Retrospectiva do MMA 2016 - assuntos mais quentes

Artur Dantas,

por Artur Dantas

Definitivamente, não tem como dizer que 2016 foi um ano comum para as artes marciais. Quem asseguraria no ano passado que a maior franquia de MMA do mundo seria vendida? Quem apostaria seus recursos no retorno de Brock Lesnar? Quem diria que quem foi considerado o maior lutador peso por peso do mundo sofreria uma passada de carro no primeiro round de um brasileiro que foi demitido do UFC? E, por último, como imaginar que após 10 anos o Brasil não teria sequer um cinturão? Por essa e outras que nunca é demais pedir: senta que lá vem história. Com vocês, os assuntos que mais mexeram com a cabeça dos fãs.

A volta de Royce Gracie (e o primeiro nocaute da carreira aos 50 anos)

Quase uma década separou um dos principais representantes tradicionais do Brazilian Jiu-Jitsu de uma luta profissional de MMA. Em dezembro do ano passado, o Bellator anunciou que Royce Gracie voltaria a competir oficialmente em uma trilogia contra Ken Shamrock, contra quem o brasileiro se encontrou a primeira vez em 1993, nos primórdios do UFC. Na época, o irmão, Rorion, era um dos donos do Ultimate. Um empate depois, em 1995, no UFC 5, ambos voltaram a se encontrar. Já não estavam na flor da idade (50 anos para Royce e 52 anos para o americano), mas o combate aconteceu de toda forma, em fevereiro. 

A vitória do Gracie não veio por finalização, como era esperado, mas por nocaute técnico ainda no primeiro round. Diga-se, de passagem, o primeiro da carreira. Mas aqui vale uma ressalva: a luta foi realizada sob uma das regras antigas do vale-tudo, com peso aberto, porém com limite de tempo, uma das principais críticas dos Gracie ao MMA moderno. O confronto não foi de se encher os olhos, mas para os fãs de lutas foi um revival e tanto. O resultado da luta não agradou Shamrock, que colocou na conta do árbitro centrala interrupção precoce.

A derrota de Shamrock foi a segunda consecutiva desde que assinou com o Bellator. Antes de Royce, Ken havia sido nocauteado por Kimbo Slice, em 2015, que viria a falecer um ano depois vítima de complicações cardíacas. 


Venda bilionária do UFC

Em julho, enfim, foi encerrada uma das maiores especulações (atrás somente da luta entre Floyd Mayweather e Conor McGregor) do esporte de 2016: a venda do UFC. No dia 11, após o UFC 200, foi confirmado o arremate do maior evento de MMA do mundo por $ 4 bilhões pelo grupo William Morris Endeavor/IMG. Dana White continuou no cargo de presidente da franquia, mas os irmãos Lorenzo e Frank Fertitta agora são sócios minoritários.

$4 bilhões? Nada mal para a Zuffa que comprou o UFC da SEG e de Rorion Gracie por $ 2 milhões. 

Saída de Decker

Um ano e meio depois de ter assumido o cargo de vice-presidente de organização e gerente geral do UFC no Brasil, em substituição a Grace Tourinho, Giovani Decker deixou o posto. Em outubro, o executivo, que chegou ao UFC com a proposta de colocar a franquia em um outro patamar, abriu mão do objetivo e anunciou a saída um mês antes do UFC Minotouro vs Bader, em São Paulo. Segundo fontes ligadas a Decker, o afastamento ocorreu porque ele buscava novas oportunidades longe do MMA. Antes de assumir o cargo, o gaúcho acumulava experiências no futebol, nas categorias de base do Grêmio e São Paulo, e havia ocupado um alto posto na Nike. 

Amanda Nunes, a campeã do povo

Se tem uma coisa que Amanda Nunes não pode dizer é que 2016 não foi um ano especial. E pode ser ainda mais caso consiga defender o cinturão na luta contra Ronda Rousey, na próxima sexta-feira (30). Neste ano, a baiana se tornou a primeira brasileira a conquistar um cinturão do UFC, fato já tentado por Bethe Correia e por Cláudia Gadelha, essa última na categoria peso palha. Contra Miesha Tate, que havia conquistado o cinturão ao finalizar Holly Holm,  Nunes fez uma luta consistente e venceu a americana por finalização, em julho, na luta principal do UFC 200. Claramente, um dos principais acontecimentos deste ano. 


Os tópicos a seguir serão de “voltas”. Vamos começar pela top 1.

"I´m back, bitch!"

Ronda Rousey não teve um final de 2015 fácil. A então campeã dominante dos galos foi brutalmente nocauteada por Holly Holm em novembro do ano passado e precisou de um tempo para colocar a cabeça em ordem antes de sinalizar que estava pronta para voltar a lutar. Dessa vez, na condição de desafiante, situação que desconhecia desde 2012, quando finalizou Miesha Tate e ficou com o cinturão peso galo do extinto Strikeforce, ela terá pela frente a brasileira Amanda Nunes no próximo dia 30. Se ganhar, Ronda confirmará que a divisão feminina foi a que mais o cinturão mudou de dona neste ano, três até o momento. 

“Can you see me now?”

O UFC guardou uma surpresa e tanto para os fãs de luta. Depois de muita especulação sobre um possível retorno ao MMA, o Ultimate revelou no vídeo de chamada para o UFC a volta de Brock Lesnar, longe da franquia desde 2011 quando perdeu para Alistair Overeem, em dezembro, por nocaute. Cinco anos depois, o gigante voltou ao octógono contra Mark Hunt e venceu por decisão unânime por triplo 30-27. Porém, Lesnar foi flagrado no exame antidoping dias depois e o resultado da luta foi alterado para no contest. 


Aldo vs Edgar

Outro retorno que merece destaque foi o de José Aldo, nocauteado por Conor McGregor em treze segundos no apagar das luzes de 2015. Em julho, depois de muito atrito com o UFC por causa de tentativas frustradas de revanche contra o “Notorious”, o Ultimate anunciou que o ex-campeão dos penas faria uma luta valendo o cinturão interino contra Frankie Edgar enquanto Conor decidia sua vida sobre qual categoria gostaria de ficar: penas, leves ou meio-médio. No combate, Aldo fez uma luta sólida e o resultado acabou o mesmo da primeira vez que ambos se encontraram, em 2013, quando o brasileiro defendia o cinturão pela quarta vez. Venceu por decisão unânime depois de 25 minutos. 

Dominick Cruz, o retorno

Esse seria um dos tópicos para entrar definitivamente na lista dos atletas lesionados permanentemente, mas dada a importância do lutador e os seus feitos, ficará por aqui mesmo. Dominick Cruz não viveu momentos fáceis entre 2011 e 2015. Várias lesões atrapalharam a vida do americano dentro do octógono. Ele viu o seu cinturão linear ser retirado, viu a consolidação de Renan Barão como novo dono do cinturão interino e, depois, como campeão titular, até mudar de cintura e ter como novo detentor TJ Dillashaw, claramente inspirado no footwork de Cruz. Em janeiro, no entanto, os dois se enfrentaram para saber quem era o melhor. Cinco rounds mais tarde, a melhor ficou com o criador. Cruz recuperou o posto que alega nunca ter perdido, de fato, em luta.


Bellator e Fedor, tudo a ver

Matt Mitrione não é o lutador peso pesado mais perigoso do mundo. Nem um dos mais, mas mesmo assim foi escolhido pelo Bellator para fazer sala para o atleta considerado por muitos o melhor de todos os tempos: Fedor Emilianenko. Depois de muita negociação, que envolveu até novos boatos sobre o russo no UFC, o peso pesado que brilhou no Pride acertou com a segunda maior organização de MMA do mundo e estreará pelo evento em fevereiro de 2017. 


Maldonado chegou perto

Fábio Maldonado, ex-UFC, chegou perto de conseguir o que apenas Tsuyoshi Kohsaka, Antônio Pezão, Fabrício Werdum e Dan Henderson conseguiram: vencer Fedor Emilianenko. No evento Eurasia Fight Nights 50, realizado em junho em São Petersburgo (Rússia), o Caipira de Aço passou o carro no “Último Imperador” no primeiro round do combate, mas perdeu os outros dois, na visão dos juízes, e acabou perdendo a luta de forma muito contestada. 

O time do brasileiro, então, recorreu a Associação Mundial de MMA (WMMAA) para reverter o resultado. E o saldo foi surpreendente: terminou com a suspensão temporária do vice-presidente da União Russa de MMA, Radmir Gabdullin, parceira de treino de Fedor e principal juiz da entidade. Por fim, após revisão do combate, juízes internacionais consideraram por unanimidade que a luta foi empate, 28-28 (10-8 a favor do brasileiro no primeiro round e duplo 10-9 para Fedor nos assaltos seguintes). 


Chael Sonnen no Bellator

Quando Chael Sonnen deixou o UFC, em 2014, o fez pela porta de trás em um episódio que envolveu um desentendimento com Wanderlei Silva e, por fim, doping. Para quem não lembra, foi assim: Wanderlei e Sonnen estavam programados para lutar no final do The Ultimate Fighter Brasil 3, em 2014. Só que o brasileiro acabou “dando um migué” no pessoal da Comissão Atlética que apareceu na academia dele para um teste surpresa e saiu sem dar explicações. Com isso, o curitibano foi cortado do UFC 175, e Vitor Belfort escalado para enfrentar Sonnen, mas aí foi a vez do americano de vacilar e acabou sendo flagrado no exame antidoping, sendo suspenso por dois anos. O “Gangster do Oregon”, então, anunciou aposentadoria. 

Em 2016, no entanto, a suspensão chegou ao fim e ele assinou com o Bellator. Com estreia marcada para fevereiro contra Tito Ortiz, Sonnen já planeja uma vitória e o adversário a seguir: Wanderlei Silva. 

Mitrione, Rory McDonald e Bendo passam para a concorrência

Scott Cocker, CEO do Bellator, revelou em junho que estava indo atrás de todos os lutadores que não mantivessem contrato com nenhuma organização (leia-se UFC) para trazer à franquia. E não é que deu certo? Só em 2016, o UFC viu migrarem da organização Matt Mitrione, Rory MacDonald e Ben Henderson, ex-campeão dos leves do Ultimate. Antes disso, o UFC já tinha perdido Quinton Rampage Jackson (que posteriormente voltou ao UFC), Phil Davis, Kimbo Slice, Tito Ortiz, Josh Koscheck, Josh Thomson, Cheick Congo, entre outros. Se forçar a barra um pouco mais dá até pra chegar a Royce Gracie e Ken Shamrock.

UFC em NY

Se 2016 não é o número de sorte do UFC, 19 certamente é. Neste ano, exatos 19 anos depois de ter sido banido de Nova York, em 1997, o Ultimate foi autorizado a realizar uma edição no estado. Isso por causa de uma propaganda controversa realizada nos primeiros anos do Ultimate que dizia “No holds barred”, algo como “sem regra alguma”, em tradução livre. Era justamente essa falta de limites que assustava os políticos e foi a deixa que o o então senador John McCain, um dos principais articuladores para banimento do esporte por lá, precisava para sensibilizar os congressistas. 

Em 1997, o UFC planejava realizar o UFC 12, que teria a estreia de Vitor Belfort no GP dos pesados, mas com a proibição foi transferido às pressas para o Alabama. Nova York, ainda em 2016, era o último dos 50 estados que não reconheciam a legalidade do MMA. A lei que regulamenta o esporte no estado foi aprovada em 22 de março deste ano. 

E para comemorar o UFC fez o que sabe de melhor: promover evento. Em NY foi realizado o UFC 205, que apenas com o público de 20.427 rendeu $ 17.7 milhões para o bolso da Zuffa.  Para isso, foi preciso escalar um time de estrelas para o evento do Madison Square Garden liderado por Conor Mcgregor que nocauteou Eddie Alvarez e ficou com o título dos leves. Mas, além deles, a edição 205 teve mais duas disputas de cinturão com Tyron Woodley defendendo contra Stephen Thompson e Joanna Jedrzejczyk vencendo a peleja contra a também polonesa Karolina Kowalkiewicz, mas também com Yoel Romero contra o nova-iorquino e ex-campeão dos médios Chris Weidman, e Raquel Pennington vs Miesha Tate fechando o card principal. 

Segundo a Forbes, a venda de pacotes pay-per-view para o evento foi a segunda maior da história, contrariando a expectativa de superar o UFC 202: McGregor vs Diaz 2 (1.65 milhão de pacotes). No evento de NY foram comercializados entre 1.3 milhão e 1.4 milhão de pacotes. 

Ainda de acordo com a Forbes, o UFC 205 teve os seguintes números:

·  Bateu o recorde de arrecadação em venda de ingressos, superado a luta de boxe entre Lennox Lewis vs Evander Hollyfield, em 1999, que era de $ 13.5 milhões. 

·  Bateu o recorde do próprio UFC Gorges St.Pierre vs Jake Shields (129), no Canadá, que arrecadou $ 12 milhões. 

·  Teve 1.8 milhão de telespectadores no card preliminar, o que o coloca como terceiro maior da história do próprio UFC.

·  Os $ 17.7 milhões conseguidos com a venda de ingressos rendeu para o estado de NY $ 1.5 milhão em tributos.

·  14 bilhões de impressões nas mídias sociais, a maior da história do UFC. 

Bellator na Itália, Inglaterra e Israel

Os planos do Bellator no ano passado eram ousados para 2016: fazer eventos na Itália, Inglaterra e Israel, nessa ordem. E assim aconteceu. É bem verdade que não foi a primeira vez fora dos Estados Unidos. Em sete oportunidades, entre 2011 e 2014, Ontário recebeu 7 edições. Neste ano, porém, a franquia pensou fora da caixa e fez diferente da concorrência além-América. Na edição 152, em Torino, Itália, em abril, o Bellator decidiu por um evento misto que mesclasse lutas de MMA e kickboxing no mesmo local mas com áreas de lutas distintas. De um lado, para o MMA, o famoso cage circular; do outro, para os combates nos quais apenas socos e chutes são válidos, um ringue. Dentre os escalados para o evento estiveram Patricky Pitbull e Kevin Souza (com o primeiro brasileiro saindo vencedor por decisão unânime) na luta principal nas regras das artes marciais mistas, enquanto Melvin Manhoef foi escalado para encarar Alexandru Negrea, vencedor por decisão unânime. 

Em julho, foi a vez da Inglaterra receber o Bellator. Encabeçando o evento estava Kimbo Slice, que faleceu por problemas cardíacos. Além disso, Josh Koscheck foi obrigado a adiar a estreia por causa de uma lesão, e coube a Douglas Lima medir forças com Paul Daley. Outro lutador lesionado obrigado a se retirar foi Fernando Gonzales, com complicações com o visto. Coube então a Evangelista Cyborg encarar Michel “Venom” Page no episódio que resultou em uma joelhada e consequente afundamento de crânio do brasileiro. 

Em novembro, foi a vez de Tel Aviv, em Israel, sediar o Bellator 160, que terminou com o brasileiro Douglas Lima recuperando o cinturão dos meio-médios ao nocautear Andrey Koreshkov. Dezembro encerrou o calendário de competições do Bellator com mais duas edições na Europa. Florença sediou o evento misto, com Alessio Sakara nocauteando Joey Beltran no MMA, enquanto Giorgio Petrosyan nocauteou Jordan Watson no kickboxing. 

Assim, coube a Irlanda a responsabilidade de fechar a conta do Bellator. No dia 16 de dezembro, King Mo Lawal encarou o japonês Satoshi Ishii, medalhista de ouro no judô na Olimpíada de Pequim, e nocauteou o nipônico. 

Nada mal para um ano apenas.

Brasil sem nenhum cinturão no UFC? Sim, mas só por dois dias

Aos poucos, os brasileiros foram perdendo os cinturões no UFC em 2016. Depois de Fabrício Werdum, em maio, foi a vez de Rafael dos Anjos perder a cinta dos leves para Eddie Alvarez, em julho,  o que deixou o Brasil, de fato, sem campeões no UFC. Isso não acontecia desde 2006 quando Anderson Silva interrompeu a seca deixada por Murilo Bustamante. Um dia depois, Cláudia Gadelha teve a chance de conquistar o cinturão ao enfrentar Joanna Jedrzejczyk, mas foi no UFC 200 que a situação foi revertida de vez: Amanda Nunes derrotou Miesha Tate, assim como José Aldo superou Frankie Edgar e ficou com cinturão interino dos penas. 


AposentALDO?

2016 foi um ano movimentado nas artes marciais sob diversos aspectos. Um deles, e que mais chamou atenção no segundo semestre, foi quando José Aldo anunciou aposentadoria depois de ficar revoltado com a marcação da luta entre Conor McGregor e Eddie Alvarez. Para situar o leitor, na época do anúncio, o europeu tinha vencido a revanche contra Nate Diaz e começou a mandar no baralho novamente. Foi aí que o brasileiro ficou possuído, pedindo até para que o UFC cancelar o contrato para que pudesse se aposentar. Isso mesmo. Em entrevista ao programa Revista Combate, do Sportv, Aldo falou em primeira mão que gostaria de se retirar por não concordar com a política do UFC, e que estava “de saco cheio”. Isso em setembro. Já no final de outubro, ele disse que estava reconsiderando a decisão e que “coisas boas” estariam por vir. Aguardemos. 


Diaz finaliza Conor

Depois de Jon Jones se colocar em situação difícil, e tornar a vida do UFC mais complicada, como 2016 poderia dar errado de novo com outra estrela da franquia? E se Conor McGregor perdesse para Nate Diaz, como as coisas ficariam? Ruins, né? Nem tanto. 

Em março, depois da lesão do então campeão dos leves, Rafael dos Anjos, escalado para enfrentar Conor McGregor, o UFC se viu às voltas e sem um lutador interessante para lutar com Conor. Eis que surgiu Nate Diaz, irmão mais novo de Nick Diaz, sem nada a perder e interessado em faturar alguns milhares de dólares. Com pouco mais de uma semana para se preparar, Nate não ligou para o fato de ser o azarão e caiu pra dentro do combate, travado nos meio-médios, conseguindo um feito impensável àquela altura no UFC: depois de perder a parte inicial do combate, ele se recuperou e massacrou McGregor em pé. Atordoado, o irlandês levou a luta para o chão e foi finalizado com uma mata-leão, mas não sem antes dar os três tapinhas. 

A derrota, claro, colocou uma interrogação nas habilidades de Conor no solo, uma vez que já havia sido levado para baixo com certa facilidade por Chad Mendes. Mas a dúvida em relação ao jogo do então campeão dos penas durou pouco. Em duas oportunidades, contra o próprio Nate e contra Eddie Alvarez, ele mostrou que, na verdade, a derrota para Diaz foi um tropeço. Tá bem, um tropicão. 


Conor, primeiro campeão simultâneo em duas divisões do UFC

Quando Conor McGregor derrotou José Aldo por nocaute em 13 segundos, muitos trataram o feito como um golpe de sorte, principalmente depois da derrota para Nate Diaz. Porém, depois da vitória na revanche contra Diaz, McGregor decidiu se testar em outra categoria, a dos leves. E ganhou uma luta pelo cinturão contra Eddie Alvarez, que havia nocauteado Rafael dos Anjos. Com uma atuação irrepreensível, “The Notorious” mostrou que não havia nada de sorte e, por nocaute, venceu o combate, se tornando o primeiro campeão do UFC em duas divisões simultaneamente, a 66 quilos e 70 quilos. 


E o que Aldo tem a ver com isso?

José Aldo andava meio borocoxô com o escanteio que estava levando do UFC. Sem luta marcada e atrás de mostrar que tinha mais a render contra McGregor do que mostrou em 2015, o manauara teve que amargar recorrentes negativas do Ultimate para encarar o irlandês. E, assim, viu Conor ser campeão dos leves. E daí? Daí que o UFC deu um ultimato ao europeu: escolha com qual cinturão ficar e largue o outro. Contrariado, McGregor cumpriu a ordem e deixou vago o título até 66 quilos. Pelas regras, em caso de não haver um campeão interino, o cinturão deve ser disputado em uma luta entre os mais bem ranqueados. No entanto, como José Aldo detinha a cinta, foi declarado novamente campeão linear no final de novembro. Mas, não satisfeito, o “Scarface” já adiantou que vai aos leves buscar a revanche contra Conor. A conferir. 

Aposentadorias

As aposentadorias são um capítulo adicional na vida de um lutador. Alguns não sabem a hora de parar, outros param cedo demais e outros no exato momento. Não foi o caso de Dan Henderson, que está em outro estágio. Aos 46 anos, o norte-americano pode – e deve – ser considerado uma lenda as artes marciais mistas pelas suas realizações. Com grande capacidade de recuperação mesmo após quase nocauteado, Hendo tirou da cartola inúmeras reviravoltas com a famosa “H-Bomb” que vitimou vários adversários, a saber: Michael Bisping, Maurício Shogun, Fedor Emilianenko e Wanderlei Silva, pra ficar só nesses.

Em junho, já com a imprensa cogitando a aposentadoria, Hendo enfrentou Hector Lombard, e, depois de perder o primeiro round, conseguiu uma virada no segundo assalto, garantindo um dos nocautes mais pesados deste ano. Com a vitória contundente, Henderson se credenciou para a disputa de cinturão, furando a fila e deixando Ronaldo Jacaré para trás. Assim, confirmou a revanche contra Michael Bisping, mas em outubro não teve o mesmo sucesso do que na primeira vez que se encontraram e perdeu por decisão unânime. Mas, após a luta contra Lombard, Dan já havia adiantado que se retiraria das lutas ganhando ou perdendo.  No MMA, Hendo acumulou em 19 anos de carreira 47 lutas, sendo 32 vitórias e 15 derrotas.

Miesha Tate

O revés diante de Raquel Pennington, no UFC 205, deixou mexeu com a ex-campeã peso galo do Ultimate e Strikeforce Miesha Tate. Após ser superada por decisão unânime, “Cupcake” disse: “Não dá mais para mim. Já estou nisso há muito tempo, meu corpo já foi muito machucado. Vou amar esse esporte para sempre, mas não é mais a minha hora, é a hora do futuro”, falou, apontando para a algoz em cima do octógono.

No cartel, Miesha somou 25 lutas, das quais 18 vitórias e sete derrotas, em nove anos de carreira. Nos combates, há de se ressaltar, Tate construiu uma forte e intensa competição com a então campeã da categoria Ronda Rousey. No segundo combate entre as duas, em 2013, “Rowdy” se negou a cumprimentar a adversária após a finalização, muito disso em virtude das discussões registradas durante as filmagens do The Ultimate Fighter, em 2013.

 O ponto alto da carreira de Tate, de 30 anos, veio neste ano quando conseguiu apagar a então campeã e favorita para o combate, Holly Holm, ganhando o título e o bônus de performance da noite. Uma luta mais tarde, a americana encontrou pelo caminho a brasileira Amanda Nunes, que finalizou Miesha e se tornou a primeira campeã brasileira do UFC, em julho.

Urijah Faber

Outro lutador muito conhecido dos americanos e que se aposentou recentemente foi Urijah Faber, conhecido também por ter batido na trave quatro vezes no UFC (duas lutas com Renan Barão e dois com Dominick Cruz) ao tentar conquistar o cinturão dos galos, o mesmo número de vezes que falhou ao tentar reconquistar o cinturão do WEC que conseguiu em 2006, mas perdido em 2008 para Mike Brown.

No WEC, o “California Kid” viveu momentos ruins, como foi contra José Aldo, em 2010. O brasileiro defendia o cinturão contra o lutador natural de Sacramento, mas foi repelido com fortes chutes na perna esquerda, algo como 34 golpes desferidos pelo “Scarface”. Os leg kicks recorrentes renderam dificuldade de locomoção de Faber, que chegou a ser carregado pelo córner em um dos intervalos.

Mas nem só de derrotas viveu o lutador, um dos queridinhos e boa praça do UFC. Faber travou lutas interessantes, encabeçou três eventos principais, e fez combates de se encher os olhos como contra Michael McDonald, Iuri Marajó, Frankie Edgar e o próprio Dominick Cruz, contra quem sedimentou uma das maiores rivalidades dos últimos anos.

Urijah se aposenta aos 37 anos, sendo 13 anos de carreira. No cartel acumulou 34 lutas e 10 derrotas. O anúncio que penduraria as luvas veio após a vitória por decisão unânime sobre Brad Pickett, no UFC em Sacramento, no dia 12 de dezembro.

Manny Gamburyan

Outro lutador que trilhou carreira no WEC, e contemporâneo de Faber, foi Manny Gamburyan, também recém-aposentado. Após o nocaute contra Johnny Eduardo, no UFC São Paulo, em novembro, ele soltou: “Bem, isso pode surpreender muita gente, minha família, meus amigos...mas tem sido uma trajetória muito longa e difícil. Acho que vou encerrar minha carreira, gente, acho que foi minha última luta. Fiz o meu melhor, tive um camp incrível... está ficando difícil, mas acho que é isso”.

Gamburyan, primo de outro ex-UFC, Karo Parisyan, fez parte do UFC em duas oportunidades, sendo intercalada pelo contrato com o WEC, posteriormente adquirido pelo Ultimate. O armênio de 35 anos fez parte do elenco do The Ultimate Fighter 5, em 2007, ficando na organização até 2009, quando passou para o WEC. Lá, fez quatro lutas e chegou a nocautear o ex campeão dos penas, Mike Brown, mas teve José Aldo como único algoz.

No cartel, “The Anvil”, de 35 anos, acumulou em 17 anos de carreira 26 lutas, sendo 15 vitórias, 10 derrotas e um no contest.


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