O Palácio dos Esportes tem tudo para "pegar fogo" - esportivamente falando - nesta quarta (20), por conta da eleição à presidência da Federação Norte-Rio-Grandense de Vôlei (FNV). Há duas chapas no páreo, a de situação - à frente Jorge Moura (presidente da FNV há 12 anos) e Carlos Eduardo "Dadau"; e a de oposição - encabeçada por Suzet Cabral e André Rosas - que aponta irregularidades no processo eleitoral.
O primeiro problema apontado pelo grupo de Suzet Cabral é a falta de transparência - que não vem de hoje. "Pedimos ainda em novembro (de 2009), documentos que são de poder público e que deveriam estar na Federação para que qualquer clube tivesse acesso. São documentos simples, tipo a ata da prestação de contas assinada pelo conselho fiscal e assembleia do último triênio, edital de convocação da eleição com hora, dia e local, filiados com direito a voto, estatuto vigente, chapas inscritas, entre outros", explicaram os componentes da chapa.
Tal pedido foi feito assim que a oposição teve notícia que a eleição iria ocorrer em plena Sexta-Feira de Carnatal, "à noite, na Federação de Futebol, sem publicar qualquer edital apenas algumas notinhas em jornal". De acordo com o grupo, assim que foi feito este pedido por escrito, a data da eleição foi mudada, "também sem nenhum edital publicado". Nenhum documento foi apresentado, nem edital, nem estatuto, muito menos uma prestação de contas.
Outros problemas - e ainda mais graves - é que o estatuto da entidade é antigo, e quem está à frente do processo eleitoral, segundo a oposição, está diretamente interessado no resultado. "Para se ter ideia, o estatuto vigente é de 1983, ou seja, muito defasado. Quem está conduzindo o processo eleitoral é o atual presidente que, segundo ele, é candidato a reeleição pela terceira vez. O estatuto fala em eleição de 3 em 3 anos, mas vem acontecendo de 4 em 4 anos, e o atual presidente já está há 12 anos".
Para saber do teor dos documentos solicitados - e não apresentados dento do prazo de um mês - e dirimir dúvidas, a chapa de oposição teve que recorrer à Justiça. Por enquanto, sem sucesso. "Infelizmente a Federação também desobedeceu ao Poder Judiciário, não entregando a documentação solicitada até a data atual", considerou o grupo de oposição. "Não estamos entendendo por que não podemos ter acesso a documentos que são do poder público e por que durante todos esses anos não temos conhecimento de nenhum clube que foi convidado para assembleia de prestação de contas".