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Saiba sobre o cyberbullying – crimes de violência moral praticados através da internet – e como se defender de um dos tipos de violência que mais cresce na atualidade.

Por Ellen Paes
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Bully significa ‘valentão’. Ironicamente, a palavra cyberbullying, que vem de bullying – termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (o bully) ou grupo de indivíduos contra outro; vem para designar esses atos que são praticados nos ambientes virtuais por essas pessoas, e da forma mais covarde possível – através do anonimato.

Hoje os crimes no ambiente cibernético já movimentam mais recursos do que os crimes do Narcotráfico, segundo informações da Coordenadoria-Geral da Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos, que realizou entrevista coletiva sobre o assunto na última terça-feira (20) no Rio de Janeiro.

O objetivo das pessoas que praticam o bullyng, seja na internet ou em outros ambientes, é intimidar e agredir pessoas que estão incapazes de se defender.

Pesquisadores estudaram as causas que levam jovens ao suicídio e descobriram que a maioria deles sofriam desse tipo de intimidação, praticada através da violência psicológica e moral.

“Senti-me impotente. Sem defesa. Não tive apoio de ninguém, nem tempo disponível para resolver o problema. Foi um desgaste físico e emocional muito grande”, descreve o jornalista Edwin Carvalho, que foi vítima do cyberbullying em 2006.

Ele lembra que passou a participar do site de relacionamentos Orkut, quando ele ainda era algo de pouca repercussão e não fazia idéia da proporção que aquela exposição pessoal poderia tomar.

Segundo ele, alguém, possivelmente do próprio ciclo de contatos, utilizou-se de fotos e informações pessoais para criar um perfil dele em um site pornográfico.

“Comecei a receber ligações de pessoas estranhas que diziam ter encontrado meu contato nesse site. Elas entravam no meu orkut atrás de mais informações”, conta.

A primeira reação do jornalista foi entrar em contato com a administração do site pedindo que fosse retirado o perfil do ar. Fato que só ocorreu uma semana após a primeira tentativa.

“Na época eu não era muito informado e as próprias autoridades não sabiam o que fazer. Procurei a Polícia Militar e logo depois a Polícia Federal, mas nunca encontrava a pessoa que era responsável por esses casos.

E eles mesmos nunca tinham ouvido falar de tal procedimento, havia, ou há ainda, um despreparo muito grande”, relata o jornalista que acabou desistindo.

“Apenas enviei um e-mail para todas as pessoas da minha lista de contatos informando o que estava ocorrendo e que estava tomando as providências cabíveis. E então, após terem tentado colocar o perfil falso por três vezes, pararam. O que me leva a crer que realmente tratava-se de alguém de meu próprio ciclo.”

A turismóloga Adriana Amâncio da Silva passou por algo parecido “Alguém pegou minhas fotos e utilizou-se de minha imagem pra fazer outro site pessoal.” De acordo com ela, no outro site havia fotos dela e da família, e a pessoa usava o perfil para entrar em outras comunidades deixando insultos a outros usuários.
Ela recorreu à central de ajuda do site, que hoje já conta com uma jurisdição específica para resolver esse tipo de problema, após inúmeras denúncias de sites pedófilos e afins.

“Recebi resposta confirmamdo que aquele orkut era falso e que por volta de 15 dias ele seria cancelado, mas ainda está lá. E como eu acredito que a pessoa não use mais o site, nem fui mais atrás de resolver.”

A impunidade nesse tipo de ambiente acaba por vencer a paciência das pessoas afetada. A arquiteta Laura Viana* diz ter ser importunada há três anos.

O agressor (ou agressora, pois ela desconfia da ex-namorada do ex-namorado) mandou mensagens para o celular pessoal dela, e-mails e invadiu seu fotolog (espécie de diário virtual com fotos), a insultando de todas as formas.

“À medida que o tempo foi passando, eu achava que iria parar, mas não parou. Tiveram vezes que realmente fiquei indignada, quis ir atrás, chorei, tive ódio mesmo. Porque isso dura até hoje, mesmo depois de o namoro ter acabado.”

A publicitária Madalena de Andrade* não deixou por menos. Há alguns anos ela se recorda que utilizaram fotos suas e de algumas amigas como motivo de chacota em um site que se dedica a isso.

“Uma das minhas amigas entrou lá e revidou. Insultou o dono do site. Hoje me arrependo de não ter ido atrás de denunciar. Acho que não ir atrás de resolver contribui para que essas pessoas continuem a se comportar dessa maneira.”

A maior parte das vítimas concorda que poderiam ter insistido mais, porém, como as informações ainda são bastante limitadas nessa área, fica difícil coibir, além do grande desgaste emocional. A recomendação é que as pessoas tentem se preservar ao máximo.

“É fácil cometer esses crimes, mas difícil de resolvê-los. Portanto, é melhor que cada um se previna. Ninguém precisa saber demais da sua vida pessoal. Evitar dar informações pessoais na internet e utilizar ferramentas que bloqueiem as fotos, como as criadas recentemente pelo Orkut são uma opção. Além disso, aconselho que não ignorem o assunto para que esses agressores possam ter a devida punição”, indica o jornalista Edwin Carvalho.
 
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