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Estudiosos explicam o cyberbullyng

Para especialistas, o maior problema desses crimes cribernéticos é que podem comumente serem confundidos com 'brincadeiras'.

Por Ellen Paes
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Para o professor de Psicologia e doutor em Educação, Herculano Campos, o problema do bullying é que ele se confunde freqüentemente com brincadeiras, e a fronteira entre uma brincadeira e uma agressão, nesse caso, é tênue.

Ele, que coordena uma tese de mestrado sobre o bullying, afirma que ainda há pouca consciência tanto dos educadores, quanto da sociedade em geral sobre o significado dele.

Segundo a mestranda responsável pela tese, Samia Jorge, o que caracteriza o bullying é a perseguição, a repetição e a intencionalidade da agressão, além do constrangimento da vítima.

De acordo com ela, que já atendeu uma adolescente que havia sido vítima de violência moral na internet, as conseqüências desse tipo de agressão vão desde o risco de depressão e reclusão da vítima, que passa a desconfiar de todos e se privar do convívio social; passando por distúrbios psicossomáticos (doenças físicas que refletem um sofrimento psicológico muito grande), humilhação e vergonha; chegando até mesmo ao suicídio.
Nos Estados Unidos, por exemplo, uma garota se envolveu com uma pessoa pela internet que depois de ter criado um vínculo emocional, passou a humilhar e a desconsiderá-la.

Dias depois a mãe a encontrou morta e descobriu-se que o agressor tratava-se de uma vizinha, que se defendeu dizendo que era apenas uma ‘brincadeira’.

Os motivos que levam uma pessoa a agredir outra são os mais diversos. “Quando investigamos o agressor, geralmente percebemos que o problema está dentro de casa, com a família, e é levado para todos os outros ambientes”, esclarece.

Para as vítimas, como o jornalista Edwin Carvalho e a arquiteta Laura Viana*, geralmente o motivo está vinculado à inveja. “São pessoas com falha de caráter”, considera Carvalho. “Acho que deve ser algum problema interior que a pessoa tem e o sucesso do outro acaba evidenciando isso”, complementa a arquiteta.

A maior dificuldade, na avaliação do professor, está na falta de caracterização legal da questão. “Enquanto não há definição do problema jurídico, fica difícil investigar.” Mas há sim como denunciar na justiça e, conforme explica a psicóloga, ignorar o problema e ‘fingir’ ser indiferente a ele, só piora a situação.
 
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