual e diz que se sente à vontade entre amigos que estejam em Paris ou no Morro da Mangueira. Louco por futebol, a Copa deve estar sendo apenas mais um motivo de comemoração."

Assim relata a informação da Empresa Brasileira de Comunicação - EBC, anunciando a programação especial da Rádio Nacional FM Brasília, nesta quinta-feira (19), em comemoração aos 70 anos do cantor, compositor e escritor, considerado "senhor na música, letras e futebol". 

O programa Roda de Samba terá três edições especiais que vão desvendar o Chico do Brasil: Às 9h, você vai conferir o Roda de Samba - Chico ativista. Já às 15h, o Roda de Samba - Chico e as mulheres. E, às 21h, o Roda de Samba - Chico Sambista do Mundo.  Não perca!

Você pode ouvir o Roda de Samba na Rádio Nacional FM Brasília. Ou clicando no player abaixo nos horários dos programas.

E tem mais: até esta quarta-feira (18), você pode acessar o Portal EBC e votar na música de Chico Buarque que você mais gosta.

As três canções mais votadas vão fazer parte da seleção do programa Momento Três, que vai ao ar nesta quinta-feira (19), às 10h, na Rádio Nacional FM Brasília. O programa é reexibido às 22h. Participe.

Confira este trecho no Soundcloud  do Roda de Samba. Produção e edição de Heloísa Fernandes. Apresentação de Fátima Melo e sonoplastia de Messias Melo.


A presença do futebol na MPB

Nicolau Frederico,

Esse livro que Assis Ângelo em boa hora nos presenteia, posso dizer que é, por sua originalidade, uma relíquia que deve ser lida e guardada com muita atenção e carinho, pois mostra tanto a beleza dos nossos jogadores em campo, como a criatividade sem par dos nossos compositores populares, desde Ary Barroso e Lamartine Babo, passando antes por Pixinguinha, um pioneiro em tudo que fez, até Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Assis é um estudioso das nossas coisas, das raízes brasileiras e por quem tenho uma admiração muito grande."

Esta é a apresentação do livro de Assis Ângelo, "A presença do futebol na música popular brasileira" traz texto de apresentação assinado por Ives Gandra da Silva Martins que, a certa altura, diz "Repito: este livrinho é uma pérola notável por seu conteúdo, por seu tema até aqui nunca abordado por nenhum outro pesquisador ou escritor brasileiro”.

A obra reúne o que de mais significativo foi composto e gravado até hoje sobre futebol, no Brasil. Dividido em seis partes (e um índice onomástico), "A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira" traz uma cronologia seguida de comentários breves do autor.

Assis Ângelo, jornalista e estudioso da cultura popular, escreve livros sobre música e folclore há muito tempo e já biografou o maestro Carlos Gomes, o sanfoneiro Luiz Gonzaga e o poeta popular Patativa do Assaré, foi pioneiro na abordagem do tema.

Sua primeira incursão por essa temática data de 1994, quando lançou um opúsculo com o mesmo título. "A presença do futebol na Música Popular Brasileira" traz como encarte um CD com Brasil, país do futebol, de Assis em parceria com Jarbas Mariz.

O livro do  Assis Ângelo conta de forma clara e organizada, cronologicamente, a relação da música popular com o futebol no Brasil, como indica o próprio título. O livro traz dezenas de ilustrações e um CD como encarte, com duas das primeiras gravações que têm como tema a relação futebol/música.

Assis foi o primeiro autor a abordar o tema em um livro, em 1994. Na ocasião, ele lembra, “publiquei um opúsculo abordando esse tema que é, a meu ver, de extrema importância no campo da nossa cultura popular. Aquilo foi, na verdade, o embrião para o livro que publico agora”.

Curiosidades

"A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira" traz muitas curiosidades, entre as quais estas:
A primeira obra musical a abordar o tema do futebol: “Foot-Ball”, de autor desconhecido, lançada pelo Grupo Lima Vieira & Cia. (Odeon Record), gravada por volta de 1912.

A primeira música sobre o Campeonato Mundial de Futebol: Cateretê intitulado “A Copa do Mundo”, de Raul Torres e Serrinha, lançado em 1938, pela Columbia.

A primeira moda de viola sobre o tema: “Futebol”, dos “caipiras” Alvarenga, Ranchinho e Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, lançada em abril de 1936, pela Odeon.

A primeira marcha humorística abordando o tema, entremeada com política: “É Sopa, 17 a 3”, de Eduardo Souto, lançada também em 1936, pela Odeon.

Você pode ver outras dessas curiosidades de Assis Ângelo no site oficial do Instituto Memória Brasil que ele mantém na Web.




No compasso da bola

Nicolau Frederico,

São duas - e muito claramente aceitas - as paixões do brasileiro. Nem há como discutir sobre a verdade que defere à música e ao futebol as preferências nacionais. Um livro que a Editora Irmãos Vitale acaba de lançar, "No compasso da bola", "em capítulos convenientes e muito originais", segundo o seu autor, Paulo Luna, "destila a adesão da música popular ao seu irmão mais novo: o futebol."

Paulo Luna é um dos pesquisadores da renomada publicação Dicionário Cravo Albin da MPB e apresenta uma das mais bem cuidadas sínteses do relacionamento das duas vertentes.

 Acesse aqui o livro "No compasso da bola" e conheça algumas de suas páginas.

Com informações da Editora Irmãos Vitale


Aos 91 anos morre Marlene, "Rainha do Rádio"

Nicolau Frederico,

Os 78 anos da carreira da cantora Marlene, cujo nome verdadeiro vem de suas origens italiana e paulista, era  Vitória Bonaiutti Martino, foram recheados de sucesso no rádio, na discografia extensa, no cinema, no teatro, na televisão, nos shows e também nas turnês que fez pelo interior do país, nas chamadas "lonas", divulgando e encantando seus milhões de fãs-clubes.

Marlene "estreou como cantora aos 13 anos de idade, apresentando-se no programa "Hora do estudante", na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1940, estreou profissionalmente na Rádio Tupi. Nessa ocasião, adotou o nome artístico de Marlene, em homenagem a atriz alemã Marlene Dietrich. Nesse mesmo ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, e passou a atuar no Cassino da Urca e na Rádio Globo. Atuou em seguida na Rádio Mayrink Veiga, e no Cassino Icaraí, em Niterói. Atuou também como crooner do Golden Room do Hotel Copacabana Palace, onde passaria em longa temporada, e de onde chegou a estrela principal.", como afirma o historiador, jornalista e radialista Ricardo Cravo Albin em seu Dicionário da Música Popular Brasileira.

Ao lado de Emilinha Borba (1923/2005), se revezava na eleição da "Rainha do Rádio", nas décadas de 1940 a 1950, depois perpetuando-se as duas como as "Rainhas do Rádio" pela multidão de suas fãs. De fato, Marlene e Emilinha Borba marcaram uma "época de ouro" no rádio brasileiro, principal meio de comunicação de massa, antes do surgimento da televisão em 1950.

Na reportagem especial do portal UOL você vai encontrar detalhes da carreira desta grande cantora brasileira. 

Com informações do portal UOL e Dicionário Cravo Albin de MPB


Craques na bola e na MPB

Nicolau Frederico,

Começa a contagem regressiva para a Copa do Mundo BRASIL 2014! A tabelinha MPB e bola já é conhecida por todos, brasileiros e visitantes de todo o mundo às arenas de futebol espalhadas pelo país.

Fui buscar no "fundo do baú" um artigo de Bruno Hoffmann, "Com a bola, uma seleção de 11 craques da música", publicada em março de 2009, um ano antes da Copa do Mundo 2010, na revista mensal de Elifas Andreato "Almanaque Brasil".  

"A tabelinha é conhecida: música e futebol. Ao longo da história, dezenas de importantes compositores trataram de levantar a bola do esporte em suas canções. De Lamartine Babo a Jorge Ben Jor, de Chico Buarque a Lupicínio Rodrigues, todos amaciaram a redonda e deram passes de letra para exaltar essa paixão nacional."

Leia e acompanhe o texto integral do excelente artigo clicando aqui no Almanaque Brasil. 




Aos 83 anos, morre Hélcio Milito, baterista do Tamba Trio

Nicolau Frederico,

Mais um da turma do Trio Tamba nos deixa. Depois de Luiz Eça, pianista, compositor, vocal e arranjos, que nos deixou em 1992 (1936/1992), agora quem nos deixa é o músico, baterista, percussão e vocal,Hélcio Milito (1931/2014), que faleceu neste sábado (7), após permanecer internado por dois meses, provocado por um infarte.

Quem me dá a triste notícia é o produtor musical, Armando Pittigliani, que passou pelas principais gravadoras do Brasil, como Companhia Brasileira de Discos (CBD), Philips, Phonogram, PolyGram e Universal Music. Foi o pioneiro na gravação dos discos de finalistas dos famosos festivais da Record e da Rede Globo de Televisão, os Festivais Internacionais da Canção nos anos 60 e 70. Também foi o responsável pela produção dos primeiros discos (long play) da Bossa Nova. 

O Tamba Trio era um conjunto instrumental formado originalmente por Luiz Eça (piano, vocal e arranjos), Bebeto Castilho (contrabaixo, flauta, sax e vocal) e Hélcio Milito (bateria, percussão e vocal).

O Dicionário da Música Popular Brasileira relata que "o pianista Luiz Eça, formou o Tamba Trio, ao lado do contrabaixista Otávio Bailly e do baterista Hélcio Milito. Em seguida, Otávio foi substituído por Bebeto Castilho, que tocava sax e flauta, e mais tarde a formação final contou com Dorio (baixo) e Ohana (bateria). O trio foi pioneiro na realização de pocket-shows, no Bottle's Bar do famoso "Beco das Garrafas", reduto da Bossa Nova no Rio de Janeiro, e lançou vários discos."

E a obra do historiador Ricardo Cravo Albin informa ainda que o Tamba Trio "começou a tomar forma ainda acompanhando a cantora Maysa e depois a cantora Leny Andrade numa temporada na boate Manhattan, atuando ao lado de Luiz Carlos Vinhas (piano) e Roberto Menescal (violão). Estreou como Tamba Trio no dia 19 de março de 1962, na boate Bottle’s, no Beco das Garrafas (RJ)."

Acompanhe a história desse trio instrumental e vocal maravilhoso acessando aqui

Nossa homenagem ao músico Hélcio Milito fica neste vídeo para você recordar aqueles bons tempos de nossa MPB. 

Com informações do Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira e Armando Pittigliani. Foto de O Globo. 


O melhor de Elis Regina em livros/CDs da Coleção Folha de S. Paulo

Nicolau Frederico,

Como fez em outras oportunidades (coleções 50 anos de Bossa Nova, Tributo a Tom Jobim, Raízes da MPB e outras), a Folha de S. Paulo lança este ano a coleção de livros/CDs "O melhor de Elis Regina", já nas bancas.

"Em 25 livros-CDs, a Coleção Folha "O Melhor de Elis Regina" apresenta as fases mais importantes da trajetória musical de Elis Regina (1945-1982), considerada a maior cantora brasileira de todos os tempos por muitos críticos e estudiosos da música popular brasileira.", informa o texto de divulgação no hotsite

"Os livros da coleção trazem uma análise de cada disco e seu contexto histórico, com textos assinados por críticos e jornalistas especializados em música popular brasileira. Reúnem fotos da cantora, sugestões de livros e discos para contextualizar as gravações, além das fichas técnicas e letras das canções de cada álbum. A seção Memória reproduz críticas de discos e shows, reportagens e entrevistas com Elis Regina ou seus parceiros de trabalho, publicadas na Folha ou em outros jornais e revistas da época.", afirmam os organizadores da coleção.

Entre os 25 discos da coleção estão os álbuns mais conhecidos da cantora, que incluem sucessos como “Águas de Março” (Tom Jobim), “Madalena” (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza), “Como Nossos Pais” (Belchior), “Tatuagem” (Chico Buarque), “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), entre outros.

Há também álbuns menos populares, mas elogiados pela crítica, como Elis Regina in London, gravado na Inglaterra com a orquestra de Peter Knight, em 1969. A compilação Pérolas Raras reúne gravações realizadas pela cantora entre 1965 e 1980, em festivais, projetos especiais ou lançadas em compactos. É o que informam os promotores dos livros/CDs.  

Veja o vídeo da campanha do lançamento da Coleção "O melhor de Elis Regina"

Com informações da Folha de S. Paulo



Studio Rio: conectando os clássicos do jazz em bossa nova

O projeto "Studio Rio Presents: the Brazil Connection" " é uma idéia de dois produtores alemães, os irmãos Frank e Christian Berman, que se uniram aos compositores, músicos e produtores brasileiros Roberto Menescal e Marcos Valle. O álbum já se encontra no iTunes para venda. "Espaço MPB" leva a você uma prévia das músicas, que foi o assunto da conversa do repórter e crítico musical do Caderno 2 e colunista da Rádio Estadão, Júlio Maria, com o apresentador Emanuel Bomfim.

Nicolau Frederico,

"Fevereiro de 2013. Rio de Janeiro. Uma ilhota do Recreio na qual só se chega de barco. Sentado à mesa de som de seu estúdio, Roberto Menescal, 76 anos, ouve a voz de Aretha Franklin cantando Walk on By. Só a voz. Os instrumentos originais foram retirados. A música lançada em 1964 soa na sala de gravação para que músicos brasileiros façam um novo acompanhamento seguindo as partituras escritas pelo violonista. "Eu gostava tanto desta canção e, de repente, ela está aqui", diz ele, violonista e produtor, um dos homens que desenharam a bossa nova a partir de 1959. Walk on By, sucesso de Aretha, está pronta para sair do Recreio com um sutil sotaque carioca. Vai voar pelo mundo em poucos dias."

Este é o comentário do repórter e crítico musical do Estadão e da Rádio Estadão, Júlio Maria, sobre o projeto "Studio Rio Presents: the Brazil Connection" ", uma idéia de dois produtores alemães, os irmãos Frank e Christian Berman, que se uniram  aos compositores, músicos e produtores Roberto Menescal e Marcos Valle. O álbum já se encontra no iTunes para venda, mas você pode ouvir aqui uma prévia das músicas

"Além de Aretha Franklin, já estão liberadas para os brasileiros músicas de Marvin Gaye, Nina Simone e Billie Holiday. Marcos Valle também já tem sua missão concluída. É dele a nova roupa do clássico dos anos 60 Music to Watch Girls By, gravada por Andy Williams em 1967. As duas faixas foram cedidas com exclusividade ao Estado e estão disponíveis no site do Estadão.", finaliza Júlio Maria em seu comentário publicado no Estadão.

Ouça aqui Ouça aqui a conversa do repórter e crítico musical do Caderno 2 e colunista da Rádio Estadão, Julio Maria, com o apresentador Emanuel Bomfim.

Com informações de Estadão, Rádio Estadão, Studio Rio Presents e iTunes 

Caetano Veloso é o primeiro artista brasileiro a gravar em iTunes Session

Caetano Veloso é o primeiro artista brasileiro a gravar um iTunes Session! O lançamento de seu álbum "iTunes Session Caetano Veloso" foi lançado nesta terça-feira (27), sob o selo da Universal Music International.

Nicolau Frederico,

Caetano Veloso é o primeiro artista brasileiro a gravar um iTunes Session! O lançamento de seu álbum "iTunes Session Caetano Veloso" foi lançado nesta terça-feira (27), sob o selo da Universal Music International.

Vale ouvir este ícone da MPB cantando algumas de suas músicas mais famosas neste iTunes Session, o que é ainda inédito no Brasil. Neste álbum exclusivo do iTunes, o lendário artista apresenta um conjunto de músicas com seu estilo único, incluindo composições nunca antes gravadas por Caetano.

O iTunes Session de Caetano Veloso está disponível agora no iTunes. Garanti a pré-venda do álbum e posso afirmar que está excelente! Bom para download no seu smartphone, iPod ou mesmo no seu micro. 

Conheça e acompanhe a carreira, a vida e a obra deste grande músico brasileiro e internacional, clicando aqui em seu site oficial





Roberta Sá: música e solidariedade no Teatro Riachuelo

Nicolau Frederico,
Simone Sartori/Flickr

A cantora potiguar Roberta Sá (http://www.dicionariompb.com.br/roberta-sa) faz apresentação especial no dia 4 de junho próximo, às 21 horas, no Teatro Riachuelo, em Natal/RN, e doa a renda de seu show à Arquidiocese de Natal para as obras de reforma da Catedral de Natal, unindo a música à uma ação concreta de solidariedade à comunidade católica natalense.

Roberta Sá tem uma carreira artística baseada em CD´s, shows e apresentações em festivais nacionais. Sua obra é fruto de muita pesquisa, ensaios exaustivos e muita dedicação e profissionalismo na arte musical brasileira. Sua participação no programa Fama, da Rede Globo de Televisão, abriu as portas para a mídia nacional e a sua agenda de shows e apresentações pelo país, em carreira solo ou acompanhada dos grandes nomes de nossa MPB.

Conheça mais sobre a vida e obra desta jovem e atuante cantora de nossa "música puramente brasileira", conforme denomima o músico, compositor e produtor musical Roberto Menescal, visitando o seu site oficial aqui (http://robertasa.com.br/site/)

Com informações do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira  



Natura Musical disponibiliza em 2014 R$ 2 milhões de incentivo à MPB

Nicolau Frederico,

6w1vj56b"Encontrar ritmos, vozes, conexões. Transportar histórias e idéias. Revelar e ampliar as misturas da nossa cultura. Por acreditar na música como expressão do bem estar e olhar para a cultura do nosso país como uma grande mistura de manifestações únicas, a Natura criou em 2005 um programa de apoio e difusão da música brasileira. O Natura Musical que patrocina diversas iniciativas que valorizam o diálogo entre ritmos, revelando nossa alma brasileira com criatividade e excelência artística."

Estas são as palavras da apresentação do site oficial da Natura Musical, que nesta sexta-feira (23) encerra as inscrições para o edital nacional que prevê três modalidades - lançamento de novos trabalhos (turnês), formação/documentação/legado e conteúdos em áudio/audiovisuais e novos formatos. Para tanto a Natura está disponibilizando este ano R$2 milhões para essas diversas modalidades.

Incentivo à MPB

O programa de valorização da música brasileira Natura Musical foi criado em 2005, e de lá para cá se firmou como um importante incentivo à cena da música nacional. Neste ano, para dar continuidade à iniciativa, que já viabilizou mais de 220 projetos e 1000 produtos culturais, o investimento foi ampliado, totalizando 6,4 milhões de reais nacionalmente. Em 2014, São Paulo e Rio Grande do Sul ganharam novos editais regionais, expandindo a atuação do programa.

A Natura também promove o Festival Natura Musical, "grande celebração da riqueza e diversidade da música brasileira, que reúne jovens talentos, artistas consagrados e músicos de tradições regionais, em encontros únicos e emocionantes."

E "para deixar a música brasileira ainda mais perto de você", como seu slogan, ela oferece conteúdos e experiências no seu portal (http://www.naturamusical.com.br), com uma webrádio e perfis nas redes sociais, que agregam um número cada vez maior de pessoas interessadas em vivenciar, experimentar, discutir e compartilhar "Música para ver, ouvir e baixar", outro lema da Natura Musical.

Maiores informações sobre o edital nacional você pode obter pelo telefone (011) 3060.3139 ou pelo e-mail [email protected], de segunda a sexta, nos horários de 9 às 12h30 e de 13h30 às 18 horas. 

Com informações da assessoria de Imprensa da Natura



Roberto Menescal recebe Prêmio à Excelência Musical da Academia Latina de Gravação®

Nicolau Frederico,


A Academia Latina da Gravação, responsável pelas premiações do Grammy Latino, acaba de divulgar os indicados ao Prêmio à Excelência Musical. Dentre os sete indicados da 14 ° edição do Prêmio, de vários países, o Brasil está muito bem representado por Roberto Menescal, músico, compositor e produtor musical, que irá receber a premiação no Four Seasons Hotel Las Vegas, em cerimônia para convidados, no dia 20 de novembro próximo.

Recebo esse prêmio como mais um presente importante e com muita surpresa”, declarou Menescal. “Tudo o que faço na música e pela música é de forma natural, sem pensar em recompensas, mas quando chega um reconhecimento como esse, fico muito feliz”, declarou o mestre da MPB e da Bossa Nova, em seus 55 anos de carreira artística.

Oscar D’León, Juan Formell, Roberto Menescal, Totó La Momposina, Palito Ortega, Eddie Palmieri e Miguel Ríos também serão homenageados.  Mario Kreutzberger “Don Francisco” e Pedro Ramírez Velázquez receberão o prestigiado Prêmio da Junta Diretiva, conforme anunciado hoje pela Academia Latina da Gravação.

A premiação acontecerá em uma cerimônia especial somente para convidados na quarta-feira, 20 de novembro, no Four Seasons Hotel Las Vegas, como parte da celebração de uma semana da 14ª Entrega Anual do Latin GRAMMY ®. Para notícias e conteúdo exclusivo, participe das redes sociais da Academia Latina da Gravação no Twitter e Facebook.

O Prêmio à Excelência Musical é definido pelos votos dos membros da Junta Diretiva da Academia Latina da Gravação e concedido àqueles que tenham dado contribuições criativas de extraordinária relevância artística no campo da música.

Com informações da Coringa Comunicação


De bossa nova e vinil, tudo a ver na AllTV

Nicolau Frederico,

Qual o primeiro vinil que você comprou? Paulinho Ragassi recebeu nos estúdios da allTV , Danilo Guedes da Mafer Records, e Sérgio Cunha que falaram sobre a feira de vinil.

Muita Bossa Nova com a escritora e fotógrafa Bruna Fonte, falando de seus livros "O Barquinho Vai - Roberto Menescal e suas Histórias" e "Essa Tal deBossa Nova", em parceria com o músico, compositor, produtor musical e um dos ícones de nossa MPB, Roberto Menescal.

Excelente a entrevista de Bruna Fonte com o apresentador do programa "Tá ligado" na AllTV, que você pode conferir no vídeo, clicando aqui.

Com informações de Paulinho Ragassi no Canal YouTube


Eldorado FM pergunta: qual o maior clássico da MPB?

Nicolau Frederico,

A rádio Eldorado FM, do Grupo Estado de S. Paulo, selecionou as 50 músicas brasileiras mais relevantes em importância histórica e qualidade da Música Popular Brasileira (MPB).

Ouça aqui os áudios e vote. É permitido apenas um voto por internauta. O resultado da enquete será divulgado no dia 7 de setembro.

Informações do portal estadao.com


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