Do Vade Mecum ao jiu-jitsu

Artur Dantas,

A expressão “jogar tudo pro alto” não é propriamente uma novidade e se refere a uma pessoa que deixou para trás uma situação confortável para se dedicar a um sonho. E ela foi levada ao pé da letra por Bruno Protásio, potiguar que deixou Natal (RN) para cumprir um calendário de competições nos Estados Unidos, um antigo desejo. No ano passado, o faixa preta de jiu-jitsu da Checkmat, academia liderada pelos irmãos Bruno e Thiago Barreto, deixou um pouco de lado a carreira de advogado para se dedicar às competições de luta agarrada na América.

Aos 37 anos de idade, dos quais 25 dedicados ao jiu-jitsu, Bruno, que é federado pela Checkmat mas graduado faixa preta por Bruno Ramos (Gracie Barra) contou que a ideia de competir nos EUA surgiu como um caminho natural em virtude dos fortes treinos que vinha fazendo no Brasil visando os principais eventos. E os frutos vieram logo nos primeiros desafios. Um patrocinador americano se surpreendeu com os resultados do natalense  e o contratou como atleta para reapresentar o seu time em competições.

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E, em nove meses dedicados exclusivamente às competições, Protásio viu o número de conquistas internacionais aumentar. Durante o período, ele arrematou 21 títulos, 18 deles conquistados em apenas cinco meses, de julho a novembro. “Desde então fui pódio em todos os torneios que participei entre Panamericano, Mundial, Panamericano sem quimono e vários Open durante o ano”, disse. 

O período de competições fora do Brasil e a vivência com uma diferente cultura em Nova Jersey, cidade que mora, permitiu ao atleta sentir a diferença entre Brasil e Estados Unidos. “Para competir aqui na América senti que tive que melhorar muito o meu condicionamento, pois todos têm muita força, resistência e são muito competitivos em tudo, até nos treinamentos”, observou.

“Acredito que na parte técnica o Brasil tem uma grande diferença de superioridade, principalmente para mim que venho de uma academia de excelência em qualidade técnica e de uma cidade que é berço de lutadores com excelentes academias, que rivalizam e disputam muito. Isso melhora a qualidade do jiu-jitsu de todos”, completou.

Diferenças entre Brasil e Estados Unidos

Outra diferença entre as nações está na forma como o esporte é tratado por atletas e até por empresários, principais fontes de patrocínio dos lutadores amadores e profissionais. “Aqui os atletas têm muito suporte para treinar. Todos apoiam, desde a família até os empresários que permitem que se dediquem muito. Como aqui eles já têm uma cultura esportiva forte desde a base, são muito disciplinados e se esforçam ao máximo em tudo o que fazem”, revelou.

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“As principais diferenças entre Brasil e Estados Unidos são a visão da sociedade e dos empresários. Em termos de organização, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, por ser um braço da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro, não apresentam muita diferença de organização, ambas têm estruturas impecáveis, mas a principal diferença está na cultura do americano, que valoriza muito o esporte em todos os aspectos. Aqui, percebi que as categorias de crianças, mulheres e pessoas acima dos 30 anos são muito maiores que no Brasil. Tem muitos competidores em de todas as idades. Vi categorias com senhores de 70 anos lutando. Tem campeonatos todos os fins de semana, pais muito envolvidos na preparação dos filhos e empresários disputando atletas por patrocínios. Isso pra mim é o que mais chama atenção porque, muitas vezes, no Brasil, onde se encontra a maioria dos talentos do esporte, os esportistas não têm apoio nem da própria família e as dificuldades em busca de patrocínio são gigantescas”, concluiu. 

Apesar de estar longe de casa, e tendo que se adaptar a uma nova cultura, Bruno conta com o apoio de um conterrâneo potiguar nos Estados Unidos. Em Nova Jersey, os treinos são realizados na Team Oliveira, academia do professor Ademir Oliveira, residente nos Estados Unidos há 16 anos. Já na Califórnia, em Los Angeles, os treinos ocorrem na Checkmat Headquarters, sede mundial da bandeira que é liderada pelo mestre Leonardo Vieira. 

Decisão difícil 

Toda mudança exige sacrifício, e a conciliação do sonho com a profissão de advogado que desempenhava desde 2008 foi fator determinante para a escolha do jiu-jitsu. “Foi uma decisão muito difícil mesmo [deixar a profissão e abraçar de vez o esporte] porque eu não tive o apoio de quase ninguém. Mas a minha esposa e minha filha me apoiaram e foi o suficiente. Eu não tive apoio porque o esporte ainda encontra muito preconceito no Brasil, não somente ou jiu-jistu. A vida de atleta não é prestigiada, só depois que encontra o sucesso. Antes disso é coisa de sonhador”, falou.


Bruno ainda lembrou o que as pessoas mais próximas disseram quando ele revelou o sonho de deixar a advocacia para se dedicar às competições. “Me chamaram de doido”, disse rindo. “Mas eu sabia do meu potencial e hoje estou colhendo os frutos de ter acreditado em mim”, encerrou. 

Até agora, Bruno disputou 21 eventos em cidades como Miami, Orlando, Boston, NY, New Jersey, Chicago, Dallas, Atlanta ,Los Angeles, San Diego, San Francisco e Las Vegas.

Títulos conquistados em 2016 

1. WORLD Jiu Jitsu NO GI IBJJF Chapionship 2016 - Black Belt

Master 2 - Super Heavy- terceiro lugar;

2. PAN Jiu Jitsu NO GI IBJJF Championship 2016 - Black Belt Master

2 - Ultra Heavy - segundo lugar;

3. New York BJJ Pro IBJJF Championship 2016- Black Belt Master 2-

Super Heavy- primeiro lugar;

4. New York BJJ Pro IBJJF Championship 2016- Black Belt Master 2-

Open Class- primeiro lugar;

5. Boston Spring International Open IBJJF 2016 - Black Belt Master 1

- super Heavy – terceiro lugar;

6. Miami Spring International Open IBJJF 2016- Black Belt Master 2 -

Heavy - segundo lugar;

7. Miami Spring International Open IBJJF 2016- Black Belt Master 2 -

Open Class - terceiro lugar;

8. New York Summer International Open IBJJF 2016 - Black Belt

Master 2 - Heavy - terceiro lugar;

9. New York Summer International Open IBJJF NO GI 2016 - Black

Belt Master 2 - Heavy - primeiro lugar;

10. New York Summer International Open IBJJF NO GI 2016 - Black

Belt Master 2 - Open Class - segundo lugar;

11. Chicago Summer International Open IBJJF 2016 - Black Belt

Master 2 - Super Heavy - segundo lugar;

Chicago Summer International Open IBJJF 2016 - Black Belt

Master 2 - Open Class - segundo lugar;

13. Dallas International Open IBJJF 2016 - Black Belt Master 2 - Super

Heavy - segundo lugar;

14. Dallas International Open IBJJF 2016 - Black Belt Master 2 - Open

Class - terceiro lugar;

15. Dallas International Open IBJJF NO GI 2016 - Black Belt Master 2 -

Super Heavy - primeiro lugar;.

16. Dallas International Open IBJJF NO GI 2016 - Black Belt Master 2 -

Open Class - segundo lugar;

17. Atlanta Summer International Open IBJJF 2016 - Black Belt Master

2 - Super Heavy - segundo lugar;

18. Atlanta Summer International Open IBJJF NO GI 2016 - Black Belt

Master 2 - Super Heavy - primeiro lugar;

19. Atlanta Summer International Open IBJJF NO GI 2016 - Black Belt

Master 2 - Open Class - terceiro lugar;

20. NAGA- Battle of the beach grapling championship - master NO GIheavy

- primeiro lugar;

21. NAGA- Battle of the beach grapling championship - Black belt

master - heavy - segundo lugar;.


Tags: Bruno Barreto Bruno Protásio Checkmat jiu-jitsu Thiago Barreto
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