Morre segunda vítima em ação do Exército que fuzilou carro de músico

Catador de materiais recicláveis que tentou socorrer as vítimas, Luciano Macedo, foi ferido durante a ação.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Fábio Teixeira/AP
Dez militares do Exército foram presos em flagrante, acusados de matar o músico Evaldo Rosa, durante ação desatrosa.

Foi confirmada na manhã desta quinta-feira (18), a morte do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, de 28 anos, que tentou socorrer as vítimas do carro de músico morto a tiros no último dia 7. O veículo de Evaldo dos Santos Rosa, de 46 anos, foi atingido pelo Exército com 80 tiros e teria sido confundido com o de bandidos que estavam agindo nas proximidades do Piscinão de Ramos, em Guadalupe, na zona norte do Rio. O músico morreu no local.

No dia da tragédia, Luciano Macedo foi internado em estado grave no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Sua morte foi confirmada às 4h20 desta quinta. Foi a segunda vítima morta em ação do Exército que fuzilou o carro do músico Evaldo dos Santos Rosa. Segundo o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos, a mulher de Macedo, Daiana, está grávida de 5 meses e está passando por momentos muitos difíceis. "Não para de chorar e é ignorada pelo poder público". A entidade deu assistência ao casal.

Evaldo seguia com a família para um chá de bebê quando o carro em que estavam foi atingido. Mesmo depois que o veículo parou, os disparos dos militares continuaram. Sob a fuzilaria, a mulher de Evaldo, uma amiga e o filho do casal rastejaram para fora. Macedo tentou socorrer as vítimas e foi ferido gravemente. O sogro de Evaldo também sofreu ferimentos.

Transtornada, a viúva do músico fez no dia seguinte um relato dramático. “Os vizinhos começaram a socorrer (o meu marido), mas eles continuaram atirando. Eu botei a mão na cabeça, pedi socorro, disse para eles que era meu marido, mas não fizeram nada, ficaram de deboche.”

Dez militares do Exército foram presos na segunda-feira (8), em flagrante, acusados de matar Evaldo. O caso está sendo investigado pela Justiça Militar.

Tags: Rio de Janeiro
A+ A-