A rede de hospitais públicos de Natal está comprometendo os atendimentos aos pacientes das diversas regiões da capital. Na manhã desta quarta-feira (3), o hospital Santa Catarina paralisou os procedimentos cirúrgicos por falta de lâmina de bisturi. O hospital dos Pescadores, nas Rocas, está interditado há semanas.
O desabastecimento dos hospitais públicos do Rio Grande do Norte foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa, com proposição do deputado e médico Paulo Davim, que contou com a participação de atores de saúde do Estado.
O presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), Geraldo Ferreira, justificou a calamidade dos hospitais. “A situação dos hospitais é deficiente para todos os pacientes, principalmente os que estão em situação de risco, vítimas de facadas e tiros”.

A explicação para a maior deficiência para os pacientes em risco é a falta de material cirúrgico, como bisturis, e material de sutura. “Os médicos estão trabalhando de forma improvisada, usando crepom para fraturas de ferro e para entubar pacientes”, diz.
Sobre o trabalho dos médicos, Geraldo Ferreira aponta um número de mais de 300 mil médicos no Brasil e acredita que a má remuneração seja o principal fator de descontentamento da classe. “O problema do caos na saúde é a falta de dinheiro e má gestão das verbas, inclusive de abastecimento dos hospitais”, esclarece.
Por isso, o Sinmed defende que seja criada uma fundação pública para gerenciar os hospitais de todo o Rio Grande do Norte, com flexibilidade nas compras de insumos e contratação de funcionários. “Com a fundação, a saúde terá mais agilidade na contratação de todo material necessário para uma boa gestão da saúde”, diz.
UnicatA diretora da Unidade de Agentes Terapêuticos (Unicat), Maria José de Souza, responsável pela distribuição dos medicamentos para os hospitais e para a população, admite a falta de luvas, fios e lâminas de bisturi. “Os insumos realmente estão faltando, mas a licitação está sendo concluída com suplemento para compra imediata desses materiais”, disse.
Como solução, a diretora anunciou o projeto de tornar autônomos os cinco maiores hospitais públicos do estado: em Natal, o Walfredo Gurgel, o Santa Catarina e a maternidade Leide Morais; em Mossoró, o Tarcísio Maia, e o hospital de Pau dos Ferros.
A estimativa é que em dois meses estejam resolvidos os problemas de abastecimento dos hospitais e a regularização de autonomia de compra para os hospitais públicos.