Descaso na saúde: apenas um posto funciona em toda Natal

Mesmo com greve dos clínicos do Walfredo Gurgel, apenas um pronto-atendimento da capital (em Cidade Satélite) possuía médico na manhã de hoje.

Melina França,
Fotos: Melina França
Além da paralisação dos clínicos do Hospital Walfredo Gurgel, os usuários da saúde pública encontraram outra dificuldade na manhã de hoje (20): as unidades de pronto-atendimento de Natal não funcionavam por falta de médicos. A única realmente atendendo era a de Cidade Satélite (Zona Sul).

O Walfredo Gurgel, que está apenas com 30% do seu quadro de clínicos, teve de encaminhar aos postos de saúde os pacientes que não se enquadravam nos casos de traumatologia ou de internação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

“Mas o único com médicos à disposição é o de Satélite. É inadmissível uma cidade com o porte de Natal só ter um posto de pronto-atendimento funcionando”, criticou a assistente social Lúcia Barbosa do HWG, responsável pela checagem dos postos para encaminhamento. A informação foi confirmada também pelos postos de saúde visitados pela equipe do Nominuto.com.

Um dos casos encontrados no Walfredo Gurgel foi o da agricultora Aparecida de Oliveira, que esperava, durante a manhã, desde as 3h pelo atendimento do filho, João Batista de Oliveira. Ela diz que o menino não pôde receber o tratamento de uma torção no calçanhar no hospital e aguardava há mais de uma hora a transferência para uma unidade de pronto-atendimento.



Nos postos de saúde, a situação não é melhor. Na unidade de Cidade da Esperança, a dona de casa Tilma Oliveira tentava ser atendida. “Eu já vim de Felipe Camarão, porque o pronto-socorro estava fechado, mas acho que a situação não está diferente por aqui”. Ela procurava ainda por alguém que pudesse lhe dar a receita de um remédio controlado.

Em Mãe Luiza, o único médico à disposição é pediatra e os pacientes adultos também precisam ser transferidos para a unidade de Satélite. Apesar disso, a diretora do posto de saúde, Lúcia Rosa, garante que “aqui está tudo normal”.

De acordo com ela, o déficit de médicos plantonistas é uma questão de escala. “As coisas funcionam assim: um dia temos um pediatra, outro dia temos um clínico escalado para trabalhar”.

A titular da secretaria municipal de saúde (SMS), Ana Tânia Sampaio, alegou que a SMS está acompanhando o quadro de plantões das unidades e que “todas as medidas estão sendo tomadas”. A secretária, no entanto, não forneceu mais detalhes sobre as providências do órgão, pois estava participando de uma reunião.

A coordenadora de atenção especializada da secretaria afirmou que são recorrentes os problemas de falta e abandono de plantão – quando o plantonista deixa o posto no período de atendimento -, e garantiu que estes médicos serão notificados.
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