

Um time que ainda não "joga por música", mas talvez seja querer demais que isso aconteça. O América foi superior ao Gama durante toda a partida, mas nem tanto. A vitória de 2 a 0 sobre o Gama, ontem à noite, no Machadão ainda não tirou o clube da linha de rebaixamento.
O time rubro só conseguiu abrir o placar aos 31 minutos, num lance confuso, que não houve falta, mas que não foi uma jogada trabalhada. E isso que a gente sente falta ainda ao time de Ruy Scarpino.
Ainda não fluem as jogadas, os três setores enconram dificuldade no entendimento, e isso fica latente. O América dependeu única e exclusivamente das jogadas individuais e coletivas do meia Aloísio, melhor figura em campo. As articulações pelos lados do campo, que saem com mais facilidade com Maizena, desta vez foram barradas pela frágil defesa do Gama.
Os volantes - Júlio Terceiro, Jeferson e Saulo - não "fizeram o time andar" como se espera. Júlio ficou muito preso entre os zagueiros, sempre fazendo cobertura, e Saulo não foi o companheiro de ligação para Aloísio. A impressão que ficou é que o meia esteve sempre muito isolado, e por tabela Max e Fábio Neves não tiveram tantas chances de marcar. O 1 a 0 no primeiro tempo acabou sendo um placar muito bom para o América.
No segundo tempo, sem que o panorama mudasse muito, a partida começou a ficar irritante, lento, arrastado e até certo ponto perigoso para o rubro. O 1 a 0 fazia o Gama sair para cima. O treinador Flávio Barros mudou peças, mudou esquema e tentou tirar proveito da insegurança e falta de posse de bola do time potiguar.
O tempo foi passando, e o Gama também despediçando as jogadas que se apresentavam para que eles pudessem criar chances. Não criaram. O América corria riscos somente nas bolas alçadas na área, mas muito mal feitas, e a defesa esteve absoluta. Mas o que ajudou de verdade o América foi a falta de qualidade de alguns jogadores do Gama.
Quando reteve um pouco mais a bola, e já tinha feito três alterações - Reginaldo no lugar de Fábio, depois Reginaldo, machucado, saiu para Marquinhos, e Rodrigo Santos que já tinha entrado no lugar de Saulo - o América sossegou e vltou manobrar a partida. De todas as mudanças, talvez a que tenha surtido mais efeito foi justamente a que ninguém esperava: Marquinhos, que entrou e deu um calorzinho na defesa do Gama.
E aos 46, quando Aloísio já havia desperdiçado uma chance de ouro de matar a partida, o atacante Max recebeu um ótimo passe de Rodrigo Santos e tocou no canto esquerdo baixo do goleiro Donizete. Depois desse gol sim, o rubro e a torcida puderam, enfim, respirar aliviados e festejar mais um bom resultado.
Apesar dos 13 pontos, o rubro ainda permanece na linha de rebaixamento, agora com 16 pontos, uma posição acima, na 17ª posição.
Atuações do América
Fabiano - não teve muito trabalho. O ataque do Gama não ofende um pinto. Mas foi importante em alguns raros momentos que as bolas foram alçadas com certo perigo na área. Foi o jogo que ele menos trabalhou. Nota 6,5
Dida - fraco. Não passa confiança. Não foi firme na marcação e nem realizou as passagens contínuas que se espera dos alas hoje. Nota 5
Anderson Bill - seguro, viril, lutador e muito dedicado. Só precisa ter um pouco mais de tranqüilidade para evitar as faltas desnecessárias. Nota 6,5
Robson - de novo muito seguro na partida. Desta vez, no entanto, não saiu tanto para o jogo como nas partidas anteriores. Faltou a ele um pouco mais de vibração, mas demonstrou a categoria de sempre. Nota 7
Juninho Goiano - veio aparecer um pouco no final da partida, mas está precisando pegar mais ritmo de jogo. Mostra que sabe o que faz com a bola e pode render muito mais. Nota 6
Jeferson - os jogadores de marcação do América fazem seu papel de contensão, e bem, mas o futebol não é só isso, os volantes têm a obigação de aprender a sair para o jogo. Jeferson fez pouco isso. Nota 6,5
Júlio Terceiro - a única diferença na análise de Júlio é que ele foi mais útil que Jeferson nas jogadas alçadas na área do América. No restante foi igual. Nota 7
Saulo - não vi muita utilidade na sua escalação, nem na sua atuação. Correu muito, mas é apenas mais um volante, só isso. Nota 5,5
Aloísio - o melhor jogador do América. O único de quem pode se esperar algo, diferente ou previsível, mas jogadas verticais. Para um time é muito pouco. Mas foi bem. Nota 8
Fábio Neves - se mexeu no primeiro tempo, mas foi muito pouco acionado. Fez um gol e como prêmio foi substituído. Nota 6
Max - ainda parece meio confuso, atropela mais que joga, continua muito afobado, mas pressiona e assusta a defesa. Batalhou para sair o primeiro gol, de Fábio Neves, e com categoria, fez o segundo, seu terceiro em três partidas seguidas. Nota 7,5
Reginaldo - não jogou. Sem nota.
Rodrigo Santos - Correu e fechou espaços, e deu o passe para o segundo gol de Max. E por isso. Nota 6.
Marquinhos - dos três em campo foi o que mais realizou, se mexeu, caiu de um lado e outro. Nota 6
Ruy Scarpino - trocou Maizena por Dida, e errou. Colocou Saulo e pouco acrescentou. Seu time venceu, mas não convenceu. Parece ainda um time travado que não realiza as jogadas mais óbvias, e que desperdiça muitas ações de ataque por parecer treinar pouco ou nada a posse de bola. Um time peladeiro é defeito do treinador. Mudou por mudar. Nota 5