Fotos: Elpídio Júnior
Projeto desenvolvido por alunos da UFRN pretende ajudar estudantes excluídos digitalmente.
Uma empresa formada há dois meses por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) coloca neste ano um novo produto no mercado: uma metodologia fundamentada na robótica para agir como facilitadora na aprendizagem de disciplinas em sala de aula.
Usando termos como "robótica educativa", "aprendizagem colaborativa" e "interdisciplinaridade", o grupo, formado por seis alunos, entre graduandos e pós-graduandos, desenvolveu um software, batizado Roboeduc, para os protótipos de robôs fabricados pela Lego (a mesma dos brinquedos de encaixe), tornando-os acessíveis a crianças do ensino infantil e fundamental.
"Os robôs da Lego já vêm com um software, mas ele é complicado demais para crianças muito pequenas. Na Roboeduc, fizemos um programa com cara de brinquedo e pouco textual", explica Renata Pitta, engenheira e mestranda de ciências da computação, que está no projeto desde o surgimento nos laboratórios do Departamento de Computação e Automação, em 2006.
A empresa ganhou espaço próprio, computadores e CNPJ e virou uma empresa incubada, cujos primeiros dois anos são "gerados" dentro da universidade, que arca inclusive com custos de energia elétrica, telefone e água. A Roboeduc divide sala e aluguel, um salário mínimo, com mais duas empresas incubadas no LAUT - Laboratório de Automação em Petróleo.
Depois de fecharem contrato, os novos empreendedores colocam o software e as peças Lego embaixo do braço e fazem uma primeira visita à escola, em que explicam a metodologia aos professores e ocorre o planejamento das oficinas.

Depois, em sala de aula, o grupo divide os alunos em turmas, que montarão o robô e aprenderão a manipulá-lo pelo computador. Assim, o novo "brinquedo" pode ser utilizado para caminhar sobre o mapa do Rio Grande do Norte, ou "ir à feira" comprar produtos de hardware, por exemplo.
"As aulas são multidisciplinares, porque o aluno pode aprender noções de informática, matemática, geografia, português...", explica Akynara Aglaer, mestranda em pedagogia, único membro do grupo que não tem formação tecnológica. As oficinas são elaboradas de acordo com a demanda do professor e são distribuídas em aulas quinzenais, com duração de seis meses.
O custo anual de uma oficina, incluindo os kits, é de R$ 6 mil por ano. O protótipo da Lego utilizado vale cerca de R$ 1.500, sob encomenda, em lojas de brinquedo. Outro plano da nova empresa é capacitar os professores para que eles mesmos deem as aulas. Nesse caso, a Roboeduc entraria como consultora. "Assim, poderemos atingir nosso principal foco, que é educar crianças excluídas digitalmente", continua Akynara.
De olho nas crianças da rede pública de ensino, o Roboeduc pretende montar protótipos de sucata de computadores ou uma versão virtual do robô para baratear as aulas. Em breve, o grupo deve apresentar a ideia para as Secretarias de Educação.

Eles ainda pretendem fazer um "clube de robótica" para promover encontros entre interessados nos fins de semana e um curso de robótica pedagógica, esse com data marcada para começar, a última semana de janeiro. Além de Renata e Akynara, fazem parte da Roboeduc Aquiles Burlamaqui, Sarah Thomaz, Samuel Azevedo e Carla Fernandes. Mais informações pelo site
www.roboeduc.com.
Serviço
Curso de Robótica pedagógica
Data: Última semana de janeiro
Período: cinco dias
Custo: R$ 50
Contato: 3215.3942 (ramal 203)