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Desertificação atinge municípios da região do Seridó

O Rio Grande do Norte é um dos principais estados brasileiros atingidos pelo fenômeno, com aproximadamente 75% do seu território afetado.

Por Mazilton Galvão
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Acervo Getson Luis
O Jornal Nasemana inicia nesta semana uma série de três reportagens, enfocando a desertificação, que é o mais grave problema ambiental da região semi-árida brasileira. O Rio Grande do Norte é um dos principais estados afetados, com aproximadamente 75% de seu território (158 municípios), onde reside uma população de mais de um milhão de habitantes, segundo dados do Idema, em processo de moderado a grave estado de desertificação.

Esta semana, iremos abordar a conjuntura atual do processo de desertificação, especialmente, na região do Seridó, que correspondente a 25% de nosso Estado, e é onde se concentra a gravidade do problema, segundo o professor e pesquisador da desertificação no semiárido, Getson Luis Dantas de Medeiros, Mestre em Desertificação do Semiárido, pela UERN - Universidade Estadual do Rio Grande do Norte.

Segundo Getson, o problema se agrava basicamente devido à ocupação desordenada e a busca predatória e cada vez maior dos recursos naturais. "Podemos citar outros fatores que estão contribuindo sensivelmente para esse aumento da desertificação como as atividades econômicas rurais que tradicionalmente giram em torno do binômio gado/algodão e da agricultura de subsistência em solo de aluvião", diz ele.

"Claro que a instabilidade climática e a estrutura fundiária extremamente rígida, dificultando a implantação de novas tecnologias agropecuárias, têm contribuído fortemente para o avanço de áreas em processo de desertificação. Além disso, a ausência de investimentos e de uma política específica para o setor tem agravado o problema", continua o pesquisador.



Com o início do período de estiagem, a situação se agrava ainda mais, afetando a quase totalidade da atividade agropecuária e, mais acentuadamente, às pequenas e médias propriedades. "A flora e a fauna, embora venham se adaptando à região ao longo dos anos, sofrem em demasia com a ação da estiagem, com sérias repercussões sobre os recursos hídricos, já escassos", diz Getson.

De acordo com a pesquisa de Getson Luis, o que vem acontecendo não é a evolução das condições de solo/clima da região para a condição de deserto, mas sim a evolução da degradação ambiental e da desertificação pela ação das atividades relativas ao homem.

"O fenômeno da desertificação pode ser visto como um círculo vicioso de degradação crescente, onde a erosão causa a diminuição da capacidade de retenção de água pelos solos, que leva à redução de biomassa com menores aportes de matéria orgânica ao solo; este se torna cada vez menos capaz de reter água", explica.

"A cobertura vegetal rareia e empobrece, a radiação solar intensa desseca ainda mais o solo com o aumento da incidência de luz e a erosão se acelera, promovendo a aridez. Trata-se de um processo de simplificação ecológica onde a ação do homem tem tido um papel fundamental, acelerando seu desenvolvimento e agravando as consequências através de práticas inadequadas de uso dos recursos naturais", esclarece.
 
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