
Há registros de fortes tremores de terra no Rio Grande do Norte desde século XIX, segundo o coordenador do laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, professor Joaquim Ferreira. Mas foi no século XX, em 1986, que o município de João Câmara, distante 73 quilômetros da capital, ficou famoso pelo abalo que chegou a 5.3 graus na escala Richter.
O tremor foi considerado um dos que teve maior atividade sísmica já documentada e estudada no Brasil. Além da fama, o abalo também trouxe prejuízos, causou danos significativos à estrutura da cidade, chegando a cerca de quatro mil construções prejudicadas.
Nos últimas 72 horas, os potiguares testemunharam por duas vezes esse fenômeno pouco comum no Brasil, mas dessa vez foi entre Taipu e Poço Branco.
De acordo com informações do Laboratório de Sismologia da UFRN, no sábado (9), o tremor registrou magnitude de 3.3 graus na escala Richter e teve como epicentro a cidade de Taipu, localizada a cerca de 50 km de Natal.
O abalo desta segunda-feira (11), por sua vez, alcançou 3.8 graus na escala Richter e teve como epicentro a comunidade Jerusalém, localizada entre os municípios de Taipu e Poço Branco, cerca de 60 km distante da capital.
Em Natal, os fenômenos foram sentidos em diferentes regiões. Durante o abalo no fim de semana, apenas a zona Norte da capital registrou tremores. Já nesta segunda-feira (11), os tremores foram percebidos em toda cidade e até nos estados da Paraíba e Pernambuco.
“Desde 2003 não tinham abalos dessa intensidade”, informou Joaquim Ferreira.Segundo o professor, o acúmulo de energia durante esses sete anos deve ser o responsável pelos abalos. Porém, não há como afirmar que eles acontecerão em série. “Essa energia precisa se dissipar. Mas não podemos dizer que esse é um de muitos ou último”, explicou.
O tremor desta segunda-feira está sendo considerado de intensidade razoável, em comparação aos do restante do mundo. Porém, como nas demais localidades, a profundidade do tremor é cerca de 50 quilômetros, ele não é sentido em locais distantes.
De acordo com Joaquim Ferreira, os abalos da bacia potiguar se caracterizam por ter profundidade em torno de 10 quilômetros, por isso o alcance fora do estado.